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Capítulo 24 de 33
Segundo Grau — parte 14 de 17
Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 2
A vida pública de Jesus. Até agora, tratei de esclarecer com a sua luz pró pria essa parte da vida de· Jesus, que os Evangelhos si lenciarlm ou envolveram com o véu da legenda. Mencio nei. · iniciação, o desenvolvimento de alma e de pensa a mento mediante os quais o Nazareno chegou à consciên cia messiânica. Em uma palavra, tentei refazer a gênese interior do Cristo. Reconhecida essa gênese, será mais s fácil o restante da minha tarefa. A vida públicá de Jesu foi contada nos_ Evangelhos. Naquelas narrativa,:;, há di vergências, contradições, hiatos. Mas, o que importa fa zer é declarar o papel de Jesus, pelas tradições e verda des esotéricas, mostrar o· sentido e o alcance transcen dente do_ seu duplo ensinamento. Qual a grande nova de que era portador o Essênio já célebre, que voltava das margens do Mar Morto para a sua pátria, a Galiléia, para oregar o Evangelho do Reino? Como iria ele mudar a fa ce do mundo? O pensamento dos profetas viera adquirir forma na sua pessoa. Forte pela renúncia inteira do seu ser, ele queria que os homens participassem daquele re, no · dos céus, que ele conquistara em suas meditações, em suas lutas, em suas dores infinitas, em suas alegrias sem fim. Acabara de rasgar o véu que a antiga religião de Moisés estendera sobre o além. Acabara de dizer: "Crede, amai, agi e que a esperança seja a alma das vossas ações. Existe, além desta terra, um mundo de al mas, uma vida mais perfeita. Eu o conheço, venho de lá, e vos conduzirei até lá. Mas, não basta aspirar. Para chegar lá é necessário começar aqui em baixo, primeiro em vós mesmos, na humanidade em seguida. Cerno? Pelo Amor, pela Caridade ativa" . Viram o jovem profeta chegar à Galiléia. Ele não dizia que era o Messias. Discutia sobre a lei e os pro fetas, nas sinagogas. Pregava nas margens do lago de Genezaré, nas barcas dos pescadores, junto das fontes, nos oásis de verdura, entre Cafarnaum, Betsaida e Cora- 18-1 zim. Curava os doentes pondo-lhes as mãos, com um olhar, uma ordem, muitas vezes bastando só a sua pre sença. Seguiam-no multidões. Numerosos discípulos acom r panhavam-no. Eram ecrutados entre a gente do povo, os pescadores, os peões. Ele queria naturezas retas, virgens, ardentes. Ele apoderava-se delas, irresistivelmente. Na su3. . escolha, era guiado pelo dom da segunda visão, em todos os tempos, próprio dos homens de ação, mas so bretudo dos iniciadores religiosos. Bastava-lhe um olhar para sondar uma alma. Não necessitava de outra prova. Quando ele dizia: "Segue-me!" seguiam-no. Com um ges to chamava : "Vin os tímidos, os hesitantes, dizendo-lhes de a mim, vós que estais sobrecarregados, pois eu vos aliviarei." (MATEUS, XI, 28) Adivinhava os mais secretos pensamentos dos homens que, perturbados, confundidos, reconheciam o Mestre. Algumas vezes, na incredulidade, ele saudava a correção. Quando Natanael declarou: "Po de vir algo de bom de Nazaré?', Jesus observou: "Eis um verdadeiro israelita no qual não há falsidade". Não p exigia juramento, rofissão de fé dos seus adeptos, mas somente que o amassem e acreditassem nele. Praticou a comunhão de bens, não como regra absoluta, mas como princípio de fraternidade. i Jesus começava a real zar em seu pequeno grupo o reino do céu que ele queria fundar na terra. O sermão da montanha oferece-nos uma imagem desse reino, com um resumo do ensino popular de Jesus. Que anuncia o novo doutor? O jejum? A maceração? As penitências públicas? Não. Ele diz: "Felizes os pobres de espírito. O reino dos céus 1hes pertence. Felizes os que choram, eles serão consolados." Mostra em ordem ascendente as quatro virtudes doloro sas:· o poder maravilhoso da humildade, a tristeza pelos outros, a íntima bondade do coração, a fome e a sede de justiça. "Felizes os puros de . coração. Ele. verão a Deus." Como o som de um sino de ouro, essas palavras entreabr�m os céus aos ouvintes. O maravilhoso é que esse reino não se estende nas distâncias du céu, mas no _ interior dos ouvintes. Trocam entre eles olhares de admi ração. Os pobres de espírito, repentinameLte, tornaram -se ricos. Mais poderoso do que Moisés, o mâgico da alma 18:'i tocou-lhes o coração. Dele brota uma fonte imortal. O seu ensinamento popular resume-se nesta frase: "O rei no do céu está dentro de vós." Depois da exposição dos meios necessários para atingir-se esse reino, eles não se admiram mais das coisas extraordinárias que Jesus lhes pede: matar o desejo do mal, perdoar as ofensa.s, amar os inimigos. É tão poderoso o rio de amor, transbordante do seu coração, que ele os arrasta. Na sua presença, tudo lhes parece fácil. Imensa novidade, singular ousadia do seu ensinamento: o profeta Galileu coloca a vida interior da alma acima das práticas externas, o invisível acima do visível. O reino dos céus acima dos bens da terra. Dá ordem para escolher entre Deus e Mamon. "Amai o vos so próximo como a . vós mesmos. Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito." Sob essa forma popular ele deixava entrever toda a profundeza da moral e da ciên cia. O supremo mandamento da iniciação é reproduzir a perfeição divina na perfeição da a!ma. O segredo da ciência está na cadeia das semelhanças, qµe une em círculos crescentes o particular ao universal, o finito ao infinito. Para aqueles que aprofundaram a doutrina dos Mistérios na índia, no Egito, na Grécia, o pensamen to esotérico do Cristo anima não somente as suas meno res palavras, mas ainda todps os atos da sua vida. Já visível nos três sinóticos, ela aparece no Evangelho de João. Eis um exemplo, referente ao ponto essencial da doutrina. Jesus está de passagem em Jerusalém. Não está fa lando no templo, mas curando doentes e ensinando aos amigos. A obra de amor deve preparar o terreno onde cairá a boa semente. Nicodemos, fariseu instruído, ouvira . falar do novo profeta. Curioso, não queria comprometer -se com os da sua facção. Pede um encontro secreto com o galileu. Jesus concorda. Chegando à noite, em casa do Nazareno, Nicodemos exclama: -Mestr,e! Sabemos que és um doutor vindo da parte Deus. Ninguém poderia fazer os milagres que fazes, de · se Deus não estivesse com ele! uca Jesus retr : -Em verdade, em verdade, digo-te que sem nascer · de novo, ninguém pode ver o reino de Deus.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.