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Capítulo 27 de 33
Segundo Grau — parte 17 de 17
Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 2
Incandescente para a cúpula de luz. O hosana melodio , inefável, ouvi-lo so, retumba Ele, sem pe!os céus. Mas, mergulha no abismo. Eis o que s, ocorrer das Essência a outrora no mundo no seio do Amor Pai, onde do se celebram os mistérios eterno, onde as revoluções dos astros passam râpidas como as ondas. Eis o que ele tinha jurado cumprir, eis porque· ele nascera, porque lutara até aquele dia. E aque le grande juramento retoma-o no término da sua obra, pe no la plenitude divina, manifesta da sua consciência ·êxtase. · Juramento tremendo, cálice terrível! Era necessário bebê-lo. Depois da embriaguez do êxtase, ele despertava no fundo d� abismo, à beira do martírio. Não mais· a dúvida. Os tempos tinham chegado. O céu falara. A terra pedia socorro. Então apressando-se no caminho, Jesus · desceu o vale do Jordão e tomou à estrada de Jerusalém. A ceia. Processo e morte. A ressurreição "Hosana ao filho de Davi!" Esse grito seguia os pas sos · de J �sus, quando ele entrou em Jerusalém pela por- . ta oriental e os ramos de palmeira estendiam-se aos seus pés. Aqueles que o acolhiam com tanto entusiasmo eram os adeptos do profeta galileu vindos dos subúrbios e do centro ela cidade. Saudavam o libertador de Israel, que em breve seria coroado rei. Os doze apóstolos que o acompanhavam participavam ainda dessa ilusão, apesar das predições f armais do Mestre. Somente ele. o Messias aclamado, sabia que· marchava para o suplício e que os seus não penetrariam no santuário do seu pensamento senão depois da sua morte. Ele oferecia-se resolutamente, com plena consciência e p!ena vontade. Daí sua resigna ção, sua doce serenidade. Enquanto passava sob o pór tico colossal, aberto na sombria fortaleza de Jerusalém, o clamor ecoava sob . a abóbada, à maneira da voz do Destino: "Hosana ao filho de Davi!" Com aquela entrada solene, Jesus declarava publica mente às autoridades religiosas da cidade, que ele assu mia o papel de Messias com todas suas conseqüências. No dia seguinte, ele foi ao templo, no pátio dos Gentios. Dirigiu-se aos vendedores de animais, aos cambistas com rostos de agiotas, em cujas mãos tilintavam moedas, e ante aquele profanação do ambiente sagrado, ele prof e riu esta frase de Isaias: -"Está escrito: minha casa é um local de preces e vós o transformais em caverna de ladrões". Os nego ciantes fugiram com suas mesas e sacos de dinheiro, ameaçados pelos adeptos do profeta, que o rodeavam co mo uma trincheira sólida, mais ainda pelo seu olhar fla mejante e seu gesto imperioso. Estupefatos, os sacerdotes admiraram-se daquel au a dácia e ficaram receiosos por tanto prestígio. Represen tantes do sinédrio vieram perguntar-lhe: -Com que autoridade ages assim? A essa pergunta capciosa, Jesus, s.egundo seu hábi ara os to, respondeu com embaraçosa p uma pergunta seus adversãrios: -O batismo de João, de onde vinha?· Do céu ·ou dos -homens? Se os Fariseus respondessem:· "vinha do céu", Je sus lhes diria:·. "então por que não acreditastes?" Se eles respondessem "vem dos homens", eles teriam de recear o povo, que considerava João Batista um profeta. Então disseram: -Não sabemos. E Jesus então declarou: -Nem eu também irei dizer com que autoridade estou procedendo desta maneira . Mas, tendo aparado o golpe, ele tomou a ofensiva e acrescentou: . -Em verdade, eu vos digo que os humildes e as mulheres de mâ vida alcançarão o reino do céu, antes de vós. Depois, comparou-os ao mau rendeiro que matou os filhos do patrão para herdar a vinha e chama-se a si mesmo "pedra angular que os esmagarã." Essas palavras exasperaram os inimigos. Desde então, ficou resolvida sua morte, que seria agora uma questão de tempo. Os membros mais influentes do Sinédrio, Saduceus e Fari seus, reconciliados no ódio a Jesus, tinham-se entendido .. -· para matar o "sedutor do povo". Hesitavam contudo em prendê-lo diante da multidão, pois temiam uma subleva ção. J â tinham dado ordens a soldados que o prendes sem, mas estes ou eram seduzidos pela palavra o Rabi d ou ficavam receiosos da multidão que os cercava. Algumas vezes, os soldados perdiam-no de vista e não sabiam como ele desaparecera no meio· do povo. Isso já. ocorrera com o imperador Domiciano que, fascinado, cego pelo mago que ele queria condenar, viu Apolônio de Tiana desaparecer, ante o tribunal e rodeado de guar das. A luta entre Jesus e os sacerdotes, acirrava-se. dia a dia. Durante esse embate, sua energia masculina assu mia maneiras. brandas, reveladoras do Eterno Feminino m e sua alma. Ele usou de terríveis maldiçõe� contra os · > .... ·· Fariseus: -Desgraçados escribas e fariseus, fechais o reino do céu àqueles que querem entrar lá! Insensatos, cegos! Pagais o dízimo e descuidais da justiça, da fidelidade, da misericórdia! Sois como os sepulcros caiados. Pare cem b3nitos por fora e por dentro estão cheios de ossos e de podridão! Depois de estigmatizar a hipocrisia religiosa e a fal sa autoridade sacerdotal, Jesus deu por encerrada sua luta. Saiu de Jerusalém e acompanhado dos discípulos, dirigiu-se ao monte das Oliveiras. De lá dirigiu o olhar para o templo de Herodes com seus pátios, seus vastos pórticos, o seu revestimento de mármore branco incrus tado de jaspe e de pórfiro, o brilho do teto com telhas douradas e prateadas. Os discípulos desanimados fala ram-lhe daquele luxo. Tinham tiã o a esperança de fica rem lá como juízes de Israel, em ton10 do Messias, co roado pontífice-rei. Jesus, fixando o templo, declarou: ,- Estais vendo tudo isso? Não ficará pedra sobre pedra! (MATEUS, XXIV, 2) . Ele julgava a duração do templo pelo valor moral da queles que o administravam. Ele via que o fanatismo, a intolerância, o ódio, não eram armas suficientes· contra os aríetes e os machados do César romano. Com o olhar do iniciado, mais penetrante pela clarividência da aproxima ção da morte, e!e via o orgulho judaico, a política dos reis, toda a história judaica terminar em catástrofe. O triunfo não estava lá.· O triunfo estava no pensamento dos profetas, na religião universal, no templo invisível, do qual somente ele estava consciente naquela hora. Quanto à antiga cidadela de Sião, ao templo de pedra, ele já estava vendo o anjo da destruição às suas portas, empunhando um facho de fogo. Jesus sabia que sua hora estava próxima. Mas não queria ser surpreendido peló Sinédrio. Foi para Betânia. Mas gostava do monte das Oliveiras e ia lá, diariamente, conversar com os discípulos. Lá do monte, ele via as montanhas da Judéia, de Moab, e ao longe um trecho do Mar Morto. Lá Jesus deu aos seus discípulos as últimas instruções sobre o futuro da religião que ele vinha fun dar e sobre o futuro da Humanidade.
Os redatores dos Evangelhos sinóticos transmitirám -nos os discursos apocalíticos de Jesus com uma confusão ue os torna indecifráveis. O sentido desses discursos só q se torna acessível em João. Se Jesus. acreditou em sua olta sobre as nuvens, alguns anos depois da morte, se v gundo a exegese naturalista, ou ele supôs · que o fim· do mundo e o juízo final ocorreriam dessa forma, como = acredita a teolog a ortodoxa, ou então ele não seria mais do que um iluminado quimérico. um visionário medío cre, em vez do sábio iniciado, do Vidente sublime que demonstra cada palavra do seu ensino. cada passo da sua existência. Evidentemente, aqui, mais do que nunca, suàs palavras devem ser entendidas em sentido alegórico, segundo · o simbolismo transcendente dos profetas. · O Evangelho .. que melhor transmite o ensino esotérico do mestre, o de João, impõe essa interpretação. Aliãs, isso está de acordo com as seguintes palavras do mestre: -Eu teria muitas coisas a dizer-vos. Mas elas es tão acima do vosso entendimento. Falei-lhes mediante analogias. Mas virá o tempo em que vos falarei do Pai, diretamente. A solene promessa de Jesus aos apóstolos visa a qua tro objetivos, quatro esferas crescentes: a vida planetá -ria e cósmica; a vida psíquica individual; a vida nacional de Israel; toda a evolução humana. Analisem-se esses quatro objetivos, em que irradia o espírito de Cristo, an tes do martírio, como um sol no ocidente, que enche com sua glória toda a atmosfera terrestre, até o zênite, antes de luzir em outros mundos. O PRIMEIRO JU1ZO . O primeiro juízo significa o destino da alma depois da morte. Esse destino é determinado por sua natureza intima e pelos atos durante a existência. Isso já se e:xl)ôs na conversa de Jesus com Nicodemos. No monte das ou .. veiras, ele disse: "Cuidado convosco, a fim . de vosso co ração não ser oprimido pela gula e que esse dia não vos surpreenda". (LUCAS, XXI, ·34). E também: "Estejam prontos. O Filho do Homem virá quando não esperardes". (MA TEUS, X.XIV, 66).
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