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Capítulo 25 de 33

Segundo Grau — parte 15 de 17

Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 2

Nicodemos pergunta se é possível a alguém voltar a entrar no seio materno e renascer pela segunda vez. J e­ su então : s repete -Digo-te em verdade que se um homem não nas­ cer da água e do espírito não poderá entrar no reino de . eus D . (JOÃO, III, 15) . .- Jesus resume nessa forma, evidentemente simbólica, a antiga doutrina da regeneração, já conhecida nos Mis­ térios do Egito. Renascer pela água e pelo espírito, ser batizado na água e no fogo, indicam dois graus da inicia­ ção, duas fases do desenvolvimento interno e espiritual do homem. Aqui, a água representa a verdade percebida i_ntelectualmente, de um modo abstrato e geral. Ela pu­ rifica a alma e desenvolve seu germe espiritual. O renascimento pelo espírito ou o batismo pelo fogo celeste significa a assimilação dessa verdade pela von­ tade, de modo que ela se torna o sangue, a vida, a alma de todas as ações. Dai resulta a completa vitória do es­ pírito sobre a matéria, o domínio absoluto da alma espiritualizada sobre o corpo transformado em instrumento dócil, domínio que desperta as faculdades adormecidas, �bre seu sentido interior, dá-lhe a visão intuitiva da verdade e a ação direta da alma sobre a alma. Esse esta­ do equivale ao estado celeste, chamado reino de Deus por Jesus Cristo. O batismo pela água, iniciação intelec­ tual. é um começo de renascimento. O batismo pelo espírito é um renascimento total, transformação da alma pelo fogo da inteligência e da vontade, assim, até certo ponto, uma regeneração total. Daí os poderes excepcionais que ela confere ao homem. Eis o significado terrestre da conversa eminente­ mente . teosófica entre Jesus e Nicodemos. O segundo $ignificado seria o da doutrina esotérica sobre a consti­ tuição do homem. Segundo essa d0utrina, o homem é triplice: corpo, alma, espírito. A parte imortal, indivi­ sível. é o espírito. A parte perecível, divisível, é o cor­ po. A alma une-as, participando da natureza de mbos. a A alma possui um corpo etérico, flu!dico. semelhante ao rpo material. Sem este, corpo ffsico não teria nem co o vida, · nem movimento� nem unidade. O corpo fluídic o eteriza-se ou adensa-se, unifica-se ou desagrega-se, conforme o homem obedece às sugestões do espírito ou às incitações do corpo. Depois da morte física, a maioria dos homens passa por uma segunda morte, a da alma, por­ que ele se despe dos elementos impuros do . corpo astral, suportando até a sua lenta desa·gregação. O homem in­ teiramente regenerado, que forma aqui embaixo o seu corpo espiritual, tem o seu céu nele mesmo, e se alteia à regj�o--·par� onde é atraído por afinidade. ---- · A água.,� nb esoterismo antigo, simboliza a _.maJéria fluídici�-- infinitamente transformável, Como o rfogo �im­ -- bô!iza · o" espírito uno. Falando· dó renáscimento pela -água e pelo espírito, o Cristo alude a essa dupla transforma .. ção do seu ser espiritual e do seu invólucro fluídico, que espera o homem depois da morte, sem a qual ele não pode entrar no reino das almas gloriosas e dos puros espíritos. Pois, "o que nasceu ·da carne é carne (isto é · escravizado e perecível) e o que nasceu do espírito é espírito" (isto é livre e imortal). O vent sopra onde o quer e tu ouves o seu ruído. Mas não sabes nem de onde ele vem nem para · onde ele vai. Dá-se o mesmo com todo homem que nasceu do espírito" (JOÃO, III, 6-8). · Assim fala Jesu� a Nicodemos, no silêncio das noites de Jerusalém. Na semi-obscuridade da sala, os olhos do mestre ga!ileu brilham misteriosamente. O doutor farise u viu anular-se a sua ciência dos textos, mas entrevê um mundo novo. Viu o fulgor no olhar do profeta cujos longos cabelos caem pelas espáduas.· Sentiu-se atraído pelo calor poderoso e"manado do ser do profeta. Viu apa­ recerem e desaparecerem, como auréola magnética, três · pequenas chamas brancas em torno das têmporas e da fronte. Então, teve a impressão de que o vento do Espí­ rito passava em seu coração. Comovido, silencioso, Ni­ códemos volta para casa, a noit� profunda. Continuará n vivendo entre os Fariseus, mas permanecerá fiel a Jesus, ser e do se no mais íntimo do seu u coração. ento, ainda é de otar ensinam n um ponto ca- Nesse doutrina materialista, a alma é resultante . pital. Na efê­ acidental das forças corporais. Na doutrina mera e espi­ , se ritualista ordinária, ela é uma coisa abstrata m lugar concebível. Na doutrina esotérica, a única racional, o · corpo físico é um -produto do :incessante trabalho da al­ ma, que age sobre ele através do organismo similar do nas um é ape visível o universo assim como astral, corpo apre­ J su porque Eis � � infinito. do Espírito dinamismo o dos ça exphca como a Nicodemos senta esta doutrina ter · à de base servir � Ela pode que ele opera. milagres nu­ eno um pequ e por por ele pêutica oculta praticada do vin�a da depois antes e de e de santos. mero adeptos do corpo, os males A comum combat.e Cristo. medicina espiritual, da força um foco agindo o corpo. Sendo S()bre do a alm sobre o adepto ·o santo age diretamente !1 ou . f1s1co. o corpo astral sobre doente, e mediante o corpo opera Jesus o as curas magnéticas. Dã-se mesmo com mas opera todos os homens, com as forças existentes em. s·. e concentrada em por projeções poderosas altas doses, poder de · Fariseus o seu apresenta aos Escribas e Ele perdoar ou do seq poder de curar os corpos como prova superior. A cura objetivo de curar a alma, o que é seu: . o que lhe da cura moral, física torna-se a contrá-prova e anda!" Hoje; permite dizer a um homem: "Levanta-te fenômen e, na antigüidade e a ciência quer explicar o. o qu na Idade Médià, chamavam possessão como simples per­ turbação nervosa. Explicação insuficiente. Psicólogos que tratam de penetrar mais no mistério da alma vêem na possessão um desdobramento da consciência, uma irrup­ ção da sua parte latente. Essa questão relaciona-s e com a dos diversos planos da consciência humana, que se denunciam nos estados sonambúlicos. Relaciona-se tam­ bém com o mundo supr a.sensível. De qualquer modo , é inegável · teve que Jesus a faculdade de restabelec er o equilíbrio nos organismos perturbados e de pro porcionar à alma melhor consciência. ,Disse PLOTINO: '�A· verda­ deira magia é o amor com o ódio, . seu contrârio. Peio amor e pelo ódio, trabalham os mâgicos por me os io d seus filtros e dos seus encantamentos." O amor na sua mai consciência s alta e em sua potência suprema oi tal f a magia do Cristo. Numerosos discfpulos participaram · do seu ensi namento f timo. Más para f aze:r, durar a nova � religiã o� era . n cessár10 um grupo ?� escolhido s ativos, � que fo ssem os pilares do templo esp1r1tual que ele queria levanta r dia n­ te do outro. Dai a instituição dos apóstolos: não os esco­ lheu entre os Essênios. Ele necessitava de· ·nature zas. vi� gorosas e fortes. Ele queria . iJnplal)tar sua · rel igião no ora Simão-Pedro e c ção do povo. Dois grupos de irmãos, André, filhos de Jonas, por um lado; João é Tiago, filhos de - Zebedeu, por outro lado. Todos os quatro pescadores.­ de famílias remediadas, formaram o núcleo dos após­ tolos . No começo da sua missão, Jesus mostra-se em sua casa, em Cafarnaum, à margem do lago de Genesaré, onde eles faziam suas pescarias. Ele ora, ensina-lhes e converte toda a família. Pedro e João destacam-se no primeiro plano. Dominam do alto os doze como as duas_ figuras principais. Pedro, coração reto e simples, espírito -ingênuo e limitado, disposto à esperança e ao desânimo, mas homem ativo, capaz de conduzir os outros, pelo seu , ,, earâter enérgico e fé absoluta. João, reservado, natureza profunda, com um entusiasmo tão inquieto que Jesus o chamava "filho do trovão". Além disso, espírito intuiti­ vo, alma ardente, quase sempre concentrada nela mesma, habitualmente sonhadora e triste, com impulsos f ormidá­ veis. furores apocalípticos, profundezas de ternura, que os outros eram incapazes de perceber, que só o mestre viu. S01nente ele, o silencioso, o contemplativo, compre­ enderá seu pensamento íntimo. Será o Evangelista do Amor e da Inteligência divina, por excelência, o apóstolo esotérico. Os apóstolos seguiam o mestre de aldeia em aldeia, de vila em vila. Estavam convencidos da verdade da sua doutrina. As pregações: populares alternavam com os ensinamentos íntimos. Aos poucos éle ia descobrindo o seu pensamento. Mas mantinha-se reservado a respeito do seu futuro e sobre a sua missão. Disse-lhes que o rei­ rí9 de Deús estava próximo. Os apóstolos entre eles mur­ muravam: ''É ele! Mas Jesus· só se denominava o "Filho " do Homem". Eles n_ão co_mpreendiam o significado da expressão que parecia querer dizer: "o mensageiro da anidade sofredora."· Ele acrescentava: "os hum lobos têm os seus covis, mas o· Filho do Homem não tem onde des­ cansar a cabe.ça." Os apóstolos ainda viam nele apenas o Messias, segundo a idéia judaica popular. Concebiam o reino do céu como um ·governo político, do qual Jesus se­ ria o rei coroado e eles os ministros. Jesus empenhou-se então, em explicar-lhes· a· finalidade da sua missão, de · eunho · espiritual, divulgadora da. verdade sublime, que ele chamava Pai, Espírito, força . transcendental, que un� todas as almas em uma comunhão superior, que é o reino de Deus. Mas, havia um drama mais pungente mais ter­ , rível do que o da distância entre o seu espírito e os dos apóstolos. Um fluxo de alegria submerge o trágico pensamento na consciência do Cristo. Ainda não soprou a tempes­ tade no lago · dé Tiberíades. É a primavera galiléia do Evangelho, a aurora do reino de Deus, o casamento mís ... tico do iniciado com a sua família espiritual. Esta viaja com ele, acompanha-o como o cortejo dos paraninf9s se· gue os esposos na parábola. Vai desde as margens fres- · _; cas de Caf arnaum até os laranja is de Betsaida, à mon-' tanhosa Corazim, onde os palmeirais dominam todo o mar de Genezaré. No cortejo de Jesus, as mulheres têm lugar à parte. Mães, i mãs de �iscípulos, virgens tí- , � � \, m1das, pecadoras arrependidas, rodeavam-no por toda a � , __ .) parte. Atentas, fiéis, apaixonadas, las derramam por e onde ele passa um eflúvio de tr�steza e de esperança. Ele não tem necessidade de demonstrar-lhe que é o Mes� \,,, j s sias. Basta vê-lo, para que elas o saibam: muito cedo, .Jesus extinguira a voz da carne. Durante a estadia com os Essênios, ele anulara o poderio dos sentidos. Por isso adquirira o divino poder de perdoar. Diz à pecadora aos seus pés, com os cabelos soltos e espalhando bálsamo em seus pés: "Muito te serâ perdoado porque muito amaste". Frase sublime, que contém toda uma redenção, pois quem perdoa liberta. O Cristo é o restaurador e o libertador da mulher, por mais que tenham dito S. Paulo e os Padres da Igre­ ja. Estes, rebaixando a mulher à condição de serva do homem, falsearam o pensamento do mestre. Os templos védico glorificaram-na. Budà desconfiou dela. O Cristo s mostrou-a, conferindo-lhe sua missão de amor e de pre­ vidência. A ·mulher iniciada representa a Alma da Hu­ mani dade: Afscha, assim a denominara Moisés, quer di­ zer Potência da Intuição, a Faculdade amável e vidente. A tempestuosa Maria Madalena, da qual Jesµs expulsou sete demônios, segundo ·a expressão bíblica, tornou-se a das suas discípulas. Segundo S. João, foi mais ardente. ela quem primeiro viu o Cristo ressuscitado. Sua histó­ ria representa a regeneração da mulher, desejada pelo Cristo. J9l na quinta de Betânia, en• repousar Jesus gostava de prodigava seu do­ tre Marta na. Lã ele s e Maria Madale ces consolos sobre os divinos mistérios, , conversava que não confiar aos discípulos, preparan­ ousava ainda do-se As vezes, à tardinha, Jesus fica. para a sua missão. da sua obra, na fé va pensativd. Pensava nas dificuldades indecis nas inimigas do mundo. a dos apóstolos, potências Sentia-se como que esmagado, ao pensar no templo, em Jerusalém, a com seus crimes e suas in­ n humanidade gratidões .. . Seus Sentia tudo isso como se fosse uma montanha braços erguidos para céu seriam bastante fortes para o reduzi-la a pó ou ele seria esmagado? Então falava vaga­ mente de uma prova terrível, que o aguardava, e do seu próximo fim. Impressionadas pelo seu tom de voz, as mulheres não ousavam interrogá-lo. Qualquer que fos­ se a serenidade de Jesus, elas compreendiam que sua al­ ma estava envolta em um sudário de indescritível triste­ za, que o separava das alegrias da terra. . Elas pressentiam o destino d o profeta. Sentiam sua resolução inabalável. Por que aquelas nuvens sombrias para os lados de Jerusalém? Por que o vento quente de febre e de morte, que passava no coração delas, como nas colinas da Judéia. com tonalidades violáceas e cada­ véricas? Uma tarde e ... mist riosa estrela, uma lágrima bri­ lhou nos olhos de Jesus. As duas mulheres estremecera m e suas lágrimas silenciosas escorreram também na paz de Betânia. Elas choravam por ele. Ele chorava pela humanidade.

Luta com os fariseus. A transfiguração. Durou dois anos aquela primavera na Galiléia. No ar embalsamado pareciam abrir-se os lírios angelicais. E a aurora do reino de Deus urgia para as multidões an­ s siosas. De repente, o céu enegreceu. Viram-se sini_stros relâmpagos, prenúncio de alguma catãstrofe. A tempes­ tade desabou sobre a pequena família esp�ritual, como uma daquelas tempestades que agitam o lago de Gene­ zaré, engolindo em sua fúria os frágeis barcos dos pes­ cadores. Os discípulos ficaram consternados. Jesus não se surpreendeu. Ele jã esperava. Era impossível que � sua pregação e popularidade crescente não impressionassem as autoridades religiosas dos judeus. Era impossível dei- . xar de romper a luta entre essas autoridades judaicas e ele. Ainda mais: a luz não poderia. __ d_eixar de sair desse choque. - \ No tempo de Jesus, os \farise��- ,compunham uma agremiação compacta de seis �'riiff--indivíduos. O nome Perishin significava os separados ou distintos. O seu pa­ triotismo era exaltado, muitas vezes heróico, estreito e · orgulhoso. Representavam o partido da restauração na- � cional. Sua existência datava da época dos Macabeus. Ao lado da tradição escrita admitiam a tradição oral. Acre­ ditavam njos, na vida futura, na ressurreição. Esnos a ses clarões de esoterismo vinham-lhes da Pérsia. Mas eles os envolviam nas trevas de uma interpretação gros­ seira e material. Estritos observadores da lei, mas intei­ ramente opostos ao espírito dos prof e tas, que punham a · religião no amor a Deus e dos homens, eles faziam con .. sistir a piedade nos ritos e nas prãticas, nos jejuns e nas\ penitências públicas. Nos grandes dias, eram vistos nas · ruas com o rosto coberto de cinza, clamando preces com ar contrito e distribuindo esmolas com ostentação. Além disso, viviam no luxo, disputando asperamente os cargos e o exercício do poder. Nem por isso deixavam de ser os .

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