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Capítulo 7 de 30
Parte 7 de 29
Magnetismo Curativo – Volume 2 · Alphonse Bouvier
A doente já não reconhecia ninguém; e, apesar da certeza que me havia dado, confesso que minha mulher e eu ficamos deveras inquietos, até à finalização da crise; entretanto, muito confiante no Magnetismo e na maravilhosa lucidez da minha jovem sonâmbula, conformei-me escrupulosamente com as suas instruções e não me arrependi, porque a crise seguiu o seu curso normal, como fora predito, e atingiu uma cura completa e definitiva. Qualquer intervenção estranha nessa emergência teria sido, como suponho, perigosa; e, sustando o esforço da Natureza, certamente comprometeria o êxito do tratamento; minha longa prática, durante a qual tive ocasião de averiguar muitas vezes efeitos semelhantes, dá-me a convicção de tais fatos. Eis, por uma outra face, alguns exemplos de crises favoráveis, produzidas com o auxílio do Magnetismo pela evolução vital, crises que nenhuma espécie de medicação pudera determinar, e que de algum modo tiraram providencialmente os doentes da situação desesperadora em que se achavam. 1o caso Era noite (são já passados alguns anos), à hora do agasalho, estava prestes a deitar-me quando bateram à porta: “Quem será que nesta hora se apresenta em minha casa?” Esta reminiscência do 2o ato da Dama Branca, havia apenas atravessado meu espírito, quando surgia, no aposento em que me achava, F. T., o homem amável, o compositor cheio de encantos, conhecido em toda Paris, e cujas graciosas melodias estão tanto em voga. – Como!
A esta hora por aqui!? – Sim, caro amigo, e que isto não vos espante! É um caso grave o que aqui me traz: Minha sogra está doente, muito doente e venho solicitar seu auxílio. E, tomando o meu gesto de surpresa por hesitação: “Não mo recuse – acrescentou –; se nesta hora imprópria vim procurá-lo, é que tudo tentamos e já não temos esperança senão no Magnetismo: é preciso vir já, tenho um carro à porta.” No ano precedente, eu tinha passado a estação de verão em Etretat, onde me encontrara com F. T.
Em nossas intermináveis palestras ao longo dos rochedos e sobre os pedregulhos da praia, aconteceu muitas vezes falássemos de Magnetismo; em sua dupla qualidade de filho do lugar e de homem eclético e inteligente, F. T. não tem somente o espírito aberto a todas as belezas da arte: os misteriosos arcanos da Ciência também têm para ele um vivo atrativo, possui tudo o que é necessário para fazer-se um adepto. Não poderia recusar meu concurso a um homem que compartilha tão completamente o meu modo de pensar; e, se não fora a simpatia bem franca que por ele experimentava, o fato de um genro tentar salvar a vida da sogra é tão raro, que se tornava para mim verdadeiro dever recompensar tão belo impulso. Em poucos momentos, aprestei-me e descemos. No carro, F.
T. pôs-me prontamente ao fato do que se passava: “Seus filhinhos tinham tido sarampão, assim como todos os demais; e por cúmulo de infelicidade, a avó, tratando dos netos, havia por sua vez contraído a moléstia. Ora, não se apanha o sarampão impunemente quando se é avó. A uma febre intensa sucedera um estado congestivo incoercível da bexiga e dos intestinos, cuja persistência começava a inquietar a todos; e apesar das medicações, a pobre avó, fazendo concorrência a Maria Alacoque e a Luiza Lateau, cujo caso é bem conhecido na História, tendia a ficar no estado de corpo glorioso. O Dr. T., um dos decanos da homeopatia e médico da família, reconhecendo a inutilidade dos medicamentos e desesperado de vencer esse estado de tensão nervosa, o qual trazendo uma perturbação funcional, geral, começava a influenciar gravemente o cérebro, foi o primeiro a aconselhar o Magnetismo; o Dr.
T., no começo da carreira médica fez, em Paris, em 1844, cursos sobre Magnetismo e publicou diversas obras notáveis, que ainda fazem lei na matéria. Esse conselho, partindo de um clínico tão esclarecido, foi tanto mais apreciado pela família, quanto F. T., lembrando-se de nossas palestras em Etretat, tinha já cogitado desse meio. Eis como decidiram apelar para os meus serviços. F.
T. acabava apenas de expor-me essas ocorrências, quando chegamos a sua casa; a Sra. F. T. esperava-nos ansiosa e nos fez entrar imediatamente no aposento da doente. Quem se não lembra da bela e graciosa cantora, cujo talento maravilhoso atraiu toda a cidade de Paris? A Sra.
De la G., embora o tempo tenha embranquecido um pouco os seus cabelos, é sempre a mulher amável e distinta que a nossa geração conheceu e admirou. Apesar dos intensos sofrimentos que suportava e da extrema agitação em que a febre a colocara, recebeu-me com a graça e bondade que a caracterizam, para agradecer a minha solicitude. As circunstâncias nunca me haviam colocado em relações com a Sra. de la G.; era a primeira vez que me aproximava dela; mas, estabeleceu-se imediatamente relação, pois o Magnetismo tem isto de bom: faz prontamente formar-se um laço simpático entre o operador e o paciente. Apliquei-me, por meio de longas e persistentes imposições das mãos sobre os rins e o epigástrio, e por passes lentos da cabeça aos pés, a produzir a calma e o equilíbrio nesse organismo, que a congestão tinha profundamente perturbado, fechando, já há quatro dias, todas as saídas às excreções. Por meio de insuflações quentes e penetrantes no cerebelo, no epigástrio e nos hipocôndrios, procurei provocar a reação dos centros nervosos e trazer para a periferia, por uma dispersão salutar, as forças cuja condensação exagerada obstava a irradiação funcional.
Pouco a pouco, esses esforços reduplicados tiveram pleno êxito; fez-se uma calma relativa, uma leve sudação substituiu o calor seco e ardente da pele, os nervos se distenderam, bocejos freqüentes sobrevieram e uma suave sonolência substituiu a agitação febril anterior. Aproveitei esse instante para magnetizar um copo d’água, recomendando lha fizessem beber aos goles, e afastei-me na ponta dos pés, a fim de não arrancar a doente daquela sonolência de bom agouro. Era mais de meia-noite, a sessão havia durado cerca de duas horas e eu estava muito fatigado; animei da melhor forma a Sra. F. T. acerca do estado de sua mãe, exprimindo-lhe a esperança dum próximo repouso mais completo e despedi-me, prometendo voltar no dia seguinte, logo que pudesse.
Ao apresentar-me nesse dia no aposento da doente, julguei, à primeira vista, pelo açodamento com que procuraram introduzirme e pela expressão fisionômica das pessoas da casa, que as coisas estavam bem encaminhadas, tal como previra. Efetivamente, encontrei a doente em muito boas condições; disse-me ela que, depois da minha retirada, o estado de calma em que a deixara havia continuado; que tinha tomado, como eu determinara, a água magnetizada aos goles, de quarto em quarto de hora; que, pelas quatro horas da manhã tivera cólicas; e que um forte impulso interno trouxera-lhe um alívio completo, restabelecendo as funções por tanto tempo suspensas. Ia tudo muito bem, alguns dias de tratamento bastaram para fazer voltar completamente as forças, pondo a doente de pé. Referindo o que precede, poderia citar os nomes sem quebra do sigilo profissional, porque toda a família, encantada com este epílogo feliz, julgou dever, no interesse da verdade e como boa ação, proclamar urbi et orbi os maravilhosos efeitos do Magnetismo; ela nunca perde ocasião de torná-lo conhecido, e a Sra. de la G., só me denomina seu Salvador.
A rapidez dessa cura fez grande ruído nos arredores; e, como acontece sempre em tais casos, a história repetida de boca em boca tomou uma feição tal (com o auxílio da imaginação), que os meus fracos méritos e os do Magnetismo foram consideravelmente aumentados, a ponto de, tendo o Sr. de X, alguns meses depois, fraturado a coluna vertebral numa queda de cavalo, em Lião, a condessa de R., que tinha conhecimento do caso da Sra. de la G., enviar telegramas reiterados a F.
T. para fazer-me partir sem demora, esperando, na sua grande dor, que a minha intervenção pudesse salvar-lhe o genro. Tive dificuldade em alienar de mim tão grande honra e fazer compreender que o Magnetismo não chegava ao ponto de fazer milagres. Só a morte do Sr. de X. conseguiu dissuadi-la. Infelizmente, a ação magnética tem seus limites, e é bom que esta ação seja secundada pelas condições do meio em que se exerce. No caso acima, eu vinha encontrar a Sra. de la G. admiravelmente preparada para as influências dinâmicas, pelo tratamento homeopático que havia seguido, desde o começo da enfermidade.
Nenhuma medicação violenta viera perturbar o organismo, travando-lhe a reação vital; em uma palavra, encontrara a estrada livre para agir e fazer pender a balança da vida no sentido do movimento funcional que desejava restabelecer. Isso nem sempre acontece nos doentes tratados pela alopatia. E os medicamentos em doses elevadas são, muitas vezes, um obstáculo insuperável à ação magnética. Não poderia terminar a narrativa deste primeiro caso sem prestar homenagem ao critério e ao ecletismo do clínico prudente e esclarecido, que, vendo que o medicamento se tornava impotente para despertar a reação vital, não hesitou aconselhar o emprego de recurso mais útil. Aliás, não foi só dessa vez que o Dr.
T. se exprimiu claramente sobre o grau de confiança que devemos ter nas virtudes curativas do Magnetismo: no prefácio de sua obra intitulada: Le Magnéstisme expliqué, assim se exprimia ele em 1845: “Graças a Deus que os incrédulos, meio convertidos, começam a dizer do Magnetismo: “Há alguma coisa nesses fatos!”; acrescentem, depois de haverem lido estas páginas: “Há essencialmente alguma coisa.” Quanto aos incrédulos sistemáticos, que, depois de se haverem inconsideradamente pronunciado contra o Magnetismo, não possuem coragem bastante para retratar-se e contentam-se em fechar os olhos clamando contra o charlatanismo, só lhes peço uma coisa: É que me deixem sossegado. Espíritos frívolos, sem alcance, artificiais, o que têm eles a contestar das nossas verdades? Estas não carecem do apoio deles para se propagar pelo mundo; e, quando afetam a pretensão de sustar-lhes o curso, fazem-me lembrar aquele aldeão que, colocando um pé na nascente do Danúbio, persuadia-se que ia privar de água todas as regiões banhadas por esse rio.” Quantos aldeões do Danúbio, acrescentamos nós, têm surgido depois dessa troça espirituosa do Mestre!
Mas, também, quanta água já tem passado por baixo da ponte, e quanta, apesar deles, passará ainda! 2o caso Quando nos defrontamos com simples perturbações funcionais da espécie daquelas que fazem o objeto do primeiro caso, vê-se que o Magnetismo obtém efeitos imediatos. Bem sabemos que certos incrédulos, mais ou menos cépticos, só querem ver nesta ação rápida uma coincidência feliz: “Chegastes no momento oportuno, dizem eles; quando mesmo nada houvésseis feito, a vida teria recuperado os seus direitos, e a função ter-se-ia restabelecido.” Esta objeção pode ter o seu valor em relação a um fato insulado; mas, quando numa série de casos os fatos se repetem, não haverá indiferença ou má fé persistindo em não ver, por toda a parte e sempre, senão casualidades banais e coincidências fortuitas?
Eis um segundo caso muito digno de ser citado para apoiar a nossa asserção; escolhemo-lo de preferência a muitos outros, por causa dos laços estreitos que o prendem ao primeiro e também pela originalidade típica que o caracteriza. Certa manhã recebi a seguinte carta: “Paris, 25 de abril de 1888. Senhor. Uma pessoa das relações da Sra. de la G. referiume a cura maravilhosa feita por V. S., de uma moléstia dos intestinos, que estava prestes a matá-la.
Meu velho professor de canto, o Sr. P., está desenganado de uma moléstia que parece semelhante. Venho pedir-lhe a bondade de vê-lo hoje mesmo; peço que diga aos seus enfermeiros o que pensa a respeito: são pessoas de inteira confiança. Parece que o meu amigo está muito pior esta manhã; insisto, portanto, para que não perca um instante. Se, desgraçadamente, nada puderdes fazer depois de havê-lo visto, não terei que exprobrar-me por não haver tentado tudo junto de um homem cuja dedicação foi tão apreciada pelo Sr.
F. T., numa conjuntura grave. Receba meus antecipados agradecimentos e a segurança dos meus mais sinceros sentimentos. Baronesa D. P.” Tive conhecimento, na mesma ocasião, por outra via, de que o amigo que noticiara a cura da Sra. de la G. à Baronesa D.
P. não fora outro senão o cunhado de F. T., Sr. L., violinista muito conhecido. E dele recebi as mais pressurosas solicitações, a fim de aceder ao convite que me fora feito. Apressei-me, portanto, em ir ver o Sr.
P. Os enfermeiros do Sr. P., de acordo com o que já me haviam prevenido, eram efetivamente os mais dedicados: eram de uma família de Auvergnats, muito honesta. Indubitavelmente, haviam sido prevenidos da minha visita, porque me receberam como se eu fosse esperado; e enquanto a mulher cuidava dos arranjos caseiros, vigiando uma gorda criança de dois ou três anos, que corria pela casa e vinha atirar-se às minhas pernas, o marido pôsme prontamente a par da situação: “O bom do homem (como ele familiarmente chamava o doente) estava em maus lençóis; há muito arrastava-se com dores reumáticas, que o forçavam, de vez em quando, a guardar leito; mas havia cinco ou seis meses que as coisas tinham-se complicado singularmente; ele estava de cama, sem poder mexer-se, constrangido desde a manhã até à noite, já não se alimentando e nem defecando, e o pior de tudo é que agora expelia as matérias fecais pela boca. Ora, quando se tem 72 anos, acrescentava o enfermeiro, chegando a este ponto, há poucas probabilidades de salvação.
Tudo se tem feito, entretanto; os médicos se têm sucedido, ensaiaramse todos os tratamentos e nada de resultado. Conserva-se sempre no mesmo estado; receio muito que não seja o senhor melhor sucedido que os outros.” Ao subirmos a escada, em conversa com o meu guia, ele volta-se para mim e diz em tom de meia confidência: “E depois, nem sempre se faz o que se quer, principalmente depois que ele está doente. O senhor vai ver.” E, ao pronunciar estas palavras, chegamos ao patamar do quarto andar, onde me introduziu na direção de um aposento. Detive-me na saleta, enquanto ia prevenir o Sr. P. da minha chegada; ouvi-o trocar algumas palavras, fechar uma janela, depois reaparecer à porta, para fazer-me sinal de que podia entrar.
Achava-me então num estado fácil de compreender-se; as minudências que me acabavam de dar acerca do novo cliente, não eram animadoras; quando enfrentei com ele, minha decepção foi ainda maior. Sobre uma cama, no fundo de uma alcova acanhada, muito mal alumiada por uma só janela, jazia um moribundo, ofegante, contrafeito, deixando transparecer no rosto o sofrimento, e cujo olhar sem expressão volveu-se apenas, para mim, ao aproximarme. Em duas palavras expus o fim da visita, dizendo-lhe da parte de quem vinha; e no falar, dando à voz a mais suave vibração para vencer melhor a desconfiança que transparecia no olhar do velho; evitando a forma interrogativa para desobrigá-lo de qualquer resposta, tomei-lhe as mãos que mal se destacavam da alvura dos lençóis. Obtive, assim, naturalmente, uma relação que, pouco a pouco, pôs o meu doente em confiança e permitiume, alguns minutos depois, colocar uma de minhas mãos sobre o seu epigástrio. Concentrando-me então energicamente, com o intenso desejo de aliviá-lo, apoderei-me insensivelmente da sua vontade hesitante: alguns instantes depois, seu olhar vago flutuou de minhas mãos para o meu rosto silencioso, como se procurasse compreender o que eu fazia; depois, suas pálpebras baixaram, a contração do semblante dissipou-se, a respiração menos brusca deixou de ser um lamento.
Desse modo apoderei-me dele, e estava por insinuação neste lugar, sem ter sido constrangido a pronunciar a famosa palavra: magnetismo. Esta palavra, por vezes tão mal compreendida, teria talvez inquietado o doente; pelo menos tê-lo-ia prevenido e nesta circunstância, mais do que em qualquer outra, eu não desejaria de forma alguma entrar em explicações teóricas. Já sentia pesar instintivamente sobre mim o olhar inquisitorial do enfermeiro, que não havia mudado de lugar e seguia, com um misto de curiosidade e admiração, todos os meus movimentos, sem atinar com a razão pela qual eu me detinha assim, em frente ao patrão, com os braços e mãos estendidos para ele. Quando me viu traçar, muito lentamente, da cabeça aos pés, longos passes a distância, e que, puxando o cobertor para os pés, comecei a fazer-lhe insuflações sobre o epigástrio e o cécum, não mais se conteve. Pelo espelho colocado sobre a mesa de cabeceira, surpreendi-lhe um sorriso e um erguer de ombros, que significavam incontestavelmente: “Se é isto que vai curá-lo, quero que o diabo me carregue!” Depois, retirou-se na ponta dos pés, como se estivesse satisfeito com o juízo que fizera a meu respeito.
Essa retirada, longe de incomodar-me, restituiu-me, ao contrário, toda a liberdade para desenvolver a ação que sentia de algum modo tolhida, com a presença de uma testemunha ignorante e céptica. Esforcei-me, principalmente, em atuar sobre o cécum, que fazia uma saliência proeminente na fossa ilíaca direita e parecia muito tenso e doloroso, como se houvesse inflamação. Depois, dispersei os fluidos e, antes de retirar-me, magnetizei uma garrafa d’água que encontrara ao meu alcance, concitando insistentemente o Sr. P. a beber desse líquido, até à próxima visita, que lhe anunciei para o dia seguinte à mesma hora. Com dificuldade obtive desse homem taciturno um olhar de agradecimento ou de adeus, ao retirar-me.
No momento em que me aproximava da porta, encontrei face a face o enfermeiro céptico, o qual, com um movimento de cabeça significativo, interrogou-me laconicamente deste modo: “Então?”. “Penso – respondi-lhe – que é talvez um pouco tarde para obter bom resultado, mas, enfim, vamos ver. Em três ou quatro dias...” E fui andando rapidamente. Ouvi então o meu homem, em tom de mofa e girando nos calcanhares, dizer à mulher: “Três ou quatro dias. Se realmente ele acredita que o bom homem se curará, está muito enganado”.
Era a flecha de Parto que me lançavam: decididamente, não lidava nessa casa com pessoas convencidas. No dia seguinte, às três horas, voltei. O porteiro, a pretexto de estar só, para tomar conta da casa, deu-me a chave do aposento do Sr. P. e convidou-me a subir sozinho. O Sr.
P. acolheu-me de muito mau humor: pelo que me disse, tinha estado pior do que nunca; sofrera horrivelmente; não dormira toda a noite, os vômitos tinham tido uma recrudescência notável. Encontrei-o, portanto, pouco disposto a receber os meus cuidados; exprimiu-me, até, o receio de que o meu tratamento lhe aumentasse o sofrimento; tive, por assim dizer, que me impor e magnetizá-lo contra a vontade. Andei bem, por isso que a minha perseverança devia, como se verá, encontrar recompensa. Efetivamente, no dia seguinte, às três horas, aguardava-me uma verdadeira ovação; logo que apareci, o enfermeiro todo alegre correu ao meu encontro, gesticulando: “Vitória em toda a linha. Pela manhã, às oito horas, o Sr.
P. fizera três dejeções naturais e não vomitara mais...” Decididamente, eu era um grande homem! O meu tratamento operava maravilhas! Não mais era olhado de soslaio, por cima do ombro! Por espaço de um quarto de hora tive que sofrer a tagarelice prolixa do marido e da mulher. Encontrei no Sr.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.