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Capítulo 10 de 30
Parte 10 de 29
Magnetismo Curativo – Volume 2 · Alphonse Bouvier
foi designada sob o nome de Od. O Od, essa incógnita, perceptível por meio dos sentidos, é necessariamente de essência material, mas de uma materialidade extremamente sutil, por isso que atravessa o vidro, penetra a água, conglomerase e condensa-se nela. Ignorado ainda atualmente em Física e em Fisiologia, inerente a todos os corpos, o od permite que estes atuem a distância uns sobre os outros, através do espaço e dos corpos opacos, e é um dos principais fatores no conjunto complexo das forças a que denominamos forças vitais; domina-as, determina as formas, governa a matéria, toma parte no desenvolvimento de todas as funções e acompanha a vida animal e espiritual, no estado de saúde e de moléstia, até que ela se extinga... Como é que essa ação profunda do homem sobre o homem, que ocasiona às vezes verdadeiras revoluções no sistema nervoso, não deveria ter influência alguma sobre o estado de saúde e de moléstia? Os médicos que assim pensam, certamente, pouco estudaram a questão sob o ponto de vista terapêutico e acham-se em erro.” (Le Fluide des Magnétiseurs, pelo Cel. de Rochas, Paris, 1891).
Os que não admitem um caráter suficientemente científico, nas experiências feitas pelo Barão de Reichenbach sobre os seus sensitivos, podem reportar-se à opinião emitida por um sábio oficial, o Sr. Armand Gautier. Em seu curso de Química na Faculdade de Medicina de Paris, o eminente professor demonstra com fatos irrecusáveis que não é a matéria, como substância, que age sobre os nossos sentidos e nos influencia, mas sim o modo de estrutura dessa matéria e a natureza do movimento que deriva do arranjo das suas moléculas; em outras palavras, segundo Armand Gautier, “nós percebemos os corpos por suas vibrações e não por sua massa”. A substância propriamente dita não é mais do que um intermediário, servindo para nos comunicar o movimento vibratório das forças; não é, portanto, à especialidade química das substâncias medicamentosas que se deverá atribuir as reações fisiológicas exercidas sobre o organismo, e sim aos movimentos vibratórios que essas substâncias nos transmitem. (Revue Scientifique de 3 de janeiro de 1885).
Eis aí uma confissão oriunda da escola oficial que é bom registrar; condenando velhos preconceitos da terapêutica e da polifarmácia, dá singularmente razão às teorias dinamistas, e particularmente às dos magnetistas, admitindo a emissão vibratória dos corpos, invisível para nós, porém que os sonâmbulos e os sensitivos percebem pela irradiação, no estado particular em que eles se acham.
Numerosas notabilidades científicas esclarecem a questão com alta competência e apóiam, de algum modo, os chamados lúcidos e sensitivos; na América o Dr. Robert Hare; na Inglaterra o Dr. Benjamin Richardson; na Rússia o professor Boutlerow, da Universidade de São Petersburgo; na Suíça o professor Thury, da Academia de Genebra; na França o Conde Agenor de Gasparin e o Dr. Barety admitiram, há muito tempo, a existência de uma atmosfera e de uma irradiação nervosa. Ninguém, finalmente, ignora as provas feitas sobre a força radiante, pelo eminente sábio inglês William Crookes, que, por meio de instrumentos mui delicados e de uma precisão absoluta, construídos especialmente para esse fim, conseguiu, não somente provar que o organismo humano age a distância por sua irradiação sobre a matéria inerte, como ainda chegou a enumerar matematicamente a potência de projeção dessa força radiante.
Que se varie a denominação dessa força, a que os investigadores deram nomes diferentes: Od, força vital, força psíquica ou ectênica, força nêurica ou radiante, não é menos verdade que ela existe, que irradia e que, em certas condições fisiológicas, projeta-se a distâncias mais ou menos consideráveis; nada há, portanto, para admirar que os sonâmbulos e os sensitivos assinalem sua existência e pretendam perceber-lhe as irradiações luminosas. “Bem o sentimos, atendendo ao adiantamento das ciências – dizia ultimamente o Sr. Oliver Lodge, presidente da Secção das Ciências Matemáticas e Físicas no Congresso da Associação Britânica –, que além dos nossos conhecimentos atuais se estende uma vasta região em contato com vários ramos conhecidos da Ciência, que um espírito culto deve abordar. Esse domínio é limítrofe ao mesmo tempo da Física e da Psicologia, intermediário da energia e da vida, do espírito e da matéria. A relação entre a vida e a energia está ainda por ser compreendida: a vida é um princípio dirigente, que ainda não encontrou o seu lugar no domínio da Física.
Que é a força e de que modo gastam-na os seres? De que maneira a matéria pode ser deslocada, guiada, desarranjada por intermédio dos seres? A descoberta de um novo modo de comunicação por uma ação mais imediata, talvez através do éter, não é de modo algum incompatível com o princípio da conservação da energia, nem com algum dos nossos conhecimentos atuais. E não é dar prova de sabedoria o recusar-se a examinar fenômenos porque acreditemos estar seguros de sua impossibilidade, como se o nosso conhecimento do Universo fosse completo. Ademais, quando nos acostumarmos, isso não nos parecerá mais tão estranho; não é mais do que uma conseqüência natural da comunhão de vida, ou das relações de família entre todos os seres existentes.
A transmissão da vida pode ser comparada, sob muitos pontos de vista, à transmissão do Magnetismo; não estão todos os ímãs ligados simpaticamente de modo que, se forem convenientemente suspensos, qualquer vibração de um deles se repercute em todos os outros, mesmo na distância de 150 milhões de quilômetros? Por que a barreira que até aqui separou o espírito da matéria não poderia ser gradualmente afastada, como já o foram tantas outras? Por que razão não poderíamos chegar a uma percepção mais completa acerca da unidade da Natureza, tal como já foi idealizado por muitos filósofos? Desde o começo, as coisas parecem misteriosas: um cometa, o raio, a aurora, a chuva, são outros tantos fenômenos misteriosos para aquele que os vê pela primeira vez. Tudo parece razoável, encarado sob um ponto de vista conveniente; as possibilidades do Universo são infinitas, como a sua extensão física.
Porque procurar sempre negar a priori a impossibilidade das coisas que decorrem da nossa concepção ordinária? Não devemos recuar diante de problema algum, desde que se apresente a oportunidade de abordá-lo. Não devemos hesitar em prosseguir livremente a investigação das leis, misteriosas embora, que regem a vida e o espírito; o que sabemos, nada é ao lado do que nos resta aprender. Querer restringir o nosso exame aos territórios já meio conquistados, é enganar a fé dos homens que lutaram pelo direito de livre exame, é trair as esperanças mais legítimas da Ciência...” Quisemos terminar nossa exposição com essas nobres palavras do sábio físico inglês, a fim de mostrarmos que todo espírito liberal deve emancipar-se dos seus preconceitos, no exame dos fenômenos da Natureza, por mais estranhos que eles nos pareçam, como, por exemplo, a percepção sonambúlica das irradiações magnéticas. CAPÍTULO VII Da Clarividência sob o ponto de vista terapêutico Raridade da clarividência magnética.
– Sua utilidade para a terapêutica, quando se desenvolve espontaneamente no decurso dum tratamento. – Cura de uma sonâmbula, referida por ela própria. – Conclusão do relatório da Comissão da Academia de Medicina em 1861, acerca da faculdade que possuem os sonâmbulos de precisarem o gênero, a duração e o termo das moléstias. – Diferentes modos de percepção dos sonâmbulos. – Consultas feitas mediante objetos e cabelos.
– Precauções a tomar com um paciente sonambúlico. Na própria opinião dos mestres do Magnetismo, está admitido que se não deve magnetizar com o intuito exclusivo de produzir o sonambulismo. “Se nos limitássemos a este único modo de magnetizar – diz com razão Aubin Gauthier –, se efetivamente os processos magnéticos fossem aqueles de que se servem os sonambulizadores, na opinião dos quais o Magnetismo só existe no sonambulismo, seria preciso convir desde logo que não há ciência nem arte de magnetizar e que todo o saber consiste em formar sonâmbulos, a fim de assim obter oráculos.” Cairíamos assim no embaraço desagradável, que tão acentuadamente contribuiu para depreciar o Magnetismo, circunscrevendo-o a limites muito restritos, e dando-lhe uma base muito frágil. Como, por um lado, encontramos apenas dez sonâmbulos sobre cem doentes, e como, por outro lado, a clarividência desses sonâmbulos é sempre mais ou menos hipotética, seria para lastimar profundamente que esse erro chegasse a acreditar-se, isto é, que um doente não se pode curar senão tornando-se sonâmbulo. Aceitemos, portanto, o sonambulismo quando ele se apresentar naturalmente e de maneira toda espontânea, mas evitemos provocá-lo e principalmente não tratemos, com persistência, de obtê-lo quando tardar a manifestar-se; além de não tirarmos nenhuma vantagem notável, arriscar-nos-íamos a fatigar o doente e fazê-lo piorar.
Se é rara a manifestação do sonambulismo, ainda o é mais a verdadeira clarividência. Dissemos, no capítulo precedente, qual a extrema fragilidade da lucidez e a pouca confiança que ela merece. Pondo de parte dois ou três exemplos de perfeita lucidez, justificada pela realização dos fatos, nunca tive ocasião, em minha longa experiência magnética, de reunir número suficiente de fatos comprobatórios para afirmar a utilidade prática da clarividência magnética. Pareceu-me impossível tirar seriamente partido desses jactos de lucidez que se manifestavam, com intervalos irregulares, de maneira absolutamente imprevista, e com os quais não se poderia contar, num dado momento, sem incorrer no risco de uma ilusão. Onde a clarividência me parece dever prestar verdadeiros serviços é quando, desenvolvendo-se normalmente no decurso dum tratamento, sem ter sido exigida nem solicitada, se manifesta espontaneamente num doente, como crise natural que devia produzir-se.
O doente, nesse estado, julga claramente da natureza do seu mal, da sua origem e da sua causa, dos meios a empregar para combatê-la; vê o interior do seu corpo, os órgãos doentes; prevê, de antemão, a natureza e a época exata das crises pelas quais deverá passar e anuncia todas as peripécias da marcha da moléstia, sua duração e modo de eliminá-la. Os raros videntes que encontrei nunca se enganaram quanto a pontos que diretamente lhes diziam respeito; menos afirmativos e menos clarividentes para os outros, encontrei-os muitas vezes em contradição com os fatos, quando os consultei por terceiros. A clarividência, manifestando-se a propósito nos casos difíceis, é um grande auxiliar; é certo que o fenômeno produzindose no momento oportuno e nas condições exigidas, oferece auxílio poderoso ao magnetizador, para guiá-lo nas crises e certificá-lo da sua terminação.
Poderia fornecer vários exemplos da admirável lucidez que se desenvolve, por vezes, nos doentes, no momento mais crítico da moléstia, mas limitar-me-ei a citar aquele que considero o mais notável e mais suscetível de dar justa idéia das vantagens que apresenta a clarividência do ponto de vista terapêutico, quando essa clarividência é real, quando se manifesta espontaneamente e é tão só empregada a benefício do doente. Considerando como único aspecto verdadeiramente sério do Magnetismo a sua virtude curadora, preocupei-me sempre em magnetizar para curar, e nunca procurei provocar o sono em meus doentes, nem tampouco a dupla vista, a catalepsia ou o êxtase.
Quando casualmente se apresentaram esses fenômenos no decurso das minhas magnetizações, deixei que eles se manifestassem livremente, aproveitando-me, assim, da ocasião para estudálos; mas evitei cuidadosamente fazer deles uma diversão, como é costume de tantos outros, e procurei utilizar o desenvolvimento desses fenômenos em proveito da cura que me esforçava por produzir. Entre os sonâmbulos que encontrei, houve um cuja notável clarividência não somente me permitiu fazer as mais curiosas experiências de transmissão de pensamento e vidência a distância, como ainda me forneceu meios de ultimar uma das mais interessantes curas. Meu sonâmbulo era uma encantadora jovem de 24 anos, Blanche H. Havia muitos anos ela definhava, sem que pudessem dar um nome à sua moléstia. Tinha consunção geral e os médicos consultados, atribuindo a doença a essa coisa vaga, indefinida, que se conveio chamar anemia, prescreveram, como sempre sem resultado: ferro, quinina, óleo de fígado de bacalhau, regime fortificante, etc...
Os pais, justamente alarmados ante esse estado de abatimento que nada conseguia vencer, tiveram a feliz idéia de recorrer ao Magnetismo. Como houvesse entre nós íntima amizade, confiaram-me a filha e Blanche veio habitar nosso lar, onde encontrou todos os desvelos de que carecia o seu estado de saúde. Depois dum tratamento de seis meses, cheio de mil peripécias, a cura foi completa; sonâmbula de notável lucidez, a jovem doente ficou tão maravilhada com os esforços para se chegar ao resultado que havíamos alcançado, que me convidou insistentemente, quando se achava um dia em estado sonambúlico, a dar publicidade à narração dessa cura importantíssima. Para referir com todos os pormenores as diferentes fases da moléstia, minha narrativa necessariamente falharia, por isso que deixei de tomar apontamentos durante o curso do tratamento; exprimi-lhe meu embaraço, porém ela cortou a dificuldade oferecendo-se para fazer o histórico da sua cura, enquanto permanecia em estado sonambúlico. Muito curioso em saber de que modo ela se sairia dessa tarefa, aceitei a oferta com ardor, e eis o documento que me foi ditado em três sessões consecutivas, nos dias 19, 20 e 21 de setembro de 1875.
Não lhe acrescentei nem mudei palavra alguma. É impossível fazer, em estilo mais correto, uma exposição mais exata dos fatos que se passaram. Fora eu encarregado dessa tarefa e dificilmente teria atingido o mesmo grau de clareza e precisão; em todo caso, essa redação teria exigido de minha parte um trabalho por demais longo, o que não sucedeu à sonâmbula. Restabelecimento de uma sonâmbula, referido por ela própria “Estou salva! Com o auxílio da homeopatia, o Magnetismo restituiu-me suavemente à vida, que se extinguia pouco a pouco.
Hoje, depois de três meses do mais simples tratamento, do mais natural, vejo-me em vésperas de ficar radicalmente curada de moléstia sempre muito grave, freqüentemente mortal, e que a alopatia jamais deixa de conceituar incurável. Que os ignorantes neguem o Magnetismo; que os tolos o ridiculizem; que os que têm interesse em asfixiar esta ciência em seu germe fecundo a chamem magia ou feitiçaria, e nem por isso ela deixará de ter um domínio brilhante e universal. Dia virá em que o mundo, arrependido dos seus erros grosseiros, dos seus velhos preconceitos, da sua cegueira sistemática, compreenderá a luminosa simplicidade do Magnetismo e quererá conhecer-lhe os maravilhosos efeitos. Nesse dia, a alopatia, com seus falsos princípios e máximas caducas, terá deixado de viver. É a minha cura que eu quero referir, tal como a vejo neste sono imaterial, no qual a alma, desprendida dos laços naturais que a prendem ao corpo, é tão clarividente e só se inspira na verdade.
Possa esta narração esclarecer alguns cegos, converter alguns incrédulos. Seja como for e o que quer que pensem os homens, cumpro um dever para com a ciência que me restituiu a vida. Presto uma solene homenagem de reconhecimento tocante e profundo, ao amigo dedicado cuja inteligência e coração, acima dos míseros escrúpulos do vulgo, salvaram-me de morte iminente e próxima. O Magnetismo já me havia curado de uma afecção do estômago, que datava da minha infância; logo que me senti fraca, enlanguescida, presa dum abatimento que me arrebatava até a faculdade de ver claro e de bem raciocinar ao manancial da saúde. Minha tez estava medonhamente amarelada e terrosa, os olhos cavos e com olheiras; testa, nariz e queixo achavam-se cobertos de uma porção de pontos pretos, indícios certos de uma desordem interna: tudo anunciava uma decomposição gradual: a consunção seguia marcha progressiva e lenta.
As primeiras sessões (duas diariamente, com de cerca de 3/4 de hora cada uma) mergulharam-me numa prostração vizinha da estupidez: depois de cada magnetização, conservava-me longas horas em estado de depressão, muda e exausta; se tentava dar alguns passos caía imediatamente na cadeira, inerte, atordoada, semelhante à criança habituada a beber água e à qual se tivesse dado um vinho puro, generoso; estava como que ébria de um fluido ainda muito forte para meu sangue enfraquecido. Não experimentava grande sofrimento, mas tal era o torpor geral, que, no sono sonambúlico, já não tinha a mesma lucidez, a mesma segurança do olhar, a mesma precisão da linguagem: “Receitei”, entretanto, alumina para fazer cessar a leucorréia que me enfraquecia; depois arsênicum, a fim de restabelecer o equilíbrio dos órgãos. Passaram-se três semanas; comecei a sair desse entorpecimento mórbido; vi mais claramente o meu estado: o Magnetismo despertou a dor, rasgando o véu que empanava a minha penetração. O interior do corpo apareceu-me claramente, como num espelho, mais puro, mais fiel: uma inflamação terrível roíame as entranhas, devorava-me o útero; dois meses no máximo, uma peritonite aguda, mortal, se declarava. Tomei sépia e aguardei uma primeira crise, que o Magnetismo não podia deixar de operar.
As dores tornavam-se cada vez mais vivas durante as sessões; a imposição das mãos sobre o ventre, e principalmente sobre o útero, causava-me cruéis sofrimentos: os dez dedos do meu magnetizador produziam o efeito de dez ferros em brasa que caíssem pesadamente numa ferida viva, revolvendo-a em todos os sentidos. Mas, sempre admiravelmente previdente, quando mãos tão culposas quão inábeis não se antepõem aos seus esforços ou as desviam do seu intento, a Natureza agia com precaução, medindo o seu trabalho de acordo com a debilidade, do mesmo modo qual mãe terna e prudente, que, no momento de administrar ao filho querido o remédio amargo que deve restituí-lo à vida, acaricia-o por muito tempo e multiplica os beijos na proporção dos sofrimentos. A crise anunciada não se fez esperar: o catamênio sobreveio e decidiu-lhe a explosão. Então compreendi donde partia essa moléstia de útero, que podia causar admiração a uma jovem. Ainda muito nova, aos 11 anos, meu sangue achava-se empobrecido, na idade ordinária da puberdade.
Havia necessidade de ser renovada pelo casamento. Em vez disso, uma existência concentrada, monótona, absolutamente contrária às aspirações ardentes da minha natureza essencialmente amorosa e ativa, havia esgotado em mim a fonte vital; perdas brancas contínuas, regras demasiadamente freqüentes, forçando o útero a trabalho incessante, tinham feito o resto. Durante essa crise de dores lancinantes, as sensações de queimadura eram tão agudas que eu parei com o Magnetismo um dia inteiro. O fluido perfurava o útero, forrado de botões purulentos, com intensidade que eu não tinha ainda a força de suportar; a meu pedido, aplicou-se-me no ventre uma cataplasma de farinha de linhaça (feita com água magnetizada) e destinada simplesmente a amolentar os tecidos, preparando-os para uma saída de botões, que eu previa. Esta deu-se abundante pruriginosa, causando-me dolorosas comichões internas e externas; estando, porém, o útero provisoriamente exonerado, levantei-me dessa crise, já menos fraca.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.