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Capítulo 1 de 30
Parte 1 de 29
Magnetismo Curativo – Volume 2 · Alphonse Bouvier
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Alphonse Bouvier (Alphonse Bué)
Magnetismo Curativo
Volume 2 Psicofisiologia
Magnetismo e Hipnotismo – Sonambulismo – Fascinação Sugestão mental – Clarividência – Catalepsia e Letargia Lei Fenomênica da Vida – Saúde – Moléstia – Remédio
Alphonse Bouvier
Conteúdo resumido
Alphonse Bouvier foi um dos importantes pesquisadores dos fenômenos psíquicos nos fins do século XIX e início do século XX. Foi fundador e presidente da Sociedade de Estudos Psíquicos de Lyon e, ainda, diretor da revista La Paix Universelle, dedicada ao magnetismo curativo e ao espiritualismo experimental. A presente obra é o resultado de duas décadas de estudos aliados à experiência prática adquirida pelo autor no tratamento de seus pacientes. Magnetismo Curativo compõe-se de dois volumes: Volume 1: Manual Técnico – dedicado à aplicação prática do magnetismo na cura de moléstias diversas; Volume 2: Psicofisiologia – onde são expostas as explicações teóricas sobre o magnetismo e os fenômenos relacionados. Esta obra é, conforme as próprias palavras de Bouvier, um manual teórico e prático recomendado a todos os homens de boa vontade, desejosos de, por si mesmos, aliviarem os sofrimentos dos seus semelhantes. O autor recomenda a leitura da obra especialmente aos pais e mães de família, que, através de processos simples e sem nenhuma medicação, terão um forte aliado para promover o desenvolvimento normal e saudável de seus filhos.
Sumário Prefácio ............................................................................................4 Magnetismo Curativo – Psicofisiologia PRIMEIRA PARTE – Exposição dos Fenômenos.........................8 I – Hipnotismo e Magnetismo ...................................................8 II – Das diferenças existentes entre o Magnetismo e o Hipnotismo .........................................................................16 III – Explicação fisiológica dos fenômenos...............................25 IV – Estudo comparado, sob o ponto de vista curativo, dos efeitos hipnóticos e magnéticos..........................................36 V – Das causas...........................................................................56 VI – Do Sonambulismo..............................................................80 VII – Da Clarividência sob o ponto de vista terapêutico.............94 VIII – Das causas que atrasaram o conhecimento e propagação das virtudes curativas do Magnetismo.............................109 IX – O exercício do Magnetismo sob o ponto de vista legal ...119 X – Da prática do Magnetismo sob o ponto de vista da consciência........................................................................157 SEGUNDA PARTE – Lei dos Fenômenos..................................166 I – O estudo do Magnetismo conduz em terapêutica a uma síntese................................................................................166 II – Só há uma Vida.................................................................174 III – Só há uma Saúde...............................................................193 IV – Só há uma Moléstia..........................................................208 V – Só há um Remédio............................................................220 VI – O Magnetismo é o verdadeiro agente da transfusão da vida....................................................................................247 VII – O Magnetismo e a evolução neo-espiritualista ................267
Prefácio Existe na Natureza uma lei de equilíbrio baseada na analogia dos contrários. Esta lei revela-nos a existência de um só princípio, força motora original, que, andrógina por essência, atrai e repele, coagula e dissolve, engendra e destrói, e marcha incessante para limitações sempre novas, movimenta eternamente o Universo entre dois impulsos contrários que se equilibram. De um extremo a outro do mundo, misteriosa cadeia de simpáticas afinidades prende todos os corpos entre si por alternâncias de correntes centrípetas e centrífugas, cujo funcionamento contínuo, baseado na dupla resistência de limitações graduadas, condensa e dispersa, produz equilíbrios e rompe-os, agrupa ou desassocia as moléculas, e dá lugar a esses múltiplos estados de condensação e dispersão que caracterizam os sólidos, os líquidos e os gases.
A força primordial, geradora das formas, revela-se aos nossos sentidos por meio de quatro manifestações distintas: eletricidade, calor, luz e magnetismo; porém a vida reside antes de tudo na tensão equilibrada das correntes; possuindo os corpos a faculdade de absorver e organizar as forças livres em proveito próprio, fixam na direção do seu centro as forças atrativas centrípetas e irradiam para a sua superfície as forças propulsoras centrífugas, constituindo deste modo uma atmosfera radiante protetora, e identificando-se por esta dupla polaridade individual a corrente bipolar universal. Minerais, vegetais e animais possuem estados de condensações apropriadas, que lhes permitem exercer influências radiantes especiais; os astros influenciam a Terra, a Terra influencia os corpos terrestres e estes se influenciam entre si; há um magnetismo mineral, vegetal, animal.
O magnetismo astral se manifesta pelo movimento periódico das marés e das evoluções siderais; o magnetismo terrestre pela sensibilidade bipolar da bússola e dos ímãs; o magnetismo mineral, vegetal e animal por ações particularmente especializadas à constituição íntima de cada substância ou de cada ser. Todos os fenômenos da Natureza, atração, gravitação, gravidade, afinidade, coesão, etc., não são mais que a expressão de um só e mesmo fenômeno, isto é, a expressão do funcionamento alternativo das correntes! Mas essas correntes, que por seu equilíbrio asseguram a harmonia universal dos mundos, são ao mesmo tempo o seu agente mais dissolvente; ocupadas de contínuo em dar assalto aos equilíbrios que formaram, desassociam inexoravelmente tudo que delas se afasta; não há um corpo sólido, qualquer que seja a sua densidade, que a influência dissolvente da ação centrífuga não possa instantaneamente volatilizar; não há um só corpo gasoso, por mais sutil que seja, que a força condensadora centrípeta não possa solidificar; este antagonismo das correntes impele continuamente os equilíbrios para a sua formação e para a sua ruptura, apresentando a luta perpétua de dois princípios, o ativo contra o passivo, um que divide, quebra, espalha, labora, semeia; o outro que coagula, ajunta, reúne, fecunda.
A alma dos mundos, a mola da vida universal está neste duplo movimento antagônico, centrípeto e centrífugo; é este movimento que regula a justa ponderação das coisas e sua reciprocidade de influências. Sobre este terreno, detemo-nos no domínio das forças instintivas da natureza, na maneira de agir das forças fatais, no complemento puro e simples da Lei.
É o que se poderia chamar a física da Natureza. É sob esse aspecto, puramente físico, que em nosso primeiro volume do Magnetismo Curativo, sob a denominação de Manual Técnico, apresentamos o magnetismo. No Manual, limitando-nos a enumerar os processos técnicos por meio dos quais se pode acionar as correntes e favorecer o seu movimento alternativo centrípeto e centrífugo, mola de toda a vida, explicamos o que era uma imposição, uma insuflação, um passe, uma dispersão e o que se deve entender por massagem magnética, automagnetização, cadeia, magnetização dos corpos animados e dos corpos brutos. Damos o meio prático de reconduzir ou de entreter no organismo a tensão equilibrada das correntes, única que pode manter o estado de saúde. Mas, ao lado desses processos mecânicos rudimentares, cuja aplicação tão simples não exige da parte do operador mais do que uma espécie de neutralidade passiva, há outros, que possuem o dom, pelos seus efeitos prodigiosos, de excitar vivamente a atenção pública.
Desde que estudamos a marcha das forças nos organismos superiores dotados de volição e pensamento, não podemos efetivamente manter-nos no círculo acanhado dos fenômenos físicos, e forçosamente nos achamos em contacto com os fenômenos perturbadores da psicofisiologia, fenômenos que abrem, sob os nossos passos, misteriosos abismos. São esses fenômenos que nos despertaram o interesse de apresentar este segundo volume sob as epígrafes: Hipnotismo, Sonambulismo, Sono provocado, Catalepsia, Letargia, Sugestão mental e Clarividência. Explicamos de que modo o hipnotismo originou-se do magnetismo, que matizes separam os processos desses dois métodos, e sobre que considerações fisiológicas nos podemos basear para explicar tais diferenças. O enunciado comparativo dos recursos curativos que se podem tirar do hipnotismo e do magnetismo dános o valor respectivo desses processos. Vemos que os fenômenos, que por sua própria singularidade excitaram o entusiasmo dos investigadores e a curiosidade das multidões, e que foram o tema obrigatório de todas as experiências públicas ou particulares, das conferências, das publicações, das polêmicas, dos concursos nas academias e dos exames da Faculdade, são a causa principal das constantes barreiras que o magnetismo tem encontrado em sua vulgarização e na propaganda de suas virtudes curativas.
Averiguamos que são precisamente os seus mais fervorosos adeptos que, persistindo em apresentar o magnetismo sob um falso aspecto, mais largamente contribuíram para que se levantem as oposições, as suscetibilidades e os ódios que lhe fizeram tantas vezes partilhar e o tornaram vítima dos juízos errôneos de que ele ainda hoje é objeto. Finalmente, na Segunda parte deste volume empreendemos a tarefa delicada de expor os princípios sobre os quais quiséramos ver edificar a terapêutica; acreditamos na existência de uma Lei física baseada num trinômio universal. Tentamos esboçar essa lei; aplicamo-la ao magnetismo, e tomando ainda da idéia sobre a qual repousa a doutrina mesmeriana: “Só há uma vida, uma saúde, uma moléstia e um remédio”, procuramos demonstrar que todos os fenômenos (inclusive o magnetismo) vêm fundir-se na unidade do plano que preside, de uma forma imutável, à gênese das coisas. Alphonse Bouvier Magnetismo Curativo PSICOFISIOLOGIA PRIMEIRA PARTE Exposição dos Fenômenos CAPÍTULO I Hipnotismo e Magnetismo Experiências do Dr. James Braid, em 1841.
– Depois de haver concluído pela identidade dos efeitos produzidos pelo seu sistema e os produzidos pelos partidários do mesmerismo, ele volta à sua primeira opinião, especificando as diferenças que distinguem esses efeitos. – Sua definição do sono nervoso provocado. – Experiências e teorias do Dr. Durand de Gros (1854-1860). – Estado hipotáxico, sua definição.
– Experiências públicas de fascinação experimental (Hansen e Donato, 1880-1886). – Hipnotismo moderno. – Grande e pequena hipnose. – O que se deve entender por hipnotizar. – Nomenclatura dos fenômenos hipnóticos.
– Suas tendências para substituir o automatismo, o desdobramento e a inconsciência à unidade do eu consciente. – Opinião de Mésmer acerca da inutilidade e perigos do sono nervoso provocado. Em 1841, um médico inglês, o Dr. Braid, de Manchester, assistindo a uma sessão pública dada em Londres por La Fontaine, o bem conhecido magnetizador, admirou-se da singularidade dos efeitos produzidos pelo célebre prático sobre os seus sonâmbulos, fixando-lhes o olhar e segurando-lhes os polegares. Desejoso de penetrar a causa fisiológica desses efeitos provocados, empreendeu uma série de experiências em que obteve os mesmos fenômenos, substituindo a pessoa do magnetizador por um objeto brilhante qualquer, tal como um instrumento de aço ou uma simples rolha de garrafa – o que o levou a concluir que o magnetizador não tinha influência alguma na produção do fenômeno, e que a fixação prolongada do olhar, paralisando os centros nervosos e destruindo o equilíbrio do sistema nervoso, bastava por si só para determinar o efeito produzido. (James Braid, pág. 23).
O sono provocado, segundo essas conclusões, não dependia, portanto, como se pretendia crer, de uma volição do operador ou dos passes pelos quais este último pretendia pôr em movimento certos agentes místicos da Natureza, tais como um fluido universal ou particular, mas dependia essencialmente de um estado físico e psíquico do paciente; a concentração do olhar, o repouso absoluto do corpo, a fixação da atenção e a supressão da respiração que acompanham sempre essa fixação, eram suscetíveis de trazer aos centros cérebro-espinhais uma modificação suficientemente profunda para provocarem aquele estado. Se a opinião emitida pelo Dr. Braid fosse fundada, teria acabado com o mesmerismo, seus processos e teorias; mas, enganado por certas aparências de semelhança, o sábio observador, que desde logo havia acreditado na identidade dos efeitos produzidos pelo seu sistema e pelos dos partidários do mesmerismo, foi obrigado a convir posteriormente que existiam, entre esses efeitos tão notáveis, diferenças que deviam ser consideradas como resultantes de dois agentes distintos. (James Braid, pág. 27).
Pelos processos artificiais, indubitavelmente se consegue bem produzir os efeitos fisiológicos da letargia, da catalepsia e do êxtase, mas não se consegue desenvolver essas preciosas faculdades de clarividência, de dupla vista e de previsão, que são precisamente o apanágio especial dos sonâmbulos formados pelos processos mesméricos. A seguinte passagem da obra de Braid fornece o testemunho desta confissão sincera, toda ela em honra desse consciencioso experimentador: “Os magnetizadores asseguram positivamente – diz ele – poder realizar certos efeitos que eu nunca pude provocar com o meu método, se bem que o tenha tentado.
Os efeitos a que aludo são, por exemplo, ler a hora num relógio colocado por detrás da cabeça ou na cavidade epigástrica, ler cartas dobradas ou um livro fechado, reconhecer o que se passa à distância de alguns quilômetros, adivinhar a natureza das enfermidades e indicar-lhes o tratamento sem possuir conhecimentos médicos, magnetizar sonâmbulos na distância de muitos quilômetros, sem que eles tenham conhecimento da operação que se propõem fazer. Devo dizer, a esse respeito, que não julgo razoável, nem mesmo conveniente, pôr em dúvida as afirmações de experimentadores, homens de talento e de observação, cuja palavra constitui autoridade em outras matérias, sob pretexto de que não fui pessoalmente testemunha dos fenômenos, ou que não pude reproduzi-los quer pelo meu método, quer pelo deles.” (J. Braid, pág. 28).
Seria para desejar que aqueles que deviam mais tarde reapossar-se das idéias de Braid, já conhecidas, tivessem limitado a sua imparcialidade; seja como for, é interessante consignar aqui o juízo feito acerca do mesmerismo e de seus adeptos pelo pai dos hipnotistas de hoje; o Dr. Braid pode, com razão, ser considerado o verdadeiro promotor da doutrina do sono nervoso provocado, pois foi ele quem primeiro o batizou com o nome de hipnotismo, definindo-o deste modo: Estado particular do sistema nervoso, determinado por manobras artificiais, estabelecendo assim desde o começo, a distinção notável que cumpre fazer e que realmente existe, entre o Hipnotismo e o Magnetismo, isto é, entre os fenômenos provocados e os que se desenvolvem em sua plena liberdade de ação.
Apesar das tentativas de Braid, o Hipnotismo não devia tão cedo conquistar o direito de cidade; foi debalde que, de 1854 a 1860, os Drs. Azam e Broca tentaram abrir-lhe as portas da Academia, e que o Dr. Durand de Gros, com o pseudônimo de Philips, empreendeu uma verdadeira campanha a favor do braidismo; apesar das publicações, das conferências, das experiências públicas, muito notáveis, deste sábio experimentador, que excitaram durante alguns anos grande curiosidade e interesse, os seus esforços vieram dar de encontro à indiferença e aos preconceitos da época. De todos os hipnotistas que sucederam a Braid, o Dr. Durand de Gros foi quem melhor colocou a questão.
Diz ele: “O resultado final que se procura no emprego do Hipnotismo é o produto de uma operação complexa: esta operação se divide em dois tempos e a cada um deles corresponde um trabalho, um agente e um efeito particular perfeitamente distintos. O primeiro tempo consiste em desenvolver uma modificação preparatória da vitalidade, modificação que na maioria dos casos se conserva latente, e cujo efeito total é dispor o organismo a sofrer a ação determinante e específica que constitui o segundo tempo. Quanto ao segundo tempo, consiste em dar à força nervosa acumulada no encéfalo a direção necessária, a fim de fazer dela o agente dócil de todas as modificações funcionais que se podem ter em vista.”
O Dr. Durand de Gros deu à modificação preliminar da vitalidade, que forma o primeiro tempo de qualquer operação “bráidica”, o nome de estado hipotáxico (palavra de origem grega, que significa: preparação para sofrer); esse estado, na sua opinião, consiste fisiologicamente numa interrupção mais ou menos completa da enervação periférica e numa acumulação anormal da força nervosa no cérebro, que prepara o sonâmbulo para sofrer a ação do operador. Os hipnotistas procuram obter esse estado congestivo cerebral, provocando artificialmente no sonâmbulo uma diminuição da atividade mental, pela fixação contínua e prolongada de um só e mesmo objeto; esse processo, a que o braidismo dá preferência, não é o único meio de promover progressivamente a nulificação do pensamento, que caracteriza o estado hipotáxico: qualquer manobra que produza uma sensação uniforme e contínua desempenha o mesmo objetivo; e, como o estado hipotáxico é simplesmente uma congestão nervosa do cérebro, qualquer processo suscetível de desenvolver essa condição fisiológica agirá tanto como a fixação de um ponto brilhante; e assim é que se chega ao mesmo resultado por meio dos narcóticos administrados em certas doses, a eterização, a eletrização local, e mesmo certos processos mesméricos.
Mas, se o estado hipotáxico pode produzir-se artificialmente de diversas maneiras, cumpre saber também que muitas vezes se apresenta espontaneamente como alteração mórbida resultante de certas diáteses ou com o caráter típico de idiossincrasias especiais; é assim que os histéricos, por exemplo, cujos deslocamentos bruscos da força nervosa e rápidas alternâncias de estados nervosos contrários indicam um estado fisiológico particular, estão geralmente em estado hipotáxico natural, o que lhes permite passar sem nenhum preparo preliminar e sem transição para o segundo tempo da operação “bráidica”, sendo bastante um determinante qualquer (jacto de luz, som de “tã-tã”, injunção breve) para substituir neles a hiperestesia à insensibilidade, a catalepsia e o êxtase à resolução do sistema muscular.
Estas considerações fisiológicas desenvolvidas no curso de braidismo do Dr. Durand de Gros, apesar de sua importância e da confirmação que traziam às teorias de Braid, esclarecendo-as e completando-as, tiveram a mesma sorte destas últimas, e o Hipnotismo ficaria sepultado no pó do esquecimento, se dois hábeis e extremados experimentadores não lhe tivessem feito um panegírico colossal nas suas conferências públicas: Donato, de 1875 a 1886; Karl Hansen, a partir de 1880. Percorrendo a Europa, dando por toda parte representações com sonâmbulos admiravelmente adestrados, exercendo mesmo o seu poder de fascinação sobre os espectadores, obtiveram em pouco tempo um resultado prodigioso. Foi um verdadeiro sucesso: corria-se em multidão para admirar essas exibições teatrais, que representavam os curiosos fenômenos dos convulsionários e dos miraculados da Idade Média.
Violentas controvérsias explodiram na imprensa, acerca da natureza desses fenômenos; cada qual procurou interpretar a seu modo esses fatos estranhos, que tão vivamente excitavam a curiosidade pública; os homens de ciência, solicitados para exprimirem sua opinião, foram obrigados ao exame dessas questões; desse modo, a idéia de Braid ao fim de uns quarenta anos voltava à tona, e, coisa singular, foi por meio do palco que o Hipnotismo deu entrada nas academias. Estimulados pelas experiências públicas de fascinação experimental, que se haviam tornado o objetivo de todos os espíritos, os médicos, os sábios, foram, de algum modo, constrangidos a tomar interesse por esses assuntos; começaram a repetir as experiências de Donato e Hansen a fim de averiguá-las, e lançaram-se a novas investigações; de todos os lados puseram-se à obra: nos hospitais de Paris, na Salpêtrière, no hospital de Caridade, no da Piedade, na Misericórdia, os Drs. Charcot, Luys, Dumontpellier, Voisin, deram cursos e clínicas a numerosos alunos. Em breve formaram-se grupos avantajados, escolas rivais, que trocaram vivas polêmicas e publicaram opiniões e documentos contraditórios. Enquanto a grande hipnose se firmava soberanamente na Salpêtrière, em conseqüência das lições do professor Charcot, de 1879 a 1880, a pequena hipnose defendida pelos Drs.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.