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Capítulo 29 de 30

Parte 29 de 29

Magnetismo Curativo – Volume 2 · Alphonse Bouvier

Em sua Synthèse de l’Univers, procura demonstrar que o conhecimento da moléstia em si e o dos processos que cumpre pôr em prática para curar decorrem naturalmente das propriedades gerais do mundo e do encadeamento dos fenômenos no seio dos quais o homem realiza a sua evolução vital. Um livro também muito interessante e que com justiça foi apreciado no mundo científico é o do Dr. Baraduc: La Force Vitale; o autor mostra-nos a vida, não como sendo o resultado do calor, da eletricidade, ou de qualquer função química, mas como dinamismo especial, dependendo ao mesmo tempo do movimento livre, da matéria primordial e da inteligência em sua harmoniosa adaptação aos estudos dinâmicos. O Dr. Baraduc, por um conjunto de experiências tão novas como curiosas, conseguiu mesmo dar-nos uma formula biométrica do corpo fluídico vital.

Poderíamos, às citações que acabamos de fazer, ajuntar ainda outras em maior número, acusando todas, claramente, reais tendências para esse vitalismo dinâmico, objeto outrora de tantos desdéns e que hoje é saudado como a aurora de uma renovação científica. Começa-se a entrever que a moléstia nem sempre tem como ponto de partida obrigatório um contágio ou uma lesão, mas é, ao contrário, o produto de uma depressão vital, de uma falta de equilíbrio, de resistência ou de tensão. Em qualquer estado mórbido, a vitalidade minorada, incapaz de resistir aos assaltos do exterior, deixa aparecer uma perturbação funcional, que por si mesma imprime uma degenerescência aos tecidos: o que era causa tornou-se efeito, e reciprocamente; as metamorfoses químicas não são mais que conseqüência da inervação perturbada e o sistema nervoso aparece ao mesmo tempo como o instrumento regulador das ações vitais e como a ferramenta indispensável das reconstituições orgânicas.

“Então – diz o Dr. Maurice de Fleury –, o papel do médico consiste em aproveitar-se do período premonitor das moléstias para regularizar o funcionamento do sistema nervoso, de que dependem a força e a fadiga, o bom andamento ou a desordem de nossos órgãos; e é este o lado verdadeiramente prático das novas aquisições científicas das quais o público pode tirar proveito!” 10 Desta maneira de explicar a moléstia à possibilidade de admitir a ação soberana do Magnetismo, há apenas um passo; porque, no dia em que se estiver absolutamente convencido da influência exercida sobre o sistema nervoso pelas imposições, as insuflações e os passes, compreender-se-á finalmente toda a extensão da eficácia desse agente natural, por meio do qual se pode tão facilmente sustar e dominar desde o começo todos os movimentos de desnutrição, produzidos pelo enfraquecimento vital; sentir-se-á que se está, afinal, de posse de um meio universal de agir à vontade sobre o duplo batimento da vida, ativando ou moderando as correntes centrífuga e centrípeta.

É à realização desse sonho que consagrei todos os esforços da minha vida; é o objetivo em que pessoalmente prossigo sem detença; e apesar dos numerosos obstáculos que se tem erguido no meu caminho para esta obra de vulgarização e propaganda, posso dizer que encontrei numerosos e preciosos concursos, que, facilitando singularmente a minha tarefa, arrancaram-me dos desfalecimentos inseparáveis de uma luta que tem por vezes seus abatimentos e suas amarguras. Quisera eu retribuir aqui, em pública homenagem, o meu tributo de reconhecimento a todos os que na sociedade, na magistratura, na corporação médica e na imprensa sustentaram-me com a sua animação e favoreceram as minhas tentativas de vulgarização. Mas receio, por uma vulgarização inoportuna, ferir certos escrúpulos, e, pois, limito-me a citar aqueles que por atos públicos me deram a certeza de que não temiam o grande dia, autorizando-me assim, implicitamente, a citá-los.

Em primeiro lugar, entre esses, colocarei um homem profundamente estimado, cuja amizade me honra e que há dez anos, de guarda ao reduto, não deixa passar uma ocasião de defender, pela pena e pela palavra, as idéias que nos são igualmente caras: é o Rev. Pe. de Meissas, que no Congresso Internacional Magnético de 1889, no Congresso Científico do Círculo Católico e em todas as reuniões privadas onde se apelou tantas vezes para o seu talento de orador, tomou corajosamente o encargo (apesar de suas vestes, para qualquer outro, teriam sido um obstáculo) da defesa do Magnetismo e a tarefa de demonstrar todas as suas preciosas vantagens. Ainda ultimamente, numa Conferência da Sociedade Ampère, onde se lhe havia pedido para tomar a palavra, começava deste modo por uma eloqüente profissão de fé, que dá a medida dos seus sentimentos elevados e da dedicação à causa do bem: “Se me fiz padre – disse ele –, é porque, compenetrado profundamente das grandes verdades evangélicas que iluminam a religião com a sua luz brilhante, julguei poder nesse ministério, todo de caridade e dedicação, estar em posição de prestar melhor os meus serviços à humanidade que amo.

Se me constituo hoje o defensor do Magnetismo e tomo a palavra para vulgarizar suas admiráveis propriedades curativas, é porque, movido pelos mesmos sentimentos, cedo à necessidade de prestar uma homenagem à verdade e um serviço aos meus semelhantes.” Esses nobres conceitos foram calorosamente aplaudidos. Sinto-me feliz em pagar aqui um tributo de reconhecimento ao denodado campeão de uma causa que foi o ponto de partida da amizade que nos une e que estreitou os nossos laços de afeição. Também há um que devo nomear, é Camille Flammarion, o vulgarizador simpático, esse filho querido da Fama, que tão fraternalmente me prestou o apoio precioso da grande notoriedade que tão rapidamente conquistou pela elevação das suas vistas científicas e dos seus cativantes escritos; eis a apreciação que ele faz acerca das minhas teorias, prefaciando um de meus livros: “Sem entrar em longos detalhes, declaramos, com o Sr. A. Bouvier, que a Medicina não é uma ciência e que se acha em atraso relativamente ao progresso das ciências exatas e positivas. Não sabemos o que é a vida, confessemo-lo francamente. É talvez por aí que se devia começar.

O estudo sério do Magnetismo virá em nosso auxílio! Primeiramente, seria preciso desprender esse estudo de um grande número de exagerações, de puerilidades e de utilidades. A Alquimia, desembaraçada do seu caráter oculto e do seu fantástico arsenal de feitiçaria, transformou-se na Química. As maravilhas da física elétrica começaram pelas rãs de Galvâni. Hoje o Sr. A. Bouvier faz-nos pressentir, pela exposição de suas teorias e pelas curas de que nos dá tão surpreendentes exemplos, que se pode restabelecer o equilíbrio das forças vitais, curar e prolongar a existência humana, atuando por uma vontade firme, perseverante, e sustentada, por meio de passes magnéticos e de imposições de mãos, o conjunto da rede nervosa. Parece-me que os sábios dignos de tal título, os naturalistas, os físicos, os fisiologistas e principalmente os médicos, poderiam, sem quebra de dignidade, conceder a essas novas experiências uma atenção esclarecida e emancipada de qualquer idéia preconcebida. Grandes descobertas se esperam, pois nos achamos em face de horizontes inexplorados.” (Camille Flammarion).

Devo também sincera homenagem de gratidão ao eminente diretor da Revue Encyclopédique, Sr. Georges Moreau; não só ele se dignou receber favoravelmente um resumo sintético das minhas idéias acerca do Magnetismo, para essa revista, publicada pela Livraria Larousse e que, com justa nomeada, conserva-se à frente do movimento liberal que a caracteriza e honra o seu diretor, como fez aos seus leitores uma apresentação nos termos seguintes: “A Revue Encyclopédique não corresponderia ao seu título e não preencheria o seu objetivo se se limitasse a registrar as manifestações da ciência chamada oficial. Ao lado dos sábios que se acham empenhados na mesma vereda e pouco se afastam da linha tradicional, há espíritos independentes, mesmo audaciosos, que não temem fazer tábua rasa das idéias recebidas, para tentar novas hipóteses e reconstruir por completo, com os materiais do pensamento humano, sistemas novos. Julgamos que as opiniões desses trabalhadores isolados e convencidos não devem ser consideradas como quantidades desprezíveis.

Todo sistema elaborado pacientemente, por um espírito sério e perseverante, encerra alguma verdade que merece exposta francamente e submetida a discussões. Eis porque acolhemos o estudo do Sr. A. Bouvier: Dynamisme et Magnetisme, deixando o leitor como único juiz das idéias emitidas, garantindo, simplesmente, a boa-fé do autor e o seu ardente amor à verdade.” (Révue Encyclopédique, 1o setembro 1893). Tendo eu colocado sempre a sinceridade, o amor do bem e o respeito à verdade acima do talento, não podia desejar uma apresentação mais de acordo com os meus intuitos; devo dizer, finalmente, que é esse, em geral, o juízo que se tem feito sobre os meus escritos, juízo cheio de benevolência para o autor, e que traz à sua obra um precioso estímulo. Pode-se, pelos extratos seguintes, julgar do que deixamos dito: Le Voltaire, 21 de fevereiro de 1893: “Do livro do Sr. Bouvier emana um sentimento de altruísmo. O autor, incitando a magnetizar-nos uns aos outros, lembra estas palavras que parecem estar um pouco esquecidas: Amai-vos uns aos outros.”

Le Petit Médecin des Familles, 15 de abril de 1894: “Neste século de cepticismo desbragado, sentimo-nos felizes encontrando em nosso caminho homens convencidos que consagram a uma causa sua inteligência, sua força e sua saúde. Do pequeno número destes espíritos de escol é o nosso amigo Bouvier, de quem apresentamos aos nossos leitores o último livro publicado sob o título: Magnetismo Curativo.” (Dr. Marius Rolland). Le Matin, 12 de fevereiro de 1893: “Numa especialidade em que formigam os charlatães, o Sr. A. Bouvier tem sabido apresentar-se como homem de Ciência, de consciência e de dedicação. Teve a feliz idéia de vulgarizar o seu método e observações, escrevendo um curso completo acerca do Magnetismo, curso cuja leitura e estudo se impõem a qualquer pessoa preocupada com o grande problema da vida humana.” La Presse: “Depois que sigo a evolução dos adeptos do Magnetismo, só encontrei uma personalidade verdadeiramente séria, e que visa a não deslumbrar os seus concidadãos, mas ser-lhes útil.

Quero falar do Sr. A. Bouvier, antigo oficial de Cavalaria, que unicamente por amor do próximo se ocupa da aplicação das forças magnéticas na cura das enfermidades.” (Camille Delaville). Le Journal d’Hygiène, 23 de fevereiro de 1893, órgão da Sociedade Francesa de Higiene (que sob a presidência do Dr. Pean e hábil direção do seu zeloso secretário geral Dr. de Pietra Santa, sustenta, há vinte anos, a bandeira do progresso em todos os ramos da Ciência): “Numa época em que o homem é sobrecarregado intelectualmente, não admira o papel importante que desempenham atualmente, na sua existência, as afecções das interessantes e ainda pouco conhecidas questões de psiquiatria que estão de acordo em encarar o sistema nervoso como o grande regulador do organismo. Efetivamente, a pesquisa dos meios próprios para lutar com eficácia contra a nevrose invasora, deve tentar os espíritos sérios; conhecendo a natureza do mal, torna-se mais fácil combatê-lo, fazê-lo mesmo parar. Mas, cumpre confessá-lo, até o presente conservamo-nos quase que sem forças!

Não é, pois, sem verdadeiro prazer que vemos surgir o Magnetismo Curativo, do Sr. A. Bouvier, cujo nome bem conhecido na imprensa científica é por si só uma garantia segura do valor de seus escritos.” (Dr. Moreau, de Tours). Le Progrès de la Côte d’Or, 6 de março de 1893: “Depois de ter examinado o fenômeno sob todas as suas faces, o Sr. A. Bouvier eliminou com cuidado aquilo que precisamente mais seduziu até hoje, não somente a multidão ignorante, como ainda a homens de valor incontestável, que se empenharam em encontrar nele a explicação da antiga magia (branca ou negra), necromancia, e até mesmo da feitiçaria, sonambulismo, catalepsia, êxtase, sugestão, automatismo inconsciente. Tudo isto é sem dúvida muito curioso, mas só muito indiretamente se filia à patologia racional. Ora, é desta, principalmente, que se ocupou o nosso autor.” (P. G. Drevet).

Le Journal de la Santé, 12 de fevereiro de 1893, que sob a hábil direção do Sr. Marc de Rossieny, seu fundador, prossegue com tanto ardor e êxito merecido a sua obra de vulgarização científica, e médica: “Pouco sistemático por natureza, não há método que condenemos como falso. A medicina do Sr. Bouvier seria, em todo o caso, mil vezes mais simples do que a nossa. Felicitamo-lo sem restrições, quanto à ordem que seguiu na exposição do seu método: indica-nos, primeiramente, a maneira de curar; depois nos dá a explicação das curas admiráveis que se podem produzir. Não é para ele que se poderia exclamar: Arranca-me primeiro do perigo, farás depois o teu discurso!” (Dr. J. B. Dubois). O Figaro, de 5 de setembro de 1887, consagra finalmente seu artigo de fundo ao Magnetismo Curativo.

Extraímos dessa Crônica documentária, devida à pena de um dos jornalistas mais estimados da imprensa parisiense, os trechos seguintes: “A crermos na palavra do Sr. A. Bouvier, o magnetismo humano bastaria por si só para curar, sem medicamentos, sem regime, sem operações cirúrgicas, não somente moléstias nervosas, como ainda as outras, e isto simplesmente com o auxílio de manejos, toques, fricções ligeiras, insuflações e outros processos igualmente simples. Esses passes poderão ser exercidos quer diretamente sobre a pele nua do indivíduo, quer através das roupas, ou indiretamente por intermédio de objetos inertes, previamente magnetizados pelo mesmo processo. Poderão mesmo atuar a distância... Qualquer pessoa poderá magnetizar com mais ou menos êxito, porque todos nós, enquanto vivemos, possuímos, em proporções variáveis a força magnética, do mesmo modo que a força muscular; é uma simples questão de grau! É mesmo possível nos magnetizarmos, assim como se consegue sugestionar-nos: a automagnetização em simetria com a auto-sugestão.

O Sr. A. Bouvier invoca casos autênticos, certificados pelos próprios doentes e que não deixam motivo de objeção aos cépticos mais intransigentes. Mostra assim ter curado cólicas hepáticas inveteradas, entorses supuradas, reumatismos articulares e paralisias rebeldes de que os médicos desesperavam, anemias agudas, um cancro... Citou-me datas, nomes, endereços, ofereceu-se para apresentar-me os indivíduos... Por isso que nada sabemos sobre a gênese e a natureza do magnetismo animal, segue-se que ele não existe? Que sabemos de extraordinário acerca do influxo nervoso, da força “em si”, da constituição íntima da matéria e do mecanismo do pensamento? Que sabemos de verdade sobre a essência da eletricidade, que, entretanto, está por toda parte, ao que parece, como o bom Deus do Catecismo, e banha-nos, talvez, com seus eflúvios a toda hora e em todo lugar, intus et extra? O fluido magnético, para falar como Mésmer, a força nêurica, para falar como o Dr. Barety, no fundo não é, talvez, senão a eletricidade animalizada e tornada transmissível e “irradiável”.

Não é, talvez, senão uma manifestação particular dessas correntes elétricas invisíveis, que Edisson sonha, dizem, captar e empregá-las. Tal é, em resumo, a opinião do Sr. A. Bouvier. A seus olhos, todo organismo vivo é uma espécie de condensador, que recolhe exteriormente as diversas vibrações que influenciam os corpos, digerindo-as por assim dizer, como o estômago digere os alimentos, levando-os ao mesmo denominador, transferindo-os em influxo nervoso e em força vital. Entre o ser vivo e o meio externo há um círculo incessante de eletricidade, e é desse fluxo e refluxo sem fim que deve resultar a vida. Se a troca se faz regularmente, sem perturbação, sem choques, tudo vai bem: eis a saúde! Se, pelo contrário, o equilíbrio, chega a romper-se, eis a moléstia e a morte!” (Emile Gautier).

Poderíamos multiplicar essas citações; mas alguns extratos, escolhidos entre tantos outros que acabamos de dar, bastam amplamente para mostrar de que maneira os homens de Ciência, até os próprios médicos, acolhem hoje certos princípios fisiológicos que, ainda há pouco, objeto da indiferença pública, não tinham probabilidades de vir à luz da publicidade senão para sucumbirem desde logo, sob os gracejos e invectivas com que se apraziam cumulá-los. É incontestável que sob o impulso de uma evolução nova, deu-se nestes últimos tempos um grande passo para essa filosofia neo-espiritualista de que fala Emile Gautier! As apreciações benévolas que têm acolhido os meus esforços são o sinal evidente deste fato, e só podem ser motivo de regozijo para os verdadeiros amigos do progresso. Não é tampouco por vaidade que transcrevemos aqui essas apreciações; é que elas são para nós o indício de movimento progressista e nos dão a esperança de ver, num futuro próximo, os caminhos da Ciência desbravados, finalmente, dos preconceitos materialistas que os obstruem, abrir largamente suas devesas ao sol da verdade.

O futuro da humanidade, a felicidade de todos, reside na maneira pela qual julgamos as coisas. A Fisiologia e a Medicina repousam exclusivamente na idéia que se pode fazer do fenômeno vital. Unamos, pois, os nossos votos e os nossos esforços para penetrar os segredos da Natureza! Quanto melhor penetrarmos esses segredos, tanto mais seguramente afirmaremos neste mundo a nossa felicidade! “Felix qui potuit rerum cognoscere causas”.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.