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Capítulo 14 de 30
Parte 14 de 29
Magnetismo Curativo – Volume 2 · Alphonse Bouvier
Decididamente, o doutor persistia em não acreditar na realidade da minha moléstia. Eu não podia compreender porque me eram recusados os cuidados que viera procurar tão longe e de que tinha imperiosa necessidade; esbofei-me em persuadir o doutor, insisti ardentemente para que me deixassem ficar. Propus tomar um quarto particular e pagar uma pensão. Nada pôde demover o Dr. Bouillaud da sua decisão; objetou-me que tinha o tempo tomado com os doentes do Departamento, que não podia prestar cuidados aos estranhos.
Tive que sair. Fiquei alguns dias na casa de um parente que quis acolherme. Depois entrei para o Hospital Beaujon, no arrabalde do Roule, ao serviço do Dr. Ribert. Fui submetido, pouco depois de minha entrada, a uma conferência de que faziam parte os Drs.
Ribert, Labbée, Velpeau, Ricord e Bouillaud. Esses senhores, e o próprio Dr. Bouillaud, que alguns dias antes não quisera reconhecer-me doente e me expulsara do seu hospital, decidiram que se devia aplicar-me a cauterização transcorrente de ferro em brasa, dos rins até aos calcanhares. Cloroformizaram-me para fazer esta cruel operação. Na ocasião nada senti; mas alguns dias depois, ao começar a supuração, sofri torturas mil vezes mais horríveis que a própria moléstia.
Ao fim de quarenta dias, as feridas feitas pelo ferro em brasa estavam apenas cicatrizadas, quando falaram em submeter-me a uma segunda operação. Não pude resolverme a suportar novas torturas e deixei o hospital. Já não sabendo a que santo recorrer, mais abatido pelos tratamentos violentos que tinha sofrido do que mesmo pela moléstia, fui procurar um médico homeopata, cujas prescrições segui durante alguns dias; depois, decidi-me voltar para Laval. Diretor de uma tinturaria, e já não estando obrigado a um trabalho manual fatigante, pude restabelecer-me aos poucos. Parei com todos os remédios e limitei-me simplesmente a cobri-me de lã.
A moléstia desapareceu com o correr do tempo e julgava-me restabelecido, quando, dois anos depois, ela reapareceu bruscamente. Entrei para o hospital da localidade, onde fui submetido a uma conferência. Fiz a exposição da minha moléstia e do tratamento que me fizeram sofrer em Paris, no Hospital Beaujon. No dia seguinte, o Dr. Hubert, em cuja enfermaria me achava, mandou que eu ficasse nu no meu leito, e sem advertir-me do que ia fazer, de pincel em punho, cobriu-me a pele, desde a nuca até os calcanhares, de ácido sulfúrico, renovando com este cáustico violento as cauterizações que me haviam feito em Paris com o ferro em brasa.
Um banho, que posteriormente me fizeram tomar, trouxe uma supuração abundante, que me ocasionou sofrimentos intoleráveis. Apesar de toda minha coragem e do ardente desejo que tinha de curar-me, tive que renunciar ao tratamento que queriam renovar; e, deixando o hospital, fui em demanda do Port Engeard, a fim de descansar das torturas que me haviam feito sofrer, e tomar alguns banhos de vapor. Voltou a boa estação, e como sempre, com o calor, reapareceu a saúde. Durante alguns anos, estive quase bom, julgava-me livre dessa terrível moléstia, quando em 1859, estando em Angers, como diretor de tinturaria na casa do Sr. Oriolle, fui de novo surpreendido pelas dores; como, então, achava-me casado, fiz-me tratar em minha casa.
Aplicaram primeiramente alguns vesicatórios, depois fizeram-me uma operação muito dolorosa, enterrando-me na perna, ao longo do nervo ciático, catorze agulhas. Depois dessa operação, tornando-se as dores mais agudas do que nunca, procuraram acalmá-las com injeções subcutâneas de morfina, fricções de linimentos diferentes, tais como óleo canforado, bálsamo tranqüilo, óleo de meimendro, terebentina, etc., mas sem resultado algum. Fatigado de ser deste modo torturado pela Medicina, sem alcançar nenhum alívio, acabei renunciando aos médicos e contentei-me em ficar bem agasalhado e tomar alguns banhos. Assim fui-me arrastando durante dois anos, e afinal restabeleci-me inteiramente, pelo menos na aparência, porque de vez em quando experimentava ainda algumas dores, que, entretanto, eram suportáveis. Durante a guerra de 1870, fui chamado à tinturaria a fim de preparar os tecidos para o nosso Exército; apanhei um resfriado que me trouxe uma recaída; minha saúde desde então alterou-se sensivelmente, e apesar do desgosto pronunciado que tinha para qualquer espécie de tratamento, fui constrangido pelas circunstâncias a entregar-me de novo aos médicos.
Aconselharam-me as águas minerais, mandaram-me sucessivamente para as termas de Mont-Dôre, de Barbotan e de Bagnéres-de-Luchon. Longe de me acalmarem as dores, este novo tratamento exasperou-as a tal ponto que a moléstia complicou-se de novos males. Fiquei afetado de constipações tenazes e de cólicas medonhas; as vísceras pareceram atacadas, como os músculos, dessas dores pungentes, que me faziam desejar a morte; todo o lado esquerdo, até então poupado, ficou sofrendo como o direito. Fizeram-me passar, nessa ocasião, por todas as torturas dos primeiros tratamentos: tintura de iodo, vesicatórios com cloridrato de morfina, injeções subcutâneas, picadas de agulha, moscas, etc. Desde essa época, a moléstia só piorou; os ataques, que se tornaram mais terríveis do que nunca, conservam uma periodicidade desoladora; das cinco horas da tarde até meianoite não cesso de gritar; já não tenho sono, nem posso conservar-me em posição alguma; todo o lado esquerdo do corpo vai-se atrofiando e faz-me sofrer horrivelmente; desde o quadril até os dedos do pé, experimento dores lancinantes, afigurando-se-me cavarem o osso da perna e arrancarem a rótula; os músculos apresentam tremores e sobressaltos constantes; sinto alternadamente calor ardente e frio intenso; a carne e a epiderme são de uma sensibilidade tal que me parece que a carne está desnudada; qualquer contacto, por mais leve que seja, é um sofrimento para mim.
Não tenho esperança alguma de restabelecer-me pelos meios comuns; e, ouvindo falar de vós, venho apelar para os vossos bons cuidados, a fim de tirar-me desta situação lamentável, se efetivamente julgais que o Magnetismo pode intervir beneficamente neste caso. (Assinado) D.” Comovido com essa extensa narração de sofrimentos, fui visitar o doente. De simples operário, o Sr. D. tornara-se um dos importante negociantes da cidade de Angers; encontrei-o na pequena sala de sua residência, todo vestido, envolto em cobertores, estendido num canapé e incapaz de fazer qualquer movimento. Era assim que ele passava dias e noites e havia deliberado não mais despirse para deitar, por isso que qualquer movimento ou contato lhe arrancava gritos. Fez-me de novo a narrativa dos seus males e mostrando-me um revólver sobre a mesa, ao alcance da mão, disse banhado em lágrimas: “Há muito tempo que teria acabado com a vida se não tivesse mulher e filhos”.
No dia seguinte, comecei o tratamento magnético. Desde as primeiras sessões tive a inestimável satisfação de obter um resultado que permitiu favorável prognóstico sobre o êxito do tratamento; manifestou-se uma melhora sensível, as crises diminuíram pouco a pouco de intensidade, o sono voltou. Ao fim de duas ou três semanas, o doente conservava-se de pé e podia dar alguns passos, a princípio apoiando-se em duas bengalas e arrastando dificilmente as pernas; mais tarde, com maior facilidade. Finalmente, o tratamento fez tais progressos, que, dois meses depois, nos primeiros dias de dezembro, encontrei o Sr. D. em tão boas condições que cessei de prodigalizar-lhe cuidados e confiei-o ao seu primeiro empregado, um jovem muito inteligente, a quem mostrara minha maneira de proceder, fazendo-o assistir às sessões de Magnetismo.
Foi ele quem, por meio de magnetizações cada vez mais espaçadas, terminou a cura e favoreceu o retorno das forças que ainda faltavam ao patrão. Apesar da estação desfavorável em que nos encontrávamos, o Magnetismo tinha atuado com uma rapidez que eu estava longe de esperar; o doente achava-se em estado tão lastimável, tinha passado tantos anos em peripécias de tal ordem, que eu não podia contar com uma cura tão pronta. Eis aqui, certamente, um dos casos mais curiosos da ação magnética, e não se pode deixar de estabelecer um paralelo entre esse modo de tratamento tão simples, consistindo em alguns passes e imposições, sem sono provocado, e as violências que a medicina oficial impôs a esse infeliz doente durante vinte e cinco anos consecutivos. Havia razão para tais violências? Quando remontamos à origem dessa cruel enfermidade e procuramos explicar-lhe as causas, só nos é dado deplorar amargamente os detestáveis preconceitos científicos, dos quais diariamente podemos todos ser vítimas.
O Sr. D. fez-nos saber que, passando da estufa para o rio, a fim de lavar as lãs, em pleno inverno, é que foi subitamente tomado de dores gerais. Evidentemente, estava nisso a causa dos seus sofrimentos. Ora, se admitirmos que todos os fenômenos físicos se resolvem em condensações e dispersões de movimento, é fácil explicar o que se produziu. As vibrações do organismo, exaltadas pelo calor dispersivo da estufa, achando-se, sem transição alguma, em contato imediato com uma temperatura mais baixa, foram brutalmente tomadas de condensação, em virtude do ar gélido exterior: apenas em alguns segundos o ritmo vital passou de um a outro extremo.
Aconteceu o que se dá quando se mergulha um ferro em brasa na água, ou se tenta fazer parar um trem a toda velocidade: o movimento adquirido se transforma instantaneamente em força fulminante de retorno, que condensa as moléculas do ferro, ou quebra as articulações do trem. Aqui, a força viva posta em ação pelo calor, subitamente parada pelo ar gelado, foi recalcada nos canais nervosos encarregados de dar-lhe escoamento, e, refluindo para os centros, atingiu profundamente o equilíbrio vital; se desde logo se tivesse atuado sobre esse movimento de condensação brusca, abrindo as vias periféricas fechadas e evitando, assim, uma parada à tensão animal do movimento livre, ter-se-ia, com certeza, estabelecido o equilíbrio. Nesse momento, a ação magnética teria sido soberana; algumas imposições e passes teriam bastado; a demonstração feita, vinte e cinco anos mais tarde, permite supô-lo. E ter-se-ia assim, evitado a esse desventurado o longo martírio que sofrera. Mas, que fizeram?
Em lugar de se preocuparem com o restabelecimento do ritmo normal da dupla corrente que põe o organismo em relação constante com o meio ambiente em que nos movemos, os médicos atacaram, por meios violentos, a epiderme, esse invólucro de algum modo idio-elétrico, que a Natureza tão sabiamente colocou entre o sistema nervoso e o mundo exterior, precisamente para regular essa dupla corrente de que acabo de falar. Pelo ferro, pelo fogo, pelos cáusticos, queimouse, lacerou-se, destruiu-se esse invólucro isolador, com cuja integridade se devia antes contar, exclusivamente; e assim se ajuntou uma nova causa de desorganização às já existentes. Em lugar de favorecer a ação vital, fortificando-a, a fim de ajudá-la a expelir para o interior essa sobrecarga de movimento, refluída para os centros, anormalmente condensada nos plexos nervosos, trataram de ferir a vida nas suas fontes mais íntimas; tiraram sangue, enfraqueceram, provocaram no doente sofrimentos piores do que a moléstia. Pelo emprego de estupefacientes, de venenos e anestésicos, adormeceram, mataram a reação vital, impedindo-a de se manifestar. E quem o fez?
Práticos obscuros, que talvez pudessem ter como desculpa a ignorância dos fenômenos fisiológicos? Não. Foram os primeiros entre os mais doutos, os que exercem a ciência e aplicam os princípios que constituem a base dessa ciência. Pobre ciência! Ignorante das leis da vida, ela permite tais erros fisiológicos!...
Mas também pobres doentes! Tão cruelmente vítimas desse miserável estado de coisas, seria desumano privá-los do recurso supremo que o Magnetismo pode trazer-lhes, quando beberam o cálice até ao resíduo, e tudo tentaram debalde para curarem-se. 2o caso – Uma operação evitada pelo Magnetismo O segundo caso parece ocupar lugar notável, depois do que acabo de citar; contribui para acentuar a fragilidade dos diagnósticos segundo os princípios da ciência atual, e demonstra que recursos inesperados os infelizes doentes podem encontrar no Magnetismo. Há alguns anos, encontrei em Paris um dos meus antigos camaradas do Exército, o Barão de F., que eu havia perdido de vista durante algum tempo; casara-se, tinha pedido a sua demissão, e encontrei-o conselheiro do Tribunal de Contas. Conversamos sobre os tempos antigos, sobre a atualidade, e expus-lhe as minhas experiências acerca do Magnetismo, o que pareceu interessá-lo vivamente. Dias depois desse encontro, recebi dele a cartinha seguinte: “Paris, 26 de outubro de 1886.
Caro camarada. Um velho sacerdote meu conhecido sofre, há dois anos, dores atrozes nas pernas; passou pelas mãos de todos os especialistas, os quais não lhe deram alívio algum. Trata-se, neste momento, de fazer-lhe uma operação grave. Dizei-me se quereis ver o meu padre. Pedindo-vos desculpa, subscreve-se o Vosso muito dedicado amigo Barão de F.” Respondi ao camarada agradecendo-lhe a oportunidade que me oferecia de praticar o bem, levando alívio a um sofredor, e, de posse do endereço do desventurado doente, fui visitá-lo.
Encontrei o padre B. num quinto andar, em pequeno aposento modestamente mobilado: cama de ferro, algumas cadeiras de palhinha, tosca mesa de madeira branca empilhada de livros, alguns papéis; pendentes da parede, diversos quadros religiosos. Era um homem de sessenta anos, baixo, magro, cujos traços manifestavam sofrimento. Fizemos desde logo intimidade. Falou-me dos sofrimentos atrozes que suportava havia dois meses, dia e noite, sofrimentos que o privavam do sono e impediam-no de alimentar-se; descobrindo as pernas, mostrou-me a direita, toda deformada; já não havia vestígios da barriga da perna; o joelho estava intumescido e luzidio, e, sobre a curva, duas cicatrizes tão profundas que se podia introduzir ali o punho, davam a idéia da passagem de uma bala que tivesse atravessado os músculos da coxa de lado a lado. – Fostes ferido?
– perguntei. – Sim e não – respondeu sorrindo, tristemente – este mal vem de longa; vou explica-me. “Sou filho de lavradores, passei toda a mocidade no campo. “Tinha apenas dez anos quando fui acometido subitamente de grandes dores no joelho. Essas dores acarretaram-me alta febre e durante muitos dias fiquei em completo delírio, o que fez, por momentos, acreditar a meus pais que eu estava perdido.
O médico do lugar chamou um colega em conferência, um jovem doutor que passava por muito hábil; decidiram eles ser necessário, sem demora, abrirem-me o joelho, que estava muito inchado. Feita a operação, saiu da ferida não pus, como esperavam, mas uma substância carnosa da grossura quase de uma sanguessuga. A ferida cicatrizou, e só cinco ou seis semanas depois é que os médicos reconheceram que o mal devia provir de uma inflamação do periósteo do osso do fêmur. Restabeleceram um cautério na sede do mal. A intumescência e as dores diminuíram sensivelmente.
Mas, ao fim de cinco a seis meses, ainda não podia caminhar senão de muletas. “Por esse tempo, ao descer a escada tive a infelicidade de dar uma queda e fraturar a perna, precisamente no lugar doente. “Correu-se a procurar médico, porém, campo não é cidade: só no dia seguinte conseguiram a vinda do médico; quando ele chegou, a inflamação da perna era considerável e o curativo apresentou muitas dificuldades. Conservei-me três meses de cama com um aparelho e só pude usar as muletas seis meses depois do acidente. Sobreveio, então, pouco depois, uma fístula profunda, indo até ao osso e que purgou durante cinco anos.
Pelos quinze anos, tendo-se apresentado uma forte esquírola do fêmur através da ferida supurante foi destacada, e, cicatrizandose esta, foi a perna readquirindo forças. Pude, finalmente, abandonar as muletas e recomeçar seriamente o curso dos estudos até então paralisados. “Dos 15 aos 55 anos, senti uma vez por outra bastantes dores nesta perna, mas eram suportáveis e passageiras; atacavam-me principalmente à noite, mas não me impossibilitavam de caminhar. “Em 1884 e 1885 fiz duas estações em Aix-les-Bains; achando-me muito lépido; tive a insensatez de fazer excursões imoderadas nas montanhas; um dia, no segundo ano, perdemo-nos e fomos obrigados a atravessar blocos de neve, que chegavam à cintura. À minha volta desta última excursão, fui subitamente tomado de uma crise das mais violentas.
Consultei o Dr. M. e ele, vendo na moléstia apenas um reumatismo, procurou combatê-lo com calmantes. “Não experimentando melhora sensível com esse tratamento, fui procurar o Dr. J., que qualificou o mal de necrose, e aconselhou-me recorresse imediatamente a um cirurgião. Com recomendação de pessoas interessadas decidi-me, então, ir consultar o professor D., cirurgião dos hospitais e membro da Academia de Medicina.
Esse senhor opinou por eminente professor; mas, antes de me decidir a uma operação tão grave, resolvi ouvir alguns dos seus colegas. Consultei sucessivamente os doutores D’O., J., Le B., cirurgião do Hospital Saint-Joseph; C., lente substituto da Faculdade de Medicina; J., discípulo do Dr. Péan; e T., cirurgião dos hospitais e membro da Academia de Medicina. Esses seis doutores concordaram com a opinião do Sr. D., ou quase deram o mesmo diagnóstico, com exceção do Sr.
T., que aconselhou simplesmente uma inflamação do osso e do periósteo, com um ou muitos seqüestros invaginados. Declarou-me que só via um meio de curar-me: era praticar a operação que consistia em descobrir o osso e fazer eliminação dos seqüestros. “Volto muito surpreso com o diagnóstico do envolver a perna desde o maléolo até o quadril, num aparelho silicatado; e o Sr. C., que não tendo certeza da existência dos seqüestros, era de opinião que se fizesse apenas uma raspagem do osso. “À vista desse acordo de opiniões, estou, disse o pobre padre, numa cruel perplexidade.
Devo resolver-me a fazer uma operação cujas conseqüências, no estado de fraqueza e prostração em que me encontro, não oferece verdadeiras garantias de bom êxito? “Tenho usado, sem resultado, todos os paliativos que se me tem indicado: cataplasmas de todas as espécies, ungüentos, banhos de ervas, banhos emolientes, banhos de vapor, linimentos, vesicatórios, pontas de fogo, tintura de iodo, eletricidade, hidroterapia, iodeto de potássio. Fiz-me aplicar a massagem durante 35 dias seguidos, pelo Dr. M., que, por esse método, tem feito curas tão maravilhosas: tudo fiz, tudo experimentei. Há um ano que sofro sem um instante de trégua.
“Apesar de toda a minha coragem, estou exausto. É preferível morrer a ter de continuar a sofrer desta maneira. “Estava assim resignado à minha sorte infeliz, decidido a arriscar-me à operação, tendo para isso já tomado algumas decisões preliminares quando, ultimamente, vosso amigo Barão de F. falou-me a respeito do Magnetismo, procurando levantar-me o ânimo. “Sou muito amigo do Barão, fui preceptor do seu filho e ele tem tido para comigo todas as deferências. Apesar de não ter nenhuma idéia assente acerca do Magnetismo e seus efeitos, acolhi o conselho como manifestação da Divina Providência e vi brilhar em minha alma um lampejo de esperança; pelo que acabais de ouvir, podeis julgar da gravidade do meu estado: acreditais que o magnetismo ainda possa alguma coisa a meu favor?...” E, ao pronunciar estas palavras, o bom padre fixou-me ansiosamente.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.