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Capítulo 25 de 30
Parte 25 de 29
Magnetismo Curativo – Volume 2 · Alphonse Bouvier
Voltaremos mais tarde e amplamente à questão das injeções hipodérmicas e das vacinas, mas não queremos esperar para protestar contra esse método que preconiza, no círculo fechado da circulação, a introdução direta de uma substância estranha – produto orgânico ou outro – quando a Fisiologia nos ensina que toda substância ingerida deve ser previamente submetida ao exame severo dos numerosos aparelhos, cuja missão é elaborar o minucioso trabalho de eliminação e absorção, salvaguarda do santuário da vitalidade. Quando mesmo se considerasse as injeções hipodérmicas como paliativos, ainda assim, far-se-ia muito mal em usá-las. Os paliativos empregados para temporizar o mal, têm o grave inconveniente do sintoma mórbido agravar-se, logo que o paliativo cessa o seu efeito; e a reação mórbida é tanto maior quanto o paliativo tem sido administrado em doses mais elevadas.
Todo medicamento tem um efeito primitivo e um efeito secundário: o efeito secundário filia-se a uma reação de tensão do organismo; é a conseqüência deste princípio: que toda migração das forças traz ao organismo uma reação pior do que a ação; impeli violentamente uma cuba cheia, a água não entornará do lado oposto, mas por um movimento violento de retorno virá cair sobre vós. Um pedilúvio quente e fortemente sinapizado alivia a cabeça e atrai o sangue aos pés; mas, depois do banho, o sangue aflui tanto mais violentamente à cabeça, quanto mais bruscamente se deu o deslocamento.
Houve uma época em que, julgando favorecer a reação vital, se fez um estranho abuso da sangria; pela lanceta, as ventosas e as sanguessugas, tirava-se sangue, qualquer que fosse a moléstia. Mais tarde percebeu-se que a sangria, longe de desonerar o organismo nas moléstias inflamatórias, só fazia aumentar a substância filamentosa do sangue, em vez de diminuí-la, e reduzia o número de glóbulos. A sangria, não há dúvida, abaixa a vitalidade; e certos médicos, os da escola italiana entre outros, empregaram-na como contra-estimulante, a fim de substituírem o estado hipostênico à hiperstenia; somente a hiperstenia muitas vezes persistia, mesmo depois de se haver esvaído o doente. Se casualmente a emissão sangüínea produz um alívio passageiro, pode-se ficar certo de que ela não traz nenhuma melhora séria; tende, ao contrário, a enfraquecer o organismo, a aumentar o estado congestivo e acrescenta mesmo à moléstia uma agravação perigosa, emprestando-lhe um caráter nervoso especial. “O sangue – diz um dos nossos grandes fisiologistas – é o teatro de todas as ações vitais; é nele que se acham as condições da vida de todos os tecidos e de todos os órgãos; a circulação pode ser mal equilibrada, mas nunca poderá haver uma só gota de sangue a mais nas veias.” Não é devido à superabundância de sangue que se dão as congestões e as inflamações.
“Sangrar na apoplexia – diz o Dr. Copemann – é duplicar a mortalidade ou acarretar uma paralisia consecutiva.” “Sangrar na pleurisia e na pneumonia – diz o Dr. Ziemssen – é ser nocivo à conservação das forças e à enérgica atividade da respiração, as duas causas mais urgentes e que aparecem muito antes da congestão do pulmão.” Sangrar é ocasionar incurável languidez, intermináveis convalescenças; é tirar ao doente a possibilidade de reparar-lhe as forças. Todos os médicos inteligentes e honestos levantaram-se energicamente contra esse inepto e mortífero método, que fez tantas vítimas no século último. “Esse sistema teve a vantagem singular – diz o Dr.
Gallavardin – de facilitar os estudos dos anatomistas, dando-lhes ocasião de fazer um grande número de autópsias.” “O primeiro que ousou fazer uma sangria – dizia Bordeu – foi um homem muito corajoso, para não dizer mais; porém, o que pensar daquele que, tendo-se aventurado pela primeira vez a sangrar um doente, o vê morrer, e, entretanto, animase a sangrar, do mesmo modo, um outro doente, depois de ter visto morrer o primeiro?” Renunciou-se às emissões sangüíneas, isto é, pôs-se de parte esse processo brutal, porque nos houvessem esclarecido as luzes da Fisiologia? Não. Se se abandonou a sangria, apareceram as operações cirúrgicas, o escalpelo e a serra substituíram a lanceta: questão de moda, não de progresso. Hoje se considera como solução obrigada de toda afecção mórbida a brutal necessidade de intervir à mão armada em nossos órgãos. O clorofórmio, a cocaína e a morfina, suprimindo o sofrimento, contribuíram grandemente para favorecer a introdução desses novos processos.
Os anestésicos tornam o paciente mais corajoso e o operador mais audaz; um abcesso, um furúnculo, o mais simples tumor tornam-se pretexto para as operações; investem contra os músculos, ligamentos, tendões: o bisturi tem a pretensão de tudo curar. “Esse método tornou-se pau para toda obra – diz espirituosamente o Dr. Verneuil, no discurso de abertura que pronunciou no Congresso Científico de Grenoble em 1885 –; exige-se tudo dele: é a panacéia operatória. A ginecologia e a oftalmologia disputam o lugar de honra nesse turf de novo gênero; inventou-se a raspagem ou ruginação dos abcessos frios; puseram-se então a raspar, a raspar, ainda hoje se raspa, e os que não raspam são declarados atrasados ou retrógrados. Assim, raspando-se, chega-se até, em caso de necessidade, ao canal raquidiano; e embora se dê sempre à operação resultados animadores (é a fórmula corrente), o doente raspado vai reunir-se aos seus antepassados num mundo melhor.” Essa linguagem do eminente cirurgião não foi certamente usada para tranqüilizar-nos acerca do excesso de zelo operatório, que caracteriza a nova escola.
É bom também consignar o que se diz acerca das pontas de fogo; elas destronaram o vesicatório, completamente fora da moda, e multiplicaram o seu emprego nas afecções mais diversas: gastralgia, bronquite, lumbago, ciática, reumatismo, asma, gota e mesmo nas nevroses. “Eu vos assinalo esta mania – diz o Dr. Verneuil –; ela tem pelo menos o mérito de ser quase inocente, é apenas ridícula: é o terror das crianças e não a alegria dos pais. Aplicam-se as pontas de fogo por qualquer motivo; só falta aplicarem-nas, preventivamente, nas pessoas de boa saúde, contra as moléstias futuras, mas podeis crer que certos médicos cogitam disso.” Terão efetivamente as pontas de fogo essa inocuidade que desperta a veia humorística do eminente professor? Não o cremos.
Com esse método de tratamento ofende-se inutilmente os tecidos; agindo profundamente sobre as ramificações nervosas do derma, traz-se perturbações à sua sensibilidade e desse modo se obscurece mais ou menos as indicações preciosas, que essa sensibilidade poderia fornecer sobre o estado do doente. Essa tendência para substituir a terapêutica pelas manobras cirúrgicas vai cada dia aumentando; os especialistas, cessando de prender-se aos pequenos ramos da medicina operatória, atiram-se às mais temerárias operações. Possuem todas as audácias e dispõem-se a transformar as salas dos hospitais em laboratórios de experiências de vivissecção humana; não mais se contentam com as amputações dos membros, as ressecações articulares, as ablações de seios: atiram-se temerariamente aos órgãos mais essenciais da vida; ao estômago, aos intestinos, ao fígado, ao baço, ao rim, ao pâncreas; extirpam, sem mais detença, os ovários e o útero; tem-se mesmo tentado tocar nos pulmões e no cérebro; só o coração tem sido respeitado, porém, mesmo assim, não poupam os seus invólucros. Não será preciso demonstrar quanto esses processos mortíferos são contrários às leis fisiológicas. Não somos, como parecem acreditar, uma máquina articulada, que se monta e desmonta à vontade.
Lembremo-nos daquele grito de alarma dado pelo célebre Dupuytren no seu leito de morte, exclamando com azedume: “Quanto deploro esta cirurgia sem princípios, a crer que a arte autoriza tudo o que permite a Anatomia.” A aplicação brutal, no corpo humano, da mão armada com o ferro ou a faca, não pode constituir uma ciência: é querer não dar nenhuma importância às leis da vida. Homens da competência de Wolf, Broussais e Hunter proclamam alto que o abuso da medicina operatória é sinal manifesto da impotência da arte médica. As únicas operações cirúrgicas permitidas devem ser aquelas que não poderiam ser desprezadas sem comprometer o organismo: aproximar-se os bordos abertos de uma ferida para favorecer-lhe a cicatrização; levantar e justapor as duas extremidades de um osso numa fratura; ligar uma artéria; trazer à sua posição normal um osso deslocado por efeito de uma luxação; desembaraçar as carnes de um corpo estranho violentamente introduzido; operar a amputação de um membro esmagado ou gangrenado; mas nunca se é demasiadamente restritivo e prudente quando se trata de atacar órgãos essenciais à vida, ou quando se tenta associar a Cirurgia à Medicina.
O método chamado revulsivo, que emprega a qualquer pretexto sedenhos, moscas, ventosas, cautérios, vesicatórios, sangrias, deve ser absolutamente rejeitado. “Os revulsivos são os recursos da ignorância, que não sabe o que fazer; e da Ciência quando já não tem recursos.
– diz, com razão, o Dr. Bousquet. – Respeitar a integridade da epiderme é um axioma fisiológico que a Medicina não poderia desconhecer sem arriscar-se a cometer um erro capital.” “A pele é para o homem um limite sensitivo, colocado à extremidade da sua alma – disse o célebre fisiologista Bichat –; é nesse limite que vêm chocar-se de contínuo todos os corpos; é por ele que o homem liga sua existência com aquelas que o cercam.” A pele é o envoltório ídio-elétrico com que a Natureza armou o organismo para regularizar suas irradiações e a absorção das correntes externas: e tanto isso é verdade, que um membro pode ser esmagado, os ossos podem ser triturados, os músculos dilacerados, sem que resulte de tão terríveis desordens nem gangrena, nem supuração, nem flegmasia local, nem reação febril geral; apenas com a condição expressa de que a pele não tenha sido interessada no ferimento; neste caso, a reparação se opera somente pelos atos fisiológicos, no entanto a mais insignificante escoriação pode tornar-se o ponto de partida de sérias complicações locais e de acidentes gerais muito graves.
É necessário, pois, tanto quanto possível, nunca lesar voluntariamente a pele pelo fogo, cáusticos ou bisturi; é nisso que está o grande inconveniente das ventosas, das moscas, das pontas de fogo, dos desbridamentos de abcessos, das ablações de tumores, da cauterização das feridas e da incisão dos flegmões. Cumpre, igualmente, evitar a aplicação de pomadas epistáxicas sobre a epiderme, a pretexto de puxar o tumor e exonerar o organismo dos seus princípios morbíficos: os princípios graxos mais inofensivos na aparência, tais como os óleos, as gorduras e a glicerina, podem embaraçar a função dos poros da pele, a ponto de produzir uma asfixia parcial; todos os dias se tenta fazer desaparecer os dartros por meio de pomadas; é isso um perigo, porque, ou o dartro se exacerba ou desaparece e a sua desaparição provoca freqüentemente graves desordens internas, tais como oftalmia, surdez, espasmos, convulsões, apoplexia, moléstias do fígado ou dos pulmões.
“Quando se morre de uma inflamação dartrosa – diz Broussais –, não é da pele que se morre, mas de flegmasias viscerais.” Quando se debrida os ingurgitamentos frios, quando é trazido à supuração por meio de fricções arsenicais ou mercuriais, quando é reduzido pelos cáusticos, as cicatrizes que resultam dessas operações são mais disformes do que os traços que pode deixar a moléstia: “Uma libra de ungüento não produz um grão de carne sã – diz Paracelso –; a carne prolifera do interior e não do exterior.” A verdade é que todos esses males podem ceder à reação vital, se se tem a habilidade de favorecer esta reação com a paciência de esperá-la.
É para este objetivo que devem tender todos os esforços da Medicina, favorecendo da melhor maneira as reações naturais do organismo; assim, pois, sob a influência dos sentimentos altruístas que nos animam, unamos nossos votos ao que foi tão patriótica e nobremente expresso pelo mais sábio e mais humano dos nossos cirurgiões: “Possa um dia a Cirurgia, graças aos processos da ciência francesa, não mais derramar sangue e não mais fazer correr lágrimas.” (Dr. Verneuil). Tais são, em resumo, os diversos modos de tratamento em uso, tal a enumeração dos principais agentes que formam o fundo do arsenal terapêutico atual. Não é da nossa competência ajuizar do valor das teorias que regem a matéria médica e a Patologia.
Deixando esse cuidado aos homens do ofício, limitamo-nos a observar que, profundamente divididos em opinião sobre os detalhes, quase todos estão de acordo sobre este ponto: que a Medicina é uma ciência sem unidade em seus princípios, sem fixidez em seus fundamentos, e que flutua sem bússola aos mil ventos da mais arbitrária experimentação. Os nossos mais eminentes professores, os nossos médicos mais sábios, confessam publicamente a insuficiência da Ciência; eles assinalam os desvios que essa insuficiência pode produzir e não dissimulam os seus perigos. Essa diversidade de apreciações, essa falta de unidade, o vago e a obscuridade que reinam na arte de curar, tornam muito difícil a aplicação da Medicina. Não será necessário, antes de tudo, como vimos, que o médico determine com precisão o caso mórbido especial em cuja presença se acha? Mas, como conseguir com segurança esse resultado, visto estar averiguado que existe um desacordo absoluto sobre as causas e a natureza das moléstias, sobre sua classificação metódica e sobre a própria essência da moléstia, considerada sob o ponto de vista geral?
Não será o conhecimento mais ou menos perfeito da moléstia que permitirá instituir o gênero de tratamento a aplicar? Da própria confissão dos médicos mais experimentados, o diagnóstico é tudo quanto há de mais aleatório. A história da Medicina demonstra que no início de uma afecção aguda não somente é fácil o erro, senão que ele é freqüente; a história está cheia de fatos desse gênero. Em um concurso de exame na Faculdade, um doente que entrava é submetido ao diagnóstico de um candidato. Este opina por uma varíola; um dos juízes prevê uma febre tifóide, e fazendo partilhar esta opinião por seus colegas, determina a eliminação do candidato; acontece que no dia seguinte a varíola, fazendo irrupção e dando razão ao aluno desclassificado, é um cheque aos mestres encarregados de examiná-lo.
“Um médico – diz o Dr. Trousseau –, depois de haver passado trinta anos nos hospitais, fica algumas vezes singularmente embaraçado para distinguir uma tísica pulmonar de um influxo que dure há muito tempo e que tenha esgotado o doente.” Que importa, responde a isso um dos seus colegas, pois que em ambos os casos se empregará os mesmos agentes terapêuticos: o óleo de fígado de bacalhau, os peitorais, os béquicos, os resinosos, os fosfatos, os vesicatórios e os cautérios?... Não basta possuir uma noção precisa do caso particular em cuja presença nos achamos, é necessário saber fazer a escolha do medicamento mais apropriado à moléstia e ao indivíduo. Ora, vimos, pelo que precede, não ser fácil conhecer o que é verdadeiramente curativo; possui-se apenas um conhecimento muito vago das propriedades medicinais dos corpos e de sua apropriação às moléstias; existe a esse respeito uma divergência de opiniões que se manifesta a cada momento. Eis um exemplo, entre mil: Um médico muito distinto, dos hospitais, tratava uma criança atacada de bronco-pneumonia; como a moléstia piorasse, o médico declarou que era preciso empregar um vesicatório; apenas ele saiu, a criança, ao executar-se a prescrição, começa a chorar, debate-se, repele o emplastro com furor e grita agudamente: Deixem-me morrer.
Não quero vesicatório, quero a medicina de Cabárrus. Cabárrus, um velho amigo da família, era o célebre médico homeopata bem conhecido; os pais cedem, vão buscá-lo e ele prescreve, com a condição de se avisar ao médico assistente. No dia seguinte, este último verifica uma melhora surpreendente; o pai refere-lhe o que se havia passado; porém o doutor da Faculdade nega a eficácia do remédio homeopata e atribui a melhora a um retorno espontâneo da ação vital; então, se assim devesse ser, porque ter querido infligir a tortura de um remédio violento ao pobre doentinho, que certamente o teria sofrido inutilmente, se não fora a sua repulsa e protestos enérgicos? “Quantas pneumonias e pleurisias têm sido assim curadas, que chegaram ao meu conhecimento – diz o médico que cita esse fato –, quando professores da Faculdade, acadêmicos e médicos dos hospitais, isto é, os clínicos mais experimentados tinham julgado necessário as sangrias, as sanguessugas, os vesicatórios os vomitivos e purgativos. As prescrições desses honrados mestres teriam sido, portanto, funestas aos doentes, ou pelo menos inoportunas.” Assim se dá com as demais moléstias.
“Não seria mais preferível meditar sobre a morte dos doentes atacados de uma moléstia mortal – diz Bordeu –, do que tornar mortal uma moléstia que se teria curado por si mesma, se não se houvesse fatigado o infeliz doente com remédios mal estudados ou adotados com o fim de obter vãos e pueris testemunhos?” A expectação, na opinião mesmo de um grande número de clínicos – e são os mais hábeis, justamente os mais prudentes – é mil vezes preferível ao desejo de intervir precipitadamente por meios violentos, suscetíveis de embaraçar a reação vital. Cumpre não pensemos (como se julgava no tempo de Herman Boërhave) que a cura das moléstias “consiste unicamente em atenuar o que é mau, espessar o que é muito fluídico, distender o que for muito frouxo, relaxar o que for tenso, moderar, suavizar o que for impetuoso ou acre, abrir as passagens obstruídas, etc. Intervindo assim e substituindo uma ação direta e material ao misterioso trabalho da Natureza, transfundindo o sangue, varrendo os humores, atraindo-os para certos pontos do organismo, atacando os tecidos por doses consideráveis de medicamentos cujos efeitos são pouco conhecidos, acumulando diversas substâncias na mesma fórmula, tomando, assim, o encargo de tornar a ação mais obscura, acrescenta-se à moléstia existente novas moléstias medicinais; susta-se a aspiração vital, obriga-se um mal aparente, externo, a se projetar sobre os órgãos essenciais da vida; aumenta-se o sofrimento do doente, esgota-se-lhe as forças; e, finalmente, dispersam-se os últimos elementos de reação que tinham alguma probabilidade de acarretar a cura, e, o que é triste dizer, é nos casos mais graves, naqueles em que o doente tanto necessita de todas as suas forças para lutar contra o mal, que o médico, temendo conservar-se ocioso espectador da luta, recorre aos remédios mais exagerados, opondo à perturbação da moléstia a perturbação do medicamento.
A moléstia, já o demonstramos, nada tem de material, é de pura essência dinâmica e filia-se unicamente a um abaixamento da tonalidade. As mudanças materiais que acompanham a moléstia têm a sua única e verdadeira causa (do mesmo modo que a decomposição depois da morte) na diminuição ou na redução da dominação da força vital sobre a matéria; não é, portanto, nessas perturbações físicas, nessas degenerescências de tecidos, resultados consecutivos da falta de equilíbrio da tonalidade, que convém nos dirigirmos, se quisermos obter a cura, e sim ao agente regulador de todas as tensões vitais, ao sistema nervoso.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.