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Capítulo 15 de 30
Parte 15 de 29
Magnetismo Curativo – Volume 2 · Alphonse Bouvier
Ouvira com toda a atenção a longa narrativa e disse-lhe, então: “A coisa não é fácil; de pronto, é difícil responder categoricamente à pergunta que me fazeis, pois não quero dar-vos uma falsa esperança. “Se houver necrose, periotite, seqüestro (como afirmam os honrados médicos que acabais de citar-me), não acredito poder dar-vos grande alívio; se, porém, como creio, tratar-se apenas de uma simples congestão nervosa, comprometo-me a pôr-vos em breve de pé; demais, não nos demoraremos neste ponto; porque, se graças à influência das imposições e dos passes manifestar-se uma melhora imediata, é que os médicos se enganaram sobre o vosso estado e não existe necrose.” No dia seguinte comecei o tratamento. O que previ, realizouse: os sofrimentos atenuaram-se quase imediatamente; pude proporcionar-lhe algumas excelentes noites de sono, o apetite restabeleceu-se, as melhoras acentuaram-se rapidamente. Portanto, não havia necrose nem seqüestro, a operação não era urgente. Estávamos, como havia suposto, em presença dum desses fenômenos de condensação nervosa anormal, como tantas vezes observara e de cuja dor violenta denominada raiva de dentes (esta afecção é terrivelmente dolorosa), temos um exemplo constante.
O sistema nervoso, (como vimos na primeira parte, capítulo III), é um circuito tenso, que representa no organismo uma harpa vibrante, submetida às inúmeras influências que partem do exterior e do interior, influências que podem romper inopinadamente a harmonia do sistema, levando, de um modo anormal, afluxo do movimento condensado a um dos pontos do organismo. Pode, igualmente, acontecer que o eretismo nervoso se torne, por uma causa qualquer, impotente para fazer vibrar normalmente um ponto do organismo, embaraçado numa resistência especial; daí, essas desordens orgânicas, essas inflamações locais, essas perturbações convulsivas que tanta analogia oferecem com as dissonâncias típicas que em acústica se chamam batimentos. Como nosso equilíbrio nervoso flutua constantemente entre condensações preponderantes, dispersões excessivas, tão perigosas umas como outras, o primeiro cuidado do fisiologista é ter em vista o jogo dessas forças, de maneira a restabelecê-las desde logo no seu equilíbrio normal. Na cárie, a raiva de dentes (ponto morto no circuito), formando obstáculo à corrente sob a influência de certas condições atmosféricas, dá origem a uma condensação nervosa anormal, e consecutivamente a congestão sanguínea, inflamação dos tecidos com sofrimentos intoleráveis. O mal desaparece velozmente como veio, ao impulso de uma reação dispersiva.
No caso presente, a mutilação do joelho, dos ossos e dos músculos da coxa, resultado das complicações mórbidas e cirúrgicas que o padre sofrera na infância, representava o papel da cárie dentária. A corrente nervosa, embaraçada em seu circuito pelo obstáculo permanente, tinha uma tendência a sofrer, sob as influências variáveis da temperatura, freqüentes estados de condensação, acarretando aquelas crises passageiras, de que se queixava o padre. O excesso de fadiga e o grande resfriamento experimentado nas excursões a Aix-les-Bains, complicando a situação, tinham determinado tal dificuldade de transmissão, que a reação expansiva já não podia tomar a preponderância. As magnetizações sucessivas vieram em auxílio dessa reação, e as forças nervosas, vigorosamente sustentadas, acabaram por ligar-se, a fim de superarem o obstáculo que se interpunha à sua livre expansão. Sob o impulso das minhas imposições e passes, mesmo a distância, (eu afastava-me alguma vezes dois ou três metros do doente), os músculos da coxa começaram a contrair-se violentamente e os estremecimentos tornaram-se tais que se alastravam por todo o corpo.
Testemunhei esse fenômeno curioso com várias pessoas, entre elas um doutor, meu amigo, o Sr. O., que mostrava muito interesse pelo Magnetismo. Esse estado de coisas durou o espaço de duas ou três semanas; pouco a pouco os estremecimentos diminuíram de intensidade, para cessarem inteiramente. A corrente se tornara normal. Desde então o estado geral melhorou sensivelmente; o padre pôde atender de novo às suas ocupações e às suas lições, que estavam completamente suspensas.
Encontrei-o, algumas vezes, em nossos passeios, vivo, alegre, com saúde, correndo à casa dos alunos, sem auxílio de bengala para caminhar. O Magnetismo talvez não o tenha absolutamente emancipado das crises de que terá sempre, mais ou menos, de queixar-se; mas, se não lhe pude dar uma perna nova, pelo menos intervim a tempo de evitar uma operação inútil... É sempre assim... Referi, um dia, o caso desse padre a um hábil médico meu conhecido, lente substituto da Faculdade de Medicina, cirurgião dos hospitais, e disse-lhe: “Seria para desejar que a prática do Magnetismo, esse meio curador tão útil e tão confortante, se generalizasse; poder-se-ia assim evitar certas operações dolorosas, ou pelo menos preparar com vantagem os infelizes para os quais essas operações fossem reconhecidas como necessárias.” “Assim julgais, replicou, rindo-se o Sr. C.
M.; pois, bem, que seria de nós outros cirurgiões, se conseguísseis curar os nossos doentes?” Esta resposta traduzia antes um simples gracejo em relação ao magnetismo, do que uma objeção importante; porque o Sr. C. M. além de ser um dos homens mais caritativos que conheço, um dos médicos mais conscienciosos da Faculdade, confia um pouco na virtude curativa das imposições e dos passes, ao contrário dos seus colegas, para os quais, nos casos difíceis, só há um meio de cortar o nó górdio: – o bisturi. Também o Dr. C.
M. recorreu ao Magnetismo em circunstâncias que vou referir: 3o caso – Conseqüências de uma operação inoportuna, reparadas pelo Magnetismo Certa senhora estava atacada de terrível nevralgia no dedo anular da mão esquerda, nevralgia que se poderia qualificar de tempestade por baixo da unha, tão atrozes eram as dores contínuas. Não havia nenhum dado que permitisse diagnosticar a causa desse mal misterioso; faziam-se conjeturas acerca da sua origem e já haviam desesperado, desde muito, dos meios de aliviá-la; o único paliativo que atenuava um pouco os sofrimentos, no momento das grandes crises, era mergulhar o dedo doente na água quase em ebulição; instintivamente, o Dr. M. B. lançou mão deste remédio. Entrementes, a Sra.
B., cuja saúde geral se achava fortemente abalada por essas dores nervosas e contínuas, foi tentar um tratamento hidroterápico numa casa muito conhecida, de Paris; o diretor dessa casa, observando cuidadosamente a pensionista, acreditou ter encontrado a chave do enigma tão inutilmente procurada até então. Na sua opinião, o mal devia ter por ponto de partida um nevroma colocado no trajeto do nervo cubital; a palpação indicava-lhe a sede; o Dr. C. M. (cirurgião do qual há pouco falei) chamado a dar seu parecer, hesitava em adotar a opinião do colega hidropata, mas este tanto fez e com tanta perícia, que a própria doente reclamou uma operação, que, afirmava o doutor, devia por termo aos seus horríveis sofrimentos. A operação do nevroma ficou, portanto, resolvida; marcouse dia; o prático e ajudantes reuniram-se; exibiram o arsenal operatório e o hidropata, todo compenetrado da importância do seu diagnóstico, chegou a trazer um vidro adequado para receber o famoso nevroma, logo que praticada a extirpação.
Anestesiam a doente, fazem-lhe a incisão a bisturi no braço e na região indicada; mas, oh! decepção, nada de nevroma! Que mau resultado. Que fazer? – Se se aproveitasse a circunstância para tentar o alongamento do nervo? Esta operação, praticada em casos de nevroses semelhantes, dá às vezes bom resultado.
Tenta-se; pratica-se o alongamento do nervo, depois desperta-se a operada para saber se se tocou justamente o ponto. Oh! não, a dor horrível continua sempre ali, mais lancinante e aguda do que nunca, desesperando a pobre doente e parecendo zombar dos operadores; então, essas perturbações nervosas não provêm do nervo cubital, como se supunha? Não será antes o radial (o outro nervo do braço) que está afetado? Vejamos. Adormecem de novo a infeliz paciente, pratica-se o alongamento do radial.
Infelizmente sem maior êxito que da primeira vez. E depois de tatear hora e meia por cruéis tentativas, que não tiveram como resultado senão enfraquecer a doente e exaltar-lhe os sofrimentos, decidem, afinal, abandonar a desventurada à sua infeliz sorte. Mas o alongamento dos nervos já tão dolorosamente irritados pela necrose, produziu um estado de exacerbação tal, que a doente não cessa de dar gritos contínuos e agudos; o mal complicou-se, de repente, com uma paralisia do braço; ela entra em convulsões atrozes; teme-se o tétano: nenhum paliativo consegue atenuar o sofrimento. O marido dessa senhora, e os médicos consternados, já não sabem a que santo recorrer; em desespero de causa, recorreram a um aparelho refrigerante; colocaram o braço doente no gelo, mas não puderam deixá-lo ali perpetuamente; quando o retiraram, a reação foi pior que o mal. Empregaram-se, então, pulverizações de éter e de clorofórmio, com as quais se esforçam por paliar essas recrudescências e atenuar o mais possível as horríveis torturas da pobre operada.
A paralisia persiste sempre. Afinal, tardiamente, ao fim de alguns dias, surge a idéia do Magnetismo. O eminente cirurgião que praticara a operação a contra-gosto e que lhe deplorava amargamente as más conseqüências, lembra-se de uma de suas parentas próximas, a quem as minhas imposições e passes fizeram muito benefício; chamam-me e o Magnetismo consegue, ao fim de algumas semanas, abrandar as dores, vencer a paralisia do braço, restabelecendo na doente um equilíbrio relativo. Entretanto, o estado geral é sempre muito crítico; a Sra. B. é uma nevrótica a quem se torna necessário prestar grandes cuidados, ar e movimento.
Ela não quer abandonar o leito e se estiola num quarto, em Paris. Aconselho o marido a envidar todos os esforços para mudar esse estado de coisas e provocar uma diversão nesse corpo e espírito doentes; não é por operações locais, como as que infelizmente tentaram, que se curará a Sra. B. Seu mal não está localizado, afeta o organismo inteiro e até o próprio moral está contaminado; ela é uma nevrótica. O Sr.
B. compenetrou-se da situação e, alguns dias depois, achando-se a esposa suficientemente forte para pôr-se a caminho, partem ambos para a Suíça, residência de suas famílias. Fora dos casos que acabamos de citar, existem alguns em que a medicina oficial tardia ou impotente não pode tão rapidamente enfrentar o perigo imediato, que apresentam certas moléstias. Nesses casos fulminantes, é bom se saiba nas famílias que o Magnetismo pode, fora da Medicina, apresentar um recurso supremo. É com este intuito que damos as indicações seguintes: 4o caso – Efeitos poderosos do Magnetismo no crupe O crupe, o espantalho das mães! Quem não conhece esse terrível flagelo que todos os anos ceifa tantas existências?
É geralmente quando a noite vai em meio, que explode, como o raio, essa moléstia. A criança, depois de um dia de bem-estar e de alegres diversões adormeceu, suavemente, embalada pelas carícias maternas; seu último olhar foi um sorriso a que respondeu um beijo maternal; na casa tudo repousa, naquele lazer que dá o doce quietismo da felicidade e da esperança; nada parece dever perturbar aquela calma paz doméstica. Entretanto, de súbito, no silêncio da noite, um grito rouco ecoa até ao coração materno, e ela acorre ao leito da criança. Esta, desperta em sobressalto, debate-se já contra a sufocação; a voz é sibilante e afônica, os olhos cavam-se e enchem-se de lágrimas; o nariz aperta-se, os músculos do rosto enrijecem; violentos espasmos, partindo do íntimo das vísceras, contraem o umbigo e provocam uma tosse seca e metálica, que termina em grito semelhante ao de um frango. Com a presciência que lhe dá a sua ternura, a pobre mãe aflita compreendeu a iminência do perigo: é o crupe! esse inimigo do qual tantas vezes ouvira falar e instintivamente temia.
Eis, pois, o terrível mal que arrebata as criancinhas ao amor das mães... Que fazer? A casa, ainda há pouco tão sossegada, se movimenta; há um vai-vem de criados que se apressam. – Um médico, depressa!... Virá o médico àquela hora da noite?
Onde encontrá-lo? É preciso procurá-lo, decidi-lo a vir. Na cidade, as portas estão fechadas, dormem todos profundamente; o médico que foram chamar está à cabeceira de outro doente. No campo... como são longas as distâncias! Quantas causas de demora...
E, entretanto, o tempo foge, os instantes são contados, a moléstia prossegue a sua obra, os espasmos redobram, a tosse tornase surda; uma espécie de ruído característico, semelhante ao vaivem da serra que morde a pedra, faz-se na laringe; a pobre criança, com a cabeça violentamente dobrada para trás, músculos contraídos, boca aberta, narinas dilatadas, em vão procura a respiração que lhe falta; esta torna-se estertorosa aos beijos maternos; e, no meio dos seus soluços, a mãe atira ao céu um apelo desesperado. Enfim, chega o médico. Toda a esperança daquela mãe concentra-se nele. O facultativo é o homem da Ciência, que conhece a moléstia; é o salvador que traz o remédio. Doutor, salvai-a.
Oh! desilusão! O homem da arte, insuficientemente armado contra o mal, nem sempre é portador daquilo que se espera. Chamado, vem com todas as incertezas, todos os erros de uma ciência incompleta, que nos desvendou ainda muito pouca coisa das leis da vida. Efetivamente, que será essa misteriosa potência que, em equilíbrio normal, preside ao desenvolvimento regular do nosso ser e ao funcionamento dos nossos órgãos, porém que, uma vez desviada do seu curso, origina esses prodigiosos fenômenos de desassimilação que fulminam o organismo dentro de alguns instantes? A Ciência não o diz.
Na criança, em quem essa força está em toda a atividade de edificação, esses como descarrilamentos da Natureza são ainda mais notáveis do que no adulto; nessa primeira fase do crescimento, o equilíbrio vital assemelha-se a essas agulhas imantadas, que o menor sopro faz desviar dum pólo a outro; ele flutua, instável no seu centro; um nada restabelece-o; daí, essas febres violentas, essas convulsões da primeira idade, que se desenvolvem instantaneamente e se conjuram do mesmo modo. O crupe apresenta o exemplo dum desses singulares fenômenos de desvio vital. A evolução da moléstia é tão rápida, a febre tão intensa, que mil complicações imprevistas podem surgir: o sangue se decompõe; vegetações numerosas, espontâneas, invadem as mucosas; é um abalo geral da vida, ocasionando tudo o que se tem a temer: hemorragias, paralisias, gangrenas, erisipelas. Em presença de um desses misteriosos movimentos da Natureza, que a Ciência é tão impotente para explicar, aplicam-se os medicamentos usados em tal caso isto é, os vomitórios e os cáusticos. Dever-se-á recorrer a essa cruel operação que se chama a traqueotomia e que vem a ser – praticar um buraco no pescoço da criança?
Conheço grande número de médicos que condenam o emprego desses meios violentos. Com razão objetam que, pelo menos, é imprudente, senão perigoso, juntar à chama devoradora da febre e fogo de um corrosivo que disseca e queima a mucosa; e às contrações anormais do diafragma, já tão funestas, o espasmo do emético. Quanto à traqueotomia, pensam eles que um problema vital desta importância não pode ser resolvido pelo cutelo, que é o pior alvitre, e não uma solução. Nesses primeiros instantes em que os princípios mórbidos se desenvolvem com tão temível rapidez, é mister efetivamente, lançar mão do mais rápido e evitar o sofrimento tanto quanto o enfraquecimento da criança. Antes de tudo, é preciso sustentarlhe as forças, distender-lhe os músculos contraídos, regularizar os movimentos desordenados do diafragma, revestir a reação vital de toda a energia que lhe é indispensável, a fim de restabelecer o equilíbrio tão profundamente perturbado.
Em uma palavra, fazer apelo a todas as potências da vida, que, postas em jogo, sã as únicas capazes de triunfarem do assalto que lhes é feito. Mas, de que modo se deve proceder para a obtenção desse resultado? De que modo se deve agir sobre as próprias fontes da vida? Para fazer apelo às potências vitais e armá-las contra o mal, basta amar, querer e perseverar. Quem poderá ter maior amor, energia e perseverança do que pai ou mãe, quando se trata da vida de um filho?
Conseqüentemente, quando vier a moléstia, em lugar de desfazer-vos em lágrimas e lamentos inúteis, revesti-vos de coragem, elevai vossa alma, concentrai a energia da vossa vontade na idéia de salvar o entezinho que se debate aos vossos olhos. Com o vosso sopro, com a imposição de vossas mãos e a vossa própria irradiação, podeis dar-lhes a vida. E isto não é uma simples palavra, uma simples imagem; este poder de curar, vós o tendes bem real e materialmente; crede-me e sabei fazer uso dele. Começai desembaraçando a garganta, passando de leve os vossos dedos em ponta, desde a parte posterior das orelhas até as espáduas, seguindo o trajeto das jugulares. Fazei insuflações quentes no pescoço, por detrás das orelhas e sobre a nuca.
Duplicai o efeito dessas insuflações, por si mesmas já tão poderosas, (assim como tereis desde logo a prova com o pronto e maravilhoso resultado que haveis de obter), praticando através das esponjas quentes, aquecidas a vapor d’água; a junção do efeito puramente físico do calor e as emanações sutis da esponja quente, arrastadas pelo sopro à corrente através dos poros da pele, aumentam sensivelmente a ação benéfica da insuflação natural. Com que alegria, então, vereis sob vossos dedos e ao influxo do vosso sopro, renascerem a flexibilidade e a vida em todas essas partes ainda há pouco contraídas e enrijecidas! De sibilante que era, a respiração tornar-se-á fácil e regular, cessará a ansiedade e todos os sintomas alarmantes se desvanecerão como por encanto. No momento das crises, quando vier a sufocação, ao erguerse o doentinho no seu leito, entortando a cabeça para trás, prestes a perder a respiração, imponde fortemente as mãos, uma sobre os rins, outra sobre o umbigo, de maneira a agir sobre o diafragma, cujas contrações anormais ainda aumentam a perturbação da respiração, e em breve as contrações diafragmáticas cessarão. Logo que se restabelecer um pouco a calma e o perigo iminente cessar, aproveitai o intervalo das crises para encher os centros vitais com as vossas irradiações.
Imponde, por longo tempo, as mãos sobre a cabeça e o epigástrio; fazei longos passes, lentamente, da cabeça aos pés; em uma palavra, saturai o organismo, para robustecer a vida com vossos eflúvios vitais e premunir o doente contra novos assaltos que ele pudesse vir a sofrer. Não enfraqueçais um instante; postai-vos diante do inimigo, atento, com tensão de espírito, tendo as vossas faculdades concentradas em um só ponto, como o lutador que, havendo enlaçado o adversário, recolhe-se num supremo esforço para tentar derribá-lo. Evitai um ardor impaciente e irrefletido: toda virtude benéfica e curativa está na constância, na igualdade da ação e na mais absoluta calma. Demais, é mister economizar as forças, porque a luta pode ser longa, e se quiserdes certificar-vos do bom êxito, é necessário não abandoneis a criança, sem que ela esteja inteiramente fora de perigo. Eis aqui o segredo desvendado: ao desvio vital, fulminante, produzido pelo crupe, é preciso opor uma espécie de transfusão da vida, que chama instantaneamente a reação e conduz ao equilíbrio.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.