[user_registration_my_account]
Capítulo 5 de 30
Parte 5 de 29
Magnetismo Curativo – Volume 2 · Alphonse Bouvier
Aconteceu o mesmo com as outras cinco: foram todas atacadas de hemiplegia, umas após outras, se bem que com intervalos de tempo muito diferentes. Em três meses tinham morrido todas as galinhas. Esta experiência deve tornar-nos muito circunspectos, quando tratarmos de aplicar o Hipnotismo à espécie humana.” Finalmente, um terceiro gênero de experiência, vindo reunirse às citações precedentes, é bem de molde a pôr-nos em guarda contra todo o processo de exteriorização violenta, aplicado ao organismo. O gato, muito amante de carícias, é o animal que melhor se presta, talvez, à magnetização ordinária; verdadeiro reservatório magnético, como todos os animais de pêlo comprido, condensa as correntes com tal potência que, em certas condições de temperatura, pode emitir faíscas.
Dessa disposição é fácil aproveitar-se para a experiência seguinte: Quando houver tempo frio e seco, céu descoberto e temperatura abaixo de zero, tomai o animal nos vossos joelhos, colocai a mão direita sobre a nuca e os dedos da mão esquerda, em ponta, na direção do epigástrio; fazendo com a mão direita alguns passes apoiados e rápidos sobre a coluna vertebral, do começo da nuca à cauda, determinareis uma descarga que dá uma faísca bastante forte; o gato, que de ordinário experimenta um prazer sensível aos passes brandos e lentos, feitos ao longo da espinha dorsal, e dá testemunho de contentamento pelo ronron que emite e o encurvamento da espinha, nesta emergência escapa-se precipitadamente, depois do choque que lhe produzis; de mau grado se presta a uma segunda prova; e se conseguirdes renovar esta experiência muitas vezes, ele torna-se triste, enlanguesce e morre.
Um eletricista distinto, que por muito tempo morou em Lião, o Sr. Rickensteiner, refere um fato destes, na sua obra sobre eletricidade. Não será de admirar que por essas descargas repetidas, que exteriorizam bruscamente as correntes num aparelho orgânico tão especialmente disposto para condensá-las, se prive o animal de uma parte essencial de suas reservas, e assim enfraquecendolhe as faculdades condensadoras, seja colocado na impossibilidade de reparar suas perdas. Toda a causa provocadora, violenta, tendendo a uma brusca exteriorização das correntes, é tão funesta ao organismo como a ação repetida e contínua das excitações sensoriais; uma excessiva despesa física num curto espaço de tempo, uma viva e brusca emoção moral, certas medicações chamadas heróicas, uma hipnotização repetida, uma fadiga contínua trazem, igualmente, por perda progressiva ou por descarga fulminante, a ruína de nossas forças. Evitemos, pois, a potência dispersiva dessas vibrações de desigual intensidade, que, por seu efeito contínuo ou choque, se atiram mais ou menos diretamente à reserva de nossas forças capitalizadas e podem, mau grado nosso, nos arrebatar a essência da nossa vitalidade, nosso supremo recurso, à guisa dos ladrões que durante a noite roubam o nosso tesouro.
Convém mantermos, por todos os meios de que pudermos dispor, a igualdade da nossa tensão vital; é essa tensão equilibrada que, por seu turno, assegura a regularidade e a sucessão normal das dispersões e condensações que representam o movimento regular da vida. É neste ponto que os processos magnéticos, que visam especialmente manter o equilíbrio vital, sustentando a potência condensadora do ser, são eminentemente superiores aos processos hipnóticos, cujas provocações exteriorizantes e dispersivas são postas em evidência pelos fatos: quando se pudesse, como se pretende, tirar em alguns casos particulares, muito raros, um efeito curativo deste método perigoso que se chama Hipnotismo, não se pode razoavelmente generalizar a aplicação, como se pode esperar das práticas da doutrina mesmeriana. Essas práticas, efetivamente, podem-se aplicar a todos os casos. Fazendo apelo a uma reação vital equilibradora, elas triunfam com igual êxito das perturbações funcionais, das moléstias nervosas ou inflamatórias, dos desvios orgânicos e das degenerescências dos tecidos.
Em conseqüência dum singular preconceito, facilmente partilhado mesmo por aqueles que deveriam combatê-lo, chegou-se a propagar a idéia de que as práticas magnéticas não possuem eficácia real senão nas moléstias nervosas; é possível que a ação direta do Magnetismo sobre o sistema nervoso tenha podido enganar a tal ponto certos investigadores distraídos, acerca dos limites da potência deste agente da Natureza; mas, é desconhecer os admiráveis recursos das reações vitais e as leis que regem o organismo, atribuir ao Magnetismo um campo de exploração tão acanhado.
Pessoalmente, pude formar a esse respeito uma convicção absoluta; por uma série ininterrupta de experiências, por espaço de mais de vinte e cinco anos de estudos acurados, observando os efeitos do Magnetismo nas afecções estranhas às perturbações e às lesões do sistema nervoso, certifiquei-me de que os processos magnéticos, atuando sobre as próprias fontes da vida, podem fazer nascer uma reação suscetível de suprimir a causa dessas profundas degenerescências de órgãos e de tecidos, as quais originam-se todas na descoordenação das forças vitais. Poderia fornecer numerosos exemplos a respeito, mas me deterei nas três primeiras observações, que um feliz acaso me permitiu fazer no começo dos meus estudos, observações que largamente contribuíram para firmar meu juízo sobre um ponto tão ardentemente impugnado pela Ciência, e que, desvendando-me todo o alcance das virtudes curativas do Magnetismo, que talvez nem sequer o suspeitasse durante muito tempo, decidiram-me a realizar uma evolução radical no curso de minha vida e a entrar nas investigações que tenho prosseguido.
Estes três casos que já referi algures, mas que são tão próprios para dar uma justa idéia do poder curativo do Magnetismo, parecem-me os melhores argumentos que se podem opor às objeções e ataques de que é alvo o Magnetismo. Além disso, é o melhor paralelo que se pode fazer com o Hipnotismo, que, em presença de casos de desorganizações vitais tão radicais e tão profundas, só pode confessar a sua improficuidade. 1o caso – Cura de uma artrite crônica, em conseqüência de uma entorse desprezada Foi em 1872, quando eu estava ainda no 2o Regimento de Couraceiros (ex-Regimento dos Carabineiros da Guarda), o qual, depois dos desastres de que fomos vítimas, viera reformar-se em Angers, onde fazia a guarnição. Muito inclinado aos estudos fisiológicos, que, a par dos meus trabalhos militares, já havia uns dez anos me preocupavam bastante, eu estudava nessa época o Magnetismo, investigando todas as aplicações que se pudessem dele fazer na cura dos doentes.
Tinha sob minhas ordens um suboficial já velho e condecorado, de nome Miavril, que estava quase a obter a reforma. Miavril, depois da rendição de Metz, tinha sido mandado, a pé, para a Alemanha, como todos os nossos pobres soldados, para que fosse lá internado; esses infelizes prisioneiros, acossados como vil rebanho à frente do vencedor, faziam, quase sem alimento, por uma lama viscosa e escorregadia, debaixo de chuva, longas marchas que os esgotavam; grande número deles morreu de privações e fadigas, antes do termo da chegada; Miavril, numa dessas primeiras e fatais marchas de cativeiro e miséria, teve a infelicidade de dar uma topada que lhe produziu uma entorse: estropiado, cheio de dores, não só deixaram de prodigalizar-lhe quaisquer cuidados, como foi obrigado, apesar de atrozes sofrimentos, a prosseguir na marcha, sob pena de ser maltratado; os homens da escolta ameaçavam fuzilar os retardatários e estimulavam a marcha a coices de espingarda.
Os curativos tardios que Miavril recebeu ao chegar ao seu destino, não puderam reduzir a entorse que, favorecida pelo seu temperamento linfático, tomou em breve grande desenvolvimento e degenerou em tumor branco, variedade de artrite crônica caracterizada pela invasão da articulação e proliferação de um tecido fungoso. Dois anos depois da sua captura, apesar dos tratamentos seguidos nos hospitais militares, o infeliz achava-se sempre em deplorável estado; o pé, os maléolos, toda a base da perna tinham-se avolumado enormemente; a articulação já não tinha movimento e, no meio dessa massa inerte, a circulação, indubitavelmente obstada, tinha ocasionado supurações na planta dos pés. Miavril acabava de passar uma estação nas águas, quando em meados de agosto encontrei-o no pátio do hospital, obrigado a usar um calçado especial, pálido, desfeito, arrastando-se com dificuldade seguro a uma bengala grossa; causava lástima vê-lo; interroguei-o sobre a saúde; disse-me com tristeza que não lhe restava nenhuma esperança e que, como última tentativa (bem aleatória) propunham-se os médicos experimentar no pé os efeitos da cauterização transcorrente.
Eu nutria a maior fé no poder da Natureza; mas, à vista de um mal que resistia há dois anos a todos os esforços da Ciência, em presença de uma deformação tão completa, não sabia verdadeiramente o que augurar. Como ter a ousadia de conceber alguma esperança? Entretanto, o caso parecia-me interessante por muitos títulos; propus a Miavril magnetizá-lo e, para fortificar-me na decisão que acabava de tomar, resolvi pedir a opinião dum dos veteranos mais dedicados à causa magnética, o Sr. Perreau, antigo oficial de Marinha, meu conhecido do tempo em que seguia o curso da Escola de Cavalaria; acabava de saber que o Sr. Perreau (apesar de nonagenário), continuava, por amor à ciência e à caridade, a espalhar os benefícios do Magnetismo em Saumur; escrevi-lhe desde logo, submetendo-lhe o caso do meu subordinado: eis a resposta que recebi.
Cito este documento interessante, que conservei, porque me parece de natureza a forçar as convicções hesitantes, como era então a minha: “Saumur, 5 de agosto de 1872. Senhor. Escrevo com dificuldade, por isso peço-vos desculpeis a brevidade da minha resposta à vossa carta, ontem à noite recebida. É-me impossível entrar em detalhes relativamente à afecção de que me falais, mas estou convencido de que só o Magnetismo pode curá-la. Consenti vos diga que o melhor alvitre seria fazer-me uma pequena visita pelo trem que chega aqui às 8 da manhã, acompanhado do vosso subordinado; terei muito prazer em receber-vos e não hesito em assegurar um bom êxito; conversaremos à vontade e tenho a certeza de que, com vontade firme e amor do bem, sereis ajudado no vosso trabalho de caridade.
Aceitai, senhor, a expressão da minha inteira dedicação. (Assinado) Pereau. (Rue du Temple, 24)”. No dia seguinte, às 8 horas, estava eu com Miavril na casa desse homem de bem, ainda muito conservado, apesar da idade avançada; e ele inspirou-nos tal confiança com as suas boas palavras e agrado, que voltamos para Angers com a alegria em nossa alma; o velho nos afirmara que aquilo era apenas uma questão de tempo; “Não desanimeis, não conteis os dias, as semanas e os meses com impaciência; perseverai, e chegareis ao termo. Com paciência, quase tudo se cura pelo Magnetismo.” Miavril veio todos os dias à minha casa, de uma às duas horas da tarde. Eu fazia imposições com as duas mãos sobre os maléolos; depois, passes a distância sobre a perna, do quadril até à extremidade do pé, durante a primeira meia hora; e empregava o resto do tempo em fricções brandas sobre a pele, com as mãos umedecidas ligeiramente em água de arnica. Em alguns dias, os abcessos da planta do pé cicatrizaram; no fim de um mês, mudança notável se apresentou no tumor branco.
Esta melhora estimulou nossa coragem. Absorvido pelo interesse da cura, deixei toda a distração de lado. Quanto ao meu subordinado, firmando-se na esperança, começava a entrever dias melhores e abençoava a Providência, que me colocara no seu caminho. Evitou faltar às sessões, seguia cegamente todas as minhas prescrições. Graças a essa perseverança e regularidade no tratamento, os efeitos do Magnetismo tornaram-se cada vez mais notáveis.
O ingurgitamento dos tecidos diminuiu, a circulação anômala, que sulcava a pele de vasos azulados, desapareceu, as carnes pareciam fundir-se sob os meus dedos; o pé e a perna readquiriram insensivelmente a forma primitiva, e isto de maneira tão completa que, no fim de alguns meses de tratamento, seria difícil, à primeira vista, distinguir a perna doente da que o não era. No curso do tratamento, Miavril teve de atravessar períodos de sofrimentos atrozes. Logo que o Magnetismo começou a imprimir reação vital nessa massa informe, onde a sensibilidade extinguira-se há tanto tempo, violentas dores se fizeram sentir, dores tão vivas que mais de uma vez o paciente atemorizou-se e quase perdeu a coragem, acreditando numa recrudescência do mal; mas eu tranqüilizava-o como podia, afirmando que aquela volta inesperada da sensibilidade devia ser o prelúdio da cura que estava próxima. Essa sucessão de crises dolorosas, mas felizmente muito curtas, pôs a cura em tão bom andamento, que resolvi aplicar o Magnetismo somente em dois em dois dias, e o tratamento começado em 8 de agosto de 1872, cessou no dia 24 de março de 1873. Foram necessárias cento e catorze magnetizações para reduzir radicalmente essa grave afecção: o prognóstico do Sr.
Perreau ficou assim justificado, nossa perseverança recebia a sua recompensa. Não poderei dizer quão feliz me considerei diante desse êxito tão completo: essa experiência concludente dava-me a certeza de que o Magnetismo, despertando a ação vital, podia não somente de maneira geral restabelecer o equilíbrio da saúde perturbada, como ainda esse agente precioso possuía, também, o maravilhoso poder de agir diretamente sobre os tecidos orgânicos, modificá-los, reduzi-los, transformá-los de maneira a restabelecer o seu estado normal; era uma primeira observação que outros fatos, não menos comprobatórios, deviam em breve confirmar, impelindo-me a uma série de experiências e investigações que, poucos meses depois, decidira a minha retirada do Exército. Quando em 1876 vim fixar residência em Paris, tive ocasião de encontrar-me com o Dr. Barão Larrey, membro do Instituto e inspetor geral do serviço médico do Exército; citei-lhe esse curioso caso de cura; o Barão de Larrey, que só acreditava na influência do Magnetismo em afecções nervosas, admirou-se muito dos resultados obtidos num caso de degenerescência tão bem caracterizada; para ele, a formação dos novos tecidos, que especializou o tumor branco, devia ser na espécie um obstáculo invencível. “e porque, objetei ao ilustre acadêmico, teria a Natureza maior dificuldade em remover uma anomalia do que em produzi-la?
Parece-me que aquilo que ela fez, pode desfazer.” Não sei se este argumento é concludente; mas o que posso afirmar é que a experiência veio depois, muitas vezes, confirmar a lógica do meu raciocínio. 2o caso – Cura de uma hemiplegia facial, complicada de cárie do rochedo Ao mesmo tempo em que tratava Miavril, um dos seus camaradas, de nome Robert, vendo os resultados que eu conseguia, veio procurar-me; condenado pelos médicos da Faculdade, ele tinha paralisado todo o lado esquerdo da face; as pálpebras sem movimento, um dos olhos inteiramente aberto, os músculos da face atrofiados e a boca torta, davam-lhe uma aparência horrível; a língua pesada tornava-lhe a palavra difícil e arrastada.
Um corrimento infecto dos ouvidos, acompanhado de violentas dores de cabeça, tinha sido o prelúdio dessa afecção, o que fazia supor algum depósito purulento interno; Robert estava em tratamento havia mais de um ano, no hospital, por causa de uma cárie do rochedo; mas, não tendo nenhum medicamento podido sustar os progressos do mal, acabavam de fazê-lo reentrar para o Batalhão, onde, isento do serviço, ia ser objeto de uma proposta de reforma. Animado com os resultados que conseguia, resolvi fazer uma nova tentativa; mas, antes de decidir-me a tal respeito, tive a satisfação de pedir a opinião do médico do Batalhão e abri-me com ele; o médico, muito céptico em matéria de Magnetismo, não se fartou de rir diante das minhas pretensões: “Como podeis pensar em curar com o vosso Magnetismo uma afecção tão terrível como a cárie óssea, principalmente uma cárie do rochedo? É um mal implacável, que não perdoa. Robert será, tarde ou cedo, fulminado por uma meningite; nenhum poder humano consegue tirá-lo daí.
Quando mesmo o apresentásseis curado, eu vos diria que não era exato.” Essa resposta categórica, esse prognóstico desesperador, adubado de gracejos mais ou menos espirituosos, acerca do Magnetismo e dos magnetizadores, nada tinham de animadores para mim. Felizmente eu começava a habituar-me a esses conceitos desfavoráveis, a essas maneiras irrefletidas de julgar as questões, mesmo quando não as estudam; e esse motejo irônico, longe de desanimar-me, só concorreu para aumentar meu desejo de opor a negativas tão antecipadas o fato brutal de uma experimentação sincera. No dia seguinte, pus mãos à obra. Robert, como o seu camarada, vinha todos os dias passar uma hora em minha casa. Convencido de que a hemiplegia era a conseqüência do depósito interno assinalado na região do rochedo, e que esse depósito, obstruindo a passagem da corrente nervosa ao longo do nervo trigêmeo, mantinha a paralisia do olho, da face e da boca, empenhei-me em combater o foco purulento.
Comecei fazendo imposições sobre a cabeça, colocando as duas mãos em oposição sobre as orelhas, de maneira a preparar os longos passes de adestramento, que fiz, em seguida, da cabeça aos pés, a distância e sem contacto algum; a esses passes de grandes correntes, juntei o emprego da água magnetizada; fiz com que o meu doente bebesse um copo d’água magnetizada todos os dias; com tais processos, obtive em breve um êxito completo. As imposições sobre a cabeça, pelas quais começava cada sessão, produziram desde o começo uma espécie de paralisia cerebral, que mergulhava o doente numa modorra que o menor ruído fazia cessar: pouco a pouco, esse estado acentuou-se e Robert acabou por dormir um pesado e profundo sono sem lucidez, acompanhado de suores profusos e sobressaltos musculares; só os meus passes de dispersão podiam arrancá-lo a essa espécie de letargia.
O primeiro copo d’água magnetizada produziu, nas vinte quatro horas, três dejeções líquidas e infectas; de 14 a 30 de outubro, as dejeções aumentaram até oito por dia; depois reduziram-se progressivamente, tornaram a ficar normais no dia 31; e (coincidência digna de nota) desde que cessaram essas evacuações, que haviam durado 18 dias, o corrimento do ouvido, pouco a pouco diminuído, desapareceu definitivamente; a reação vital, provocando esta crise salutar, tinha arrastado para o exterior, por meio de dejeções abundantes, os humores do ouvido; a vida, então, voltou progressivamente aos nervos atrofiados; botões inflamados e dolorosos surgiram no trajeto desses nervos, desde o ângulo da maxila até ao olho; no começo de dezembro, toda a parte esquerda da face tornou-se extremamente dolorosa e por momentos acreditou-se numa agravação do mal; mas, ao contrário, era a vida que voltava a essas regiões desde tanto tempo privadas de movimento e de excitação nervosa, porque, a partir de então, a cura caminhou rápida.
A vista deixou de estar congestionada, as pálpebras e a arcada superciliar recuperaram a mobilidade, os músculos da face arredondaram-se e fortificaramse, a boca endireitou-se, a língua moveu-se livremente, e, em 23 de março de 1873, no mesmo espaço de tempo que o seu camarada Miavril, após 135 sessões, Robert, radicalmente curado, recomeçou o seu serviço ativo. Esta segunda experiência, vindo confirmar a primeira, provava-me mais uma vez tudo quanto podia dar a ação perseverante e bem dirigida do Magnetismo; fortificou-me contra o cepticismo dos profissionais, que, de prevenção, negam aquilo que não querem estudar nem compreender.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.