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Capítulo 4 de 30

Parte 4 de 29

Magnetismo Curativo – Volume 2 · Alphonse Bouvier

Demais, como todo excesso de dispersão engendra tensões musculares anormais (o que é facilmente verificável pela experiência), vê-se desde logo desenvolver, sob a influência dos processos hipnóticos, esta sucessão de movimentos neuromusculares, espasmos, contraturas, catalepsia, que, travando o jogo das rédeas orgânicas, produzem essas bruscas alternâncias de dispersões e condensações, que fazem suceder às vezes, de maneira imprevista a hiperestesia, a paralisia, e vice-versa. Enfim, o cerebelo, que consideramos como órgão obturador, encarregado de regular até certo ponto as dispersões vitais, sofrendo a mesma influência que as outras rédeas orgânicas, rompe, obturando o desfiladeiro cerebral ou orifício occipital, a passagem das correntes que colocam o tronco e o cérebro em relação pelo ráquis; em virtude da cessação momentânea dessas relações, os movimentos automáticos inconscientes, que têm sua origem na medula, predominam e o ser, de algum modo insulado da influência cerebral, acha-se num estado fisiológico passageiro, tendo alguma analogia com aquele que se verifica num animal decapitado.

O excesso de dispersão produzido pela violência ou a continuidade dos processos hipnóticos, não influencia somente o movimento neuromuscular: extingue também, mais ou menos, a sensibilidade periférica; ora, quando o tato, sentido antagonista dos sentidos cerebrais (visão, paladar, audição, olfato) chega, por uma causa qualquer, a ficar paralisado ou obscurecido no seu trabalho de equilibração orgânica, produz-se um contra-golpe e dá-se a retroversão dos sentidos superiores. Em resumo, as manobras hipnóticas ativando o movimento de concentração dispersiva, impelem as correntes a se exteriorizarem, enfraquecem a tensão normal, perturbam mais ou menos a harmonia do ponto de preparo, e nesse profundo ataque do equilíbrio vital, tendem a minorar, senão destruir, a unidade física e consciente do ser. Não acontece o mesmo com os processos magnéticos.

Os magnetizadores, em vez de atacarem a rede nervosa pelos sentidos, concentram sua ação sobre o centro nervoso mais importante do sistema ganglionar: o plexo solar, ao qual, com razão, chamou-se “o cérebro da vida orgânica”; excluindo todo o ato violento provocador, só procedendo por imbibição progressiva, e influenciando o impulso nervoso pela extremidade diametralmente oposta àquela que escolheram os hipnotistas, os magnetizadores atuam sobre a corrente que sobe em sentido inverso das profundezas viscerais ao longo dos cordões, dos gânglios e dos plexo do sistema ganglionar: acionando esse mecanismo complicado, cujos meandros múltiplos parecem especialmente constituídos pela natureza, para retardar, regularizando, o impulso nervoso para o cérebro (do mesmo modo que, na circulação do sangue, as válvulas das veias retardam o impulso do sangue para o coração), os magnetizadores regularizam melhor a ação progressiva de suas irradiações, já tão benéficas por si mesmas, submetendo-as ao mecanismo fisiológico encarregado de recebêlas; essas irradiações, enfraquecidas pelos gânglios do grande simpático e da medula, sobem pelo ráquis na direção da passagem occipital, que atravessam sem embaraço, porque o cerebelo, que desempenha o papel de obturador nas invasões violentas suscetíveis de comprometerem a integridade do ser, deixa, nesta ocorrência, passar a onda nervosa; esta onda vai, sem abalo e sem choque, despertar no aparelho cerebral, na extremidade do circuito, uma reação centrípeta, que fecha as vias externas, retroverte os sentidos e traz consecutivamente a insensibilidade periférica.

Aqui o fenômeno sob a influência condensadora das imposições magnéticas se produz em sentido inverso; a retroversão dos sentidos acarreta a insensibilidade periférica, como, há pouco, a insensibilidade periférica produzia a retroversão dos sentidos; porque, não esqueçamos, sob aparências de similitude, condensações e dispersões, produzem alternadamente efeitos contrários. No caso presente, a reação centrípeta, fechando as vias que dão acesso às ressonâncias externas, favorece o movimento de concentração em vias de realização, aumenta a força tensional do enormon, e, por uma isolação mais completa esclarece, acentuadamente, a lente cerebral. O ser assim separado do mundo exterior, de algum modo voltado sobre si mesmo, se vê no aparelho cerebral; esse aparelho, colocado sobre o circuito nervoso, do mesmo modo que o coração está colocado sobre o circuito sanguíneo, opõe às tendências condensadoras das aglomerações capilares, viscerais e periféricas, a sua elevada potência centralizante.

Impedindo a força nervosa de se difundir às cegas, através dos tecidos; evitando assim uma difusão, que infalivelmente traria a ruína da tonalidade, minorando a sua tensão, regulando a onda nervosa, como o coração regula a onda sanguínea; mantendo, em outras palavras, a vibração do ritmo vital, o cérebro se nos apresenta, neste equilíbrio realizado pelos processos magnéticos, como o mais maravilhoso maquinismo das combinações misteriosas da vida orgânica.

Os sentidos, em vez de se exteriorizarem pela excitação, como nos fenômenos hipnóticos, recolhem-se à calma mais absoluta em direção às ressonâncias do cérebro, que formam como que uma espécie de capital precioso de memória armazenada; por sua intervenção, os sentidos vêem aumentar a prática deste tesouro oculto e desenvolver as faculdades sintéticas do ser: não somente nada impede o aparelho cerebral de pôr-se em ação integralmente; mas, pelo contrário, tudo concorre para desenvolver os fenômenos do entendimento e da vontade: cada vibração nervosa, por mais leve que seja, faz soar o teclado cerebral, tanto mais sensível quanto mais equilibrado for; cada idéia leva aí não somente a sua ressonância individualizada, mas todas as ressonâncias da série, do mesmo modo que em acústica toda nota fundamental arrasta após si a série infinita das harmônicas, e assistimos assim à realização do fenômeno da origem e da associação das idéias.

Nesse estado de concentração equilibrada, tudo se encadeia e se coordena; cada centro nervoso, subordinado ao seu vizinho hierárquico, é ao mesmo tempo suscetível de determinar e manter os movimentos que lhe são próprios; os gânglios do grande simpático coordenam as energias dos elementos dos tecidos; os gânglios da medula espinhal coordenam as funções dos centros orgânicos; os centros sensoriais verificam os centros espinhais, e todo o conjunto nervoso vem sintetizar-se nos dois lóbulos cerebrais, realizando assim a mais elevada manifestação da individualização. Não há, como sob a influência das manobras hipnóticas, predominância tirânica de um dos lados da alavanca erética sobre o outro; a vontade, produto dum antagonismo equilibrado, não está submersa pela falta de coordenação dos centros; ela persiste e mantém, assim, a integridade do eu consciente. Em outras palavras, há subordinação mútua de todas as partes, e por conseguinte equilíbrio; e deste equilíbrio nasce a penetração profunda e de longo alcance da clarividência magnética, desconhecida em Hipnotismo.

Desse equilíbrio promanam, igualmente, todas as virtudes curativas do sono não provocado, equilíbrio que, devemos repeti-lo à saciedade, se produz sob a influência da magnetização mesmeriana, fora de todo sono, e que as manobras artificiais e violentas dos hipnotistas não poderiam por preço algum determinar.

CAPÍTULO IV Estudo comparado, sob o ponto de vista curativo, dos efeitos hipnóticos e magnéticos O Hipnotismo e suas virtudes curativas, segundo os partidários desse método. – O Hipnotismo e seus perigos: proibição das experiências públicas pela autoridade administrativa. – Opinião dos magnetistas, Aubin Gauthier, Jussieu, Puységur, Bruno, Dr. Roullier, Deleuze, Mésmer. – Nossas averiguações pessoais.

– Experiências feitas sobre os animais, por La Fontaine, Dr. Harting e Beckensteiner. – Generalização dos processos magnéticos, sua aplicação às degenerescências dos tecidos e dos órgãos. – Exemplos de curas: cura de uma artrite crônica causada por uma entorse; cura de uma hemiplegia facial, conseqüência de uma cárie do rochedo; cura de um quisto multilocular. Se admitirem-se as considerações fisiológicas que desenvolvemos no capítulo precedente, não é necessário possuir grandeza de espírito para pronunciar-se a priori sobre as vantagens, sob o ponto de vista curativo, que deve apresentar um dos dois métodos sobre o outro; é evidente que os processos, fazendo apelo ao equilíbrio vital e contribuindo para restabelecer esse equilíbrio, deverão sob todos os pontos de vista possuir mais elevadas virtudes curativas do que aqueles que tendam manifestamente a destruir esse equilíbrio, provocando perturbações profundas no organismo.

Entretanto, apesar disso, os hipnotistas apresentam seu método como podendo dirigir-se a certas moléstias que a medicina comum é impotente para curar: “Pela maneira com que o Hipnotismo impressiona o sistema nervoso – diz Braid –, possui o poder de curar rapidamente numerosas desordens funcionais intratáveis ou inteiramente incuráveis pelos medicamentos ordinários, assim como um grande número dessas afecções dolorosas que, na maioria, não sendo acompanhadas de modificações patológicas na estrutura dos órgãos, são chamadas, assim o confessam todos, “perturbações nervosas”, e dependeriam de um estado especial do sistema nervoso.” Desordens funcionais e perturbações nervosas, tal deveria ser o campo acanhado das virtudes curativas do Hipnotismo; pela própria confissão dos partidários deste método, toda a terapêutica hipnótica se resumiria, pois, no seguinte: opor uma desordem a uma outra desordem; obtém-se a ordem da confusão, por simples acaso, do mesmo modo que se atira uma moeda para o ar a fim de ver se cai em cunho ou coroa; quanto às lesões orgânicas profundas, que exigiam para sua reparação o concurso equilibrado de todas as forças vitais do ser, os hipnotistas, bem entendido, colocaram-nas fora de sua competência; tiveram razão, porque a base de seu método curativo sendo a sugestão, isto é, o assenhoreamento das faculdades volitivas do sonâmbulo às do operador, não podiam eles cogitar de educar, pela única influência exterior de que dispõem, outra coisa mais do que simples hábitos físicos ou morais.

Compreende-se facilmente que, pela força imperativa da vontade, se possa agir em certos limites sobre um ser crédulo e inconsciente, como o é todo o sensitivo hipotáxico colocado artificialmente no estado hipotáxico. Sugere-se a um menino que não mais seja preguiçoso, a um ébrio que não beba mais, a um mentiroso que fale verdade; mas o que já não seria compreensível, é que uma sugestão, por mais enérgica que fosse, pudesse chegar a reduzir uma luxação, a combater uma cárie, ou a desembaraçar o organismo de um quisto ou tumor. Os efeitos benéficos que os hipnotistas atribuem aos seus processos (nos limites restritos que eles próprios fixaram), nos parecem ainda muito contestáveis; não somos os únicos a emitir esta apreciação, que tende, desde alguns anos, a generalizar-se; por toda a parte em que outrora as experiências de hipnotismo e fascinação alcançaram tão grande voga, o governo interveio e proibiu-as no interesse da saúde pública.

Depois de se haver sido de uma excessiva tolerância a esse respeito, começa-se, finalmente, a ouvir as judiciosas advertências dos magnetizadores que, com reserva prudente, inspirada por sua grande experiência, não cessavam de dizer a quem quisesse ouvi-los: “Não façais experiências.

Não as façais nunca. São mais que inúteis, são perigosas... Limitai-vos a observar as crises produzidas pela Natureza no decurso dum tratamento. Eis aí as únicas experiências permitidas, porque, se aproveitarem à observação, aproveitam também ao doente.” “Desde a primeira ocasião em que me ocupei de magnetismo – diz Aubin Gauthier –, reconheci que as experiências eram tão inúteis quão perigosas; sempre protestei contra as que vi fazer, e nunca quis assistir a nenhuma dessas experiências tantas vezes acoroçoadas ou ridicularizadas por um público ignorante ou estúpido, desconfiado ou presunçoso, e algumas vezes tendo tudo isto ao mesmo tempo.” Aubin Gauthier está de acordo, neste ponto, com todos os bons magnetizadores e eis aqui a opinião deles, a fim de que não procurem contestar a sua: De Jussieu: “Cortemos cuidadosamente da prática todas as experiências de curiosidade, que são a magia do Magnetismo e que uma judiciosa medicina rejeita como inúteis, muitas vezes ilusórias, algumas vezes nocivas, e sempre pouco dignas de preocuparem homens encarregados de maiores interesses.”

De Puységur: “Se eu pudesse dar um conselho sobre a maneira de proceder, diria a todos os magnetizadores que o meio mais seguro de obterem boas experiências é nunca procurarem fazê-las; curar, eis o único objetivo que se deve ter.” De Bruno: “A maioria das experiências de vã curiosidade são inúteis e podem tornar-se perigosas.” Dr. Roullier: “Cedendo muito facilmente ao desejo dos que não conhecem o Magnetismo senão pelo que ouviram falar a respeito, exponde-vos muitas vezes – se não sois doentes ou sofredores – a uma nulidade de efeitos que substitui, no espírito deles, a disposição à confiança pela dúvida e incredulidade.

Evitai expor o Magnetismo em espetáculos, e principalmente como diversão dos curiosos, fazendo o que se chama prodígios de força. O Magnetismo não deve ser tratado como se fora fantasmagoria.” Deleuze: “Sendo a faculdade de magnetizar ou a de beneficiar os seus semelhantes pela influência da vontade, a mais bela e a mais preciosa que é dada ao homem, cumpre que encaremos o exercício do Magnetismo como ato que exige o maior recolhimento e a maior pureza. É, pois, uma espécie de profanação magnetizar por divertimento, por curiosidade, pelo desejo de mostrar efeitos singulares.” Esta unidade dos mestres em magnetismo, pronunciando-se contra toda provocação insólita dos fenômenos, não é somente baseada no respeito com que eles queriam envolver os seus atos, mas também porque consideravam essas perigosas provocações como profundamente nocivas às pessoas que servem de sonâmbulos nas experiências. “Atuando-se sobre uma pessoa por divertimento, para fazer ato de caridade e mostrar a sua força, excitam-se movimentos nervosos que fatigam e podem comprometer a saúde.” – diz Aubin Gauthier. “O Magnetismo deve ser empregado com precaução e pouco a pouco; se se empregar de súbito uma força extraordinária, proporciona-se o mal em vez do bem.” – acrescenta Deleuze.

Ainda mais explícito afirma o Dr. d’Eslon: “Se em lugar de se pensar na saúde do doente, só se procura sonambulizálo, e para obtenção deste resultado, concentra-se a ação sobre um órgão (particularmente sobre o cérebro), pode resultar daí inconvenientes graves, ou, pelo menos, incômodos desagradáveis.” Assim, todos os que se tem seriamente votado à prática do Magnetismo tendo em vista aliviar os doentes, deploram (estando à frente deles Jussieu) “que se tenham empenhado nas grandes especulações, nas grandes experiências, que não são mais do que a parte espetaculosa e talvez errônea do método; e que tenham deixado de lado a parte prática, a única verdadeiramente sólida e essencial.” O próprio Mésmer, nos seus aforismos, condena todo gênero de excitação: “Quando se excitam crises violentas em um sonâmbulo – diz ele (Aph. 342) –, entretém-se nos órgãos um estado de elasticidade forçada, que diminui na fibra a faculdade de reagir sobre si mesma e sobre os humores que ela contém; donde se segue uma espécie de inércia entretendo o estado contra-natureza que se ocasiona.”

Mésmer, com os seus tratamentos públicos e a sua famosa câmara das crises, parece, entretanto, em contradição com seus próprios princípios; seus inimigos não puderam deixar de revoltar-se nesse ponto, e vivamente criticaram os seus discípulos, dizendo-lhes: “Como? Condenais toda manifestação espetaculosa, toda experiência pública, quando o vosso mestre dava cotidianamente o exemplo daquilo que proibis?...” A isso responderemos que é preciso ter em vista as circunstâncias e dificuldades dum começo; Mésmer, apesar de todos os inconvenientes previstos, devia passar por elas, a fim de tornar conhecido e propagado o seu método; oberado pelo número de assistentes nos tratamentos públicos que inaugurara, não querendo deixar os doentes expostos a serem tocados por todos, foi, por assim dizer, constrangido a organizar “a câmara das crises”; mas seus processos foram em breve conhecidos por grande número de iniciados; estes julgaram-se autorizados a invadir o santuário, para verem melhor os doentes: a câmara das crises tornou-se então um lugar banal, cuja entrada o mestre não teve forças para proibir.

“Nada veio suavizar os desgostos do homem honesto, forçado a deixar assim profanar os meios empregados”, diz de Puységur. Mésmer lastima-se amargamente, nas suas memórias, das exagerações, dos abusos e dos absurdos, aos quais a sua descoberta deu lugar, e das estranhas aplicações feitas por homens que só dispunham dum conhecimento muito superficial do assunto. Que diria hoje o mestre em face dos desvios funestos a que se inclinam os princípios hipnóticos adotados e preconizados pela ciência oficial?

Que severo exame de consciência devem fazer todos aqueles que, num interesse restrito e privado, falsearam as admiráveis trilhas da Natureza em detrimento de toda a humanidade!... Tem-se podido averiguar as deploráveis conseqüências da hipnotização repetida. Na época em que as experiências públicas de fascinação experimental tinham tão grande voga em Paris, seguia eu essas experiências com muito interesse e tive ocasião de averiguar, de moto-próprio, que vários mancebos, servindo habitualmente de sonâmbulos nas representações públicas, foram obrigados a renunciar a um exercício que os fatigava; um deles, estudante numa escola dentária, sensitivo e de constituição frágil, queixava-se de ter ficado completamente arruinado por aquelas hipnotizações repetidas, e fora coagido a abandoná-las; não mais podia, durante o dia, entregar-se aos seus afazeres profissionais sem adormecer; a atenção acurada que era obrigado a prestar na disposição das peças, o luzimento do aço dos instrumentos que empregava, bastavam para hipnotizá-lo, e pouco a pouco resvalara para uma inervação e marasmo comprometedores da sua saúde. As experiências feitas com animais são talvez mais concludentes ainda do que as que têm sido feitas com o homem. Os experimentadores, não tendo a temer as conseqüências desagradáveis das suas tentativas, não duvidaram levar as experiências até limites extremos, a fim de melhor esclarecerem a sua opinião.

La Fontaine, em seu livro. L’Art de Magnétizer, cita vários exemplos da força do olhar nos animais e as terríveis conseqüências que essas experiências podem ter para eles; colocando uma rã num frasco sem cor, de 15 centímetros de diâmetro por 30 de altura, começou a hipnotizar com o olhar; a rã principiou a saltar e agitar-se; depois, passados alguns momentos, imobilizou-se, o seu olhar fixou-se no do operador como se não pudesse mais desprender-se; daí a pouco, a boca contraída abriu-se, membros enrijeceram-se, o animal expirou; toda a experiência havia gasto treze minutos. La Fontaine pretende ter muitas vezes repetido essa experiência com o mesmo resultado em cobras, lagartos e sapos. Em apoio da citação de La Fontaine, referiremos um fato relatado pelo Sr. Milne-Edwards à Academia das Ciências, na sessão de 13 de fevereiro de 1882: o Sr.

Harting, professor na Universidade de Utrecht, fez experiências de hipnotização contínua em galinhas, pombos, coelhos, que tiveram, no decorrer do tempo, o mesmo resultado que as fascinações operadas por La Fontaine. “Se a hipnotização é por diversas vezes repetida sobre o mesmo indivíduo – diz o Sr. Harting –, o seu sistema nervoso torna-se profundamente abalado. Eu possuía seis galinhas, que, com intervalos de dois ou três dias, foram submetidas à hipnotização. Cerca de três semanas depois, uma galinha começava-a manquejar; em breve declarou-se uma hemiplegia e o animal morreu.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.