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Capítulo 3 de 30

Parte 3 de 29

Magnetismo Curativo – Volume 2 · Alphonse Bouvier

É precisamente o caso dos experimentadores em Hipnotismo: não conservam uma neutralidade cabal nas suas investigações; esquecem que suas presunções, repercutindo-se no sonâmbulo eminentemente sensível, venham, depois, induzilos em erro.” Daí, essa produção perpétua de teorias diversas e classificações novas, onde a unidade dos princípios desaparece sob a onda de apreciações confusas, resultante da multiplicidade das aparências sob as quais se ostenta o fenômeno: Os três estados característicos do sono hístero-epiléptico, de Charcot, os nove estados, de Pierre Janet, a causa que produz e desfaz, de Dumontpellier, as zonas histerógenas, de Charcot, hipnógenas, de Pitres, dinamógenas, de Féré, erógenas, de Chambord, reflexógenas, de Heidenhein, noutras, de Rocha, os pontos de imbibição, de Brown-Séquard, o vígil hipnotismo, de Charles Richet, o magnetismo molecular geométrico, de Tony Molin, os transferts, de Luys, a ação dos medicamentos a distância, de Bourru e Burot, etc., e todas as outras teorias especulativas desse gênero, que nada possuem de positivo; os experimentadores, na produção dos fenômenos que obtêm, parecem esquecer completamente a parte que devem representar estes dois fatores essenciais: a idiossincrasia do sonâmbulo e o temperamento do operador.

Efetivamente, tudo depende, em grande parte, da individualidade psicofisiológica daquele que experimenta, das suas vistas pessoais e do seu modo de operar. Tal obtém, de preferência, fenômenos de paralisia e letargia; tal outro, só produz a hiperestesia e a catalepsia. Este acarreta quase sempre espasmos, crises convulsivas; seus sonâmbulos são verdadeiros demônios, aos quais dificilmente se consegue dominar e conduzir; aquele, ao contrário, só produz bem-estar e calma; seus sonâmbulos são dóceis, obedientes e disciplinados. Há magnetizadores que quase nunca conseguem fazer adormecer; e quando, por acaso, o sono sobrevém naturalmente sob sua influência, esse sono muito benéfico não se complica de desordem alguma; não há, sequer, espasmos, paralisias ou contraturas.

Alguns há que só atuam por sugestão; outros, debalde procuram empregá-la. Ora, estas múltiplas modalidades não são mais do que os graus ou as fases de um só e mesmo fenômeno, que um experimentador hábil pode conseguir à vontade, pela justa regularização do instrumento que emprega. Que ele leve a sua ação diretamente sobre o encéfalo, atuando com violência ou de maneira contínua sobre os centros sensoriais, alcançará toda a série dos fenômenos neuromusculares: letargia, catalepsia, êxtase, etc.; reduzirá o eu consciente e produzirá o automatismo, considerando-se deste modo no domínio dos fenômenos que se conveio chamar hipnóticos. Que concentre, pelo contrário, sua ação sobre esse centro frênico importante do epigástrio, chamado o plexo solar; que poupe o encéfalo, que não empregue senão ações brandas e progressivas, que nada provoque e se conserve neutro, aguardando tudo da Natureza em vez de substituir-se a ela; em outras palavras, que deixe o fenômeno desenvolver-se livremente, e nenhum dos fenômenos neuromusculares da letargia e da catalepsia aparecerão; o eu consciente se desenvolverá, as faculdades se sintetizarão e a verdadeira clarividência magnética, com todos os admiráveis efeitos que a acompanham, mostrará, ao produzir-se, que estamos aqui em pleno domínio dos fatos a que se conveio chamar magnéticos. Conservando esses dois nomes, que o uso consagrou, diremos que a única coisa que diferencia a Hipnotismo do Magnetismo é a maneira de regular o sonâmbulo e a natureza dos processos empregados para estabelecer esse adestramento.

Entre o Hipnotismo e o Magnetismo não há nem a identidade que certas pessoas julgaram descobrir, suprimindo o antigo nome para substituílo pelo novo, nem o fosso profundo que muitas outras quiseram cavar; a todo o momento, quem se acredita magnetizador, hipnotiza; e quem julga simplesmente hipnotizar, magnetiza. Du Potet, La Fontaine e tantos outros, nas sessões públicas em que se aplicavam a dominar um homem ou um animal em alguns segundos, não eram mais magnetizadores, na verdadeira acepção da palavra: faziam obra de hipnotistas; e se Braid teve a idéia de imitar artificialmente essas manobras mais teatrais do que curativas (o que fez originar a grande querela que ainda hoje subsiste), é infelizmente porque um magnetizador, saindo do seu papel, deu o mau exemplo. A distinção que acabamos de estabelecer entre o Hipnotismo e o Magnetismo não resulta somente da conservação dos fatos; essa distinção se apóia igualmente em consideração fisiológicas, que nos propomos desenvolver no capítulo seguinte. CAPÍTULO III Explicação fisiológica dos fenômenos Esquema do equilíbrio orgânico: cérebro, aparelho genital, coração e fígado. – A vida é um equilíbrio oscilatório, obedecendo à lei de concentração tonalizante.

– Do enormon. – Do rítmico vital. – De suas relações com a acústica e a ótica. – Divisões do circuito nervoso: encéfalo, ráquis, sistema ganglionar. – Funcionamento do sistema nervoso: sentido, cérebro, tronco; seu preparo; corrente sensorial e corrente visceral.

– Os hipnotistas, atuando diretamente sobre o cérebro, pela corrente sensorial, provocam uma reação dispersiva que exterioriza a ação dos sentidos, enfraquece a tensão-enormon, faz nascer a idéia improporcionada, e acarreta automatismo e inconsciência. – Papel obturador do cerebelo. – Os magnetizadores, atuando indiretamente sobre o cérebro pela corrente visceral, produzem um estado de concentração que duplica a tensão-enormon, fecha as vias dispersivas dos sentidos, aumenta a isolação e entretém o jogo equilibrado do aparelho cerebral. – Integridade da vontade e do eu consciente. – Papel libertador do cerebelo.

Antes de penetrarmos o âmago da questão, julgamos necessário dar um resumo do organismo vivo e do antagonismo das forças que regulam o jogo da função nervosa, não que tenhamos a pretensão de entrar na descrição minuciosa de aparelhos complexos de que nos podem dar a exata topografia os livros de anatomia e de fisiologia; porém, colocando-nos num ponto de vista mais elevado, é nosso intuito essencial expor a filosofia do fenômeno vital, conforme a maneira pela qual o concebemos. Para atingir esse desiderato nos serviremos do seguinte esquema: suponhamos dois círculos concêntricos, um branco e outro preto, o branco (externo) representando o sistema nervoso, o preto (interno) representando o conjunto dos sistemas respiratório, digestivo e circulatório. Coloquemos em cada um desses dois círculos, dois nós: sobre o círculo externo, o aparelho cerebral e o aparelho genital; sobre o círculo interno, o coração e o fígado.

Estes quatro nós, em oposição de polaridade antagonista conjugada, e que, por sua arquitetura especial, dão a mais perfeita idéia do que se pode chamar um desfiladeiro orgânico e, por derivação, um aparelho compressivo ou de tensão, têm por missão manter em permanência o eretismo tensional, indispensável ao funcionamento de toda a vida celular. O círculo cérebro-genital ou nervoso, que representa o animal externo, coloca o ser em comunicação com o meio ambiente; é ele que está encarregado de todas as relações externas, e que sofre as influências dos meios; transmite-as ao círculo cardíaco-hepático, representante do animal interno, com a qual está em constantes e estreitas relações e que ele completamente envolve, regulando desse modo, na economia animal, todas as relações internas e externas do ser.

A vida apresenta-se-nos então, não como a imobilização de elementos arquiteturis, mas como um equilíbrio oscilatório entre órgãos especiais, gozando de uma independência relativa tal, que se poderia acreditá-los colocados fora de todo o centro regulador, quando na realidade obedecem a um jogo de antagonismo, que representa tonalidades de detalhe, submetidas a uma lei única de concentração tonalizante. A vida não é, portanto, nem a expressão de uma onipotência misteriosa, oculta em algum refolho do organismo, como no-la mostram Van Helmont e Stahl, nem a resultante de propriedades especiais atribuídas aos tecidos, como tentam provar Holler e Bichat: porém, mui simplesmente, um fenômeno de tonalização, semelhante ao que nos fornece como tipo admirável a tonalidade musical.

Cérebro, coração, aparelho genital e fígado representam efetivamente, na tonalidade fisiológica, um papel idêntico ao que a tônica, a mediante, a dominante e a sensível representam na tonalidade acústica; tanto em uma como em outra tonalidade, a série dos deslocamentos parte do estado de condensação para caminhar para o estado de resolução, passando por todos os graus da dispersão. O organismo apresenta, assim, todos os fenômenos de reação de uma força prisioneira; o instrumento se distende contra os esforços adventícios, em vez de ceder sem resistência; e do conflito desses antagonismos, justamente ponderados, nasce essa tensão vital equilibrada, que constitui a individualidade do ser, do mesmo modo que a tensão acústica equilibrada constitui a individualidade da gama. Em fisiologia, como em acústica, a regularização dos antagonismos traz uma resultante que se chama aqui o tom e lá o enormon.

“Enormon” é um termo que se encontra nas obras de Hipócrates, para designar a imaterialidade do ser; este apelativo nos parece aqui inteiramente apropriado para representar o ponto fictício de interseção das forças antagonistas; dá-nos uma imagem figurada do ritmo vital que, elevando-se ou abaixando-se segundo a natureza e a intensidade das ressonâncias que afetam o círculo nervoso, engendra os matizes infinitos das idiossincrasias e dos temperamentos. É para o centro frênico colocado no epigástrio, chamado plexo solar, que a impressão desse equilíbrio se faz mais particularmente sentir, no ponto em que Van Helmont colocava o seu arquêu; Bufon, o foco da alma, e os antigos fisiologistas os praecordia ou coração moral das entranhas; é ali que efetivamente ressente-se o contrachoque de todas as paixões, onde se fazem sentir as flutuações centrífugas e centrípetas que regulam o movimento alternante de eliminação e de nutrição, e onde verdadeiramente se pode esperar o ponto de preparo do organismo.

Assim, a tonalidade acústica nos dá a chave do ritmo vital, e, em razão da unidade de plano que preside tão admiravelmente à síntese dos fenômenos naturais, podemos acrescentar que as leis da ótica no-lo explicam também: “Do mesmo modo que a luz nasce da concentração tonalizada dos matizes do espectro – diz Louis Lucas –, assim também a individualidade psíquica e fisiológica nasce do jogo harmônico das condensações tonalizadas do ser, que produzem saúde, inteligência e razão.” Todos os organismos não conseguem realizar esse estado de síntese: escalam-se sobre todos os graus do espectro orgânico; mas, achando-se totalmente classificados em tal ou tal fração da série, tendem com todos os seus esforços, em vista da felicidade e da integridade individuais, para esse estado perfeito de que procuram desviar-se o menos possível.

Manter o ritmo vital na tonalidade que lhe convém é, pois, o segredo da vida dos organismo; deve ser este igualmente o objetivo de toda a terapêutica racional; importa-nos, então, saber de que maneira se comporta o sistema nervoso, esse maravilhoso instrumento de tensões vitais, esse admirável regulador do organismo, que em nosso esquema reduzimos à sua mais simples expressão, figurando-o por meio de um círculo envolvendo os demais sistemas. O circuito nervoso, à primeira vista, apresenta três grupos distintos: 1o o sistema ganglionar; 2o o ráquis; 3o o encéfalo. 1o – O Sistema ganglionar é esse conjunto de inumeráveis células disseminadas em gânglios e plexos nas profundezas do organismo, formando “grupos ou reuniões de grupos que se tornam outros tantos centros independentes de movimentos combinados, sucessivos ou alternados, correspondendo a excitações determinadas”.

É o centro dos atos orgânicos chamados inconscientes, encarregado de coordenar as energias dos diversos elementos dos tecidos; este sistema representa a forma mais rudimentar da vida nervosa abaixo da escala dos seres. 2o – O Ráquis, situado na região dorsal dos vertebrados e que nos invertebrados é substituído pelos cordões nervosos ganglionares da região ventral, põe em relação íntima e permanente o sistema ganglionar e o sistema encefálico; é o laço natural entre o pólo cérebro-bucal, que preside às ingestões e o pólo gênitoanal, que preside às excreções, unindo desse modo a função de oxigenação e a de hidrogenação, e operando por sua expansão no saco formado pelo aparelho muscular, essa espécie de invólucro do animal interno pelo animal externo, do qual falaremos em breve.

A secção do cordão medular, que se estende ao longo da coluna vertebral, afeta uma forma prismática muito nítida, e, do mesmo modo que uma lâmina de estilete triangular, o ráquis caminha através do buraco occipital e vai inserir-se com suas raízes e anexos nas circunvoluções do cerebelo e do cérebro. Com os seus numerosos pares de nervos espinhais, constituído cada um por duas raízes distintas, reunidas para formar um nervo misto, que se vai distribuir depois a todos os sistemas da economia, o ráquis, pela sua disposição anatômica, representa uma verdadeira harpa estendida no meio do tronco, espécie de instrumento prismático, prestes a receber e a seriar todas as ressonâncias que lhe chegam dos sentidos pelo cérebro, ou das vísceras pelo sistema ganglionar.

É o centro dos atos reflexos. 3o – O encéfalo, finalmente, alojado em uma caixa óssea resistente e bem fechada, ocupa o alto do edifício; é, ao mesmo tempo, o ponto de partida e de chegada de todas as expansões nervosas, e tudo quanto parte deste santuário ou aí chega, passa por um dos desfiladeiros mais apertados do organismo – o orifício occipital. A parte do ráquis que atravessa esse orifício com os seus anexos íntimos forma o que se chama o bulbo ou medula alongada; é aí, em nossa opinião, o ponto mais notavelmente interessante da rede nervosa, e nunca seria demais chamarmos a atenção sobre essa região encefálica, onde, indubitavelmente, vêm cruzar-se duas correntes antagônicas, das quais uma, a que chega pelos sentidos, parte do exterior, e a outra, subindo pelo ráquis, parte do sistema ganglionar e do interior visceral.

Nesta região, o coroamento da medula (camadas óticoestriadas) e suas expansões (protuberância anular, pedúnculos, tubérculos, etc.) formam um dédalo complexo onde vêm convergir os nervos dos sentidos (paladar, olfato, visão, audição), e os nervos que, por suas funções, estão mais ou menos afetos à expressão das emoções da alma ou ao ritmo do coração e dos pulmões, tais como o patético, o lacrimal, o facial, o trigêmeo e o pneumogástrico; este deve ser, de alguma forma, o órgão de recepção do encéfalo. O cerebelo com seus dois lóbulos, montado sobre a medula alongada e suas irradiações, vem completar o jogo desta região encéfalo-raquidiana, desempenhando, fora das outras propriedades fisiológicas que se lhe podem atribuir, a importante função de obturador sobre o trajeto das correntes sensorial e visceral, de que acabamos de falar. Finalmente, os dois hemisférios cerebrais, afetando a forma de uma lentilha convexa, cuja concavidade estaria voltada interiormente para o corpo, completam o encéfalo, que pode considerar-se como a sede das percepções e o instrumento das volições.

Digamos, de passagem, que ráquis, medula alongada, cerebelo e cérebro, órgãos de concentração, são aparelhos de luxo que só pertencem aos organismos superiores, contentando-se toda a vida rudimentar com a dispersão nervosa ganglionar, com suas ações inconscientes e reflexas. Tal o esboço sucinto do instrumento das ressonâncias vitais; esta exposição rápida bastará para tirar as considerações que nos restam deduzir.

O ser, em relação obrigatória e constante com o meio onde é chamado a viver, haure, por todas as radículas nervosas periféricas, os elementos difusos do movimento que o cerca; congrega esses elementos, canaliza-os e os diferencia por meio dos nervos; estes, em vez de agirem eletricamente, como se poderia julgar, preenchem o simples papel de condensadores, condutores, modificadores das correntes, e é do choque, cuidadosamente ponderado, das ressonâncias externas e internas, transmitidas ao cérebro, de um lado pela corrente sensorial, e do outro pela corrente visceral, que nasce o equilíbrio enorme; é sob o influxo combinado desses dois impulsos antagônicos, um externo e outro interno, que o eretismo nervoso se acentua ou se distende, fazendo subir ou descer o diapasão do enormon (este estímulo-luz da tonalidade) que leva diante do espelho cerebral a imagem mais ou menos nítida do tronco orgânico e dos sentidos, e vai estimular esses atos de retorno espécie de reflexos luminosos a que chamamos juízo, pensamento, volição e movimento.

Os sentidos, o cérebro e o tronco formam, assim, um conjunto harmônico de ressonâncias de que são solidários todos os elementos, e dos quais dá Louis Lucas uma idéia justa pela comparação analógica seguinte: “Os sentidos e o tronco representam alternadamente, uns frente aos outros, o papel de ocular ou de objetiva, conforme se considerem de um ponto de vista diferente; quanto ao cérebro, representa a lente de campo, colocada no centro focal.” Toda a filosofia do sistema nervoso ali se acha, e a solução do problema que estudamos reside na questão do ponto de preparo; para o físico, esse preparo é a saúde; para o moral, é a consciência e a razão.

Se as forças centrífugas e centrípetas não se equilibram, se há desigualdade de sucessão ou de intensidade nas dispersões e condensações, os elementos de eliminação e nutrição não mais se compensam; há flutuação nas funções orgânicas e a moléstia aparece; ao mesmo tempo, a lente cerebral, insuficientemente iluminada, não mais reproduz senão formas vagas e confusas, contornos indecisos, cuja falta de nitidez e de proporções engendra a alucinação, a inconsciência e o sonho, que são um caminho para a loucura. A conservação da personalidade, a salvaguarda física e moral do ser, dependem desse ponto de preparo, qualquer processo capaz de manter esse equilíbrio é benéfico; toda causa que dele se afaste torna-se nociva.

Ora, se nos referirmos aos processos hipnóticos e magnéticos, eis o que verificamos: Os hipnotistas e os fascinadores, atuando diretamente sobre os sentidos da vista e do ouvido por processos violentos ou contínuos, produzem o eretismo desses sentidos; e, como toda a tensão, toda a força acumulada provocam um antagonismo correspondente, resulta desses vivos ataques sensoriais uma reação centrífuga; o impulso nervoso se acentua dos centros à periferia e traz, por dispersão, um abaixamento sensível da produção da força; do mesmo modo como, por meio dum comutador, quando se abre bruscamente uma corrente elétrica, a excessiva intensidade no ponto da partida pode comprometer o trabalho das pilhas; de um lado, a perturbação trazida aos órgãos da vista e do ouvido, sustando e diminuindo a ação metral dos sentidos, do outro lado, o abaixamento tensional do enormon cessando de pôr todos os pontos da rede nervosa em relações suficientes com os centros receptores, dão à lente cerebral uma espécie de vaporização que, produzindo na sensação uma falta notável de proporcionalidade, dispõe o sonâmbulo a todos os desvios e a todas as ilusões da idéia improporcionada e o coloca, assim, à mercê das mais extravagantes sugestões.

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