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Capítulo 16 de 30

Parte 16 de 29

Magnetismo Curativo – Volume 2 · Alphonse Bouvier

Por mais estranho que vos pareça este processo, não hesitais em empregá-lo, aguardando os socorros do médico; usaio, mesmo, para auxiliar os seus esforços. Principalmente, tende fé; não duvideis do recurso nem de vós mesmo; o emprego do sopro e da imposição das mãos para curar não é coisa nova; estas práticas datam das primeiras idades do mundo; e se eu vo-las recordo, se as recomendo, é que tive a felicidade, graças a elas, de curar do crupe meu próprio filho. Num caso absolutamente desesperador, também salvei da mesma moléstia o filho de um amigo... Que este exemplo vos dê confiança; e quando estiverdes na presença do perigo, lembrai-vos destas palavras de Plauto: “Hoch facere mihi corid est”, “tenho o propósito de fazer isto”. 5o caso – Efeito poderoso das insuflações a propósito da morte de Jules Ferry Se me ocupo aqui da morte deste homem político, não é que tenha a intenção de fazer o panegírico ou a crítica dos atos da sua vida: não trato de política e a única coisa que me apaixona é a filosofia dos fatos. Eis precisamente o que depreendi dessa morte, a fim de patentear a inanidade das coisas em geral, e da ciência médica em particular.

Eis em que termos o Figaro fez a narração do acontecimento: “Jules Ferry volta do Senado quinta-feira à noite, às 7:15; senta-se à mesa e janta como de costume; depois, sentindose um pouco fatigado, deixa de ir a uma soirée para o qual estava convidado e, às onze horas, recolhe-se ao seu quarto, depois de ter conversado e trabalhado sem discrepância dos seus hábitos. Cerca de 1:30 da madrugada, é subitamente tomado de violenta crise cardíaca; mandam chamar um médico, depois dois: eles comparecem; apesar das injeções de éter, de cafeína, de trinitrina, os sofrimentos continuam até pela manhã, com intensidade extrema; pela madrugada, um ligeiro alívio se produz; há uma conferência, mas as notabilidades médicas chamadas para socorrer o doente não o impedem de sofrer violentas opressões; dificilmente pode pronunciar algumas palavras ofegantes, entrecortadas pela brevidade da respiração, e passa a maior parte da manhã em alternativas cruéis.

À noite, aumentando a ansiedade, decidem fazer-lhe uma injeção de morfina; desde então o doente cai num estado comatoso, e por volta de 6:15 expira quase sem sofrimentos, sentado numa poltrona, cercado de todos os seus, desolados completamente diante de um golpe tão imprevisto e cruel.” E eis que um homem, cuja existência era preciosa, por muitos títulos, por isso que não somente um partido político depositava nele as suas mais caras esperanças, como ainda numerosos amigos, partidários dedicados, uma família amorosa, envolviamno com a sua viva e profunda simpatia, é subitamente arrebatado pela morte, por essa moléstia temível a cárdio-esclerose, que tanto pode ser engendrada pelo amor como pelo ódio, pela alegria como pela dor, e cuja garra de ferro constrange e sufoca o coração.

Ela vem ferir o grande homem no seu lar, no apogeu do triunfo, no meio dos seus sucessos políticos e das suas afeições; o ilustre político debate-se durante vinte quatro horas; o seu cérebro poderoso procura, em vão, dominar o coração lesado; luta, dizem, com uma energia feroz, como se quisesse desafiar o destino que o comprime; e os que o cercavam – amigos, família, médicos – assistem àquela luta homérica, inconscientes, mudos, desarmados, como que fulminados pela enormidade do desastre. Ninguém encontra um meio de favorecer aquela tentativa de reação, que ensaia a Natureza agreste do paciente; ninguém vem em seu auxílio; o único viático que a ciência médica, chamada a toda pressa, lhe traz é uma injeção de éter, uma picada de morfina, isto é, anestésicos, venenos vitais, mergulham definitivamente o doente nesse estado comatoso, precursor da morte, em que se extinguirá ao fim de alguns minutos.

Em tudo quanto o amor dos seus, tudo quanto a ciência oficial pode encontrar para salvar uma existência tão preciosa: em vez de um elemento de vida, trouxeram-lhe um elemento de morte. Entretanto, havia alguma coisa melhor a fazer, alguma coisa muito simples e tão elementar, que, na verdade, quando o sabemos, não podemos deixar de ficar profundamente abatidos, só em pensar que nenhum dos circunstantes – amigos, parentes, fâmulos ou médicos – tivesse tido a idéia de tentá-la: bastava que fizessem insuflações quentes na base do coração! Vejo daqui os doutos médicos que assistiram ao ilustre doente motejarem alegremente da minha ingênua afirmação e levantarem os ombros com desdém: “Como? um remédio sem importância. Algum sortilégio magnético. Deixemo-nos disso.

São coisas pouco dignas da Ciência...” Sim, convenho, a insuflação magnética é um pouco menos científica, com efeito, que o vosso éter, a vossa cafeína, a vossa morfina, até mesmo a trinitrina; mas possui sobre estes específicos de laboratório a incontestável vantagem que lhe dá a Natureza – a de fazer cessar os espasmos e dissipar as constrições, despertando as funções em vez de nulificá-las. Que os nossos muito ilustres mestres nos permitam citar-lhes um fato recente, bem aparelhado, por seu caráter sugestivo, para excitar-lhes a sagacidade. Trata-se, precisamente, da mulher de um seu colega. Nos primeiros dias de fevereiro, recebia eu de um médico amigo o recado seguinte: “Minha pobre mulher está muito doente e confesso que, se conseguirdes, não direi curá-la, o que me parece impossível, mas somente aliviá-la e permitir-lhe viver, realizareis a meus olhos metade de um milagre.”

Essa senhora, com cerca de 58 anos de idade, tinha de há muito tempo uma grave lesão do coração, que vulgarmente se denomina angina do peito, e as coisas se tinham tão seriamente complicado, nas últimas semanas, com um estado edematoso do abdômen e das pernas, que a respiração, tornando-se muito difícil, impedia a doente de deitar-se; ela passava dia e noite numa poltrona, em estado ofegante, aflitivo, com todas as suas funções perturbadas, sem sono, já não se alimentando, incapaz de fazer movimento e parecendo, a todo momento, prestes a exalar o último suspiro. Em algumas sessões, as insuflações processaram aquele estado de paroxismo supremo, que ameaçava a vida; uma melhora imediata se deu; o abdômen distendeu-se, a respiração tornou a ficar quase normal; e se a doente não se restabeleceu completamente, pode-se pelo menos afirmar que foi conjurado todo o perigo imediato: as funções regularizadas acarretaram o apetite e o sono, e, o que é notável, ela pode dormir e dormir toda a noite, deitada na sua cama; pode-se, portanto, sem exagero, dizer que metade do milagre pedido pelo doutor, meu amigo, foi realizado.

Mas este não é um fato insulado, como se poderia acreditar. Cem outros casos, não menos típicos, poderiam ser citados. Quanto a mim, pude muitas vezes verificar o maravilhoso efeito das insuflações e tive o prazer de dominar grandes sofrimentos, graças a essa simples intervenção. Pululam os exemplos nos Anais magnéticos. Citei dois, particularmente dramáticos, no Manual Técnico; esses dois casos, que têm como protagonistas uma princesa de Ligne e o Dr.

Desprez, são históricos, e não há nada de mais comovente do que a narração dessas quaseressurreições operadas pelo sopro. É que ele traz consigo a vida, e retém-na quando ela ameaça escapar-se. Tenha-se bem em vista que não há meio mais seguro para despertar as funções adormecidas, suprimir todas as obstruções, fazer cessar os espasmos. É um meio ao alcance de todos. Se em caso algum pode ser nocivo, porque não o empregar?

Será porque não seja clássico o processo? Ah! quando se trata da vida de um de nossos semelhantes, da vida de um ser que nos é caro e que a medicina oficial, desarmada, não pode corresponder ao nosso desvelo e à nossa grande dor, trazendo um alívio ao querido enfermo, porque acalentar escrúpulos ou menosprezos? Recordemo-nos do conceito altruístico do poeta: “Nihil humani a me alienum puto.” (Nada devo ignorar ou desconhecer do que é atinente à humanidade). É inútil multiplicar esses exemplos, numerosos por toda parte. O que quisemos demonstrar é que o Magnetismo consegue, às vezes, resolver questões filosóficas diante das quais a medicina oficial se conserva inteiramente impotente.

Seria, portanto, lamentável que a pretexto de uma questão de legalidade, muito discutível, se tentasse proscrever um meio curativo tão simples, ou pelo menos reduzir-lhe o emprego, quando os doentes desesperados podem tirar dele tão grande benefício. O dever restrito de todo homem de bem é, pelo contrário, propagar-lhe e vulgarizar-lhe o emprego, no interesse da humanidade! Seria injusto obstar a aspiração generosa daqueles que se dedicam ao alívio dos sofrimentos de seus semelhantes. Por mais que finjam melindres de usurpações que a dignidade da Ciência não pode tolerar, e que se grite em todos os tons – charlatanismo! – esta intolerância esconde um sentimento muito menos confessável; e demais, não é pela repressão que se conseguirá pôr um dique às usurpações, quaisquer que elas sejam; extirpação radical dos abusos, só se consegue pela liberdade.

A liberdade é necessária à Ciência para viver, porque sem liberdade não há responsabilidade, e sem responsabilidade não há progresso. “Ora, a responsabilidade científica só terá existência plena para o médico no dia em que ele já não tiver de contar com o ministério público para a repressão do exercício ilegal.” É um dos melhores médicos de Paris quem o diz, e acrescenta muito judiciosamente: “A responsabilidade só existirá para os doentes e para aqueles que os rodeiam quando forem instruídos; e só serão instruídos quando o forem os próprios médicos, isto é, quando as Faculdades ensinarem a ciência e não o empirismo!” 6 CAPÍTULO X Da prática do Magnetismo sob o ponto de vista da consciência O preconceito que consiste em considerar o Magnetismo tão somente sob a forma do sono provocado contribuiu para originar escrúpulos de consciência. – O Magnetismo nunca foi condenado pela Igreja e nada tem de diabólico, tese sustentada no Congresso Internacional de Magnetismo em 1889 pelo Padre de Meissas, doutor em Teologia. – O Magnetismo na sociedade e nas casas religiosas. – Exemplos de escrúpulos vencidos.

Cura de cólicas hepáticas. A vulgarização das virtudes curativas do Magnetismo não somente encontrou um obstáculo na indiferença e ignorância públicas, no veto pronunciado pelos magistrados e os sábios, como ainda num outro, igualmente muito sério, nas prudentes oposições do clero e nos escrúpulos de consciência dos féis. E isso, como sempre, devido às experiências públicas de sugestão, de catalepsia, de letargia, de êxtase, e às misteriosas faculdades desenvolvidas nos passivos postos em estado sonambúlico. Se, como dissemos, se houvessem limitado a impor simplesmente as mãos sobre os doentes a fim de curá-los; se, para excitar a curiosidade pública, não se divertissem a provocar efeitos estranhos, que podem acarretar o sono sonambúlico, é provável que ninguém se lembrasse, mesmo os mais timoratos ou rigoristas, que o Magnetismo poderia ter alguma coisa de diabólico. Se os padres, os bispos, a Cúria Romana, consultados por diferentes vezes sobre esse assunto delicado, responderam de maneira um tanto ambígua, é que, embaraçados pelo aspecto especial sob o qual lhes era apresentado o Magnetismo, não quiseram pronunciar-se sobre a essência que eles não podiam conhecer, e limitaram-se a condenar os abusos assinalados.

Tratou-se do Sonambulismo, não do Magnetismo; proscreveuse o abuso, não o uso. Seria, portanto, um preconceito acreditar que o Magnetismo foi condenado pela Igreja. Essa importante questão foi tratada com muita independência e clareza no Congresso Internacional de 1889, pelo padre Nicolas de Meissas, primeiro esmoler, no Colégio Rollin. Antigo capelão de Santa Genoveva, doutor em Teologia, antigo esmoler do Exército em 1870, o padre Meissas, cujo procedimento durante a guerra e a Comuna esteve acima de todo elogio, reúne sob a batina a caridade cristã do sacerdote, a ciência do sábio e a energia heróica do soldado. Liberal esclarecido e ardente, ele investe intrepidamente contra todos os preconceitos, do mesmo modo que outrora corria sob as balas inimigas, a levar consolação aos nossos infelizes feridos.

Convencido, pela experiência e pela prática, da eficácia do Magnetismo e dos inapreciáveis recursos que dele podem tirar os doentes, não cessa, pela palavra e pelos escritos, de proclamar-lhe os benefícios. Em 1889, por ocasião do Congresso Internacional do Magnetismo Curativo, todos os sufrágios designaram-no para a sua presidência; mas foi obrigado a declinar desta honra e se bem tomasse parte em posição menos saliente, nem por isso deixou de ser um dos membros mais ativos e mais ouvidos. A tese do padre Meissas compreende duas partes: Na primeira, detém-se a estabelecer sucintamente o que poderíamos chamar – jurisprudência religiosa do Magnetismo. Tomando por ponto de partida uma das consultas mais importantes, a do bispo de Lausanne, feita em 1841 à Cúria de Roma, ele demonstra que a Congregação da Sagrada Penitência respondendo: “Prout exponitur no licet, tal como o assunto é exposto não convém, tal como a coisa é permitida”, não corta de modo algum a questão em sua essência, mas dirige-se unicamente ao quadro mais ou menos fantasista e quimérico que se faz do Magnetismo na referida consulta.

Efetivamente, não se representa aí o Magnetismo senão do ponto de vista do sonambulismo, da dupla vista, da leitura sem auxílio dos olhos, da previsão e da adivinhação; e nada se diz, em suma, desse agente natural que, sem produzir o sono provocado, pode ser aplicado com vantagem ao alívio e à cura dos doentes.

E a prova de que esta primeira resposta da Cúria de Roma só visa cortar os abusos é que, em 1842 e 1856, ela volta à questão e refere-se de novo, especialmente, aos abusos que lhe são assinalados: a produção do sonambulismo em um paciente feminino, “por gestos desonestos (Gesticulationibus non semper verecundis)”. Essas proibições em nada nulificam as virtudes curativas do Magnetismo, não lhe proíbem o uso: simplesmente declaram que tudo quanto nessa prática possa ferir a moral deve ser abandonado. Ora, os magnetizadores têm sido os primeiros a pôr os adeptos do Magnetismo em guarda contra os escolhos que se podem encontrar não só na prática do Magnetismo, mas ainda em toda aproximação entre pessoas de sexo diferente. Deleuze e Aubin Gauthier consagram capítulos inteiros de suas obras a esse assunto delicado; Gauthier chega mesmo a propor um juramento que ele quereria ver prestado pelos magnetizadores, do mesmo modo que o próprio Hipócrates o impunha aos médicos.

Ei-lo: “Juro ocupar-me exclusivamente da saúde dos doentes que se confiarem aos meus cuidados; de auxiliar neles a Natureza, sem jamais contrariá-la, de defendê-los contra todas as ações imprudentes ou nocivas; juro que nunca exporei os sonâmbulos em espetáculo, nem nunca farei com eles experiência alguma contrária à sua cura; que, por toda parte onde for chamado, respeitarei mulheres e donzelas; não as seduzirei, nem tentarei seduzi-las.” Os magnetizadores, insistindo na pureza dos costumes e na honestidade prudente, que são efetivamente as qualidades essenciais de todo prático, estão assim de perfeito acordo com o non licet da Igreja, que só atinge, em suma, às manobras excêntricas ou imorais.

Na segunda parte da sua tese, o padre de Meissas refuta aquele raciocínio sustentado por um certo número de católicos e mesmo por alguns membros do clero, os quais, só conhecendo o Magnetismo de oitiva, julgam inexplicáveis os fenômenos: “Esses fenômenos, dizem eles, não podem ter sua causa nas faculdades do homem; é necessário procurá-la exteriormente. Não podem provir de Deus, logo partem do Diabo.” O padre Meissas detém-se em demonstrar (para aqueles que ficam aterrorizados com as faculdades da vista a distância e previsão) que, apesar das diferenças aparentes que existem entre esses singulares fenômenos e os nossos modos de percepção habituais, eles nada têm de sobrenaturais: fora dos cinco sentidos clássicos, existe uma ordem diferente de percepções; as notícias do mundo exterior nos chegam por outras vias que não os sentidos, etc., e a esse propósito cita, como exemplo, as ações admiráveis dos insetos e dos pássaros, ações necessárias à conservação da espécie, mas por vezes inteiramente estranhas às necessidades do indivíduo.

Dá exemplos de previsão e de vista a distância, e por meio de fatos prova que a alma possui uma faculdade de previsão, do mesmo modo que possui uma faculdade de lembrança. Quanto às consciências timoratas, ele as fortalece contra tudo quanto foi dito e feito nestes últimos tempos, com relação às sugestões hipnóticas. “Os hipnotistas – diz – perturbaram a consciência pública, afirmando que o livre arbítrio desaparece no indivíduo hipnotizado, a ponto de o homem mais honesto, em prazo mais ou menos longínquo, fixado por eles, cometer o crime mais terrível, que lhe houverem sugerido.

“Os hipnotistas observaram mal, felizmente; mas, se estivesse definitivamente provado que por seus processos se consegue a supressão do livre arbítrio, estaria nesse fato uma prova mais a juntar-se a tantas outras, de que essa falsificação do Magnetismo é tão maléfica quanto aquele é benéfico; porque o sonambulismo, sobrevindo no decurso dum tratamento magnético, nunca trouxe como conseqüência o enfraquecimento da razão, nem o obscurecimento da consciência, nem sombra de supressão da liberdade moral. Todos aqueles que têm tido ocasião de observar esse maravilhoso estado, sabem que o contrário é o que se dá, e que produz, antes, uma notável expansão das faculdades da alma.” Finalmente, o padre de Meissas termina a sua notável defesa em favor do Magnetismo com esta eloqüente peroração: “Longe de ser diabólico, o Magnetismo deve ser considerado como um dos mais importantes dons que Deus tem dado à humanidade.

Nosso dever, nós que o conhecemos claramente, que sabemos o que cada progresso da nossa santa causa pode representar de menos em relação a lágrimas e dores, é difundir em torno de nós a luz que possuímos. Se nos defrontarmos com alguns em estado de espírito absolutamente refratário, se estes, quando sofrerem ou estiverem doentes, persistirem no temor do diabo, ou por espírito de rotina, teimarem em privar-se dos benefícios do Magnetismo curativo, tanto pior para eles. Mas, quando esses mesmos homens procuram influenciar outros para privá-los também do alívio que mão amiga, movida pela caridade, pode levar aos seus males, então já não é somente um grande prejuízo; penso que é um grande crime.” Quanto a mim, desde que me ocupo de Magnetismo, só tenho a louvar-me das relações com as pessoas que, próxima ou remotamente, têm seus interesses ligados ao clero, relações que o acaso tem produzido.

Tenho tratado vários eclesiásticos; entre outros, o Rev. P. L., dos Dominicanos, que ultimamente, na Suécia, tem alcançado grandes triunfos oratórios; e por toda parte a minha prática e teorias têm sido acolhidas com tanto interesse como curiosidade. Em um instituto das cercanias de Paris, onde se recolhem as crianças e os velhos de nacionalidade polaca, as irmãs de caridade, ao saberem que eu me havia instalado por algumas semanas em sua vizinhança, vieram reclamar meus cuidados para uma das suas pensionistas, que sofria de horrível nevralgia cerebral. Como era meu amigo o médico desse estabelecimento e fosse ele o primeiro a persuadir-me de tentar uma experiência com aquela menina, acedi de boa vontade ao desejo das irmãs.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.