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Capítulo 92 de 234
Dor E Inteligência –
Apostila de Divinismo – Yolanda Santoro
É mais respeitável a atitude daquele, que pela inteligência, suplanta o erro e vence a dor, do que a atitude daquele que por errar se lança aos tentáculos da dor. É mais aquele que pela inteligência vence a dor, do que aquele que só pela dor faz funcionar a inteligência. Quem poderia em sã consciência endossar a filosofia da flagelação como bem-aventurada? E comprometedor que um ser humano encontre na teoria da flagelação, melhor modo de honrar a Deus e sua Justiça, do que por meio da Ciência e do Amor, que em si consubstanciam o poder da Inteligência. Demais, sendo Deus a Suprema Inteligência, e sendo nós filhos ou emanações, como conceber a inversão da ordem? Ao que é Inteligente, se honra com inteligência; ao que é Amor, se honra com amor; ao que é Justo se honra com justiça. Em nome do bom senso se deveria iniciar, uma nova ordem interpretativa sobre o fenômeno dor. É mais decente evitar o erro, do que pedir desculpas, depois de tê-los cometido. Não é a Vontade de Deus que seus filhos sofram, mas sim, que galguem as supremas Glórias. Deus não quer sacrifício e sim amor. O fim do Amor é eliminar a dor, assim como a finalidade da luz é liquidar com o império da treva! A dor é disciplinação, mas não edifica jamais alguém, porque a edificação vem do Amor e da pura Sabedoria. Quem faz da dor o agente de emancipação trai a finalidade do esquema celeste. As Virtudes latentes não possuem características de dor e sim, de glória. Para despertá-las se faz necessário, crescer em inteligência e pureza, e não em tormentas e blasfêmias. É repugnante a atitude dessa gente que vive fazendo cantilenas à dor, ou são covardes, ou são simplórios, ou são apenas tardos de entendimento. Porque em nenhum livro sagrado está escrito que se dever procurar a dor, mas, quando muito, suportá-la, quando se faz intransferível. A dor é bem-aventurada enquanto está no próximo, ou depois de ter passado. O resto depende do grau de sinceridade de quem discute sobre ele. A verdade é que, aquele que melhor a cante em melopéias inócuas, esse mesmo é talvez mais do que outros, não mede meios e modos de se livrar dela, quando, praticamente, tenha de encará-la. Jesus, o Cristo, procurou fugir à dor, e quando muito, concitou a tolerá-la quando impossível de ser liquidada. Basta dizer que ela é o produto da inversão da ordem para se saber que é repelente. É deplorável, os que adulam a Deus, por medo ao sofrimento, mesmo assim os que curvam ao sofrimento, por temor a Deus. Um sofrimento culposo é nódoa e não virtude.
Entretanto, é preciso usar a inteligência para se aproveitar da dor. Ela compreendida, pode ser bemaventurada; lançada no rumo da blasfêmia, da rebeldia, do embrutecimento, leva o indivíduo a cair na inconsciência, necessita dormir para a razão, e é projetada automaticamente, para vidas das mais rudes, perde as melhores oportunidades de avançamento, tornando-se o grande inimigo de si próprio. O tempo que poderia ter empregado em obras de aumento espiritual, o gasta gemendo e rastejando por vielas e abismos, por aleijumes e blasfêmias. A Terra é o mundo onde os habitantes não buscam evoluir por inteligência ou espontaneamente, mas, sim, pelos chuços da dor. Neste mundo, deixa-se o mérito da Ciência, de lado, se esquecem da função do Amor, para se tecer ladainhas à dor. Deveria ser simples perguntar sobre a origem da dor em suas primeiras manifestações e saná-las para evitar o aumento. Entretanto, ela trabalha, faz a sua parte, mais cedo ou mais tarde vence, porque o Espírito com ela terá que aprender, custe mais ou custe menos, na encarnação ou fora dela. Quem conheceu de perto a dor expiatória, que é a dor malfadada, terá que por amor ao Amor, ou por elevação íntima dar-se ao emprego da dor prova, e por subir na escala do bem, penetrar mais tarde, no plano da dor missionária, que é, verdadeiramente, a dor bem-aventurada, por ser filha dileta da Renúncia.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.