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Capítulo 196 de 234

Reencarnações Expiatórias –

Apostila de Divinismo – Yolanda Santoro

Quem transgride leis, deve o trabalho reparador. Qualquer desequilíbrio representa falta cometida contra a Lei Central de Equilíbrio ou Harmonia; e como a registração é feita no corpo astral do faltoso, quem a desmanchará sem ser ele mesmo? No curso das vidas terá que se defrontar com as obras do passado. Quando tiver que voltar à encarnação, terá que se entender com as suas obras, vindo a sofrer de males correspondentes aos feitos criminosos; são as encarnações expiatórias. A Lei uma vez ferida ou contrariada, revida e força ao reequilíbrio; mera questão de Causa e Efeito, mera confirmação daquela sentença bíblica que diz: "Quem com ferro fere, com ferro será ferido." Os fatos relacionam e ligam os indivíduos, mesmo que os indivíduos nada entendam das leis de Deus. Às vezes a família inteira é constituída de grandes culpados; apenas cada um ocupa o seu lugar no quadro dos deveres ressarcitivos. Ninguém culpe a outrem pelos sofrimentos porque todos são réus de culpa. As partes devem arcar com suas responsabilidades para com o todo. Tudo na obra de Deus é parte e relação, jamais existindo causas que não sejam obrigadas a produzir efeitos nem efeitos que possam deixar de conter suas causas determinantes. As piores marcas cármicas induzem os espíritos a desvios horripilantes, fabricantes de tenebrosas prendas infernais, fontes de desarmonias internas, que podem custar anos de ressarcimento. Assim, encarando a condição de um, aleijado, antevemos seus motivos. O homem cuja mente se corrompe, terá seu organismo exterior deformado. O espírito age sobre as gamas mais íntimas da estrutura magnética, passando dai para as mais grosseiras ou densas, e assim, por escala, vem atravessando os gases, os vapores, os líquidos, atingindo os sólidos. Não há pensamento que não atinja, pouca ou muito, mais ou menos depressa, todo o corpo humano na carne ou fora dela. De mal pensar e sentir o espírito restitui a uma forma animal antanho vivida. Pensa tão revoltadamente e tão continuamente que volve como espírito, cujo corpo é mais sensível às ordens mentais, a uma forma inferior, dando azo a que seu corpo sofra deformação.

Aquela condição de rastejante corresponde à corrupção lavrada no corpo perispiritual, isto é, revolvem em si as formas físicas inferiores ou das espécies antanho vividas, que não podendo tomar forma inferior integral em virtude da influência do gene humano, vem, contudo, deformado e rastejante, arrastando as marcas físicas dos erros de ordem moral cometidos e recalcados. Muitos chegam a nascer com pronunciadas formas animais, vindo a morrer em seguida ao nascimento ou pouco tempo depois. E se não fosse o Controle de irmãos prepostos zelando o quanto possível, pelas reencarnações, monstruosidades tais teriam acesso no plano carnal, como ninguém por lá seria capaz de conceber. Há encarnações expiatórias que rendem muito, mas há encarnações expiatórias em que o espírito perde tudo. A dor expiatória é em si mesmo a testemunha da falta, podendo vir a ser a mãe da pior revolta. A dor tanto serve para tornar o espírito submisso, como revoltado. Há espíritos que vivem dolorosamente, sem favorecer a si mesmo pelo que tem feito, porque nem sequer têm inteligência para se aproveitar da dor. Ela, que compreendida, pode ser bem aventurada; mas se lança no rumo da blasfêmia, da rebeldia, do embrutecimento, complica o espírito, fazendo-o descer mais, atrofiando-o, empatando tempo em não progredir e tudo sofrer. Tais espíritos têm que cair na inconsciência, necessitam de dormir para a razão. São projetados,

automaticamente, para vidas as mais rudes. Perdem as melhores oportunidades de avançamento; são grandes inimigos de si próprios; constituindo-se em seus maiores algozes. Quanto o espírito se prejudica, descendo em geral, em perda de tempos em dores inúteis, em atrofias físicas não é Deus a castigar; nem tão pouco é bem-aventurada a dor expiação, porque ela é o produto das corrupções em geral. O percalço dever vir para experimentar o espírito em virtude das faltas passadas e do programa préestabelecido. Isso está contido no roteiro da vida, apenas não está escrito que o espírito deva curvar-se a tais injunções erradas. O espírito não deve se curvar aos motivos que julga serem os culpados, aos quais acusa, mas deve fazer questão de vencê-los, de superá-los, de liquidá-los. Deve reagir, porque o fracasso poderá tornar-se de graves consequências, quer no presente, quer com vistas ao futuro. Com vistas ao porvir, terá Pelo menos de passar pela mesma prova, porém, agravada, e defrontando os riscos do fracasso presente que se marcarão rijamente, porque são transformados em caso cármico, em lastro-histórico. Não existem inocentes a sofrer. O arrependimento simplesmente não é suficiente; cumpre sofrer as consequências do mau propósito, e ressarcir as faltas acumuladas. Cada crime é uma nódoa; é um fantasma vivo e tétrico, ao qual cumpre eliminar no curso das vidas e das expiações. E quem for devedor de faltas, por erros cometidos, lembre-se de que a Justiça Divina é Absoluta, porém flexível nas aplicações, muito oferecendo aos que se fizerem penitentes. Mas lembre-se bem, aquela penitência que se caracteriza pelo bemfazer ao próximo, porque aquela penitência piegas, idólatra, ritual exterior ou formalista de nada adiantará. O verdadeiro pecador penitente não é aquele que se arrepende através de altas expressões teóricas, muito pelo contrário, é aquele que se compenetra de seus deveres de reparação, reclamando oportunidades de trabalho fraterno, serviço de alcance ilustrativo e consolador. A esses pecadores capazes de arrependimentos profundos, envia Deus, a sua misericórdia, em forma de avisos oportunos. Em tudo há Lei e Justiça. Haverá sempre um pouco mais de graça ou mesmo de gloriosas oportunidades para aqueles pecadores que se arrependem profundamente e se propõem a resgatar as faltas, não à custa de sofrimentos, mas através de rasgos de Bondade. Os errados também são filhos de Deus, também são Eternos, também se encontram embutidos na Origem Divina, no Processo Evolutivo e na Sagrada Finalidade. Por pequeno que seja em evolução, é grandioso ver alguém que se redimiu de seus crimes e passou a respirar os ares puros do Equilíbrio Vibratório; é sublime o sentimento de bem-estar ao pé de quem não sente remorsos, de quem não se mede pelo prisma dos agravos acumulados em seu âmago consciencional. De Jesus: "Haverá maior júbilo no Céu por um só pecador que fizer penitência, do que por noventa e nove juntos que não necessitam de arrependimento." - Lucas 15, versículo 7. Um dia todos serão filhos pródigos; porque os culpados pagarão perante o Fogo Eterno, até o último ceitil, e continuarão a jornada em demanda à Pureza e à Sabedoria.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.