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Capítulo 198 de 234

Os Perigos Do Mundo –

Apostila de Divinismo – Yolanda Santoro

O fracasso ronda a todos aqueles que mergulham na carne, seja em trabalhos de caráter expiatório, missionário ou de provas. Na vida social, uma vez metido o espírito nos aranzéis da carne, as dificuldades fazem-no desviar com muita facilidade do reto caminho. O bolso, o estômago e outros fatores vivem a nos açoitar a vida inteira, enquanto nos arrastamos sobre a Terra. A encarnação nos enfronha em mel, denso, pesado, além de nos articular com o complicado mecanismo físico; ela nos coloca frente a frente com todo um mundo de relações, de choques e entrechoques de onde resultam possibilidades várias de males pessoais e alheios. A vida carnal é ambiente em geral que oferece perigos múltiplos, traições de variada ordem, facilidades de falhas, de fracassos. Há que haver muito cuidado com os perigos que o mundo oferece aos espíritos que reencarnam. Faz-se, portanto, necessária prudência, muita prudência. É por isso que Jesus encareceu a necessidade de orar e vigiar, para não ceder às tentações do mundo. As tentações interiores são piores do que as exteriores. Egoísmo, orgulho e luxúria são piores do que assaltos espirituais inferiores. Inveja, falsidade e ódio conseguem mais do que falanges maldosas contra a criatura encarnada. A falsa fé que descansa nos mancais corruptos da idolatria, da superstição, do comercialismo religioso e das aparências de culto espiritual chafurdam mais seres no abismo do que as perseguições infernais exteriores. Costuma-se dizer que nenhum diabo de fora pode, quando o Cristo de dentro está realmente vigilante; mas estará sempre em dia o Cristo de dentro em matéria de vigilância? Tantíssimas vezes, por causa de mil e uma fraquezas, perdemos de vista o Cristo de dentro e deixamos reinar o diabo de fora, o erro que conduz ao fracasso. Tudo aquilo que é do mundo, no mundo fica. Temos que saber usar os instrumentos do mundo, as ferramentas capazes de engendrar a grande vitória espiritual. Quem passa pela difícil prova da fortuna deve aprender a dominá-la para não ser por ela dominado e prostrado. Aqueles que se apegam aos bens do mundo em geral, não apenas as riquezas, naturalmente retardam a entrada no Plano Crístico. Ninguém deve deixar-se dominar pelas causas exteriores, pois os instrumentos de vitória, quando mal usados, transformam-se em instrumentos de crimes, em fontes de erros e de fracassos. Convém notar, para efeito de respeito à Verdade, que enquanto se tratar de espíritos embrionários em evolução, haverá muitos ricos caridosos e simples, e muito mais pobres empanturrados de inveja, despeito e outros defeitos. O mundo e a carne serão para os espíritos as grandes montanhas que devem ser removidas. Mas os homens só pensam em montanhas exteriores, deixando o grande problema das montanhas interiores para mais tarde ou para os outros resolverem. Jesus ensinou que a fé remove montanhas, dando prova disso com a renúncia que pôs em prática indo ao encontro da cruz, pelo fato de saber que além dela estava a liberdade. Conta o Evangelho que Jesus, no fim de seus dias, agradeceu aos amigos fiéis o fato de terem estado com Ele nas horas de tentação - "Eu vos agradeço, porque estivestes comigo nas minhas tentações." É bem de aquilatar o exemplo do Mestre dos Mestres, para ressaltar o quanto é perigoso encarnar em um mundo como

a Terra, onde o bolso, o estômago, o sexo, o orgulho e o egoísmo, em lugar de ferramentas de uso, passam a ser senhores absolutos da criatura. Quando assim se passa, a Moral, o Amor, a Revelação, a Sabedoria e a Virtude ficam por baixo, isto é, a Lei e o Cristo são relegados a plano inferior, e conseguintemente, a morte vem pilhar o espírito em tristes condições. Muitas vezes estão forros de bens e glórias do mundo, mas o túmulo faz imediata separação, é o destino, é a subcrosta, por dezenas, centenas ou mesmo milhares de anos, quando a mente do indivíduo não muda de rumo, nem mesmo com a dor. É assim como os planos erráticos fornecem, todos os dias, milhares ao plano carnal, a encarnação fornece dezenas de milhares de almas todos os dias, aos planos erráticos, e infelizmente, o grande número não vem com as recomendações em dia. Infelizmente, menos de vinte por cento dentre os que desencarnam por dia, saem bem, ou com merecimento que garanta acolhimento imediato da parte de servidores espirituais, sendo' certo que dentre os infelizes contam-se muitos elementos categorizados que deixaram se envolver pelos enganos do mundo. São raros os espíritos que rumam aos reinos de muito mais luz e glória. Quem governa o fenômeno é a Lei do Peso Específico ou das equidades vibracionais. Neste mundo, cinco por cento convida para Deus e noventa e cinco por cento para o mundo. A Terra em si, não é mais do que cadinho depurador. As encarnações valem apenas como provas ou testes de eficiência. Quem triunfa recebe o prêmio correspondente, nada mais. E quem fracassa pena o seu fracasso, e fica creditado para outros testes. A sala de aula não é a lição, e o professor não responde pelos alunos em suas liberdades individuais. Muitos espíritos de bom gabarito têm medo de reencarnar nesse planeta. Quantos espíritos de bom nível, espíritas bíblicos grandes, que aparecem pedindo: Roga por nós, para que tenhamos mais oportunidade de trabalho, para que possamos escolher boas famílias para reencarnar. Oh, mundo perverso que desvia até aqueles que vêm entregar recados Divinos!

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.