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Capítulo 228 de 234

Aplicação De Faculdades –

Apostila de Divinismo – Yolanda Santoro

Que fazem certos irmãos com suas faculdades e os seus trabalhos mediúnicos, com o jogo de suas conveniências materiais e as suas responsabilidades para com a Justiça Divina? As faculdades, pensam, são o produto de suas boas realizações pretéritas e podem usá-las à vontade e livremente, porque propriedades são propriedades. Como ferramentas, pelas quais terão que responder ao desencarnar, não pretendem jamais encará-las. Portanto, recebem muitas pagas, presentes e tal, pelos trabalhos prestados. Suas conveniências materiais em geral, fazem-no passar por cima dos Mandamentos da Lei, em muitas ocasiões, e para fins bastante comprometedores, chegando às raias da imoralidade, abusando da confiança que lhe atribuem. Mal sabem que em tempo algum alguém passará por cima da Lei. Entre a melhor conduta perante a Verdade e algumas injunções humanas, deixam a Verdade debaixo do alqueire e defendem a falsa moral humana, tem o que dizer muitas vezes para dar o testemunho certo, mas os presentes e as festinhas que lhe fazem nos ouvidos autorizam-no a silenciar, até mesmo a mancomunar com o erro. Em grau bastante elevado é apenas um mercador de práticas mediúnicas. A honra do profeta está no compromisso para com a Verdade, o Amor e a Virtude. Para ser apenas um mercador de posições e vantagens, aparências e rótulos, o Céu não remete ao plano carnal criaturas com salientes faculdades mediúnicas. Também, lidar com agentes do plano espiritual para desfazer coisas feitas, tem levado muitos trabalhadores a reincidir em graves faltas, porque as relações entre os dois planos são, por natureza dos trabalhos, muito ligados aos níveis mais inferiores do astral. Quando menos esperam estão servindo a guias que desguiam, estão fazendo o que pretendiam desfazer, chafurdando nos abismos e comprometendo futuras vidas. Se há quem faça o mal por esse processo, há quem os possa quebrantar, porque a dialética é lei na Ordem Divina, mas a questão não manda revidar, não manda vingar, nunca impõe valentias perniciosas. Porém, e aqui mora a periculosidade, muitos trabalhadores dessa ordem, deixam se levar pela conversa de certos guias, espíritos ainda muito inferiores, caindo em graves faltas. Há trabalhadores que dispondo de maravilhosas faculdades, e tendo certa dose de poder sobre

legiões do plano astral, aplicam por conta própria a "Pena de Talião", revidando elas por elas e até muito pior ainda. E assim sendo, dentro de algum tempo, são escravas de elementos menos felizes que lhe ordenam, a título de defesa, os mais tenebrosos revides. Descem à feitiçaria, cometem crimes tremendos e vão parar nos abismos da subcrosta. Para desfazer qualquer mal, o mais importante é não aplicar o mal. Assim fez Jesus, o Cristo, renunciando à própria vida. Foi como cordeiro ao cutelo, sem dizer palavra alguma de vingança, deixando tudo a cargo da Justiça Divina. Infelizmente, porém, os trabalhadores dessa ordem de serviço se lançam com muita presteza à mania das valentias, dos desafios, das paixões comprometedoras. Faça o bem com as graças mediúnicas de que dispõe sem jamais julgar que tem o direito de devolver mal algum a quem quer que seja. Perdoe sempre, que perdoar aos outros já é dirimir faltas. A Lei de Harmonia paira acima de tudo, reclamando de cada um o devido em trabalhos e responsabilidades, seja quem for, dispondo do que dispuser de conhecimentos e faculdades. Se o Cristo assinalou a sua condição de servidor da Lei e não senhor da Lei, porque dela só Deus é senhor, vamos compreender isso e não cair na asneira de usar mal a coisa alguma a poderes quaisquer.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.