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Capítulo 9 de 34

V. Salões De Aprendizado — parte 1 de 8

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

Conforme nos aproximamos da cidade fomos tendo uma ideia de sua extensa proporção. Ela era, nem preciso dizer, totalmente diferente de qualquer coisa que eu já tinha visto. Consistia em muitos prédios imponentes, cada um deles cercado de jardins magnícos e árvores, com espelhos d'água e fontes espalhadas aqui e ali, de águas claras como cristal, reetindo cada nuance das cores conhecidas na terra, com outras colorações que só podem ser vistas nos reinos espirituais. Nem se pode imaginar que esses jardins tenham a mais leve semelhança a qualquer coisa vista na terra. Os mais lindos jardins da terra serão os mais pobres aqui, se os compararmos com os que agora visitamos, com sua presença em colorações perfeitas e os perfumes celestiais exalados. Caminhar pelos gramados, com esta natureza em torno de nós, deixa-nos encantados. Eu imaginava que a beleza dos campos onde eu havia tido toda minha experiência nos mundos espirituais dicilmente poderia ser superada. Minha mente recordou os caminhos estreitos e pavimentos lotados; os prédios amontoando-se em virtude do espaço exíguo e valioso; o ar pesado e poluído que piora com a corrente de tráfego, lembrei-me da pressa e do tumulto, e de toda a agitação da vida comercial e a excitação dos prazeres passageiros. Eu não tinha a menor ideia de uma cidade de belezas eternas, tão distante da cidade da terra quanto a luz do dia é distante da escuridão da noite. Aqui tínhamos amplas ruas de gramados esmeraldinos perfeitamente cultivados, irradiando, como os raios de uma roda, de uma construção central que, como pude observar, era o centro de toda a cidade. Havia uma coluna imensa de pura luz que descia sobre o domo deste edifício, e sentimos instintivamente – sem que Edwin tenha nos dito – que dentro deste templo poderíamos enviar nossos agradecimentos à Grande Fonte de tudo, e que ali encontraríamos nada mais que a Glória de Deus na Verdade. Os prédios não tinham grande altura, se pudéssemos medir comparando com as estruturas da terra, mas eram extremamente amplos na maioria deles. É impossível descrever o material de que são feitos porque são de matéria essencialmente espiritual. A superfície de cada um era lisa como mármore, mas mesmo assim tinham uma delicada textura e eram translúcidos como alabastro, à medida que cada edifício emanava, como que para o ar em torno, uma irradiação de luz de pálidas colorações. Alguns destes prédios eram entalhados com desenhos de folhagens e ores, e outros foram deixados quase sem adornos, levando-se em conta os pormenores, cando num estilo meio clássico. Sobre tudo havia a luz celeste brilhando perenemente e sem interrupção, portanto não havia localidades escuras. Esta cidade era dedicada à busca do aprendizado, ao estudo e à prática das artes e ao prazer de todos deste reino. Não era exclusiva de ninguém, mas aberta a todos para deleite com igualdade de direitos. Aqui era possível dedicar-se a muitas daquelas ocupações prazerosas e frutíferas que foram começadas na terra. Aqui também muitos espíritos poderiam ser favorecidos em alguma forma de diversão que lhes fora negada, por inúmeras razões, enquanto encarnados. O primeiro salão ao qual Edwin nos conduziu era dedicado à arte da pintura. Este salão era de grandes proporções e continha uma longa galeria, em cujas paredes estavam penduradas todas as grandes obras primas conhecidas pelo homem. Foram dispostas de tal forma que cada passo do progresso da terra podia ser seguido na ordem, começando com os primórdios e tendo continuidade até os dias presentes. Cada estilo de pintura estava representado, compilado de todos os pontos da terra. Não se deve imaginar que tal coleção, como a que estávamos vendo agora, servisse ou interessasse apenas aos que tinham profundo conhecimento ou apreciação da arte dos pintores. Nem de longe era o caso. Havia um bom número de pessoas na galeria quando entramos, algumas delas movendo-se aonde levava sua fantasia. Mas havia muitos grupos escutando as palavras dos professores competentes que estavam demonstrando as várias fases na história das artes expostas nas paredes, e estavam, ao mesmo tempo, fazendo uma exposição tão clara e interessante que ninguém deixava de compreender. Reconheci algumas destas pinturas, que já havia visto em seus 'originais' nas galerias da terra. Ruth e eu camos atônitos quando Edwin nos contou que aquilo que víramos naquelas galerias não eram os originais. Agora estávamos vendo os originais pela primeira vez. O que havíamos visto era a contrapartida terrena, as quais eram perecíveis pelas causas usuais – por exemplo, pelo fogo ou desintegração geral pela passagem do tempo. Mas aqui estávamos vendo os resultados diretos do pensamento do pintor, criados no éter antes de serem transferidos realmente, tais pensamentos, às telas da terra. Podia ser amplamente observado, em muitos casos, onde a pintura na terra perdera perante aquilo que o pintor tinha em sua mente. Empenhara-se em reproduzir a sua exata concepção, mas, pelas limitações físicas, tal concepção o havia desiludido. Em algumas vezes foram os pigmentos que falharam quando, nos primeiros tempos, o artista não conseguia obter ou atingir uma nuance em particular da cor que queria. Conseguira-a em espírito – pelos resultados que agora podíamos ver – mas falhara na tela material. Esta era a maior diferença que percebi nas pinturas, em comparação com o que havia visto no plano terrestre. Outro grande ponto de dissimilaridade – e o mais importante – era que por aqui as pinturas eram todas vivas. É impossível transmitir uma ideia do que seja esta suprema diferença. Estas pinturas espirituais daqui devem ser vistas para isto ser entendido. Posso apenas dar uma pálida ideia. Estas pinturas, então, tanto paisagens quanto retratos, nunca eram planas, isto é, não pareciam ter sido pintadas em uma tela plana. Possuíam, por outro lado, a perfeição do relevo. O tema ressaltava como se fosse um modelo – um modelo onde se podiam captar todos os elementos que estavam no compor do tema do quadro. Sente-se que as sombras são sombras reais, lançadas por objetos reais. As cores brilham com vida, mesmo nos trabalhos mais antigos, anteriores a tanto progresso atingido. Um problema me ocorreu, e recorri naturalmente a Edwin para sua solução. Era esse: como não era desejável, talvez até impraticável, pendurar-se nestas galerias todas as pinturas que foram emanadas da terra, qualquer ideia de tratamento preferencial baseado no julgamento de outros não parecia combinar com o espírito da lei, tanto quanto eu podia compreendê-la. Que sistema havia sido usado para a seleção das pinturas para que fossem penduradas nestas paredes? Foi-me dito que esta pergunta era frequentemente feita pelos visitantes desta galeria. A resposta é que quando um artista, seja ele bom, ruim ou mesmo comum, ajusta-se à sua nova vida, ele não tem mais ilusões – se é que teve alguma antes – sobre seu trabalho. Usualmente uma extrema modéstia se instala, reforçada pela beleza imensa e superlativa deste reino. Isso, no nal das contas, torna-se um problema de escassez, mais que de abundância! Quando olhamos para os retratos de tantos homens e mulheres cujos nomes eram mundialmente conhecidos, fossem de tempos mais antigos ou mais atuais, veio a Ruth e a mim um sentimento estranho ao pensarmos que nós éramos agora habitantes do mesmo mundo que eles, e que eles, como nós, eram bastante vivos, e não meras guras históricas das crônicas da terra.

Em outras partes deste mesmo prédio havia salas onde estudantes de arte podiam aprender tudo o que há para ser aprendido. A alegria destes estudantes é imensa ao estarem livres das restrições terrenas e das limitações corporais. Aqui a instrução é fácil, e a aquisição e a aplicação do conhecimento igualmente fácil aos que desejam aprender. Afastadas estão todas as lutas do estudante para superar as diculdades da terra, tanto mentais quanto manuais, e progredir rumo à competência é, consequentemente, fácil e rápido. A alegria de todos os estudantes que havíamos visto por si mesma se espalhava por todos os que a presenciavam, pois não há limites aos esforços quando aquele bicho-papão da vida da terra – tempos fugazes – e todos os vexames mesquinhos da existência mundana foram abandonados para sempre. Será que se duvida que os artistas deste salão, e, sem dúvida, em todos os outros salões na cidade, estavam passando horas douradas em sua recompensa espiritual? Para se fazer um estudo realmente exaustivo de todas as pinturas na galeria nos tomaria um tempo longo demais para o nosso atual propósito, que é adquirir uma ideia a mais compreensiva possível do que era este reino, por isso devíamos seguir nosso caminho e conhecer mais, e voltar aos lugares que nos atraíssem mais. Este era o pensamento de Edwin, e Ruth e eu concordávamos de coração. E assim não tardamos mais no salão de pintura e seguimos para outro imenso edifício. Este era o hall de literatura, e continha toda obra que merecesse tal nome. Seu interior era dividido em salas menores que no hall de pintura. Edwin nos conduziu a um espaçoso departamento que continha as histórias de todas as nações do plano terrestre. A alguém que tivesse o conhecimento da história da terra, os volumes com os quais as prateleiras desta seção da grande biblioteca estavam cheias provariam ser ilustradores. O leitor poderia obter, num primeiro relance, a verdade sobre a história de seu país. Toda palavra contida nestes livros era literalmente a verdade. Ocultar é impossível, porque nada a não ser a verdade pode entrar nestes reinos. Retornei a esta biblioteca e gastei um tempo muito proveitoso entre estes incontáveis livros. Particularmente, mergulhei em história e quei pasmo quando comecei a ler. Naturalmente esperava que a história fosse tratada da maneira pela qual estamos acostumados, mas com a diferença essencial de nos apresentarem a verdade de todos os atos e eventos históricos. Logo descobri que era o caso, mas z outra descoberta, que num primeiro momento me deixou surpreendido. Percebi que lado a lado com as colocações do puro fato, de cada atitude tomada pelas pessoas de notoriedade histórica, pelos homens de governo em cujas mãos estava o controle de seus países, pelos reis que estavam à frente daqueles mesmos países, lado a lado com aquelas declarações estava a verdade nua e cega de todos e de cada uma das motivações de governo, ou o que estava subjacente aos seus numerosos atos – a verdade além da disputa. Muitas destas motivações eram elevadas, muitas, muitas delas totalmente vis; muitas mal interpretadas, muitas distorcidas. Escritas indelevelmente sobre esses anais espirituais estavam milhares de narrativas verdadeiras dos seres que, enquanto em sua jornada na carne, foram participantes ativos nos negócios de seus países. Alguns eram vítimas da deslealdade e da baixeza; outros eram a causa ou a origem da deslealdade e da baixeza. Nada foi desperdiçado, nada foi omitido. Tudo estava lá, para que todos vissem – a verdade, em nada expandida, em nada suprimida. Estes registros não respeitavam pessoas, fossem elas reis ou cidadãos, clérigos ou leigos. Os escritores apenas tinham exposto a história verídica, como ela era. Não requeria adornos, nem comentários. Falava por si só. E eu quei grato por uma coisa – que esta verdade foi mantida afastada de nós até que viesse o tempo em que estivéssemos onde estávamos agora, com nossas mentes, de certa forma, preparadas para revelações como as que agora tínhamos recebido. Até aqui apenas mencionei a história política, mas também escavei a história da igreja, e as revelações que obtive nesta direção não eram melhores que as da esfera política. Eram, de fato, piores, considerando-se em Nome de Quem tantas ações diabólicas foram cometidas por homens que, exteriormente, professavam que serviam a Deus, sendo apenas instrumentos de homens tão vis quanto eles próprios. Edwin prevenira-me sobre o que esperar ao consultar tais histórias, mas jamais eu anteciparia o grau de loucura que encontraria nas narrativas dos fatos verdadeiros. Os motivos supostos que foram expostos em nossos livros de história estavam longe dos motivos reais em incontáveis ocasiões! Apesar destes livros darem testemunho contra os perpetradores de tantos feitos obscuros na história do mundo, também dão testemunho de muitos atos grandiosos e nobres. Não estavam ali, especicamente, pelo propósito de prover evidências pró e contra, mas porque a literatura tornou-se parte da trama da vida humana. As pessoas têm prazer em ler. Não estaria de acordo com esta vida, ter livros que ler? Podem não ser exatamente iguais aos da terra, mas combinam precisamente com tudo por aqui. Vê-se que a busca de conhecimento é muito maior por aqui do que no plano da terra, já que a necessidade de mudar nossas mentes pelas carências mais urgentes e as exigências da vida encarnada não mais existem por aqui. Passamos por muitas outras salas, onde os volumes sobre cada tema imaginável estavam à disposição de todos que quisessem estudá-los. E talvez um dos temas mais importantes é o que alguns dos espíritos mais iluminados chamam de 'ciência psíquica' – porque é ciência. Fiquei atônito diante da quantidade de literatura sob este título. Nas prateleiras estavam livros que negavam a existência do mundo espiritual, e negando a realidade do retorno espiritual. Muitos dos seus autores já tinham tido a oportunidade de rever seus próprios trabalhos – mas com sentimentos bastante diferentes! Tornaram-se, eles próprios, testemunhas vivas contra o conteúdo de seus próprios livros. Ficamos muito tocados pelas belas capas nas quais os livros foram envoltos, o material em que foram impressos e o estilo de impressão. Voltei-me para Edwin, para informar-me sobre esses pontos. Ele disse-me que a reprodução dos livros no mundo espiritual não era pelo mesmo processo como que no caso de pinturas. Eu vi por mim mesmo como a verdade tinha sido suprimida nos volumes da terra, se através de intenção deliberada ou pela ignorância dos fatos reais. No caso das pinturas, o artista desejava descrever na verdade, por assim dizer, mas não por culpa sua, não foi capaz de fazê-lo. Eles não perpetuaram a inverdade, entretanto; ao contrário, suas mentes gravaram o que era totalmente verdadeiro. O autor de um livro dicilmente o escreveria com intenções diametralmente opostas às expressas nele. Quem, então, escreve o livro de verdade em espírito? Os autores dos volumes terrenos escrevem – quando vêm ao mundo espiritual. E cam felizes por fazê-lo. Torna-se seu trabalho, e por esse trabalho poderá alcançar o progresso de sua alma. Não terá diculdades com os fatos, já que estão por aqui para que os registre, e ele os registra – mas, desta vez, a verdade! Não há necessidade de acobertar – de fato, seria inútil. Para a encadernação não há máquinas impressoras na terra? Claro que há! Então, com certeza o mundo espiritual estaria menos provido a esse respeito? Nós temos nossos métodos de impressão, mas são totalmente diferentes dos da terra. Temos nossos especialistas, que também são artistas em seu trabalho, e é trabalho que amam fazer, ou não o fariam. O método de reprodução por aqui é totalmente um processo mental, como tudo, e o autor e o

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.