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Capítulo 25 de 34
V. Posição Geográfica — parte 4 de 4
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1
O que o deixou muito impressionado quando se viu aqui não foi só a imensidão e a beleza do mundo espiritual, mas a descrição do mundo em si, em relação ao mundo terreno e, mais particularmente, em relação à vida que havia deixado para trás. Antes de qualquer coisa, viera o sentimento, quase esmagador, de ter desperdiçado sua vida na terra em itens aparentemente não essenciais, irrelevâncias, e numa grande quantidade de formulários e formalismos. Mas amigos vieram em seu socorro intelectualmente, e asseguraram-lhe que o tempo em sua aplicação pessoal não fora desperdiçado, apesar de sua vida ter sido cercado pela pompa e pelo fausto de seu cargo. Apesar de que foram parte de sua vida, pessoalmente jamais ele deixara que se tornassem um fator preponderante. Dava-lhe muito conforto esta reexão. Mas o que ele achou mais perturbador era a invalidade das doutrinas que ele forçosamente tinha mantido. Tantas delas estavam ruindo à sua volta. Mas, novamente, ele encontrou os amigos para guiá-lo. E o zeram de uma maneira simples e direta, que requeria sua mente alerta, a saber: esquecer os ensinos religiosos da vida na terra e tornar-se familiarizado com a vida espiritual e suas leis. Descartar o velho, e aceitar o novo. Então, ele fez todos os esforços para isso, e obteve sucesso. Varreu de sua mente o que não tivesse base na verdade, e fez a agradável descoberta de que, nalmente, ele estava no completo prazer de estar em liberdade espiritual absoluta. Descobriu que era muito mais fácil obedecer às leis naturais do mundo espiritual, do que obedecer aos 'mandamentos' da igreja, e que era muito agradável se livrar das formalidades de sua posição terrena. Podia, nalmente, falar livremente com sua própria voz, e não com a voz da igreja. Resumindo, disse nosso antigo superior, sua maior impressão sobre a chegada ao mundo espiritual foi o esplêndido senso de liberdade, primeiramente de mente, depois a corporal, e sentiu isso muito mais no intenso mundo espiritual, por causa da falta dela na terra. VIII. RECREAÇÕES Usei a palavra 'recreação', uma ou duas vezes, mas não dei nenhum detalhe especíco deste tema relativamente importante. A mera sugestão de que possamos ter recreação no mundo espiritual chocará, seguramente, algumas mentalidades de forma negativa. Estas mesmas mentes logo pensarão nos muitos e variados esportes e passatempos que são praticados com utilidade e de forma aproveitável no plano da terra. Transplantar-se, como foi feito, estas coisas fundamentalmente terrenas para o mundo do puro espírito é inconcebível. Inconcebível, talvez, porque toda a ideia seja forçada, ou porque o mundo espiritual é visto como um estado mais elevado. Isto é, um estado no qual devemos deixar para trás todos nossos hábitos terrenos, e viver perpetuamente numa condição de elevado êxtase, cuidando apenas daquelas coisas vagas, não-substanciais, que nossa respectiva religião nos impingiu como sendo o galardão pelo bem. Ao se sustentar tais suposições sobre esta vida é sugerir que, pelo fato real de nossa passagem ao mundo espiritual para viver, estaremos imediatamente na presença de Deus, ou pelo menos estaremos num reino onde Deus habita, e, portanto, qualquer coisa que sugira, nem que seja remotamente, os costumes e maneiras da vida da terra, deve ser rigidamente excluída por ser profana demais para ser admitida. Idéias como estas, claro, não fazem sentido, já que Deus não está mais próximo de nós no mundo espiritual, do que está do mundo terreno. Somos nós que estamos mais próximos a Ele, porque, entre outras coisas, podemos ver mais claramente as Mãos Divinas no mundo, e a expressão de Sua Inteligência. Este é, contudo, um tema muito profundo, que não está ao nosso alcance adentrar agora. Muitos de nós encontramos recreação em outra forma de trabalho. No mundo espiritual não temos fadiga, nem de corpo nem de mente, mas continuar constantemente cumprindo uma determinada ocupação, sem uma mudança intermitente, logo produziria sentimentos de insatisfação ou desassossego. Nossa capacidade de nos aplicarmos a uma tarefa determinada é imensa, mas, ao mesmo tempo, atingimos uma linha bem clara de limitação no período de nosso trabalho a respeito do todo, e não a ultrapassamos. Trocamos nossa tarefa atual por outra forma de trabalho, podemos parar de trabalhar e gastar nosso tempo descansando em casa, ou em outro lugar; podemos nos ocupar de estudos; ou nos engajar em recreações que são abundantes nestes reinos. Quando paramos de trabalhar, camos no mesmo caso em que estão os que ainda estão na terra. O que fazem vocês para se distraírem? Se vocês sentem necessidade de descanso físico, podem voltar-se para uma recreação intelectual. É precisamente assim conosco, aqui. A recreação intelectual, que pode tomar variadas formas, é amplamente oferecida nas alas de estudo, já que os estudos podem ser, por si só, uma recreação. Ruth e eu tivemos muitas horas alegres na biblioteca e no hall das artes, mas houve inúmeras ocasiões em que sentimos a necessidade de algo mais forte, fomos à praia, embarcamos num daqueles lindos veleiros e visitamos alguma daquelas ilhas. Aqui, na beira da praia, temos um dos mais encantadores de nossos esportes. Já lhe contei sobre como as nossas embarcações, no mundo espiritual, são propelidas puramente pelo processo do pensamento, e já lhe disse que requer muito pouco tempo para se car muito eciente na arte de aplicar pessoalmente esta propulsão. Esta eciência é adquirida, mas podemos testar nossos progressos e receber ajuda valiosa nas nossas tentativas ao tomarmos parte de competições aquáticas. Vamos deixar uma clara distinção entre as competições sobre a terra e as do mundo espiritual. Aqui estamos seguros, porque conhecemos, de que toda a rivalidade é puramente amigável. Jamais há ganhos, além da experiência e o de maior habilidade, e não há prêmios pelos quais brigar ou vencer. No nal de cada corrida, estamos certos da grande ajuda em nos fazer mais hábeis na capacidade de conduzir e acelerar nossos barcos. Uma diversão em particular que tem uma considerável procura é a representação dramática, de diversas modalidades. Temos lindos teatros, situados em ambientes maravilhosos, prédios dignos para propósitos dignos. Os arquitetos que os desenharam usaram o mesmo cuidado meticuloso que é demonstrado em tudo, e os resultados, como sempre, revelam o grau de ativa cooperação que existe entre os mestres dos ofícios. Os adornos interiores são o produto dos hábeis artistas do Hall das Tecelagens; os jardins exteriores têm os mesmos cuidados devotados. O resultado está longe de um teatro terreno, como se pode imaginar.
Antes que eu conte mais sobre este tema, gostaria de observar que sei que há gente na terra que desaprova totalmente os teatros e tudo o que esteja conectado a eles. Em muitas circunstâncias, tal aversão é fruto de educação religiosa. Não posso alterar a verdade, como a encontrei no mundo espiritual, para estar de acordo com certos pontos de vista religiosos mantidos por pessoas ainda encarnadas. Falo do que testemunhei em companhia de milhares de outros, e o fato de haver forte desaprovação pela população terrena, por aquilo que descrevi como sendo o existente no mundo espiritual, de forma alguma prova que tais coisas não existam e que, portanto, minhas declarações sejam falsas. Minha posição para a observação é incomparavelmente superior à deles, porque deixei o mundo e me tornei um habitante do mundo espiritual. Se nossas descrições do mundo que agora habitamos tivessem que ser alteradas para se adaptarem aos gostos individuais e a cada preconceito sobre o que deve ser o mundo espiritual, deveríamos, então, parar imediatamente de dar qualquer descrição, já que, sendo falsas, de nada valeriam. Para que não transcreva nenhuma impressão falsa ao dizer isso, deixe-me acrescentar que qualquer um que expresse desaprovação por todas, ou alguma, forma de recreação que encontra aqui, jamais será conduzido a participar de nada. Juntamente com outros de mesmos pontos de vista, formará uma comunidade à parte, para manter-se fora do contato com todas as coisas supostamente terrenas, podendo viver num lugar da forma que ele supõe seja o paraíso. Encontrei tais pessoas, e, via de regra, não leva muito tempo para que abandonem seu paraíso-feito-em-casa, e caminhem para um paraíso mais amplo, mais sutil, que é o trabalho da Mente Maior. Cada teatro deste reino nos é familiar pelo tipo de peça que apresenta. As peças, frequentemente, são bem diferentes das que vemos na terra. Não temos nada que seja sórdido, nem os autores das peças insistiriam em magoar sua audiência. Podemos ver trabalhos onde os problemas sociais da terra são tratados, mas, diferentemente de lá, são dadas as soluções aos problemas em particular – soluções que a terra é cega demais para adotar. Podemos assistir a comédias onde, asseguro-lhe, as risadas são muito mais sinceras e volumosas que as que ouvimos nos teatros da terra. No mundo espiritual podemos rir de muitas coisas que, quando encarnados, encarávamos com seriedade demais! Assistimos a grandiosas peças teatrais que mostraram os maiores momentos de uma nação, e não foram escritas baseadas nos fantásticos livros de história! Certamente, é muito impressionante e, ao mesmo tempo, uma experiência interessante estar presente a uma destas peças onde são os participantes originais que atuam novamente nos eventos dos quais participaram, em primeiro lugar pela forma com que popularmente se pensa que ocorreram, e depois da forma que realmente aconteceram. Estas representações estão entre as mais esperadas por aqui, e não há gente mais atenta e extasiada na audiência que aqueles atores que, durante a sua vida na carne, desempenharam tais papéis nos palcos, papéis das famosas personalidades que agora estão assistindo atuarem 'ao vivo'. Em peças como estas, as atitudes mais grosseiras, depravadas ou humilhantes são totalmente omitidas, pois seriam desagradáveis à audiência e, de fato, para todo o reino. Também não nos mostram cenas que sejam, dentro dos eventos principais, apenas batalhas, violência e derramamento de sangue. No começo, experimenta-se um estranho sentimento ao se observar, pessoalmente, pessoas de nomes famosos no mundo, mas, depois de um tempo, a gente se acostuma perfeitamente a isso, e torna-se parte normal de nossas existências. A diferença mais notável entre os dois mundos em matéria de recreação, é criada por nossas exigências. Aqui, nós não necessitamos de fazer exercícios corporais, vigorosos ou não, nem precisamos sair para 'tomar ar fresco'. Nossos corpos espirituais estão sempre em ótimas condições, não sofremos desarranjos de nenhuma forma, e o ar, que não podia deixar de ser fresco, penetra em cada canto de nossas casas e prédios, onde mantém a sua pureza. Seria impossível que ele se tornasse viciado ou contaminado, de forma alguma. Espera-se, então, que nossas recreações sejam mais baseadas no plano mental que no 'físico'. Como a maioria dos jogos externos do mundo envolve o uso de bola, seria de se esperar que aqui, onde a lei da gravidade opera sob condições diferentes das suas, nada deste tipo onde se lança bolas através de impulso tenha os mesmos resultados. Agora estou falando de jogos de tipo competitivo. No plano terrestre, a habilidade nos jogos é adquirida pelo domínio da mente sobre os músculos do corpo, quando a mente tenha condições saudáveis. Mas aqui estamos sempre em condições saudáveis, e nossos músculos estão sempre sob absoluto e completo controle mental. Adquirimos eciência rapidamente, seja tocando algum instrumento musical, seja buscando aptidão de qualquer forma que requeira o uso dos membros. Logo se vê, portanto, que aqui os jogos mais usuais perderiam seu posto. Deve-se lembrar que, por aqui, estar em recintos fechados e ao ar livre são precisamente a mesma coisa. Não temos as mudanças de clima que acontecem no decorrer das estações. O grande sol central está sempre brilhando; nunca muda, o tempo está sempre deliciosamente agradável. Nunca sentimos necessidade de uma caminhada vigorosa para nosso sangue circular melhor. Nossas casas e nossos lares não são necessidades, mas acréscimos para a nossa vida já agradável. Por aqui você encontrará pessoas que não têm uma casa; elas não querem ter uma, pois o sol sempre brilha e a temperatura é perpetuamente agradável. Nunca estão doentes, ou com fome, ou precisando de alguma coisa, e o reino por inteiro é deles, para se passear nele. Deve-se relembrar que os pontos de vista mudam bastante quando chegamos aqui para morar. Aquilo que julgávamos muito importante quando estávamos encarnados, vemos que não é tão importante quando chegamos no mundo espiritual. E muitos dos antigos esportes terrenos parecem bastante superados e triviais diante de nossos poderes avivados no mundo espiritual. O fato de podermos nos mover instantaneamente através do espaço é suciente para fazer a maior habilidade atlética da terra reduzida à insignicância, e nossos esportes e jogos mundanos estão no mesmo caso. Nossas recreações são mais mentais, e nunca sentimos que devemos despender uma energia física em alguma ação ativa, já que nossa energia sempre está num nível constante, de acordo com nossos requisitos individuais. Vemos que temos tanto para aprender, e aprender é, por si só, tão agradável, que não precisamos de um certo número de recreações, ou de variações delas, como vocês. Temos tanta música para ouvir, tantos prodígios nestes planos sobre os quais queremos conhecer tudo, há tanto trabalho apropriado para ser feito, que não há razão para deixar tudo de lado por existirem alguns dos esportes terrenos ou passatempos no mundo espiritual. Há uma superabundante oferta das mais variadas coisas para serem vistas e feitas aqui que, comparandose com elas, grande parte das recreações terrenas parecem triviais por completo.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.