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Capítulo 33 de 34

Xii. Pessoas Famosas — parte 4 de 5

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

A terra é linda, a vida sobre ela poderia ser linda também, mas o homem pisa nela e se coloca contra. O mundo espiritual é muitíssimo mais belo, mais belo do que a mente do homem encarnado poderia talvez imaginar. Tentei mostrar a você apenas um relance ou dois dele. Mas seu mundo parece-nos bastante escuro, e nós tentamos bastante trazer um pouco de luz a ele. Tentamos fazer com que saibam de nós, que sintam nossa inuência. Nossa inuência é grande, mas deve aumentar mais ainda, além do âmbito atual. Quando nós e nosso mundo formos aceitos completamente, vocês, então, saberão o que signica viver no plano terrestre. Mas temos um longo, longo caminho a percorrer ainda. XV. OS REINOS MAIS ELEVADOS Eu falei a você, em inúmeras ocasiões, sobre as esferas mais elevadas. Há dois caminhos, e apenas dois, de se penetrar nestes estados superiores. O primeiro é através de nosso próprio desenvolvimento e progresso; o segundo é por convite especial de algum habitante destas regiões. Qualquer outra forma nos é barrada por barreiras invisíveis de impenetrabilidade espiritual. Eu gostaria de contar a você sobre um convite especial que recebemos para visitar aqueles reinos superiores. Estávamos sentados em uma das salas inferiores de minha casa, de onde todas as belezas exteriores podiam ser admiradas com perfeição. Além de uma grande distância, podia ser vista a cidade lá longe tão claramente como se estivesse perto, a uma pequena distância. Edwin e eu estávamos conversando, enquanto Ruth estava sentada ao piano, tocando uma música agradável que parecia mesclar-se harmoniosamente, não só como nossa conversa, mas com todo o nosso colorido ambiente. Ruth não tinha se recuperado de sua surpresa inicial de ter recebido um piano em sua casa. Ela tinha sido concertista em sua vida terrena, e já nos tinha contado sobre o excitante momento, quando se sentou diante de seu 'instrumento espiritual', como ela o chamava, e ouviu o primeiro acorde. Ela disse que não sabia o que ia acontecer, nem como descrever o som que seu toque emitiu! Ficou simplesmente encantada com o resultado de sua simples ação, pois o som de seu 'piano espiritual' era algo que jamais imaginara possível, porque estava anado perfeitamente e era de uma sonoridade de alta qualidade. Sua surpresa não terminara ainda. Ela percebeu que sua destreza aumentara cem vezes ao deixar o corpo material, e que havia levado toda sua técnica para o mundo espiritual. Depois descobriu que suas mãos, quando estava ao instrumento, apenas ondulavam sobre as teclas sem esforço consciente, e que sua memória trazia a música como se estivesse diante dela. Na ocasião presente, ela estava enchendo o ar com sons doces, ajudando-nos em nosso descanso e recreação, pois tínhamos acabado de completar uma tarefa particularmente complexa durante o curso de nosso trabalho atual. Nós três trabalhamos juntos – ainda fazemos isso – e normalmente descansamos e nos divertimos juntos. De fato, Edwin e Ruth gastam mais de seu tempo em minha casa do que nas casas deles! Falando de mim, não queria que fosse diferente. De repente, Ruth parou de tocar e correu para a porta. Imaginando o que poderia ser que causara tão abrupta interrupção, Edwin e eu fomos até ela. Ficamos muito surpresos ao vermos, andando pelo gramado, duas guras brilhantes, de quem já z menção anteriormente. Um deles era o Egípcio que me proporcionara tanta advertência benéca quando eu tinha acabado de chegar aos planos espirituais, e que, desde então, demonstrava um interesse bondoso em meu bem estar. O outro era seu 'mestre', que tinha acompanhado o grande visitante celestial naquela ocasião, no templo na cidade. O mestre do Egípcio era um homem de cabelos muito negros e, combinando com esta cor, um par de olhos que transmitia o grande senso de humor e alegria. Depois eu soube que nosso visitante era um Caldeu. Adiantamo-nos para cumprimentar nossos dois visitantes, e eles expressaram seu prazer em terem vindo até nós. Conversamos alegremente sobre vários assuntos, e Ruth foi persuadida a concluir a música que estava tocando quando eles chegaram. Ao nal, comentaram que apreciavam seu talento, e então o Caldeu abordou o tema pelo qual tinham nos visitado. Ele veio, disse ele, com um convite da grande alma por quem nos reuníramos para reverenciar naquele memorável dia no templo, para que nós o visitássemos em sua casa no plano elevado em que reside. Nós três camos silenciosos por um momento. Ruth e eu não soubemos exatamente o que dizer, além de expressar que sentíamos o privilégio que estava contido em tal convite. Edwin, entretanto, veio em nosso socorro e atuou como nosso porta-voz. O Caldeu cou muito divertido com o nosso embaraço e apressou-se em nos assegurar que não havia nada para temermos em tal encontro. Devíamos ver que isto seria impossível. Penso que o que mais nos perturbava, ou, pelo menos, nos confundia, seria a razão pela qual fomos convidados para tal visita, e como iríamos até lá. De fato, não tínhamos a menor noção de onde seria 'lá'. Quanto a nossa primeira pergunta, o Caldeu disse que saberíamos quando chegássemos em nosso destino. Quanto a como chegar ao nosso destino, o por quê, isto era o que ele e seu muito querido amigo, o Egípcio, vieram fazer. Tentamos explicar nossos sentimentos, mas não conseguimos; pelo menos, foi o que senti pela minha tentativa. Penso que Edwin e Ruth foram mais felizes que eu, apesar de que o Caldeu nos ajudava com a sua franqueza e seu acurado senso de humor. Eu realmente creio que o Caldeu é a alma mais alegre em todo o mundo espiritual. Eu menciono isto especicamente, porque parece haver uma ideia nas mentes de alguns que, quanto mais elevado seja o grau hierárquico, mais sérios devem ser os espíritos. Esta noção é totalmente falsa. O reverso é que é verdadeiro. A alegria franca que vem verdadeiramente do coração, que não fere ninguém e não é dirigida em detrimento de ninguém, mas que é emanada no sentido de fazer com que outros quem felizes, esta alegria é bem vinda e encorajada no mundo espiritual. Não há uma inscrição “Abandonai todos os sorrisos, vós que aqui adentrais”! escrita nos portais destes reinos. A sugestão que quanto maior na espiritualidade, mais severo deve parecer é, acima de tudo, uma noção horrível, e lembra muito os santarrões de algumas castas de religiosos terrenos. Sabemos como e quando rir, e assim fazemos. Não apreciamos semblantes tristes com nenhuma contrição por trás. Por isso, quando digo que nosso distinto antrião, o Caldeu, elevou nossas mentes com seu júbilo – e foi bem competentemente assistido, diria que ajudado e auxiliado pelo gentil Egípcio – você deve saber que ele não perdeu nada de sua grande dignidade e pompa de seu alto grau hierárquico. E que não se pense que rimos por tudo o que dizia, já que ele falou pouco. Não moramos num plano de fazer-crer; rimos porque a vontade era genuína. Não era a risada espúria dos que dependem de outros de posição superior.

Edwin perguntou quando faríamos a jornada. O Caldeu respondeu que ele e seu bom amigo Egípcio vieram para nos levar com eles agora. Eu estava tranquilo – todos estávamos – por não saber do procedimento real para se fazer tal jornada, mas o Caldeu logo tomou as rédeas para o processo de nos conduzir. E ele nos liderou em direção ao limite de nosso reino. Enquanto andamos através de bosques e campos, perguntei ao Egípcio se ele poderia me dizer alguma coisa sobre o grande ser que iríamos visitar. Ele me contou pouco, apesar de eu saber que ele conhecia muito mais do que revelou! Com certeza, eu não entenderia se ele contasse tudo o que sabia, por isso ele, com sua sabedoria, reteve informações. Eis, então, o que ele me contou. A personagem ilustre, para cuja residência estamos nos dirigindo, era conhecido de vista de todos os habitantes dos reinos de luz. Sua vontade era sempre um comando, e sua palavra, lei. O azul, branco e dourado de sua roupagem, evidente em enormes proporções, revelavam o estupendo grau de sua sabedoria, espiritualidade e conhecimento. Havia milhares que O chamavam de 'meu amado Mestre', o diretor de quem o Caldeu era Seu braço direito. Quanto a esta função especial, ele era o governante de todos os reinos do mundo espiritual, e exercia coletivamente esta função que o governante particular de um reino exerce individualmente. Todos os governantes, portanto, eram de sua responsabilidade, e ele unia os reinos e fundia-os em um só, fazendo-os um vasto universo, criado e sustentado pelo Grande Pai de tudo. Tentar denir a imensa magnitude de seus poderes no mundo espiritual seria buscar o impossível. Mesmo se fosse possível, o entendimento falharia. Tais poderes não têm contrapartida, nem comparação, com nenhum poder administrativo no plano terreno. As mentes terrestres podem apenas evocar estes dirigentes que governaram grandes reinos na terra, que mandaram em vastos territórios; isto pode ser mas se zeram temidos, e os que viveram submetidos por eles foram seus servos e escravos. Nenhum rei da terra durante toda a narrativa da história do mundo jamais presidiu um estado tão vasto quanto este que é presidido por este ilustre personagem de quem estou falando. E seu reino é governado pela grande lei universal da verdadeira afeição. O medo não existe, nem pode existir, nem na menor fração innitesimal, porque não há, nem pode haver, a menor causa para isto. Nem jamais haverá. Ele é a grande ligação visível entre o Pai, o Criador do Universo, e Seus lhos. Mas, não obstante a suprema elevação de sua posição espiritual, ele desce de sua residência celestial para nos visitar aqui nestes reinos que eu tentei descrever a você em ocasiões anteriores. E é permitido a outros, de grau incomparavelmente menor, visitá-lo em Sua própria casa. Não há nada não substancial, vago ou irreal neste ser real. Nós já o vimos naqueles dias de grandes festividades que temos no mundo espiritual. Ele não é uma 'experiência espiritual', alguma grande elevação da alma produzida no nosso interior por meio de alguma fonte invisível. Ele é uma pessoa real, de realidade tão vívida quanto nós mesmos – e nós somos mais reais que vocês do plano terrestre, apesar de que vocês não estejam tão cônscios disto ainda! Estou colocando a você desta forma rude para que não haja engano a respeito do que tento contar. Há noções erradas de que os seres dos mais altos planos são tão etéreos que são praticamente invisíveis, exceto por outros do mesmo grau, e que são absolutamente e completamente inatingíveis; que nenhum mortal de grau inferior poderia nem ao menos vê-los e sobreviver. É comum se dizer que estes seres são tão imensuravelmente elevados que o resto de nós levará eras para que nos seja permitido colocarmos nossos olhos sobre eles, mesmo que de uma grande distância. Isto é completamente sem sentido. Muitas almas destes reinos conversaram com algum destes grandes espíritos, e caram totalmente ignorantes do fato. Todos nós temos certos poderes que são aumentados quando passamos de uma esfera para outra, em nossos passos progressivos do nosso desenvolvimento espiritual. E um dos principais destes poderes é o de nos ajustarmos, de sintonizarmos a nós mesmos de acordo com o lugar onde estamos. Não há nada mágico nisso, é altamente técnico – bastante longe da maioria dos mistérios cientícos do mundo terreno. No mundo espiritual chamamos isto de equalização de nosso alcance vibracional, mas temo que vocês ainda não entendam – e não compete a mim tentar explicar! O Egípcio me forneceu estes pequenos detalhes, e eu suplementei com meu próprio conhecimento que é, de fato, bem pequeno. Enquanto isso, divaguei um pouquinho. Agora estávamos perto da casa de Edwin, e estávamos passando rapidamente de nosso reino para outro de atmosfera mais rarefeita. Num curto espaço de tempo, estaria nos causando algum desconforto progredirmos. Instintivamente paramos nossa caminhada, e sentimos que o momento crucial de nossa caminhada chegara. Era exatamente como o Caldeu havia dito: não tínhamos nada a temer. O procedimento era perfeitamente normal e acima de sensações. Antes de tudo, ele veio por trás de nós e impôs suas mãos sobre nossas cabeças por um breve momento. Isto, disse-nos, era para nos dar um poder extra para mover-nos no espaço. Sentimos um formigamento sob suas mãos que era muito agradável e divertido, e sentimos que estávamos cando mais leves, apesar de que dicilmente acharíamos que seria possível. Podíamos também sentir um calor gostoso percorrendo. Este era meramente o efeito do poder, nada por si mesmo. O Caldeu colocou Ruth entre Edwin e eu, e então cou bem atrás dela. Colocou sua mão esquerda no ombro de Edwin e sua mão direita sobre o meu e, como estava usando um manto – que percebemos ser ricamente bordado –, ele formava um perfeito abrigo cobrindo nós três. Não se deve pensar que um silêncio dignicante caiu, ou que foi imposto, entre nós durante estas preliminares. Ao contrário, o Caldeu e o Egípcio, de fato, todos os cinco estivemos conversando alegremente, eles contribuindo na maior parte de nossa felicidade. Não estávamos embarcando em uma peregrinação melancólica. Longe disto. É verdade que estávamos sendo levados a distantes reinos, longe de nossas habitações habituais, mas não havia razão para uma solenidade pesada nem para assumirmos uma intensa seriedade que não sentíamos. O Caldeu fez com que se dispersasse qualquer destas emoções de nossa parte. Esta visita, disse, com efeito, era para ser gloriosamente alegre. Que mostrássemos rostos felizes, então, e corações iluminados. Não há lugar para a tristeza nos altos planos, como nos nossos. Esperavam que exibíssemos, disse ele, rostos alegres que fossem um reexo de nossos sentimentos íntimos. Mas seria impossível não ser jovial na presença do Caldeu e seu companheiro. E estou certo de que creditamos a eles toda a sua assiduidade ao nosso lado, pois penso que nós demos a outros de nossa alegria espiritual intrínseca. O Caldeu nos disse que ao impor suas mãos sobre nossas cabeças teria o efeito de, além de aumentar o poder para viajarmos, ajustar também nossa visão para uma intensidade extra de luz que encontraríamos no reino superior. Sem esta compensação, nós nos veríamos em angústia considerável. Neste ajuste, nossa visão não foi diminuída

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.