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Capítulo 17 de 34

X. Uma Visitação

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

Nosso antrião disse-nos que o poder do pensamento é quase ilimitado no mundo espiritual, e quanto maior o poder de qualquer esforço de concentração do pensamento, maiores serão os resultados. Nosso meio de locomoção pessoal aqui é pelo pensamento, e podemos aplicar os mesmos meios naquilo que a terra chama de 'objetos inanimados'. Claro, nada no mundo espiritual é inanimado, e, por causa disso então, nossos pensamentos podem exercer inuência direta sobre as incontáveis coisas dos quais o mundo espiritual é composto. Barcos devem utuar e mover sobre as águas; são animados pelas forças vivas que animam a tudo por aqui, e se queremos que se movam sobre as águas, temos apenas que focar nossos pensamentos naquela direção e com aquela intenção, e nossos pensamentos produzem o resultado desejado do movimento. Poderíamos, se quiséssemos, chamar nossos amigos cientistas para que nos providenciassem uma maquinaria esplêndida para suprir o poder motor, e eles cariam encantados em nos atender. Mas teríamos que focar nossos pensamentos na maquinaria para fazê-la gerar a força necessária para andar. Por que, então, dar toda esta volta para produzir o mesmo resultado, quando podemos conseguir diretamente e com a mesma eciência? Mas não se deve concluir que alguém possa mover um barco através da água meramente pensando que ele vai fazer isso. Requer, como tantas coisas, o conhecimento necessário, sua aplicação em linhas bem ordenadas, e prática naquela arte. Uma aptidão natural ajuda muito nestes assuntos, e nosso antrião contou-nos que ganhou prática em muito pouco tempo. Uma vez que se atinja a habilidade, ela traz, conforme ele disse, um sentimento de satisfação pelo poder aplicado corretamente, e não somente o poder, mas o poder do pensamento, de uma forma que talvez não seja possível em algumas outras formas. Perfeito como o nosso movimentar através dos reinos, também o movimento de um objeto tão grande, simples e facilmente, aumenta a maravilha de toda a vida espiritual. Nosso antrião explicou que este era apenas o seu ponto de vista, mas não deveria ser tomado como axioma. Seu entusiasmo aumentava com o seu entusiasmo pela água e pelo amor aos barcos. Percebemos que ele guiava o barco da maneira usual, com o leme operado pela direção, no tombadilho. Isto, disse, era porque achava o suciente trabalhar para prover o movimento do barco. Entretanto, se desejasse, poderia combinar as duas ações em apenas uma. Mas ele preferia usar o velho método de pilotar com as mãos, já que dava trabalho físico também, o que era, por si só, um prazer. Uma vez iniciado o movimento do barco, ele podia esquecer isso até que desejasse parar. O mero desejo de parar, rápida ou gradualmente, fazia a embarcação car imóvel. Não havia medo de acidente! Eles não existem – não podem existir – nestes reinos. Durante todo o tempo em que nosso antrião estava explicando estes detalhes a Ruth e a mim, Edwin cara conversando com a esposa dele – nossa velocidade havia aumentado e estamos indo em direção a uma das ilhas. O iate estava viajando através do mar no movimento mais perfeito e rme. Não havia vibração, naturalmente, da maquinaria, mas o verdadeiro movimento através das águas podia ser perceptivelmente sentido, enquanto os sons das pequenas ondas sendo cortadas formavam as mais lindas notas musicais e harmonias, assim como as muitas cores da água mudavam de tonalidade e matizes. Observamos que, ao passarmos, a água rapidamente voltava à sua forma original, não deixando sinal de termos passado por ela. Nosso antrião guiava a embarcação habilmente e, pelo aumento ou diminuição da velocidade, ele podia criar, pelo grau diferente do movimento das águas, as mais notáveis mudanças de cor e sons musicais, cintilações brilhantes do mar mostrando o quão vivo ele é. Correspondia ao menor movimento do barco, como se estivessem em completa união – e de fato estavam. Ruth cou completamente estática em seu deleite, e correu para a esposa de nosso antrião em completo prazer pela nova experiência. Ela, que apreciara muito os sentimentos da nossa jovem amiga, estava também entusiasmada. Apesar de não ser novidade, no sentido de ser a primeira experiência, ela disse que jamais deixara de se encantar, mesmo tendo se tornado familiarizada com sua casa-barco, com a gloriosa distribuição que provê tais belezas e prazeres aos habitantes das localidades espirituais. Agora já estávamos nos aproximando da ilha o suciente para vermos bastante bem, e o barco fez a curva e seguiu a linha da costa. Depois de continuar neste percurso por um tempo, navegamos a uma pequena baía que formava pitorescamente um porto natural. A ilha certamente excedeu nossas expectativas pela beleza de seu cenário. Não havia muitos habitantes nela, as casas que víamos eram mais casas de verão que de outro tipo. Mas o que chamou à atenção era o número de árvores, nenhuma delas muito alta, mas todas vigorosamente desenvolvidas. Nos galhos podíamos ver grupos de lindos pássaros, cuja plumagem apresentava cores em profusão. Alguns dos pássaros estavam nos sobrevoando, outros – a maior variedade – estavam andando majestaticamente pelo chão. Mas todos eles não tinham medo de nós. Andaram conosco, conforme passeamos, e quando levantamos nossos braços, alguns pequeninos vinham pousar em nossos dedos. Pareciam nos conhecer, saber que era impossível que algum mal lhes acontecesse. Não precisavam fazer buscas constantes de comida, nem exercitar uma vigilância constante contra os que, na terra, seriam seus inimigos. Eram, como nós, partes do eterno mundo espiritual, gozando, como nós a nossa, suas vidas eternas. Sua existência era apenas outra coisa,dentre milhares que nos são dadas para nosso prazer. Os pássaros que tinham a plumagem mais colorida eram, evidentemente, das espécies que vivem nas partes tropicais do plano da terra, e que nunca são vistos pelo olho humano até que ele venha ao mundo espiritual. Pela perfeita adaptação à temperatura, podiam viver com conforto entre os de aparência menos espetacular. Todo o tempo estiveram cantando e chilreando numa sinfonia de sons. Não era cansativo, apesar da intensidade do som emitido, porque os extraordinários tipos de tonalidades mesclavam-se uns aos outros. Nem o som era agudo, apesar do canto dos menores serem mais altos. Mas o que deliciava era a sua fraterna conança em nós, em comparação com os pássaros da terra, cuja vida lá os leva a viver em outro mundo. Aqui somos parte do mesmo mundo livre, e o entendimento entre os pássaros e nós era recíproco. Quando falamos a eles, parece-nos que eles entendem o que queremos dizer, e da mesma forma, parece que sabemos o que dizem seus pensamentos. Chamar algum pássaro em particular signica que aquele pássaro entende, e ele vem até nós. Nossos amigos, claro, já haviam visto tudo isto antes, mas para Ruth e para mim era novo e uma experiência maravilhosa. Ocorreu-me o pensamento de que se eu tivesse pensado bem no tema, e talvez tivesse usado um pouco mais minha inteligência, teria sabido que veríamos algo assim. Por que teria, perguntei-me, o Grande Pai do Céu criado todos os lindos pássaros somente para o plano terrestre? – e fazê-los viver em locais que são, frequentemente, inacessíveis ao homem, que quase não pode vê-los nem se alegrar com eles? E mesmo os que podem ser vistos - estarão em perigo para sempre? Seriam negadas ao distante mundo espiritual as lindas coisas que nos são dadas no mundo terreno? Aqui estava a resposta diante e em torno de nós. É da vaidade e da presunção do homem pensar que tal beleza fora criada expressamente para seu prazer apenas enquanto na terra. O homem encarnado pensa que tem o monopólio da beleza. Quando desencarna, eventualmente acorda para o fato de que jamais tinha visto quanta beleza pode haver, e ca silencioso e humilde, talvez pela primeira vez em sua vida! É uma lição salutar, o acordar em espírito, acredite, meu caro amigo – com o choque que acompanha.

O movimento perfeito de cores de todos os passarinhos que podíamos ver sobre nós era quase demais para ser visto em uma só visita. Estava além da descrição, nem ao menos esperávamos por isso. Passeavam deliciosamente pelo arvoredo, passavam o murmúrio musical dos riachos, pelas clareiras de grama aveludada, num perfeito reino de fadas da natureza. Encontramos pessoas pelo caminho, que nos cumprimentavam ou acenavam. Todos cavam alegres entre os pássaros. Contaram-nos que esta parte da ilha era destinada exclusivamente aos pássaros, e que nenhuma outra forma de vida animal se intrometia ali. Não que houvesse medo ou perigo de que algo os machucasse, porque seria impossível, mas porque cavam mais felizes com os de sua espécie. Logo voltamos ao barco e pusemo-nos ao mar novamente. Estávamos interessados em descobrir onde nosso antrião tinha adquirido sua casa utuante. Esta peça intrincada de se construir requeria especialistas, certamente, para projetá-la, e outros para construí-la. Ele nos contou que um barco é construído com as mesmas condições que as casas espirituais, ou qualquer outra edicação. Um pré-requisito seria que devemos ter merecimento para o direito de possuí-lo. Isso entendemos. O que, então, acontecia com as muitas pessoas do mundo espiritual que na terra desenhavam e construíam barcos de todos os modelos, tanto como forma de ganhar a vida, quanto por recreação?Teriam esses últimos que abandonar seu prazer, quando poderiam continuar com seu artesanato? Aqui eles têm os meios e o motivo para continuar com sua tarefa, tanto pelo trabalho quanto pela diversão. E pode ser dito que apesar de muitos construírem seus barcos pelo prazer de assim fazerem, também dão grande prazer a muitos outros que gostam do mar e de embarcações. Seu prazer torna-se seu trabalho, e seu trabalho é prazer. A tarefa de realmente construir uma embarcação é altamente técnica, e os métodos do mundo espiritual, tão diferentes dos da terra, têm que ser dominados. Apesar de que devamos ter merecimento para possuir uma no mundo espiritual, temos a ajuda dos amigos na construção real. Podemos formar em nossas mentes, quando na terra, o modelo de algo que desejamos ter – um jardim, uma casa, qualquer coisa. Será, então, um pensamento-forma, e será convertido em verdadeira substância espiritual pela ajuda de especialistas. Nosso retorno foi tão gostoso quanto a ida. Quando chegamos, nosso antrião estendeu um convite permanente para que os visitássemos a bordo sempre que quiséssemos, para termos o prazer de um passeio velejando no mar. Enquanto andávamos na areia da praia, Edwin fez-nos recordar o grande prédio no centro da cidade, dizendo-nos que muito em breve haveria a visita de um ser dos reinos mais elevados e, por isso, muita gente se reuniria no templo com a cúpula. Gostaríamos de ir com ele? Não era, de forma alguma, para se considerar um ato especíco para a adoração a este personagem que estava visitando o plano. Tais coisas, como a adoração, não requerem esforços conscientes (vêm espontaneamente do coração), mas nosso visitante traria com ele não somente sua radiação, mas também a radiação da esfera celestial à qual pertencia. Imediatamente expressamos nosso desejo de ir com ele, já que sentimos que não teríamos nos aventurado em ir até lá sozinhos, até agora só estávamos sob a guarda de Edwin. Enquanto caminhamos pela larga avenida com árvores e jardins, tomamos parte de uma grande leva de pessoas que iam na mesma direção, e obviamente para o mesmo propósito. Estranho dizer, mas, apesar de estarmos entre tanta gente, jamais sentimos, coisa comum na terra, a impressão de estar no meio de uma imensa multidão. É uma sensação extraordinária, e Ruth sentia a mesma coisa. Supusemos que sentiríamos as antigas sensações; o medo de que, no meio desta imensa assembleia, houvesse confusão a que estamos acostumados no plano da terra; os empurrões e o barulho, e sobretudo a sensação de tempo passando, quando deveríamos sentir nosso prazer acima de qualquer coisa. Ter estas ideias era bem ridículo, e Ruth e eu rimos de nós mesmos – e Edwin também – por expressarmos tais noções, ou nos atermos a elas por momentos. Sentimos – porque sabíamos – que tudo estava em perfeita ordem; que todo mundo sabia o que fazer ou para onde ir; não havia a questão de superioridade de outros sobre nós, no sentido de privilégios. Sentimos que éramos esperados pelo que daríamos de nós, e que cumprimentos pessoais de boas vindas estavam esperando por nós. Não era o suciente para banir todos os sentimentos de desconforto ou intranquilidade? Havia, além do mais, uma unidade de pensamento entre nós que não era possível na terra, mesmo entre os de mesma crença religiosa. Qual religião terrena haveria, onde todos os seus congregados sejam totalmente de mesmo pensar? Não há nenhuma. Tem sido pensamento essencial na terra que elevar agradecimentos ou reverências ao Ser Supremo deva ser um ritual complexo, com cerimônias e fórmulas, com credos e dogmas e crenças estranhas, sobre as quais há tanta diversidade de pontos de vista quantas sejam as religiões diferentes. Deve ser relembrado que já contei sobre o estabelecimento de comunidades aqui no mundo espiritual daqueles que têm a mesma religião, portanto, neste ponto, o mundo espiritual não está melhor que na terra. Quando a terra se tornar realmente iluminada, estas comunidades irão desaparecer. É a cegueira e a estupidez do mundo terreno que é a causa de estarem aqui assim. Dão-lhes tolerância, e devem exercer tolerância entre eles, ou, de outra forma, serão banidos daqui. Não devem jamais tentar inuenciar ou coagir alguém ao credo de suas doutrinas errôneas. Devem car connados estritamente entre si, mas são perfeita e absolutamente livres para praticar sua religião falsa entre eles. A verdade os espera no limiar de suas igrejas quando saem de seus lugares de reverência, não quando entram. Quando um espírito, nalmente, percebe a futilidade de sua religião particular e peculiar, rapidamente dissocia-se deles, e, em completa liberdade e plena verdade, - que não tem credos ou mandamentos clericais – eleva seus pensamentos ao Pai Celestial de uma forma que saem de sua mente livres e sem estarem afetados, tirados todos os jargões, simples e do fundo do coração. Mas temos nossos templos onde podemos receber os grandes mensageiros dos mais elevados planos, lugares próprios para receber os representantes de Deus, e onde tais mensageiros possam enviar nossos agradecimentos uníssonos e nossas petições à Grande Fonte de tudo. Não adoramos cegamente como na terra. À medida que nos aproximamos do templo, podíamos já nos sentir carregados com forças espirituais. Edwin contou-nos que acontecia sempre, por causa do poder imenso, trazido pelos visitantes de mais alto, que não se diminuíam no interior do amplo ambiente do templo. Era por esta razão que o templo cava completamente isolado, sem outros prédios em torno. Somente jardins o circundavam – um grande mar de ores, estendendo-se, pelo menos parecia, até onde os olhos podiam alcançar, mostrando aos olhos uma galáxia de cores brilhantes, em grandes grupos, como jamais contemplamos na terra. E elevando-se de tudo isso, havia os sons musicais celestiais e os perfumes dos mais delicados, sendo que o efeito sobre nós era de pura exaltação de espírito. Sentimos que fomos elevados diretamente a outro reino.

O prédio, em si, era magníco. Era imponente, grande, uma inspiração por si mesmo. Parecia ser feito do mais no cristal, mas não era transparente. Pilares maciços foram polidos até que brilhassem como sóis, enquanto cada um dos entalhes emitia suas cores brilhantes até que todo o edifício fosse um templo de luz. Nunca pensei que tais cintilações fossem possíveis, porque não só as superfícies reetiam a luz de forma extraordinária, mas também davam de sua luz própria de uma forma que podíamos sentir espiritualmente. Edwin nos levou a uns lugares que sabíamos serem os nossos – tínhamos aquele sentimento de familiaridade com eles, o mesmo que se tem com a poltrona favorita de casa. Acima de nós estava o grande domo de ouro perfeitamente trabalhado, que reetia as centenas de cores que cintilavam do resto do edifício. Mas o foco de toda a atenção estava sobre o santuário de mármore – palavra que usarei, querendo outra melhor – ao fundo do templo. Tinha uma balaustrada rasa com uma abertura central abrindo no topo de uma escadaria que leva ao chão. Podíamos ouvir os sons de música, mas não sei de onde vinham, já que não havia sinal de músicos. A música, evidentemente, vinha de uma grande orquestra – de cordas, somente – pois não havia som de outro instrumento orquestral. O santuário, que tinha dimensões bem espaçosas, estava cheio de seres de planos mais elevados, com a exceção de um espaço no centro, que pensei estar reservado para nosso visitante. Todos estávamos sentados, e conversávamos em silêncio entre nós. Logo fomos avisados da presença gura imponente de um homem com cabelos pretos, que estava sendo seguido de perto – para surpresa minha – pelo bondoso Egípcio com quem nos encontramos na casa de Edwin nos limites de nosso reino. Aos que já haviam testemunhado tais visitações, a chegada deles era a indicação da chegada do alto personagem, e nós nos pusemos de pé, como todos. Então, diante de nossos olhos, ali apareceu primeiramente uma luz, que pode ser descrita como ofuscante, mas, conforme nos concentramos nossas vistas nela, imediatamente nos sintonizamos a ela, e não mais sentimos sensação de desconforto. De fato – como descobri mais tarde – era realmente a luz que se sintonizava a nós; poder-se-ia dizer que abaixou a sintonia até nós, de acordo com nosso reino. Tomou o matiz dourado nas extremidades, gradualmente brilhando mais no centro. E no centro, lentamente, tomou forma o nosso visitante. Adensou-se para que pudéssemos vê-lo, um homem de aparência jovem – juventude espiritual – mas soubemos que trazia em si um grau inimaginável dos três atributos amplos de Sabedoria, Conhecimento e Pureza. Seu semblante brilhava com uma beleza transcendental; seus cabelos eram dourados, em torno de sua cabeça havia um diadema brilhante. Suas vestimentas eram da melhor qualidade, consistindo de um manto banco puro, nas bordas uma faixa dourada, de seus ombros descia uma capa do azul celeste mais profundo, preso em seu peito por uma grande pérola rosada. Seus movimentos eram majestáticos quando levantava seus braços e enviava suas bênçãos sobre nós. Ficamos em pé e silenciosos enquanto nossos pensamentos iam até Ele, Que nos enviou alguém tão glorioso. Agradecemos e zemos nossos pedidos. Quanto a mim, tinha um benefício a pedir, e pedi por ele. Não me é possível transcrever a vocês uma fração da exaltação de espírito que senti durante a presença, apesar de distante, deste convidado celestial. Mas sei que não poderia car naquele templo, durante o tempo em que ele esteve lá, sem ter a mais esmagadora consciência de que estava abaixo, muito, muito abaixo na escala espiritual de evolução e progresso. E sabia que ele enviava para mim, assim como a todos, pensamentos de encorajamento, esperança, de bondade do mais alto grau, que me zeram sentir que não deveria jamais me desesperar para atingir o reino espiritual mais elevado, e que havia trabalhos bons e úteis para eu cumprir a serviço do homem, e, ao cumprilos, teria diante de mim todos os reinos – como estão diante de cada espírito que trabalha a serviço da humanidade. Com uma benção nal sobre nós, este resplandecente e verdadeiramente régio ser sumiu de nossa visão. Ficamos sentados por instantes, e gradualmente o templo começou a se esvaziar. Não tinha vontade de me mover, e Edwin disse-nos que podíamos car o quanto quiséssemos. O prédio estava, portanto, praticamente vazio quando vi a gura do Egípcio se aproximando de nós. Cumprimentou-nos calorosamente, e perguntou-me se poderia seguir com ele, pois queria apresentar-me ao seu 'mestre'. Agradeci por seu grande interesse por mim, e qual não foi o meu espanto quando ele me levou à presença do homem com quem tinha entrado no santuário. Eu só tinha podido vê-lo do meu lugar, mas de perto podia ver que um par de olhos reluzentes combinava com seu cabelo revolto, mais pronunciado pela leve palidez de seu tipo. As cores de suas vestimentas eram azul, branco e dourado, e, apesar de serem de alta categoria, não tinham a intensidade das roupagens do visitante principal. Tive a impressão de estar na presença de um sábio – o que, realmente, ele era – e de um homem de grande senso de alegria e humor (devo sempre relembrar que alegria e humor não são, nem serão, prerrogativa única dos habitantes da terra, apesar de que gostam de proclamar ser monopólio deles, e possam gostar de negar nossa alegria tão espontânea. Continuaremos a rir, apesar de suas desaprovações). O bondoso Egípcio apresentou-me a seu mestre, e este me levou pela mão e sorria para mim de maneira a tirar, por completo, qualquer sentimento de acanhamento que eu tivesse. De fato, ele simplesmente emanou de si segurança, deixando-me completamente à vontade. Qualquer um, sem desrespeito, poderia chamá-lo de antrião perfeito. Quando falou comigo, seu tom de voz era maravilhosamente modulado, de tom suave, e, portanto, muito bondoso. Suas palavras enchiam-me de alegria, já que me deixavam maravilhado: 'Meu amado mestre', disse ele, 'a quem você acabou de ver, pediu-me para dizer a você que sua prece foi ouvida, e que realizará seu desejo. Não tema, porque as promessas que aqui são feitas, são sempre cumpridas. ' E então ele me disse que eu deveria esperar por um período antes do cumprimento, porque era necessário que uma cadeia de eventos acontecesse antes das circunstâncias certas surgirem, nas quais meus desejos dariam seus frutos. O tempo passaria rápido, ele disse, e eu podia, enquanto isso, continuar no meu trabalho com meus amigos. Se, em qualquer momento, precisasse de conselhos, meu bom amigo Edwin chamaria o amigo Egípcio, cuja guia estaria sempre a meu serviço. Então, deu-me sua bênção e vi-me sozinho. Sozinho com meus pensamentos e com minha memória rme, e a fragrância celestial dos nossos visitantes maravilhosos. Juntei-me a Edwin e Ruth, e contei-lhes minha alegria. Ambos caram felizes com minhas novidades boas, que vieram de fonte tão elevada. Sentia agora que gostaria de voltar para minha casa, e pedi a Edwin e a Ruth que me acompanhassem. Voltamos para lá, e fomos diretamente para minha biblioteca. Em uma das prateleiras estava um livro em particular, escrito por mim mesmo no plano terreno, e o qual desejava jamais ter escrito. Tirei o livro que estava ao lado dele, deixando o espaço desocupado. De acordo com minha prece respondida, eu preencheria o espaço com outro livro, escrito depois que vim ao mundo espiritual, o produto de minha mente quando vi a verdade. Dando-nos as mãos, nós três andamos para o jardim – para o sol celeste da eternidade.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.