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Capítulo 5 de 34

Ii. Passagem Para A Vida Espiritual — parte 3 de 6

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

Para a terra, a voz viva se foi. E apesar de que estejamos ainda bastante vivos – tanto para nós quanto para os demais daqui – para as pessoas da terra tornamo-nos memórias, algumas vezes permanentes, mais frequentemente memórias que rapidamente se vão, deixando meros nomes para trás. Além disso, sabemos que estamos muito mais vivos do que jamais estivemos; a maioria das pessoas da terra vai considerar que nós nunca estivemos mais 'mortos'! 'Vão mandar, então, que providencie uma grande quantidade de identicações. É apropriado em tais circunstâncias; as providências não são levadas ao extremo, como geralmente acontece. Após preencher esta condição, o que virá em seguida? Você desejará convencer que está vivo e bem. Se as pessoas com quem estiver se comunicando forem meros conhecedores, não colocarão nenhuma dúvida sobre suas colocações. Mas se quiser expandir ao mundo em geral tais novidades através dos canais usuais, aqueles que acreditarem que é realmente você quem fala, serão aqueles que já conhecem e praticam a comunicabilidade com o mundo espiritual. E o resto, quem acreditará que é você? Ninguém, - certamente nenhum dos seus leitores anteriores. Dirão que não pode ser você, mas um 'demônio' usando sua personalidade. Outros, provavelmente, nem vão tomar conhecimento. Haverá, claro, um número que imaginará que, por causa de sua passagem para o mundo espiritual, você cou dotado da inteligência mais profunda, e tudo o que disser serão declarações infalíveis. Perceba algumas das diculdades com as quais se confrontará neste simples caso de dizer a verdade aos que ainda estão sentados na escuridão do mundo na terra'. Meu previdente amigo deixou-me bem aito, mas estudei as diculdades extremas, e fui persuadido a largar o projeto para a hora certa. Consultaríamos outros, mais sábios que nós, e talvez algum rumo pudesse ser delineado, por onde eu conseguisse alcançar meu desejo. Eu precisaria entender que com a passagem do tempo – falando no sentido da terra - meus desejos mudariam. Não havia necessidade de me angustiar. Havia muito o que ver e fazer, e muita experiência a ser adquirida que me seria inestimável se, anal, resolvesse tentar e assumir minhas intenções. Seu melhor conselho foi que eu deveria ter um descanso profundo, durante o qual ele me deixaria. Ainda, quando eu estivesse bem descansado, que eu pensasse nele, e ele receberia o pensamento e rapidamente voltaria. Assim, deitando-me confortavelmente no sofá, mergulhei num confortável estado de sonolência, no qual estive completamente consciente do meu entorno, mas ao mesmo tempo podia sentir uir uma nova energia que passava por todo o meu ser. Pude sentir transformar-me no que era, mais leve, com os últimos traços das antigas condições da terra sendo para sempre eliminados. Por quanto tempo estive neste estado agradável não tenho ideia, mas levemente cochilei e acordei num estado de saúde que no mundo espiritual é perfeito. Logo lembrei do pedido de meu amigo e enviei meu pensamento a ele. No espaço de alguns segundos do tempo terrestre, ele entrava pela porta. Sua resposta foi tão desconcertantemente rápida que minha surpresa o fez gargalhar alegremente. Ele me explicou que na realidade era muito simples. O mundo espiritual é um mundo de pensamento; pensar é agir, e o pensamento é instantâneo. Se pensarmos estar em algum lugar, viajaremos com a velocidade do pensamento, e isso é tão perto do instantâneo quanto é possível imaginar. Eu descobri que esse era o meio comum de transporte, e que deveria logo poder usá-lo. Meu amigo logo percebeu a mudança em mim, e cumprimentou-me por recuperar meu total vigor. É impossível transmitir, mesmo que em parte, este primoroso sentimento de suprema vitalidade e bem estar. Quando vivemos no plano terrestre, constantemente somos lembrados de nossos corpos físicos em maneiras variadas – pelo frio ou calor, pelo desconforto, pela fadiga, pelas pequenas dores, e por outras incontáveis formas. Aqui não trabalhamos com tais inaptidões. Mas com isso não quero dizer que somos troncos insensíveis, refratários às inuências externas, mas que nossas percepções são mentais, e que o corpo espiritual é impermeável a qualquer coisa que seja destrutiva. Sentimos através de nossas mentes, não através de qualquer órgão físico dos sentidos, e nossas mentes são diretamente sensíveis ao pensamento. Se devemos sentir frio em alguma circunstância denida e particular, teremos tal sensação com nossas mentes, e nosso corpo espiritual não sofrerá. Não nos lembramos dele continuadamente. Do reino de onde agora estou me reportando, tudo está exatamente sintonizado aos seus habitantes – sua temperatura, a paisagem, suas diversas moradas, as águas dos rios e riachos, e, o mais importante de tudo, os habitantes entre si. Não há, portanto, nada que possivelmente criasse qualquer infelicidade, desprazer ou desconforto. Podemos esquecer completamente nossos corpos e permitir que nossas mentes uam livres, e através de nossas mentes podemos apreciar os milhares de delícias que as mesmas mentes nos ajudaram a construir. Às vezes nos sentimos entristecidos, -e às vezes nos divertimos-, por aqueles que, estando ainda na terra, ridicularizam, desprezam e desdenham nossas descrições dos planos espirituais. O que sabem estas pobres mentes? Nada! E pelo quê estas mesmas mentes substituiriam as realidades do mundo espiritual? Não sabem. Tirariam de nós estas belas regiões, nossas ores e árvores, nossos rios e lagos, nossas casas, nossos amigos, nosso trabalho, e nossos prazeres e recreações. Para quê? Que concepção podem fazer estas mentes embrutecidas sobre um mundo espiritual? Por suas armações estúpidas, nenhuma. Por eles, seríamos apenas fantasmas sem substância, sem inteligência, meramente sobrevivendo num estado nebuloso, obscuro, vaporoso, em desserviço a tudo que seja humano. Em minha saúde perfeita e completa vitalidade, e vivendo entre as belezas deste mundo de realidade absoluta – do qual apenas pude transmitir uma pálida sugestão – estou muito impressionado pela magnitude da ignorância demonstrada por certas mentes da terra. Chegou o tempo, senti, em que quis conhecer mais desta região maravilhosa e, por isso, em companhia de meu amigo, iniciamos o que era, para mim, uma viagem de descobertas. Todos vocês que na terra já viajaram para ver novas paisagens entenderão como me senti na partida. Para que tivéssemos uma visão mais ampla, fomos a um plano mais elevado, de onde se descortinava um lindo panorama diante dos olhos. À nossa frente, os campos se estendiam a regiões aparentemente sem m. Em outra direção, eu podia perceber claramente o que parecia ser uma cidade de construções imponentes, pois deve ser lembrado que nem todas as pessoas daqui têm gostos iguais, e que, como na terra, muitos preferem a cidade ao campo, e vice-versa, enquanto outros também apreciam ambos. Fiquei profundamente interessado em ver de que tipo de cidade seria. Parecia bem simples visualizar o campo aqui, mas as cidades pareciam ser essencialmente o trabalho do homem no mundo material. Por outro lado, não podia atinar uma razão lógica para que o mundo espiritual não pudesse ter erguido suas cidades. Meu companheiro se deliciava com meu entusiasmo que, como disse, era igual ao de um colegial. Não era seu primeiro contato, entretanto, com tal efusão; a maioria das pessoas, quando chega para cá pela primeira vez, sente-se da mesma forma! Isso dá aos nossos amigos um prazer sem m em nos mostrar tudo por aqui. Eu podia vislumbrar à distância uma igreja, externamente construída da mesma forma terrena, e foi proposto que fôssemos naquela direção, incluindo outros pontos no caminho. Sendo assim, partimos.

Seguimos por uma trilha que seguia ao lado de um riacho, cujas águas límpidas reluziam na luz do sol celestial. Ao seguirem seu curso, as águas emitiam notas musicais que frequentemente mudavam, mesclando-se em sons das mais suaves tonalidades. Alcançamos a margem para que eu pudesse vê-la mais de perto. A água parecia ser quase como um cristal líquido, e à medida que o sol a atingia, cintilava com todas as cores do arco-íris. Deixei que um pouco das águas uísse pelas minhas mãos, esperando, pela aparência, que fosse bastante fria. Qual não foi o meu espanto ao vericar que era deliciosamente tépida. Mas tinha ainda mais, um efeito eletrizante que se estendeu para cima de minha mão direita, até o braço. Era uma sensação estimulante, e imaginei o que seria tomar um banho completo ali. Meu amigo disse que me sentiria sendo recarregado em minhas energias, mas que não havia profundidade suciente ali para submergir apropriadamente. Eu teria esta oportunidade assim que chegássemos a um local mais fundo, o que convidaria a um banho. Quando retirei minha mão do riacho, percebi que a água escorreu em gotas, deixando-me seco! Voltamos ao nosso passeio, e meu amigo disse que gostaria de visitar um homem que morava na casa da qual estávamos nos aproximando. Cruzamos jardins artisticamente trabalhados, atravessamos um lindo gramado e chegamos até o homem sentado nas proximidades de um pomar enorme. Conforme nos aproximávamos, ele levantouse e veio ao nosso encontro. Meu amigo e ele cumprimentaram-se de uma maneira muito cordial e fui apresentado como um recém-chegado. Foi-me explicado que este senhor se orgulhava das frutas de seu pomar, e fui convidado a experimentar algumas. O proprietário deste lugar agradável parecia ser um homem de meia idade, tanto quanto pude julgar, apesar de que poderia ser mais velho do que aparentava à primeira vista. Eu já havia aprendido que tentar adivinhar as idades das pessoas por aqui é difícil e quase que uma tarefa perigosa! Vocês devem saber – divagando um pouco – pois é lei, ao progredirmos espiritualmente, mudamos de aparência da forma como é conhecida na terra. Perdemos as rugas com que a idade e os problemas do mundo marcaram em nossas feições, junto às outras indicações da passagem dos anos, e tornamo-nos mais jovens na aparência, enquanto amadurecemos em sabedoria, inteligência e espiritualidade. Não quero sugerir que assumimos uma forma exterior de juventude extrema, nem que perdemos os traços externos da personalidade. Isso nos faria totalmente uniformes, mas, na verdade, voltamos – ou avançamos, de acordo com a idade com a qual passamos ao mundo dos espíritos – em direção ao que sempre conhecemos como “or da idade”. Retomando: nosso antrião nos guiou pelo pomar onde avistei muitas árvores em alto grau de cultivo, e completamente cheias de frutos. Ele olhou para mim por momentos, e levou-nos a uma esplêndida árvore muito parecida com uma ameixeira. As frutas eram perfeitas no seu formato, com a coloração profundamente rica, penduradas em grandes cachos. Nosso antrião colheu e nos deu algumas, dizendo-nos que nos fariam bem. A fruta era bem fresca ao toque, sendo bastante pesada para seu tamanho. Seu sabor era bem gostoso, a casca era bem macia, sem que fosse difícil ou desagradável manusear, e uma grande quantidade do suco verteu dela. Meus dois amigos me observaram cuidadosamente enquanto eu comia as ameixas, demonstrando cada um, em suas faces, uma expressão antecipada de divertimento. Enquanto o néctar escorria, quei preocupado em deixar cair em minhas roupas. Para meu prazer, apesar de que o suco caía em mim, percebi, depois de examinar bem, que não havia nenhum traço dele. Meus amigos gargalharam com o meu espanto, e eu comecei a rir com a piada, mas estava confuso. Eles se apressaram em me explicar que, como eu estava num mundo incorruptível, qualquer coisa 'indesejável' imediatamente retorna ao seu próprio elemento. O suco da fruta que eu havia acabado de derramar em mim retornara à árvore de onde a fruta fora retirada. Nosso antrião informou-me que aquela espécie em particular de ameixa que eu acabara de comer era uma das que ele sempre recomendava às pessoas que acabavam de chegar ao mundo espiritual. Ajuda a restaurar o espírito, especialmente se a passagem fora causada por doença. Ele observou, entretanto, que eu não aparentava que tivesse tido uma longa doença, acrescentando que minha passagem deveria ter sido bem rápida – o que era bem verdade. Eu tinha passado por uma doença bastante fulminante. As várias frutas que ali cresciam não eram apenas para quem precisava de tratamento depois de suas doenças físicas, todos gostavam de comê-las pelo seu efeito estimulante. Ele gostaria, se eu não tivesse minhas próprias árvores frutíferas, e mesmo que as tivesse!, que eu viesse me servir o quanto desejasse. 'As frutas estão sempre na época', acrescentou, com grande prazer, 'e você jamais deixará de encontrá-las carregadas'. Em resposta ao meu pensamento sobre como elas cresciam, ele disse que, como a tantas outras perguntas neste plano, a resposta só era possível se vinda dos reinos mais elevados, e mesmo se lhe dessem aquela resposta, há a forte possibilidade de que não a entenderíamos até que a hora em que nós, por nós mesmos, fôssemos habitar tais reinos. Ficamos bastante felizes, disse, em ter tantas coisas como elas são, sem perguntar como vieram, e sabemos que tais coisas nos vêm incessantemente, porque emanam da Fonte Inesgotável. Não há uma necessidade real de pesquisar tais assuntos, e a maioria de nós ca satisfeita em apreciá-las cordialmente agradecidos. Quanto ao real abastecimento de frutas, nosso antrião nos contou que a única coisa que sabia era que assim que se colhia uma delas, outra aparecia em seu lugar. Nunca apodreciam, porque eram frutas perfeitas e, como nós mesmos, imperecíveis. Ele nos convidou para andarmos pelo pomar, onde vi todas as espécies de frutas conhecidas pelo homem, e muitas outras espécies conhecidas apenas no mundo espiritual. Destas, eu experimentei algumas, mas é impossível contar o delicioso sabor, porque não há nenhuma fruta terrestre que eu conheça com a qual eu pudesse comparar. Podemos, sempre, dar uma indicação em comparação com aquilo que já experimentamos. Se não experimentamos algo, então teremos uma completa e absoluta falta de termos de comparação de qualquer sensação, especialmente no campo do paladar. Meu amigo explicou ao nosso gentil antrião que estava acompanhando-me num giro para mostrar o plano de minha nova vida, e este, então, deu-nos suas boas vindas, colocando-nos a caminho. Repetiu seu convite para que eu o visitasse quando quisesse, e mesmo que ele não estivesse ali, que eu me servisse, sem pedir, da fruta que mais me aprouvesse. Disse que eu perceberia que as árvores frutíferas fariam a vez de antriãs tanto quanto ele – senão melhor! E assim, expressando nossa gratidão e agradecimentos, continuamos o passeio. Retornamos ao nosso caminho anterior, ao longo do riacho, e continuamos a andar em direção à igreja. Depois de andarmos um pouquinho, percebemos que o riacho começou a alargar até que atingiu as dimensões de um lago. Podíamos ver muitos grupos de pessoas alegres na beira da água, algumas delas estavam se banhando. O lago era cercado por uma leira de árvores, e havia ores em abundância, arranjadas de tal forma que podíamos ver que havia ordem, apesar de não haver um sinal distinto de propriedade. Pertencia a todos com igualdade de direitos, e observei mais particularmente que não foi feita nenhuma proibição no sentido de colher ou arrancar nada, ou qualquer coisa que causasse distúrbio. Um ou duas pessoas eram vistas com suas mãos em volta de alguns botões em or, de forma muito cuidadosa, uma atitude que para mim parecia tão incomum que pedi ao meu amigo que me esclarecesse sobre isso. Ele respondeu levando-me até uma jovem que também estava tão curiosamente ocupada.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.