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Capítulo 19 de 34

Parte Ii — parte 2 de 4

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

Há solo, certamente, mas não tem os mesmos constituintes minerais do solo da terra, já que deve ser entendido que aqui a vida deriva diretamente da Grande Fonte. O solo varia na coloração e densidade em diversas localidades, da mesma forma que no plano da terra. Não investiguei profundamente isso, tanto quanto não cuidei disso no plano terreno. Posso, entretanto, dar uma pequena ideia de sua aparência e características. Primeiramente, então, é perfeitamente seco – não pude detectar nenhum traço de umidade. Vi que escorre pela mão da mesma forma que a areia seca. Suas cores variam num amplo leque de tonalidades, mas nunca se aproxima da aparência escura do solo terrestre. Em alguns lugares, tem a constituição granular na, enquanto em outros é composto de partículas maiores – isto é, relativamente. Uma das propriedades esperadas deste solo é o fato de poder ser pego nas mãos e permitir andar em cima dele livre e suavemente, e, enquanto não for perturbado, que continue rmemente coeso, suportando, tão rme quanto o solo terreno, tudo o que esteja crescendo nele. A cor da 'terra' é governada pela cor da vida botânica à qual dá suporte. E aqui, novamente, não há signicação especial, nenhuma razão profundamente simbólica para esta ordem das coisas em particular. Simplesmente, a coloração do solo é complementar às cores das ores e árvores, e o resultado, que não poderia ser de outra forma, é de uma harmonia inspiradora – harmonia aos olhos, harmonia à mente, e a mais calmante harmonia musical aos ouvidas. Qual melhor razão poderia haver? E mais simples? Seguramente, este mundo dos espíritos não é feito de uma desconcertante série de mistérios profundos e complexos, explicáveis somente a poucos. Há mistérios, certamente, como há em todo o plano da terra. E como há grandes cérebros na terra que podem resolver tais mistérios, aqui também há cérebros maiores ainda – imensuravelmente maiores – que podem dar explicações quando nossos intelectos estão prontos para recebê-las e entendê-las. Mas há muita gente na terra que seriamente acredita que nós no mundo espiritual vivemos num estado ardoroso de emoção religiosa, e que cada um da vida espiritual, cada forma ou grau de atividade pessoal, cada átomo de que o mundo espiritual é composto deve ter uma signicação pia ou devocional. Esta noção estúpida está bastante, bastante difundida. Procure pelo mundo terreno, você encontrará estas ideias tão fora do natural ligadas à multiplicidade de vida que existe nele? Não há conotação religiosa num lindo pôr do sol da terra. Por que deveriam as ores espirituais – para se dar apenas um exemplo, entre tantos – ter outra razão para a sua existência que não fosse a que já lhe dei, a saber, uma dádiva magnicente para todos nós, do nosso Pai, para nossa maior alegria e prazer? Há ainda muitos, muitos espíritos na terra que solenemente mantêm uma 'fé' em que o paraíso, como o chamam, será uma longa e interminável rodada de cantos do 'salmos, hinos e cânticos espirituais'. Nada poderia ser mais fantasioso. O mundo espiritual é um mundo de atividade, não de indolência; um mundo de utilidade, não de inutilidade. Nada no mundo espiritual deixa de ter utilidade; há uma razão e um propósito denidos para tudo. A princípio, podem não estar claras, para alguém, todas as razões e propósitos, mas isso não altera a verdade das coisas. O aborrecimento não pode ter espaço aqui, como um estado geral nos afazeres. Acontece de pessoas carem aborrecidas, mas este aborrecimento gera seu primeiro passo – ou seu próximo passo – na progressão espiritual através de seu engajamento em algum trabalho útil. Há miríades de tarefas a serem cumpridas – e miríades de almas para as cumprirem, mas há sempre lugar para mais um, e sempre será assim. Não estou vivendo num mundo que é ilimitado e ilimitável? Não habitamos uma região que corrobora as marcas exteriores de um Eterno Domingo! De fato, não há lugar para Domingo, aliás, nem existe no grande projeto do mundo espiritual. Não temos necessidade de sermos relembrados forçosamente do Grande Pai do Universo, através de colocarmo-nos frente a Ele num dia, e esquecê-lo pelo resto da semana. Não temos semana. Para nós é o eterno presente, e nossas mentes estão conscientes d'Ele plena e perpetuamente, por isso podemos ver Sua mão e Sua mente em tudo o que nos envolve. Desviei um pouco do que havia decidido apresentar a você, mas é necessário enfatizar certos trechos de minha narrativa, porque muitas almas da terra cam chocadas ao saberem que o mundo espiritual é sólido, que é substancial, com pessoas vivas e reais morando ali! Pensam que está longe de ser material, longe de ser parecido ao mundo material, estando apenas a um passo deles, com estas paisagens espirituais e o brilho do sol, suas casas e edifícios, seus rios e lagos, habitados por seres sensíveis e inteligentes! Não há um reino do 'descanso eterno'. Há descanso abundante para quem necessita dele. Mas quando o descanso restaurou-os até o pleno vigor e saúde, urge que atuem em alguma tarefa útil e sensível que lhes apresentam, abundando as oportunidades. Retornando às características do solo espiritual. Quando nos aproximamos das regiões trevosas, o solo, como o descrevemos a você, perde sua qualidade granular e sua coloração. Torna-se grosso, pesado e úmido, até que, nalmente, dá lugar a apenas pedras, e então, rochas. Se houver grama em algum lugar dali, é amarela e seca. À medida que nos aproximamos dos reinos mais elevados, as partículas do solo tornam-se mais nas, as cores mais delicadas, com um tom de translucidez. Um grau de elasticidade é logo observável abaixo dos pés, quando andamos nos limites destes reinos mais altos, mas a elasticidade vem tanto da natureza do reino quanto da mudança distinta no chão. Num exame mais profundo, o solo no revela qualidades quase de uma jóia, em cor e em forma. As partículas nunca são deformadas, estando sempre conformes um plano geométrico denido. Ruth e eu enamos nossas mãos nesse solo e deixamos que caísse suavemente por nossos dedos. Conforme caía, vinham dele suavíssimos tons musicais, como se estivesse caindo sobre pequenos instrumentos musicais, produzindo ondas sonoras. Um ouvido aguçado ouvirá muitos sons musicais numa praia da terra quando a água vai e vem, mas não há necessidade de ouvido aguçado para ouvir as harmonias ricas que o solo do mundo espiritual produz quando é posto a falar ou cantar. Os sons emitidos desta forma variam, como variam também as cores ou seus elementos. Estão ali para todos ouvirem, e podem ser produzidos à vontade, por uma ação muito simples que já descrevi. Como isso se produz, perguntará você?

Cor e som – isto é, som musical – são termos interagentes no mundo espiritual. Agir de alguma forma que produza cor é também produzir som, e cada criação é governada e limitada pela habilidade ou eciência do instrumentalista ou cantor. Um mestre em música, enquanto toca seu instrumento, construirá sobre si uma formapensamento das mais lindas, variando suas cores e nuances de tonalidades de acordo com a música que toca. Um cantor pode criar um efeito similar, relacionado com a pureza da voz e a qualidade da música. A forma-pensamento assim erigida não será grande. Será uma forma em miniatura. Mas uma grande orquestra ou coral de cantores construirá uma imensa forma, governada, claro, pelas mesmas leis. A forma-pensamento não produz sons por si mesma. É o resultado do som, e se forma como se fossem uma unidade em si. Embora a música emane cor, e a cor render música, cada uma é restrita àquela forma resultante. Não continuarão reproduzindo-se uma à outra, numa constante e interminável, - ou gradualmente diminuída -, alternação de cor e som. Não se deve pensar que com toda a vasta galáxia de cores das centenas de fontes do mundo espiritual, nossos ouvidos sejam constantemente assaltados pelos sons musicais; que vivamos, de fato, numa eternidade de música que soa e ressoa sem perdão. Haveria poucas mentes – se tanto – que possivelmente poderiam aguentar uma condição tão bombástica de sons, por mais lindos que fossem. Procuraríamos a paz e a quietude; nosso paraíso deixaria de ser paraíso. Não, a música está lá, mas buscamos o prazer se queremos ouvi-la. Podemos nos isolar completamente do som, ou podemos nos abrir totalmente aos sons, ou apenas ouvir o que nos agrada mais. Há vezes na terra que você ouve os sinais de uma música distante sem que se perturbe com isso; ao contrário, pode até achar bastante agradável e confortante. Assim é no mundo espiritual. Mas há esta grande diferença entre nossos dois mundos – nossas potencialidades para a música da mais alta ordem são imensamente maiores que a de vocês no plano da terra. A mente de um desencarnado que tenha um profundo amor pela música naturalmente ouvirá mais, porque assim o deseja, que outros que ligam menos para isso. Voltando à experiência que Ruth e eu zemos quando deixamos cair o solo através de nossos dedos. Ambos tivemos muito prazer ao ouvirmos a música, Ruth muito mais que eu, já que ela foi treinada na arte musical e, portanto, aprecia melhor e capta as técnicas musicais. Eu já lhe contei que, a partir do instante que o solo deixava nossas mãos, pudemos ouvir deliciosos sons emanando dele. Outra pessoa fazendo o mesmo, mas que não possuísse nenhuma susceptibilidade musical em particular, dicilmente tomaria consciência do som produzido. As ores e tudo o que cresce respondem imediatamente aos que os amam e os apreciam. A música que emanam opera precisamente sob a mesma lei. Uma sintonia entre a parte que ltra com a parte com que se entra em contato ou relação é um pré-requisito. Sem esta sintonia seria impossível ser consciente das tensões que vêm de todo o espírito da natureza. Por natureza do espírito quero dizer, claro, tudo o que vive, mares e lagos, - sem dúvida, todas as águas -, o solo, e o resto. Quanto maior o poder do indivíduo de entender e apreciar a beleza em suas formas múltiplas, maior será a emanação da força magnética. No mundo espiritual nada se desperdiça nem se gasta sem uma utilidade. Ninguém nos força a nada que não queiramos, seja música ou arte, lazer ou aprendizado. Somos agentes livres, em todos os sentidos da palavra, até os conns de nosso reino. Seria uma ideia muito aterrorizadora imaginar que o mundo espiritual fosse um imenso pandemônio musical, tocando incessantemente, totalmente inevitável, aparecendo em qualquer ocasião, e em qualquer lugar ou situação possível! Não! – o mundo espiritual é conduzido em linhas melhores que isso! Os sons musicais estão certamente ali, mas cabe somente a cada um querer ouvi-los ou não. E o segredo é a sintonia pessoal. Há pessoas na terra que possuem a habilidade de se isolarem mentalmente de seu entorno em tal grau que se tornam até surdos a todos os sons, mesmo que intensos, que estejam em volta. Este estado de desprendimento mental completo servirá como analogia – apesar de ser elementar – ao efeito daquilo que podemos fazer conosco em espírito, de exclusão dos tais sons que não queremos ouvir. Diferentemente do mundo terreno, não precisamos colocar grande força de concentração. É apenas outro processo de pensamento, como o que usamos para a nossa locomoção pessoal, e depois de uma breve estadia no mundo espiritual camos prontos a exercer estas funções mentais sem nenhum esforço consciente. Fazem parte de nossa natureza, e estaremos meramente aplicando, numa forma ampla, sem as limitações e restrições terrenas, os métodos mentais que são perfeitamente simples de se aplicar. Na terra nossos corpos físicos, num mundo físico denso, estão impedidos de processos mentais similares que produzam qualquer resultado físico. No mundo espiritual somos livres e soltos, e estas ações mentais mostram resultados diretos e instantâneos, ou levando-nos na velocidade de nosso pensamento, ou fechando qualquer visão ou audição para aquilo que não desejamos experimentar. Por outro lado, podemos – e o fazemos – abrir nossas mentes e sintonizarmos a nós mesmos para absorver os muitos sons gloriosos que estão em todo o nosso entorno. Podemos abrir nossas mentes – ou fechá-las – aos muitos perfumes que a natureza oferece para a nossa felicidade e contentamento. Agem como um tônico à mente, mas não são impostos a nós – simplesmente nos valemos deles quando queremos. Deve ser colocado nas mentes que os reinos espirituais estão fundamentados em lei e ordem. Mas a lei nunca é opressiva, nem a ordem cansativa, porque a mesma lei e a ordem ajudaram a prover todas as belezas incontáveis e maravilhas deste reino celeste. III. MÉTODOS DE CONSTRUÇÃO Não menos importante, entre os muitos fatos 'físicos' do reino onde vivo, são os numerosos prédios devotados ao aprendizado e à melhora das artes familiares ao plano da terra. Estes edifícios magnícos apresentam aos olhos todos os sinais que esperaríamos da aparência de eternos. Os materiais de que são construídos são imperecíveis. As superfícies das pedras são tão limpas e frescas como no dia da construção. Não há nada que as sujem, nem poluição que as corroa, nem vento ou chuva que estrague os trabalhos da decoração exterior. Os materiais de que são feitos são do mundo espiritual, e, portanto, têm uma beleza que não é terrena. Apesar de que estes nos prédios para o aprendizado terem todos os sinais de eternidade, poderiam ser demolidos se fossem considerados dispensáveis, ou se assim o desejarem. Tais prédios mudam dali, e outros tomam seus lugares.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.