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Capítulo 32 de 34
Xii. Pessoas Famosas — parte 3 de 5
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1
Que não se conclua que somos infalíveis. Seria uma estimativa errônea, mas sabemos que quaisquer que sejam os erros que cometemos, estamos sempre certos de que nossa perfeita organização virá em nosso socorro e nos ajudará a colocar as coisas no devido lugar. Os erros não são encarados como produto de uma ineciência brilhante, mas são vistos como lições muito boas para nós, pelas quais podemos tirar o maior proveito. Mas não é porque encontramos esta simpatia pelos nossos erros, que camos descuidados só por causa disso, pois temos nosso orgulho natural e apropriado do nosso trabalho, que nos força a fazermos o nosso melhor, sempre – e sem erros. Tentar passar a você algo como um exame acurado da organização administrativa do mundo espiritual seria uma tarefa de gigante, e bem além de meu poder descritivo, fora a impossibilidade de colocar em palavras o que só pode ser entendido por um habitante destes planos. Talvez um dos fatos mais notáveis da vida no mundo espiritual seja a organização da vida, que é tão perfeita que nunca parece haver qualquer traço de pressa ou confusão, apesar do fato de podermos realizar tantas ações do tipo 'material' com a rapidez do pensamento, o qual é a nossa força motriz. Esta rapidez é uma segunda natureza para nós, e raramente a notamos. Está sempre lá, e é por causa dela que nosso grande sistema de vida, e a organização do viver em geral, trabalham tão bem e tão discretamente. Na terra há um orgulho e uma ostentação por terem alcançado a era da velocidade. Em comparação com a nossa rapidez de movimentos, bem, vocês mal estão se movendo! Vocês deveriam esperar até virem morar conosco. Aí, então, é que saberão o que é velocidade verdadeira. Então saberão, também, o que é eciência verdadeira, e como é uma organização verdadeira. Não há nada igual a elas sobre a terra. XIV. INFLUÊNCIA ESPIRITUAL É hábito da maioria dos homens olhar para o mundo espiritual e ao plano da terra como dois planos à parte, separados e distintos. Olham para os dois mundos como sendo independentes um do outro, apartados entre si, e ambos inteiramente desinformados e desavisados um do outro. Que o mundo espiritual possa ter inuência sobre a terra para a vantagem dela foi demonstrado ser falso, pelo atual estado de desordem que existe pelo mundo inteiro. Há outra escola de pensamento, que consiste dos que zeram estudos superciais do que chamam de ocultismo. Estas pessoas acreditam que a terra, sendo indiscutivelmente muito terrícola, e o mundo espiritual sendo incontestavelmente muito espiritualizado, estes dois mundos são, por estas razões, automaticamente impedidos de qualquer intercomunicação. Estas duas linhas de pensamento estão inquestionavelmente erradas. Os dois mundos, o seu e o meu, estão em constante e direta comunicação, e estamos completamente informados do que está ocorrendo no plano terrestre a todas as horas. Não digo, nem por um minuto, que todos nós sabemos o que acontece com vocês. Aqueles de nós que estão em comunhão ativa com vocês, estão familiarizados com seus afazeres e com os fatos de seu mundo em geral. O resto de nós, os que não têm interesse ativo no plano terreno desde que o deixaram, podem estar desatualizados de muitas coisas concernentes a vocês; os seres sábios nos reinos mais elevados possuem todo o conhecimento do que vem da terra. Eu gostaria de indicar um ou dois canais pelos quais a inuência do mundo espiritual é exercida sobre a terra. Primeiro, tomemos a inuência pelo lado pessoal. Cada alma que nasceu, ou vai nascer, na terra, tem determinado para ele – ou ela –, um espírito guia. Em épocas passadas, algo desta ideia deve ter sido ltrada através das mentes dos antigos clérigos, pois eles adotaram a pia noção da dádiva, a cada encarnado, de um protetor invisível, a quem chamaram 'anjo guardião'. Estes anjos guardiões algumas vezes foram vistos na arte contemporânea, onde os artistas esboçaram uns indivíduos insípidos usando roupagens brancas brilhantes e suportando em seus ombros um par de asas enormes. Toda a concepção sugeriria, pelas reais implicações, uma distância, ou um grande espaço, entre o anjo guardião e a alma que ele deveria estar guardando. Poderia se dizer que ele não era capaz de se aproximar de seu encarregado por causa do extremo renamento espiritual por um lado, e por repelir a brutalidade terrena por outro. Vamos trazer esta invenção inexata do cérebro dos artistas para algo mais prático. Os guias espirituais constituem uma das maiores ordens em toda a organização e administração do mundo espiritual. Habitam um reino próprio, e vivem há muitos séculos no mundo espiritual. São desligados de todas as nacionalidades que existem sobre a terra, e trabalham à parte das nacionalidades. Uma grande parte deles vem dos países do oriente, e dentre os índios norte-americanos também, porque os habitantes daquelas regiões sempre foram, e são, possuídos de dons psíquicos, e, por esta razão, cientes da intercomunicação entre os dois mundos. O guia principal é escolhido, para cada um do plano terrestre, conforme um plano determinado. Muitos guias são temperamentalmente parecidos com seus encarregados nas mais sutis características deste, mas o que é mais importante é que os guias entendem e compreendem as falhas de seus encarregados. Muitos deles, de fato, tiveram as mesmas falhas quando estavam encarnados e, entre outros serviços úteis, tentam ajudar seus guiados a superarem tais falhas e fraquezas. Um grande número dos que praticam a comunicação com o mundo espiritual já se encontrou com seus guias espirituais e estão em contato íntimo com eles. São, de fato, afortunados. Os guias, também, cam mais felizes que nunca, quando estabelecem uma ligação direta com aqueles cujas vidas estão ajudando a direcionar. É seguro se dizer que a maioria dos guias espirituais conduz seus trabalhos totalmente desconhecidos daqueles a quem servem, e suas tarefas são, por isso, tanto mais pesadas e difíceis. Mas também há outros cujas vidas na terra tornam praticamente impossível aos seus guias a aproximação numa distância razoável. Isto naturalmente os entristece, ao verem os erros e loucuras em que os guiados estão mergulhando, e os guias são obrigados a carem afastados deles por causa da parede espessa de impenetrabilidade materializada que construíram em torno de si mesmos. Tais almas, quando nalmente chegam ao mundo espiritual, acordam para a completa percepção do que perderam agindo desta forma durante suas vidas na terra. Em tais casos, o trabalho dos guias não terá sido totalmente em vão, pois mesmo aos piores espíritos chega a ocasião, mesmo que passageira, onde a consciência fala, e é usualmente o espírito guia que implanta melhores pensamentos naquele cérebro.
Nem por um instante deve-se pensar que a inuência do espírito guia nega ou viola a posse ou a expressão do livre arbítrio. Se, no plano material, você precisou vigiar alguém para não dar um passo em falso na corrente de tráfego nas ruas, o fato de você puxar pela mão para pará-lo de nenhuma maneira usurpou o exercício do livre arbítrio. Um espírito guia tentará avisar, quando seus avisos podem ser captados pelo guiado; ele tentará guiá-lo na direção certa apenas pela sua vontade, e cará por conta do guiado, no exercício do livre arbítrio, obedecer ao aviso ou rejeitá-lo. Se ele o rejeita, poderá apenas amaldiçoar a si mesmo, se acontecer um desastre ou um problema com ele. Ao mesmo tempo, os guias espirituais não estão ali para viverem a vida de ninguém. Isto, cada um faz por si mesmo. Tornou-se hábito no meio de certa classe de indivíduos na terra ridicularizar toda a instituição dos guias. Chegará o tempo em que, amargamente, vão se arrepender de sua loucura, e vai ser no dia em que encontrarão no mundo espiritual o seu próprio guia, que provavelmente conhece mais sobre sua vida do que eles mesmos! Nós, no mundo espiritual, podemos ignorar tal argumento ridículo, porque sabemos que o dia inevitavelmente virá, quando chegarem ao mundo espiritual, em que sentirão grande remorso – ah, em muitas vezes, pena de si mesmos – os que, em sua suposta sabedoria, zeram-se bobos. Sem ser os espíritos guias, há outra fonte prolíca de inuência que deriva do mundo espiritual. Eu já falei, por exemplo, de como as mãos dos doutores terrenos são guiadas, ao operarem, por mãos de um doutor espiritual. Em muitos outros setores da vida espiritual a inspiração é usada da mesma forma que foi usada desde a aurora dos tempos. O homem encarnado faz muito pouco por si mesmo; e ele é o primeiro a perceber isto, quando chega aqui para morar. O homem pode agir em certas ações mecânicas com precisão e exatidão. Pode pintar um quadro, tocar um instrumento, manipular máquinas, mas todas as maiores descobertas que estão a serviço do plano terrestre vieram, e sempre virão, do mundo espiritual. Se o homem, empregando seu livre arbítrio, escolhe colocar tais descobertas a serviço do mal, então pode contar a si mesmo as calamidades que se seguirão. A inspiração para qualquer causa ou pesquisa vem do mundo espiritual, e de nenhum lugar mais. Se for para o bem da humanidade, a fonte é igualmente boa; se a inspiração não for obviamente para o bem da humanidade, então a fonte é inquestionavelmente malévola. O homem tem nas próprias mãos as fontes de inspiração para as quais se inclinará – a do bem e a do mal. Lembre-se de que lhe contei que uma pessoa será tão espiritualizada no momento após a sua 'morte', quanto era no momento anterior. Não há mudanças acontecendo, transformando uma vida terrena maldosa em bondosa. Uma igreja ortodoxa tem a visão, que infalivelmente é ensinada, de que os que voltam para o plano da terra e se fazem notados são demônios! É uma pena que a igreja seja tão cega, porque se pode dizer que estão tentando – inecazmente – reprimir as forças do bem, enquanto estão ignorando as verdadeiras forças do mal. Se encorajassem as forças do bem para se aproximarem deles, as forças do mal logo seriam expelidas. As igrejas, de qualquer denominação, sofrem de ignorância abismal. Através dos tempos até agora, agiram de forma ignorante e cega, disseminando ensinamentos fantásticos no lugar da verdade, pavimentando o caminho através da ignorância universal para procriar tais ensinamentos falsos, para que as forças do mal operem. Um ministro da igreja cumpre os serviços e os ofícios prescritos por sua seita particular, e sufoca toda a inspiração ao agarrar-se aos credos e dogmas que são absolutamente falsos. Se ele fosse interrogado sobre o tema, responderia que acredita em inspiração – de uma forma vaga e remota. Na longa caminhada, ele achará muito menos problemático adotar os pensamentos religiosos de alguma outra pessoa encarnada, e conar em sua própria esperteza para qualquer pensamento original. Mas sugerir que o mundo espiritual não tenha outra inuência sobre o mundo da terra que não seja o mal, seria completamente contra seus princípios. É um hábito mental estranho que persiste na crença de que é sempre a força do mal vinda do mundo espiritual que tenta fazer seu poder cair sobre o plano da terra. Atribuem às forças do mal poderes que, parece, são negados às forças do bem. Por quê? E por que as igrejas têm medo mortal de 'entrar em contato com os espíritos' – como são advertidas a fazerem no principal Livro sobre o qual colocam tanta conança? Ignoram este texto, e apontam o dedo acusador para a suposta mulher do Éden. O mundo espiritual trabalha constantemente para fazer seu poder, sua força e sua presença sentida por toda a terra, não somente de forma pessoal, mas, através de indivíduos, para uma esfera mais ampla, pelo bem das nações e das diplomacias nacionais. Mas muito pouco pode ser feito, porque a porta está quase sempre fechada para os seres mais elevados do mundo espiritual, cujo campo de visão e cuja sabedoria, conhecimentos e entendimento são vastos. Pense nos males que poderiam ser varridos da face da terra sob a guia altamente competente de sábios mestres do mundo espiritual. O mundo dos espíritos faz o seu melhor através dos limitados canais disponíveis. Mas é certo se dizer que não há problema na terra que não possa ser resolvido com a ajuda e as advertências e a experiência daqueles seres que acabei de mencionar. Mas isto envolveria uma coisa – uma adesão implícita a qualquer coisa que advirtam ou aconselhem. Quanto líder, de assuntos nacionais ou religiosos, que está aqui conosco no mundo espiritual, e ca completamente penalizado quando olha para trás e vê as oportunidades perdidas de se fazer uma mudança revolucionária para a melhora de seus compatriotas. Ele confessará que teve esta ideia em mente – ele não sabia então que fora inspirada pelo mundo espiritual – mas permitiu que fosse afastada. Estas almas olham para o estado para o qual a humanidade degradou. A humanidade, com efeito, permitiu que as forças malignas levassem a isso. Mas os malévolos, tão amados pelas igrejas, apareceram de direções diferentes daquela que a mesma igreja alega que vieram. Os homens e as mulheres que praticam a comunicabilidade conosco, com seriedade e honestidade, e que gostam de encontros felizes com seus amigos espirituais tanto quanto com os nobres mestres das altas esferas, estes são acusados de tratos com o 'diabo'. É de se enrubescer! Os verdadeiros diabos estão bem longe e ocupados, em lugares onde podem produzir resultados maiores para sua malévola satisfação. Você dirá que minha exposição está bem pessimista; que realmente, anal de contas, a terra não é tão má como o quadro que pintei. É perfeitamente verdadeiro, porque trabalhamos para enviar ao mundo terreno apenas uma ou duas de nossas ideias, pensamentos e preceitos. Mas pode muito bem ser dito que apesar da universal desordem da terra, se tivéssemos retirado cada elemento de nossa inuência, a terra, em breve, seria reduzida a um estado de completa e absoluta barbárie e caos. E a razão é que o homem pensa que pode seguir sozinho, apenas com seus próprios poderes e vôos. Ele está convencido de que não precisa da ajuda de nenhuma fonte. Quanto à assistência do mundo espiritual – se tal lugar existe – é impensável! Se existir um lugar como o mundo espiritual, tem-se bastante tempo para pensar sobre isso quando se chega lá. Por ora, então, eles são tão superiores que sabem de tudo, e podem gerenciar seus problemas perfeitamente, sem ajuda de um sombrio mundo espiritual. E quando muitos homens chegam para cá, para o mesmo mundo espiritual que haviam desdenhado, vêem sua própria pequenez e a pequenez do mundo que acabaram de deixar. Mas, por mais pequeno que seja o pensar no mundo, o homem ainda precisa de ajuda para conduzir seus problemas – e é outra descoberta que ele faz quando chega para cá.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.