[user_registration_my_account]
Capítulo 21 de 34
Parte Ii — parte 4 de 4
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1
É comum se dizer que construímos nossas casas durante nossas vidas da na terra – ou depois. Isto ca no sentido amplo. O que nós construímos é o direito de construir, já que requer um entendido para se erigir uma casa que justique tal nome. Minha casa foi construída para mim durante minha vida terrena, por construtores tão ecientes quanto os que ajudaram a erigir o anexo da biblioteca. Meus amigos, encabeçados por Edwin, procuraram todos os detalhes requeridos para este trabalho. Buscaram homens que cumprissem a tarefa, e Edwin fez uma linda peça de artesanato. Quando chegar o dia em que meu progresso espiritual me leve adiante daqui, deixarei minha casa. Ficará por minha conta decidir se deixo minha casa antiga como está, para que outros a ocupem e gozem, ou se vou demoli-la. É costume, como me disseram, dar de presente ao governante do reino para que ele disponha a outros, à sua vontade. IV. TEMPO E ESPAÇO No plano da terra pensa-se com frequência que no mundo espiritual o tempo e o espaço não existem. Está errado. Temos os dois, mas nossa concepção sobre eles difere da do mundo terreno. Algumas vezes usamos a frase 'antes da aurora dos tempos', para transmitir a ideia da passagem das eras, mas não temos ideia do que está contido nesta frase. No plano da terra a medida do tempo tem sua origem na revolução da terra em torno de seu eixo, dando uma divisão de tempo conhecida como dia e noite. A ocorrência das quatro estações deu uma dimensão mais ampla, durante a qual a terra gira em torno do sol. A invenção dos relógios e calendários trouxe um meio conveniente de medir-se o tempo, ao alcance de qualquer um. No mundo espiritual não temos relógios nem outros aparelhos mecânicos para indicar a passagem dos tempos. Seria a coisa mais simples do mundo nossos cientistas fazerem isso para nós, se tivéssemos necessidade deles. Mas não temos esta necessidade. Não temos estações periódicas, nem alternância de luz e escuridão como indicação externa da passagem do tempo, e, ainda mais, não temos lembretes pessoais, comuns a todos os encarnados, como a fome, ou sede, ou fadiga, junto ao envelhecimento dos corpos físicos. Como, então, poderíamos ter a possibilidade de cuidarmos do vôo do tempo? Como, de fato, o tempo existe? Temos duas concepções de tempo, uma das quais, como na terra, é puramente relativa. Cinco minutos, por exemplo, de dor aguda sofrida pelo corpo físico afetará tanto a mente, que momentos passageiros parecerão eras. Mas cinco minutos de alegria intensa e felicidade parecerão ter voado com a rapidez que o mesmo número em segundos. Os de nós que vivemos no reino de alegria e eterno presente, não temos razão para achar que o tempo 'se arrasta'. Neste sentido, não temos a consciência do tempo. Nos reinos trevosos, o caso é contrário. O período de escuridão parecerá interminável aos que vivem ali. Entretanto, muitas almas podem gritar pela chegada da luz, mas ela nunca chega. Serão eles mesmos que deverão se esforçar para dar o primeiro passo em direção à luz que os espera fora daquele reino inferior. Um período de existência dentro destes reinos escuros contará como um ou dois anos no tempo da terra, parecendo ter sido uma eternidade aos sofredores. Se, normalmente, não temos nenhum dos meios costumeiros de se medir o tempo porque não temos necessidade disso, podemos, - e o fazemos – voltar a fazer contato com o plano da terra, onde podemos averiguar a hora exata do dia, o dia do ano, e o próprio ano. Algumas pessoas que não zeram isso, voltaram à terra pelo prazer de satisfazer sua curiosidade quanto ao número de anos que estão no mundo espiritual. Conversei com alguns que zeram esta jornada, e eles caram pasmos ao descobrir a contagem inesperada de anos que passaram desde sua transição. Falando de mim, descobri que o tempo passou rapidamente desde que cheguei ao mundo espiritual, mas sempre soube, por todo o período, qual era o ano da era cristã. A razão no meu caso é que simplesmente prometi que um dia me comunicaria com a terra. Estive, portanto, profundamente interessado em observar, em companhia de grandes almas que estavam intimamente ligadas a isso, a concatenação dos eventos que aconteceriam, entre coisas, para alcançar meu propósito. Edwin, que me encontrou no limiar do mundo espiritual e me conduziu à minha nova casa, estava similarmente ligado à passagem do tempo, pois ele, por sua vez, esteve me observando. Pode-se pensar que o tempo, no sentido de ser uma sucessão medida da existência, tem pouca, ou nenhuma inuência além do plano da terra. Mas, certamente, tem uma inuência no plano espiritual. Todos os eventos terrenos, tanto os individuais ou nacionais, são sujeitos ao tempo, ou governados por ele. Então, assim que tais eventos tenham sua aplicação, ou extensão no mundo espiritual, então, realmente nós, do mundo espiritual somos inuenciados pelo tempo, ou sua atuação. Peguemos o exemplo mais simples e pronto: as festas de Natal. Celebramos estas festas no mundo espiritual na mesma hora que vocês. Se o dia 25 de dezembro é uma data correta, historicamente, para o evento que se comemora nela, é uma questão que não nos concerne para nossos atuais propósitos. O que importa é que as duas celebrações, a de vocês e a nossa, são sincronizadas e periódicas, ano a ano. Não somos subservientes ao mundo da terra neste ponto; nosso propósito é somente o de cooperar. Em tempos normais da terra naquele período do ano, vem da terra uma grande força de boa vontade e bondade. Muita gente, que em outras épocas ca inclinada a ser negligente, frequentemente lembra-se dos familiares e os amigos que passaram para o mundo espiritual, e enviará pensamentos de afeto que nós, em espírito, camos muito felizes em receber, e responder. A celebração do natal é sempre precedida por pensamentos de prazer antecipado. Se não houvesse mais nada que nos guiasse, estes seriam sucientes para nos dizer que a hora da festa está chegando. No mundo espiritual, naquela época, é bastante comum uma pessoa dizer para outra: 'O Natal da terra está se aproximando'. Mas a outra pessoa teria que estar completamente alheia ao fato!
No exemplo do Natal em particular, não somos totalmente dependentes do plano terrestre para sabermos da aproximação do aniversário. Nesta ocasião especial, sempre somos visitados por grandes almas vindas dos reinos superiores, e se todos os outros meios falhassem, este seria uma indicação infalível da passagem de outro ano no tempo terrestre. Aqueles de nós que estão em contato constante e próximo com a terra saberão, claro, tão bem como vocês, o ano, o mês, e o dia. Saberemos, também, a hora exata do tempo terrestre. Não há diculdade nisso, nem mistério. Quando atingimos as condições de vocês, podemos usar os vários meios que vocês empregam – e o que poderia ser mais simples? Em regra, não necessitamos estar continuamente informados precisamente do dia e da hora, ou de nos mantermos atualizados. Quando cooperamos ativamente com vocês, seus pensamentos em nós são indicação suciente de que tal data voltou quando nos encontramos em trabalhos ou conversamos. Tais pensamentos são tudo do que necessitamos. É natural no mundo espiritual que, falando genericamente, percamos o senso de continuidade do tempo, na medida de sucessão que vocês têm. Deixamos que as coisas sejam assim, a menos que tenhamos razão para agirmos diferentemente. Quando esperamos pela chegada de um parente ou um amigo ao mundo espiritual, é em torno do evento que focamos os pensamentos, não no ano no qual tal fato acontecerá. Assim, eu lhe transmiti alguns fatos de meu conhecimento, derivados de minha experiência própria, e, consequentemente, o que contei se aplica especicamente ao reino onde vivo. Não tenho conhecimento dos reinos superiores, e as informações que captei de conversas com os habitantes de tais reinos foram explicadas e restritas de acordo com a minha capacidade de entendê-las. E tudo o que posso dizer, então, concernente ao tempo nos reinos mais elevados é que, naqueles estados superiores, atingimos reinos onde o saber, entre os muitos outros atributos espirituais, é de suma importância. As personalidades daqueles reinos deixamme atônito com a precisão de seu conhecimento dos eventos que vão acontecer no plano terrestre. Seus meios de obtêlo está além de nossa compreensão, aqui neste plano. É suciente, neste momento, que guarde que é assim, que o tempo, então, não está restrito aos reinos de estados inferiores de progressão espiritual. Quando pegamos o assunto 'espaço', vemos que, falando de forma geral, somos regulados, até certo ponto, pela mesma lei do plano terrestre. Temos a eternidade de tempo, mas temos também o innito de espaço. O espaço deve existir no mundo espiritual. Pegue apenas o meu plano como exemplo. Estando em alguma janela de um dos quartos superiores de minha casa, posso ver até longas distâncias, onde estão muitas casas e muitos edifícios. À distância posso ver a cidade com muitos mais prédios. Espalhados por toda a paisagem ampla, há bosques e prados, rios e riachos, jardins e pomares, e todos estão ocupando espaço, como todos ocupariam no plano terrestre. Não se interpenetram, assim como acontece na terra. Cada um preenche sua própria porção reservada de espaço. E sei, enquanto vejo pela minha janela, que além do campo de minha visão, e além do além de novo, há mais reinos, e ainda mais outros que constituem a designação de espaço innito. Sei que posso viajar ininterruptamente através de áreas enormes de espaço, áreas bem maiores que o tamanho de todo o mundo, ou até maiores. Ainda não percorri nada mais que uma pequena fração da extensão completa do meu reino, mas sou livre para fazê-lo quando quiser. Meus amigos dos reinos superiores disseram-me que posso até penetrar nos planos rarefeitos, se a ocasião demandar. Vão ser dadas as facilidades e o manto de proteção que são necessários em tais viagens, portanto, potencialmente, meu campo de movimentação é gigantesco. Olhando-se apenas com os olhos terrestres, esta imensa região obviamente iria além do alcance da maioria das pessoas, já que o movimento através dos espaços na terra seria restringido pelos meios de transporte a seu dispor, assim como outras considerações. Cem milhas do espaço terreno são uma grande distância, e, para cobri-la, leva-se tempo considerável, se um meio de transporte mais lento for empregado. Mesmo com o método mais rápido, levaria um certo lapso de tempo até que o m da jornada de cem milhas seja atingido. Mas no mundo espiritual, o pensamento altera toda a situação. Temos espaço, e temos uma certa cognição do tempo em relação ao espaço. O pensamento pode anular o tempo em sua relação com o espaço, mas não pode anular o espaço. Posso estar diante de minha casa e imaginar que gostaria de visitar a biblioteca na cidade que vejo à distância de algumas 'milhas' adiante. Tão logo o pensamento passe pela minha mente, vejo-me – se assim o desejar – diante das várias prateleiras que queria consultar. Fiz meu corpo espiritual – e é o único corpo que tenho – viajar pelo espaço com a velocidade do pensamento, e esta rapidez é equivalente a ser instantâneo. E o que z foi cobrir instantaneamente o espaço intermediário, mas o espaço continua lá, com tudo o que contém, apesar de eu não ter o conhecimento do tempo ou da passagem do tempo. Quando eu completei a minha visita à biblioteca, encontrei alguns amigos na escadaria, e eles sugeriram que nos reuníssemos na casa de um deles. Com este agradável plano, decidimos andar pelos jardins e bosques. A casa está a alguma 'distância', mas não importa, porque nunca passamos por fadiga física, e não temos outros compromissos. Passeamos juntos, conversando alegremente, e depois de um certo lapso de 'tempo', chegamos à casa de meu amigo, cobrimos aquela distância a pé. Na jornada de minha casa à biblioteca, eu passei sobre a distância e dispensei o tempo na ocasião. Na volta, experimentei uma sensação de tempo ao andarmos devagar, e recordei a percepção de distância em minha mente, ao mover-me em chão sólido e nos campos gramados deste reino. Tempo – no sentido espiritual – e espaço são relativos no mundo espiritual, assim como são na terra. Mas as nossas concepções a respeito deles diferem muito – o de vocês é restrito pelas considerações de aurora e pôr do sol, e os vários modos de transitar. Temos dias eternos, e podemos nos mover lentamente ao andarmos, ou podemos nos transportar instantaneamente, se desejarmos que assim seja. No mundo espiritual, o tempo pode car parado, e podemos recordar nosso sentido quanto a ele quando descansamos silenciosamente ou andamos. É apenas o nosso sentido de tempo que recordamos, não o da passagem de tempo. Mas quando recebemos os pensamentos de vocês, vindos da terra, contando-nos que estão prontos para a nossa ida até lá, então, uma vez mais, camos sabendo que o tempo da terra passa. E vocês devem admitir que somos invariavelmente pontuais ao cumprirmos nossos compromissos com vocês!
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.