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Capítulo 20 de 34

Parte Ii — parte 3 de 4

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

O mundo espiritual não é estático. É sempre vibrante com vida e movimento. Contemple, por momentos, as condições normais da terra, com as muitas mudanças que acontecem continuamente – a gradual reconstrução de cidades e vilas, as alterações no campo. Algumas destas mudanças não foram para uma melhoria. Entretanto, poderão ser, mudanças são feitas, e o procedimento é visto como progresso. E, então, o que acontece no mundo espiritual? Será que não há mudanças a serem feitas no mundo onde vivo? Certamente que há! Nós não mudamos exatamente com 'os tempos' – para se usar uma expressão da terra – porque estamos sempre bastante à frente dos tempos. E temos a necessidade de estarmos, para enfrentarmos a demanda que vem do mundo terreno. Tomemos apenas um exemplo especíco, apenas um. À medida que a terra progride em civilização – por sua própria estimativa – os meios e os métodos de empreender uma guerra tornam-se mais devastadores e amplos. No lugar de centenas de mortos em batalhas dos tempos antigos, a mortandade agora é contada em centenas de milhares. Cada uma destas almas acabou sua vida terrena – apesar de não ter terminado com as consequências dela – e, em muitos casos, o mundo acabou com eles também. O indivíduo pode sobreviver na memória dos que deixou para trás; sua presença física se foi. Mas a presença espiritual estará imutavelmente conosco. A terra passou-o para nós, muitas vezes não necessariamente sabendo do que lhe aconteceu. Ele deixará para trás os que amou, e os que o amaram, mas o mundo terreno – assim pensam – não pode fazer mais nada por ele, nem pelos que lamentam sua perda. Somos nós, do mundo espiritual, que cuidaremos destas almas. Conosco não há colocar as responsabilidades em outros ombros e continuar o caminho. Encaramos estritamente a realidade por aqui. O mundo terreno, em sua cega ignorância, manda para cá centenas de milhares de almas, mas os que habitam nos planos elevados estão completamente avisados bem antes que tudo aconteça, ou do que está acontecendo na terra, e um at segue em direção aos reinos mais próximos à terra, para que se preparem para o que vai acontecer. Estas calamidades medonhas do plano da terra necessitam da construção de mais e cada vez mais casas de repouso no mundo espiritual. É a ocasião – e talvez a maior – para as mudanças que sempre estão acontecendo aqui. Mas há outras, e mais agradáveis. Algumas vezes se expressa o desejo de muitos espíritos para uma ampliação dos prédios para o aprendizado. Raramente há algum problema quanto a estes desejos, porque não são egoístas, será para uso e prazer geral. Foi em resposta a uma pergunta que z, que Edwin disse-me que uma ala nova estava sendo acrescida na maior biblioteca, onde eu gasto tantos momentos agradáveis e úteis desde quando vim para o mundo espiritual. Foi sugerido que talvez Ruth e eu gostaríamos de testemunhar uma construção espiritual em curso. Estando de acordo, fomos para a cidade e para a biblioteca. Havia muitas pessoas já agrupadas ali com a mesma intenção que a nossa e, enquanto esperávamos pelo início da construção, Edwin nos contou os detalhes preliminares que são necessários antes que o trabalho realmente se inicie. Tão logo um prédio seja desejado, o governante do reino é consultado. Desta grande alma, e de outros similares a ele em caráter espiritual e capacidade, falarei mais tarde. Conhecendo, como ele o faz, tão intimamente, as necessidades e os desejos de todos os daquele reino, nunca há um caso onde algum edifício seja requisitado para o uso e a serviço de todos e que seja recusado. O governante então transmite a requisição aos superiores a ele que, por sua vez, encaminham para os ainda mais superiores. Nós nos encontramos no templo central da cidade, onde fomos recebidos por alguém cuja palavra é lei, a grande alma que, muitos anos atrás, em tempo terreno, fez o possível para que eu me comunicasse com o mundo terreno. Este procedimento aparentemente complexo de passar adiante, de um para outro, pode sugerir às mentes os métodos dos funcionários públicos, que são tortuosos com suas demoras e delongas. O processo pode ser similar, mas o tempo exigido é bastante diferente. Não é exagero dizer que no espaço de alguns minutos terrenos nossa requisição tinha sido avaliada, e a permissão – com uma bênção cheia de graças que a acompanhava – foi concedida. Em ocasiões como essa, temos razão para estarmos alegres e usamos a oportunidade por completo. O próximo passo é consultar o arquiteto, e logo se pode imaginar que temos uma hoste de mestres a quem recorrer, sem limitações. Eles trabalham pela alegria que sentem ao criar algum grande prédio que vai ser usado a serviço de seus irmãos. Estes bons homens colaboram de uma forma que quase seria impossível no plano terrestre. Aqui, eles não são circunscritos pela etiqueta prossional, ou limitados pela estreiteza do ciúme mesquinho. Cada um ca mais alegre e orgulhoso por servir que o outro, e nunca há a discórdia ou descontentamento durante o empreendimento ao se apresentar ou forçar as ideias individuais de um às custas das de outro. Talvez você diga que uma unanimidade completa está longe, bem longe, além das fronteiras da natureza humana, e que tais pessoas não seriam humanas de não entrassem em desacordo, ou mostrassem sua individualidade. Antes que você despreze minha frase como sendo altamente improvável, ou como sendo um quadro de uma perfeição impossível de se atingir exceto nos mais altos planos, deixe-me colocar o simples fato de que a discórdia e o descontentamento, num caso como esse que estamos considerando agora, não seria possível existir neste reino onde está o meu lar. E se você ainda insistir em que isso não seja possível, eu digo – Não, é perfeitamente natural. Sejam quais forem as dádivas que possamos possuir no mundo espiritual, é parte da essência deste reino que não inemos ideias de poder ou excelência por tais dádivas. Nós as reconhecemos com humildade, sem importâncias individuais, discretamente, abnegadamente, e somos gratos pela oportunidade de trabalho, con amore, com nossos colegas no serviço do Grande Inspirador. Isto, essencialmente, é o que um destes grandes arquitetos disse-me, referindo-se ao seu próprio trabalho. Depois que o planejamento para os novos prédios tenha sido estabelecido ao consultarem o governante do reino, há uma reunião com os pedreiros-mestres. Estes eram, quase em sua maioria, pedreiros quando em sua vida na terra, e continuam a exercer sua especialidade nos planos espirituais. Fazem isso, claro, porque têm apelo ao trabalho, como já acontecia quando estavam encarnados, e aqui eles têm condições perfeitas para continuarem seu trabalho. Fazem isso com grande liberdade e a licença para agir que lhes foi negada na terra, mas que é sua herança aqui no mundo espiritual. Outros, que não foram pedreiros por ofício, aprenderam os métodos espirituais de construção – porque sentem prazer nisso -, e dão grande ajuda aos que são mais experientes.

Os pedreiros, e um outro, são as únicas pessoas pertinentes à real construção, já que os prédios espirituais não requerem tanta coisa a ser incluída quanto nos terrenos. Por exemplo, a necessária provisão de luz por meios articiais, e o calor. Nossa luz vem da grande fonte central de todas as luzes, e o calor é uma das características deste reino. A reforma que estava sendo feita na biblioteca consistia num anexo, e não era de grandes dimensões. Nossa biblioteca tem pelo menos um fato em comum com as bibliotecas terrenas. Chega o tempo em que a quantidade de livros excede o espaço que os abriga, e no nosso caso o excesso é grande, porque não temos apenas as cópias dos livros da terra, mas há também os volumes que têm sua raiz aqui no mundo espiritual. Por isso, digo que estes livros não têm sua contrapartida na terra. Incluídos entre eles, estão os trabalhos concernentes apenas ao mundo espiritual, os fatos da vida daqui, e ensinamentos espirituais, escritos por autoridades que têm conhecimento infalível do assunto, e que residem em esferas mais elevadas. Há também histórias de nações e eventos, com os fatos expostos em estrita concordância com a verdade absoluta, escritas por homens que agora acham que equívocos são impossíveis. A construção deste anexo não foi, entretanto, o que chamaríamos de um esforço maior, e requereria a ajuda de apenas uns poucos. Era de desenho simples, consistindo de duas ou três salas de tamanho médio. Estávamos em pé, bem perto do grupo de arquitetos e pedreiros, encabeçados pelo governante do reino. Percebi que, particularmente, eles pareciam extremamente felizes e joviais, e muitas eram as brincadeiras que circulavam em torno deste grupo tão alegre. Era estranho para Ruth e para mim – Edwin já tinha testemunhado este tipo de acontecimento antes – pensar que um prédio estava perto de subir, porque desde a minha chegada ao mundo espiritual, não vi sinal de nenhuma construção acontecendo em lugar algum. Cada ala e cada casa já estavam erigidas, e nunca me ocorreu que as coisas requerem atitudes nesta direção. Um leve pensar, claro, revelaria que as casas espirituais estão sempre sendo construídas, enquanto outras estão sendo demolidas, se não são mais desejadas. Os prédios das escolas pareciam todos tão eternos aos meus olhos desacostumados, tão completos, que não pude pensar que poderiam ter a necessidade de ampliação. Finalmente, havia sinais de que começariam. Devo lembrar que o ato de construir no mundo espiritual é essencialmente uma operação do pensamento. Não será surpreendente, portanto, se eu disser que em nenhum lugar visível serão vistos os materiais usuais e a parafernália associada com as construtoras da terra, os andaimes, tijolos e cimentos, e outros objetos usuais. Iríamos testemunhar, de fato, um ato de criação – de criação de pensamento – e tais equipamentos 'físicos' não são necessários. O governante do reino adiantou-se alguns passos, e, de costas para nós, mas encarando o local onde a nova ala deveria se levantar, pronunciou uma breve, mas apropriada, oração. Em linguagem simples, pediu ao Grande Criador a Sua ajuda para o trabalho que iria se iniciar. Sua prece trouxe uma resposta imediata, que veio em forma de um brilhante facho de luz, que desceu sobre ele e sobre os reunidos imediatamente atrás dele. Tão logo isso tenha acontecido, os arquitetos e os pedreiros adiantaram-se até ele. Todos os olhos estavam voltados para o local vazio ao lado do prédio principal, e onde percebemos que um segundo facho de luz estava passando diretamente pelo governante e os pedreiros. Quando o segundo facho aproximou-se do lugar do anexo, formou uma cintilação no chão, que gradualmente aprofundou-se, cresceu em largura e altura, mas parecia, como agora, não ter nenhuma substância. Combinava com a construção dos homens em cor, mas era só isso. Lentamente, a forma cresceu em tamanho até que atingiu a altura necessária. Podíamos ver plenamente que combinava com a estrutura original em seu estilo, até os entalhes similares correspondiam. Enquanto estava neste estado, os arquitetos se aproximaram e examinaram cuidadosamente. Pudemos observá-los se movimentando por dentro, até que trocaram nalmente de ponto de vista. Saíram por um momento e retornaram ao governante com o relatório de que tudo estava bem. Edwin explicou-nos que este edifício espiritual era, na realidade, um esboço da estrutura terminada, moldada no modelo exato antes que a intensicação de pensamentos fosse aplicada para produzir o prédio completo e sólido. Quaisquer erros ou falhas são detectados quando o prédio está ainda em estado sutil, e rapidamente corrigido. Entretanto, como nenhuma reticação foi necessária neste exemplo em particular, o trabalho continuou imediatamente. O uxo de luz agora se tornou muito mais intenso, enquanto a corrente horizontal do governante e seus colaboradores recomeçou, depois de um lapso de um minuto ou dois, com um grau similar de intensidade. Podíamos agora perceber a forma nebulosa adquirindo uma aparência de indiscutível solidez, à medida que a concentração dos pensamentos unidos lançados sobre o esboço fazia com que camada sobre camada tivessem maior densidade. Pelo que observei, pareceu que ele transmitia ao governante para que este providenciasse que cada pedreiro recebesse exatamente a quantidade e a qualidade de força que cada um requeria para sua tarefa. Atuava, de fato, como um agente distributivo do poder magnético que descia diretamente sobre ele. Dividia-se em um certo número de correntes individuais de luzes de diferentes cores e poderes, que correspondiam ao seu apelo direto ao Grande Arquiteto. Não havia falhas ou diminuição na aplicação da substância dos pensamentos que pudesse ser percebida. Os próprios pedreiros pareciam trabalhar em completa unanimidade de concentração, e o edifício atingiu sua solidicação completa, com um grau marcante de igualdade. No que pareceu a mim e a Ruth ser um período bastante curto, o edifício parou de adquirir densidade, os raios verticais e horizontais cessaram, e ali estava, diante de nós, a ala terminada, perfeita em cada detalhe, na medida e extensão exatamente iguais ao prédio principal, lindamente semelhante em cor e forma, e merecedor dos altos propósitos aos quais seria devotado. Fomos até lá para examinarmos mais de perto os resultados do feito que acabara de acontecer. Passamos as mãos sobre a superfície lisa, como se fosse para nos convencermos de que era realmente sólido! Ruth e eu não fomos as únicas pessoas a fazer isso, havia outros que estavam testemunhando pela primeira vez – e com igual surpresa – o imenso poder do pensamento dirigido. O procedimento que governa a construção de nossas casas pessoais e bangalôs difere um pouco do que acabei de descrever a você. Um indispensável pré-requisito para o proprietário de uma casa espiritual é o direito de possuí-la, um direito que é obtido somente pelo tipo de vida que vivemos quando encarnados, ou pelo progresso espiritual depois de nossa transição ao mundo espiritual. Uma vez que tenhamos adquirido este direito, não haverá nada contra termos tais residências, se desejarmos uma.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.