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Capítulo 26 de 34

Ix. Personalidades Espirituais

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

O que se sente quando se é um espírito? É uma questão que surge nas mentes de muitas pessoas. Se, por outro lado, nos perguntassem: o que se sente quando se é um encarnado? Você se sentiria inclinado a responder que a pergunta é bem tola, porque eu já estive encarnado, e, portanto, deveria saber. Mas, antes de deixarmos a pergunta de lado por ser tola, deixe-me ver o que poderia dar-lhe como resposta. Antes de mais nada, consideremos o corpo físico. Sofre de fadiga e, por causa disto, sua vitalidade necessita de descanso. Sente fome e sede, e deve receber comida e bebida. Pode sofrer dores e tormentos por uma variada gama de doenças e males. Pode perder seus membros por causa de acidentes, ou por outras causas. Os sentidos podem se tornar prejudicados com o passar da idade; ou um acidente pode fazer perder a faculdade da visão ou audição; ou o corpo físico pode chegar ao mundo sem estes dois sentidos e, mais ainda, pode não ter o poder da fala. O cérebro físico pode car tão afetado que camos incapazes de qualquer ação sã, e temos, em consequência, de ser cuidados pelos outros. Que quadro tenebroso, diria você! É assim, e qualquer um pode ser vítima de pelo menos alguma dessas perdas que enumerei; exclua, infalivelmente e para sempre, a causa delas, e você terá em sua mente uma ideia do que sente um espírito. Quando eu estava no plano da terra, sofri de algumas doenças que são comuns à maioria de nós, doenças que não são necessariamente sérias, e que tomamos como pertinentes ao percurso; dores menores e aições que os encarnados aguentam vez ou outra. Somando-se a estas doenças menores, estive, claro, consciente de meu corpo físico pelos sintomas de fome, sede e cansaço. A doença nal – a mais séria – foi demais para o corpo físico, e minha transição aconteceu. Imediatamente eu soube o que é ser um espírito. Quando me levantei para conversar com o Edwin, eu me senti, sicamente, como se fosse um gigante, apesar do fato de ter acabado de sair do leito de doença. Conforme o tempo passou, senti-me cada vez melhor. Não sentia nada que lembrasse dor, e sentia-me leve. De fato, eu não sentia como se estivesse encaixado num corpo! Minha mente estava completamente alerta, e só sentia o corpo porque podia mover os membros para onde quisesse, aparentemente sem a ação de músculos que há tão pouco era tão familiar. É extremamente difícil transcrever a você este sentimento de saúde perfeita, porque uma coisa como essa é completamente impossível na terra e, portanto, não tenho nada para usar em comparação, ou para formar uma analogia a você. Este estado pertence somente aos espíritos, e desaa completamente qualquer descrição em termos terrenos. Deve ser vivenciado, e isso você não poderá fazer, até que seja, você mesmo, um dos nossos. Eu já disse que minha mente estava alerta. Isto é uma indicação incompleta. Descobri que minha mente era um verdadeiro armazém de fatos concernentes à minha vida da terra. Cada ato que pratiquei e cada palavra que proferi, cada impressão que recebi; cada fato sobre o qual já tinha lido e cada incidente que testemunhei, tudo isso encontrei, indelevelmente registrado, em meu subconsciente. E isso é comum a cada espírito que tenha tido uma vida encarnada. Não se deve supor que somos continuamente assaltados por uma fantasmagoria selvagem de pensamentos misturados e impressões. Isto seria um verdadeiro pesadelo. Não. Nossas mentes são como uma biograa completa de nossa vida terrena, onde estão cada um dos pequenos detalhes concernentes a nós mesmos, arranjados de forma ordeira, sem nada ser omitido. O livro está fechado, normalmente, mas está sempre lá, à mão, para que folheemos e recordemos os eventos que queiramos. Estou falando de forma pessoal, e de como acontece com as pessoas com as quais vivo neste reino. A descrição que lhe dei da memória particular das almas nos reinos mais baixos, forçosamente traz outras leis, como tentei lhe mostrar. Não estou preparado para lhe contar como acontece; posso apenas lhe dizer o que acontece. A memória enciclopédica, da qual estamos dotados, não é tão difícil de entender, quando você parar para considerar sua própria média de memória terrena. Você não é continuamente perturbado pelos incidentes de sua vida, mas eles simplesmente estão ali, para serem relembrados, quando e onde desejar, e podem surgir nas ocasiões de momento. Um incidente chamará uma sequência de pensamentos com os quais a memória compartilha. Algumas vezes, você não consegue lembrar o que está em sua memória, mas no mundo espiritual você pode se lembrar imediatamente, sem esforços, e sem falhas. A mente subconsciente nunca esquece, e consequentemente nossos próprios feitos passados vêm como uma repreensão, ou ao contrário, de acordo com nossas vidas terrenas. Os registros nas chapas da mente verdadeira não podem ser apagados. Estão ali por todo o tempo, mas não nos assustam necessariamente, porque naquelas chapas também estão marcadas as boas ações, as ações bondosas, os pensamentos bondosos, e tudo aquilo pelo qual nos orgulharíamos de forma justa. E se estiverem escritas com letras maiores e mais enfeitadas do que as coisas das quais nós temos remorso, então podemos car mais felizes. Claro, quando estamos no mundo espiritual nossas memórias são persistentemente retentivas. Quando frequentamos um curso de qualquer tema, vemos que aprendemos fácil e rapidamente, porque estamos livres das limitações que o corpo físico impõe sobre a mente. Se estamos adquirindo conhecimento, reteremos aquele conhecimento sem falhas. Se estivermos nos aperfeiçoando em algo que requer destreza das mãos, veremos que nossos corpos espirituais respondem aos impulsos de nossas mentes imediatamente e com exatidão. Para se aprender a pintar um quadro, ou a tocar um instrumento, apenas para se mencionar duas atividades comuns no mundo, são tarefas que podem ser levadas a termo em uma fração do tempo que levariam quando estávamos encarnados. Para se aprender a projetar um jardim espiritual, por exemplo, ou para se construir uma casa, veremos que os conhecimentos pré-requisitados são adquiridos com a mesma facilidade e rapidez – tanto quanto nos permita nossa inteligência, já que nem todos somos dotados de intelectos acurados no momento em que nos desfazemos de nossos corpos físicos. Se fosse o caso, estes reinos seriam habitados por super-homens e supermulheres, e estamos bem longe disso! Mas nossa inteligência pode ser aumentada; é parte de nosso progresso, já que o progresso não é apenas espiritual. Nossas mentes têm recursos ilimitados para o desenvolvimento e expansão intelectual, não importando o quanto atrasados fôssemos quando chegamos no mundo espiritual . E nossa progressão intelectual avançará certa e rmemente, de acordo com nossos desejos de fazê-lo, com os mestres sábios e capazes, de todos os ramos de conhecimento e aprendizado. E ao longo de nossos estudos, seremos assistidos por nossa memória retentiva e infalível. Não haverá esquecimentos.

Vamos ao corpo espiritual em si. O corpo espiritual é, falando amplamente, a contrapartida de nossos corpos terrenos. Quando chegamos ao mundo espiritual, somos, reconhecidamente, nós mesmos. Mas deixamos para trás de nós as nossas inaptidões físicas. Temos nossos membros, nossa visão e nossa audição plenos; de fato, todos os nossos sentidos estão funcionando plenamente. Realmente, os cinco sentidos, como os conhecemos na terra, tornam-se vários graus mais acurados quando desencarnamos. Qualquer condição supernormal ou subnormal do corpo físico, como corpulência ou magreza, se esvai quando chegamos nestes reinos, e aparecemos como deveríamos ser, se a terra não tivesse uma variedade de razões que nos zeram ser de outra forma. Há uma fase em nossas vidas na terra que chamamos a or da idade. É para esta forma que todos mudamos. Os que são velhos ou mais velhos que isso quando passam para o mundo espiritual, voltarão ao período da or da idade. Outros, que são jovens, avançarão em direção a esta fase. E todos nós preservamos nossas características naturais – elas não nos deixam. Mas vemos que muitas características físicas menores bem que poderíamos dispensar, deixamos com nossos corpos físicos certas irregularidades do corpo com as quais talvez nascemos, ou que aconteceram a nós durante o curso do tempo. Quantos de nós, penso eu, estando encarnados, não pensam em alguma melhora que gostariam de fazer em nossos corpos físicos, se fosse possível? Não muitos! Eu já lhe contei sobre como as árvores crescem neste reino, em estado de perfeição – eretas, limpas e bem formadas, porque não há rajadas de vento para incliná-las e torcer seus galhos novos até a malformação. O corpo espiritual é sujeito às mesmas leis, aqui no plano espiritual. As tempestades da vida podem torcer o corpo físico, e se esta vida for espiritualmente horrível, o corpo espiritual será similarmente torcido. Mas se a vida terrena for espiritualizada, o corpo espiritual será correspondente. Há muitas almas lindas habitando corpos terrenos deformados. Há muitas almas malignas habitando corpos terrenos bem formados. O mundo espiritual revela a verdade para que todos vejam. Como o espírito aparece anatomicamente, perguntaria você? Anatomicamente, exatamente como o seu corpo. Temos músculos, temos ossos, temos tendões, mas eles não são da terra; são puramente do espírito. Não sofremos de dores – isso seria impossível no mundo espiritual. Portanto, nossos corpos não requerem constantes cuidados para se manter em estado de saúde perfeita. Aqui, nossa saúde é sempre perfeita, porque temos um grau de vibração em que a doença, e os germes que a causam, não podem entrar. Má nutrição, no sentido em que a conhecem, não pode existir aqui, mas a má nutrição espiritual – isto é, de alma – mais certamente existe. Uma visita aos reinos trevosos e suas vizinhanças logo revelam isso! Parece estranho que um corpo espiritual possa ter unhas ou cabelos? Como queriam que fôssemos? Não diferentes de vocês neste aspecto, não é? Não seríamos um espetáculo revoltante sem nossos traços anatômicos e característicos? Parece uma frase elementar, mas algumas vezes é necessária e eciente para enunciar o elementar. De que é coberto o corpo espiritual? Muitas pessoas – penso que seria verdadeiro dizer a grande maioria – acordam nestes reinos vestidos com a contrapartida das roupas que usavam quando na carne na hora da transição. É razoável que assim seja, porque tal traje é usual, especialmente quando a pessoa não tem maiores conhecimentos das condições espirituais. Poderão car assim vestidas por tanto tempo quanto queiram. Seus amigos terão contado de seu verdadeiro estado, e podem mudar para as roupas espirituais se assim desejarem. A maioria das pessoas ca muito feliz por poder fazer a troca, já que o velho estilo de roupas terrenas parece bastante apagado nestes reinos tão coloridos. Eu não estava aqui há muito tempo, quando descartei minha roupagem clerical em troca de meu verdadeiro traje. Preto também é uma cor muito sombria dentro desta galáxia de cores. As roupagens espirituais são longas; isto é, alcançam os pés. São sucientemente longas para caírem em dobras suaves, e é nestas dobras que aparecem as mais lindas nuances e tonalidades de cores, pelo efeito do que na terra seria chamado 'luz e sombra'. Seria impossível transmitir a você algo compreensível sobre as características adicionais diferentes que compõem a vestimenta espiritual. Muitas pessoas são vistas usando um cinto ou uma faixa em torno da cintura. Algumas vezes são do mesmo material, outras vezes parecem ser entrelaçados ou tecidos de ouro ou prata. Em todos os casos, são galardões por serviços prestados. Não há como se conceber o brilho superlativo dos cintos dourados ou prateados que são usados pelas grandes personalidades dos reinos mais elevados. Usualmente, são adornados com as mais lindas pedras preciosas dos mais variados formatos, montadas em engastes maravilhosamente trabalhados, de acordo com os ditames que regulam tais assuntos. Os seres mais evoluídos também serão vistos usando os mais magnícos diademas, tão brilhantes quanto seus cintos. As mesmas leis se aplicam aqui. Os de grau menor em evolução podem usar, talvez, tais adornos com os que descrevi, mas de formatos bem diferentes. Há um enorme conhecimento da espiritualidade por trás de todo esse assunto de adornos espirituais, mas um fato pode ser completamente colocado: todos estes adornos devem ser conquistados. Os galardões somente são dados por merecimento. Podemos usar o que gostarmos em nossos pés, e a maioria de nós prefere usar uma cobertura de qualquer tipo. Usualmente é uma sandália ou um sapato leve. Já vi muita gente por aqui que tem preferência por andar descalço, e assim o fazem. Tudo bem, não acarreta comentários de espécie alguma. É natural e comum entre nós. O material de que são feitas nossas vestimentas não é transparente, como alguns talvez estariam imaginando! É sucientemente substancial. E o por quê de não ser transparente é que nossas roupas têm o mesmo grau vibracional que aquele que a usa. Quanto mais alto se progride, mais elevado este grau é, e, consequentemente, os moradores das altas esferas têm uma inimaginável sutileza no corpo espiritual e nas vestimentas. Esta sutileza é mais aparente a nós que a eles, isto é, externamente, pela mesma razão que uma pequenina luz parecerá bastante brilhante por estar na escuridão. Quando a luz se intensica mil vezes – e é o caso dos mais altos planos – o contraste é imensuravelmente maior. Raramente cobrimos a cabeça. Não me lembro de ter visto nada disso por aqui, neste reino. Não precisamos de proteção contra os elementos! Penso que você já concluiu agora que ser um espírito pode ser uma experiência bem agradável. E em meus passeios por este reino de luz ainda estou por achar pelo menos um que trocaria de boa vontade esta vida livre no mundo espiritual pela antiga vida no plano terrestre. Experto crede!

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.