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Capítulo 22 de 34
V. Posição Geográfica — parte 1 de 4
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1
O que é posição geográca no mundo espiritual, em relação ao mundo terreno? Muitas pessoas pensaram nisto em diversas ocasiões – e incluo-me entre eles! E isso leva a uma outra questão, concernente à disposição dos outros reinos, dos quais apenas dei-lhe alguns detalhes. Eu já lhe contei como, quando cheguei no momento crítico nal, deitado em minha cama de doença terrena, eu nalmente senti um desejo de me levantar, e que cedi a este desejo com facilidade e sucesso. Neste caso em particular, a linha de demarcação foi bastante na entre o m de minha vida terrena e o começo de minha vida espiritual, porque eu estava de posse plena dos meus sentidos, completamente consciente. A real transição de um mundo para o outro foi, a este respeito, imperceptível. Mas posso estreitar as coisas ainda mais, recordando que houve um momento em que as sensações físicas referentes à minha última doença deixaram-me abruptamente, e no lugar delas, uma sensação deliciosa de alívio físico e paz mental envolveram-me completamente. Senti que queria respirar profundamente, e assim z. O impulso de me levantar da cama, e a retirada de todas as sensações físicas, marcam o instante de minha 'morte' física e o nascimento no mundo do espírito. Mas quando isso aconteceu, eu ainda estava em meu quarto terreno e, portanto, pelo menos uma parte do mundo espiritual deve interpenetrar o mundo terrestre. Esta experiência em particular vai nos dar um ponto de partida para nossas explorações geográcas. O próximo evento de minha transição foi a chegada de meu amigo Edwin, e nosso reencontro depois de um lapso de anos. Aparentemente, o encontro se deu no meu quarto. Então, depois de nos cumprimentarmos e conversarmos por um curto espaço de tempo, Edwin propôs que saíssemos daquele ambiente, o qual, nas circunstâncias, estava bastante sombrio. Ele me pegou pelo braço, pediu que eu fechasse os olhos e eu senti que me movimentava sutilmente pelo espaço. Não tive uma percepção clara de direção. Somente sabia que estava viajando, mas se era para cima ou para baixo, era impossível dizer. Nossa velocidade aumentou até que ele me pediu que, nalmente, abrisse os olhos e me vi diante de minha casa espiritual. Desde aquele dia aprendi muitas coisas, e uma das primeiras lições foi a arte da locomoção pessoal através de outros meios que não fosse o andar. Há imensas distâncias aqui para serem cobertas, e algumas vezes devemos fazêlo instantaneamente. Isso é feito pelo poder do pensamento, como já lhe delineei. Mas o fato mais estranho para mim, no começo, era que quando eu me movia no espaço em qualquer velocidade maior que a do andar, percebia que não tinha absolutamente um senso de direção, mas apenas o de movimento. Se eu escolho fechar meus olhos enquanto viajo em velocidade regular, meramente me fecho para a paisagem, ou qualquer visão que me rodeie. Pode-se pensar que alguém pode se perder. Isto está fora de questão. Esta ausência de direção de forma alguma interfere na forma inicial de pensamento na função de locomoção. Uma vez que nos determinamos a ir a algum lugar, colocamos os pensamentos em ação e eles, por sua vez, - instantaneamente – colocam nossos corpos espirituais em movimento. Alguém pode até dizer que é preciso 'não se pensar no assunto'. Falei com outras pessoas sobre o assunto, e comparei depoimentos gerais – é algo que todos fazemos quando somos recém-chegados no mundo espiritual; e nunca nos faltam bons amigos que nos ajudam nas nossas diculdades iniciais. Descobri que é comum a todos, aqui no mundo espiritual, esta ausência de percepção direcional quando se move rapidamente. Claro, quando viajamos instantaneamente não há 'tempo' a ser observado, de qualquer forma. Não há um intervalo observável de tempo entre o momento em que saímos de nosso destino e o momento em que lá chegamos. Percebe-se que a partir deste fator de direcionamento não percebido, se é que posso nomear desta forma, que assinalar uma localização precisa no mundo espiritual, relativa ao mundo terreno, é um tema difícil. Realmente, duvido que alguém novato no mundo espiritual poderia arriscar adivinhar a sua posição geográca relativa. Claro, há grandes quantidades de pessoas que jamais raciocinarão sobre tais assuntos. Cortaram toda a conexão com o mundo, e deixaram para trás para sempre. Sabem que estão positivamente vivos no mundo espiritual, mas quanto à sua posição exata no universo, nem se incomodam. Mas no nosso caso é diferente. Eu estou em comunhão ativa com o mundo terreno, e penso que seria interessante se eu tentasse transmitir alguma ideia de onde os planos espirituais estão situados. O mundo espiritual está dividido em esferas ou reinos. Estas duas palavras designantes passaram à aceitação entre a maioria dos que na terra têm um certo conhecimento da comunicação com o nosso mundo, e a praticam. Falando com você desta forma, usei palavras intercambiáveis. Elas bastam para o nosso propósito – não posso pensar em nada melhor. Foram dados números a estas esferas por alguns estudiosos, começando pela primeira, que é a mais baixa, até a sétima, a mais alta. É costumeiro entre a maioria de nós, seguir este sistema de numeração. A ideia iniciou, como me disseram, no nosso lado, e é um método útil e conveniente de se informar a alguém de sua posição na escadaria da evolução espiritual. As esferas do mundo espiritual são percorridas em uma série de faixas formadas por uma série de círculos concêntricos em torno da terra. Estas faixas alcançam o espaço innito, e estão ligadas invisivelmente com a terra em sua menor revolução, em torno de seu eixo, e, claro, em sua maior revolução, em torno do sol. O sol, entretanto, não tem inuência no mundo espiritual. Não temos consciência dele, já que é puramente material. Uma exemplicação dos círculos concêntricos nos é dada quando nos contam que uma visita de uma esfera superior está descendo até nós. Ele está, relativamente, acima de nós, tanto espiritualmente quanto espacialmente. Os baixos reinos trevosos estão situados perto do plano da terra, e a interpenetram até o mais fundo. Foi através destes reinos que passei com Edwin, quando ele veio me levar até minha casa espiritual, e foi por esta razão que ele me recomendou que eu fechasse os olhos rmemente, até que me dissesse para abri-los novamente. Eu estava sucientemente alerta – demais, porque estava plenamente consciente – senão veria alguma coisa tenebrosa que o mundo lançou para estes lugares escuros.
Com o mundo espiritual construindo uma série de círculos concêntricos, tendo a terra aproximadamente no centro, vimos que as esferas são subdivididas lateralmente, para corresponderem amplamente às várias nações da terra, cada subdivisão estando situada imediatamente sobre sua nação correspondente. Quando você considera a imensa variedade de temperamentos nacionais e características distribuídas pela terra, não se surpreende que as pessoas de cada nação desejem gravitar sobre os de sua espécie no mundo espiritual, tanto quanto o fazem quando na terra. A escolha individual, claro, é livre e aberta a qualquer alma; ela pode viver em qualquer parte de seu próprio reino que lhe agrade. Não há fronteiras territoriais xas aqui, para separar as nações. Elas fazem suas próprias fronteiras invisíveis de temperamento e costumes, mas os membros de todas as nações da terra são livres para se mesclarem no mundo espiritual, e para terem prazer em um relacionamento social feliz e irrestrito. A questão da linguagem não apresenta diculdades, porque não somos obrigados a falar em voz alta. Podemos transmitir nossos pensamentos uns aos outros com certeza de que serão recebidos pela pessoa a quem estamos endereçando mentalmente. Desta forma, a linguagem não constitui barreira. Cada uma das subdivisões do mundo espiritual tem suporte nas características de seu complementar terreno. Isso é apenas natural. Minha própria casa está situada nas vizinhanças que me são familiares e que são o complemento de minha casa terrena, em aparência geral. Estas vizinhanças não são uma réplica exata dos entornos terrestres. Por isso, quero dizer que minha casa espiritual está localizada num tipo de campo com o qual eu e meus amigos estamos familiarizados. Esta divisão de nações se estende apenas até um certo número de reinos. Além disso, a nacionalidade, como tal, cessa de ser. Retemos apenas nossas diferenças exteriores e visíveis, tais como as cores de nossa pele, seja amarela, branca ou negra. Não somos conscientes de nacionalidades como quando estávamos na terra ou durante nossas curtas estadias nos reinos de graus inferior. Nossas casas não terão uma aparência de nacionalidade denida a partir dali, e participaremos mais do puro espírito. Você vai se lembrar agora de como, ao se construir o anexo da biblioteca, eu lhe apresentei o governante do reino. Cada reino tem esta personalidade, apesar de que o termo 'governante' não é o melhor, porque pode transmitir uma impressão errada. Seria mais feliz e muito mais exato dizer-se que ele preside sobre todo o reino. Apesar de que cada reino tenha seu próprio governante residente, todos os governantes pertencem a uma esfera superior àquela que preside. A posição é tal que necessita altos atributos da parte do detentor, e o cargo é atribuído somente àqueles que tenham tido longa residência no mundo espiritual. Muitos deles estão aqui por centenas de anos. Grande espiritualidade apenas não é suciente; se fosse, haveria muitos espíritos maravilhosos que poderiam ocupar estes cargos com distinção. Mas um governante deve ter muita sabedoria e experiência de humanidade, e ainda mais, deve sempre poder mostrar discrição ao lidar com os vários assuntos que chegam diante dele. E toda a experiência e sabedoria dos governantes, toda a sua simpatia e entendimento, estão sempre à disposição dos habitantes de seu reino, enquanto sua bondade e innita paciência estarão sempre em evidência. Esta grande alma está sempre acessível a qualquer um que queira consultá-lo, ou a quem lhe traga seus problemas para serem solucionados. Nós temos os nossos problemas, assim como vocês os têm na terra, apesar de que nossos problemas são bem diferentes dos seus. Os nossos nunca são do tipo de preocupações e cuidados atormentadores do mundo. Falando de mim mesmo, meu primeiro problema, logo depois da transição, era como deixar certo o que eu considerava errado naquilo que z quando encarnado. Escrevi um livro no qual tratei a verdade da comunicabilidade com o mundo terreno com grande injustiça. Quando falei a Edwin sobre o assunto, ele – sem que eu soubesse – buscou o aconselhamento do governante do reino, e o resultado foi que outra grande alma veio discutir o problema comigo e oferecer sua ajuda e aconselhamento para as minhas diculdades. Foi o conhecimento do governante sobre meus problemas logo no começo que trouxe bom termo ao meu assunto. Pode-se ver através disto que o conhecimento de um governante sobre as pessoas sobre as quais ele preside é vasto. Para que não se pense que é humanamente impossível para uma mente carregar tanto conhecimento dos assuntos de tantas pessoas como as que temos no reino, entenda-se que a mente de um encarnado é limitada em seu campo de ação pelo cérebro físico. No mundo espiritual não temos um cérebro físico para nos tolher, e nossas mentes estão completamente receptivas a toda sabedoria que chega a nós. Não esquecemos o que aprendemos no mundo espiritual, mesmo sendo lições espirituais ou fatos. Mas leva tempo, como vocês diriam, para aprender, e é por isso que os governantes dos reinos levaram centenas de anos terrestres no mundo espiritual antes de terem a seu encargo tanta gente. Os governantes têm que guiá-los e dirigi-los, ajudá-los em seus trabalhos, e unir-se a eles em sua recreação, ser uma inspiração a todos, e agir, para com eles, em todos os sentidos da palavra, como um pai devotado. Não há coisas como infelicidade neste reino – não fosse por outra razão a não ser que seria impossível com tal grande alma para eliminar todos os nossos problemas. Cada esfera é completamente invisível aos habitantes da esfera abaixo dela, e a este respeito, pelo menos, ela providencia sua própria fronteira Numa jornada a um reino inferior, vê-se o terreno degenerar gradualmente. Conforme se vai a um reino superior, acontece justamente o contrário: vemos a terra em torno de nós tornar-se mais etérea, mais renada, e isto forma uma barreira natural aos que não tenham progredido o suciente para serem habitantes daquele reino. Bom, eu já lhe disse que os reinos estão uns acima de outros. Como, então, seria a continuidade, acima ou abaixo. Deve haver um ponto ou pontos em cada reino onde há uma inclinação distinta para cima, para um deles, e uma declividade distinta para o outro. Parece simples pensar, mas é o caso. Não é difícil imaginar, talvez, uma descida gradual para as regiões que são menos salubres. Para ajudar, podemos pensar nas nossas experiências terrestres, e recordar alguns lugares pedregosos que tenhamos visitado ou escalado, traiçoeiros aos pés, conduzindo a cavernas escuras, frias, úmidas e sem atrativos, onde podemos esperar todas as maneiras ruidosas de emboscadas esperando por nós. Podemos então lembrar que acima de nós, apesar de fora do campo de visão, brilha o sol, irradiando calor e luz sobre a terra, enquanto parecemos estar em outro mundo. Podemos explorar as cavernas subterrâneas até nos perder e perdermos o mundo para sempre. Mas sabemos que há, pelo menos, uma saída, se pudermos apenas achá-la, e se perseverarmos em nossas tentativas de escalar as paredes rochosas.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.