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Capítulo 3 de 34

Ii. Passagem Para A Vida Espiritual — parte 1 de 6

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

O processo real de desenlace não é necessariamente doloroso. Durante minha vida na terra, eu havia testemunhado muitas almas passando pela fronteira ao espiritual. Tinha tido a chance de observar com os olhos físicos as batalhas que acontecem quando o espírito almeja libertar-se para sempre da carne. Com minha visão psíquica também presenciei o espírito sair, mas em lugar algum pude descobrir - isto é, nas fontes ortodoxas – o que exatamente acontece no momento da separação, nem fui capaz de conseguir alguma informação sobre as sensações experimentadas pela alma que desencarna. Os escritores dos livros de textos religiosos não nos dizem nada de tais fatos por uma razão muito simples – eles nada sabem. O corpo físico muitas vezes parecia estar sofrendo demais, por uma dor real ou por uma respiração articial, ou mesmo asxiante. Por causa disso, tais passagens tinham a aparência de serem extremamente dolorosas. Será que seriam assim? – era a pergunta que sempre eu fazia a mim mesmo. Fosse qual fosse a verdadeira resposta, nunca pude realmente acreditar que o processo físico verdadeiro da “morte” fosse doloroso, ainda que assim aparentasse. Eu sabia que teria, um dia, a resposta à minha pergunta, e sempre desejei que, pelo menos, minha passagem não fosse violenta, por mais que pudesse ser. Minhas esperanças foram realizadas. Meu nal não foi violento, mas foi dicultoso, como foram tantos que testemunhei. Eu tive o pressentimento de que meus dias na terra estavam chegando a um m próximo somente um pouquinho antes de minha passagem. Havia um peso em minha mente, algo semelhante a uma sonolência, enquanto estive acamado. Muitas vezes senti a sensação de sair utuando e lentamente retornar. Sem dúvida, durante tais períodos, aqueles que cuidavam do meu bem estar físico tiveram a impressão de que, se não passasse realmente, estava caminhando rapidamente para isso. Durante os intervalos de lucidez que tive, não experimentei sensações de desconforto físico. Podia ver e ouvir o que acontecia em torno de mim, e podia “sentir” a tensão mental que minha condição estava ocasionando. Mas ainda tinha a sensação da mais extraordinária animação em minha mente. Eu sabia, com certeza, que minha hora de passar chegara, e estava pleno de ansiedade para ir. Não tinha medo, nenhum receio, nenhuma dúvida, nenhum arrependimento – até então – por sair assim do mundo terreno. (Meu arrependimento chegaria mais tarde, mas disto falaremos na ocasião correta). Tudo o que eu queria era ir-me de vez. Repentinamente, senti uma grande vontade de me levantar. Não tive qualquer sensação física, tanto como nos sonhos as sensações físicas são ausentes, mas eu estava mentalmente alerta, entretanto meu corpo parecia contradizer tal condição. Imediatamente a este ímpeto de me levantar, percebi que realmente estava fazendo isto. Eu, então, descobri que os que estavam em torno de minha cama não pareciam ter percebido o que eu estava fazendo, já que não zeram o menor esforço em me acudir, nem tentaram me proteger de forma alguma. Ao me voltar, percebi então o que acontecera. Vi meu corpo físico deitado sem vida sobre a cama, mas aqui estava eu, meu eu real, vivo e bem. Por um minuto ou dois, quei observando, e o pensamento do que fazer em seguida dominou minha mente, mas a ajuda estava próxima. Eu podia ainda ver bem claramente o quarto em torno de mim, mas havia uma certa névoa nele, como se tivesse sido preenchido com fumaça muito bem distribuída. Olhei para mim mesmo, imaginando o que estaria usando como roupa, porque havia obviamente acabado de me levantar de uma cama de enfermo e não estive em condições de me mover para longe dali. Fiquei extremamente surpreso ao ver que usava minha roupagem usual, como a que usava quando me locomovia livre e saudavelmente em minha própria casa. Minha surpresa foi momentânea, já que pensava comigo mesmo, que espécie de roupagem esperava que usasse? Certamente que não seria alguma coisa diáfana. Tal costume é normalmente associado à ideia convencional de um anjo, e eu não necessitava assegurar-me de que não era um deles! O conhecimento do mundo espiritual que pude obter pelas minhas experiências instantaneamente veio em meu auxílio. Eu soube rapidamente da alteração que ocorrera em minha condição; soube, em outras palavras, que havia “morrido”. Soube, também, que estava vivo, e que afastara de mim minha última doença a ponto de car em pé e olhar em torno. Em nenhum momento quei preocupado, mas estava ansioso pelo que aconteceria em seguida, já que aqui eu estava, totalmente imbuído de minhas faculdades mentais, e, sem dúvida, sentindo-me "sicamente" como jamais me sentira antes. Apesar de ter levado certo tempo para ser contado, para que fosse passado o maior número de detalhes possível, todo o processo deve ter levado apenas alguns minutos na contagem de tempo da terra. Tão logo gastei este breve tempo para olhar em torno de mim e apreciar meu novo estado, vi que estava acompanhado por um antigo colega – um sacerdote – que havia passado para esta vida alguns anos antes. Cumprimentamo-nos afetuosamente, e percebi que se vestia como eu. Novamente, isso não me pareceu estranho, porque se ele estivesse vestido de outra forma, eu teria sentido que algo estava errado, já que eu somente o havia visto com as vestimentas clericais. Ele expressou seu grande prazer ao me ver novamente, e de minha parte antevi a ligação de muitos os que haviam sido rompidos com sua “morte”. Nos primeiros momentos permiti que ele zesse todo seu discurso; eu ainda não havia me acostumado à novidade das coisas. Pois você deve se lembrar que eu havia acabado de me levantar da cama por uma doença terminal, e que na retirada do corpo físico eu havia também retirado de mim a moléstia, e a nova sensação de conforto e a liberação dos males do corpo eram tão gloriosas que levou uns momentos para que eu compreendesse totalmente. Meu velho amigo pareceu saber logo a extensão de meu conhecimento, que eu estava consciente de ter passado para cá, e de que tudo estava bem. E aqui deixe-me dizer que toda a ideia de um “tribunal” ou de “dia do juízo” foi totalmente varrida de minha mente no real processo de transição. Era tudo normal e natural demais para sugerir a pavorosa provação que deveríamos passar depois da “morte”. As concepções de “julgamento” e “inferno” e “céu” pareciam hoje impossíveis. Indubitavelmente, elas eram totalmente fantasiosas, agora que me via vivo e bem, “vestindo minha mente verdadeira”, e, de fato, vestindo minhas roupagens habituais, e diante de um velho amigo, que apertava cordialmente minhas mãos, cumprimentando-me dando suas saudações, demonstrando exteriormente – e neste caso – genuínas manifestações de ter prazer em me ver, tanto quanto eu tinha prazer ao vê-lo. Ele, em si, apresentava muito boa vontade ao estar ali, dando-me as boas vindas como, no plano terrestre, dois velhos amigos fazem depois de longa separação. Isto, em si, foi suciente para mostrar que todos os pensamentos de ser conduzido a um julgamento eram inteiramente ridículos. Nós dois estávamos tão alegres, tão felizes, tão despreocupados e tão naturais, e eu, por mim, esperava excitado por qualquer forma de revelação prazerosa sobre este mundo novo; e sabia que não poderia haver ninguém melhor que meu velho amigo para dá-la a mim. Ele disse-me que me preparasse para um número imensurável de surpresas as mais agradáveis, e que ele havia sido enviado para encontrar-se comigo em minha chegada. Como ele já sabia o limite de meus conhecimentos, assim sua tarefa era mais fácil.

Tão logo pude dominar minha língua, depois de nosso primeiro colóquio, percebi que falamos como sempre o zemos na terra, isto é, simplesmente usamos nossas cordas vocais e falamos, quase como usualmente. Não requeria pensar, e realmente não pensei em nada. Meramente percebi que era assim. Meu amigo então propôs que, já que não tínhamos necessidade nem éramos chamados a estar nas imediações do meu passamento, poderíamos seguir adiante, e ele me levaria para um “lugar” muito agradável e que havia sido aprontado para mim. Ele fez a referência a um “lugar”, mas apressou-se em explicar que, na realidade, eu estava indo para a minha própria casa, onde me sentiria imediatamente “em casa”. Sem saber, então, como se procedia, ou, em outras palavras, como faria para chegar lá, coloquei-me inteiramente em suas mãos, e era precisamente para isto, ele me disse, que ele estava ali! Não pude resistir ao impulso de me virar e dar uma última olhada ao quarto de minha transição. Ainda apresentava a aparência enevoada. Aqueles que inicialmente estiveram ali haviam saído, e pude me aproximar da cama e olhar para “mim mesmo”. Não quei nada impressionado pelo que vi, mas os restos de meu corpo físico pareciam bem plácidos. Meu amigo então sugeriu que fôssemos então, e estando de acordo, movemo-nos dali. Conforme partimos, o quarto gradualmente tornou-se mais enevoado, até que, sumindo de minha visão, nalmente desapareceu. Até então, eu tinha o costume, como é usual, de usar minhas pernas num passeio simples, mas em vista de minha última moléstia e pelo fato de, consequentemente, eu precisar de um período de descanso antes de me exercitar mais, meu amigo disse-me que seria melhor que não usássemos os meios costumeiros de locomoção – nossas pernas. Então ele pediu que segurasse sua mão rmemente e não tivesse medo de nada. Eu poderia, se quisesse, fechar os olhos. Talvez fosse melhor, disse ele, que assim eu zesse. Peguei seu braço e deixei o resto com ele, como havia dito. Logo experimentei a sensação de utuar, como nos sonhos físicos, apesar de que este era bem real e desprovido de qualquer dúvida a respeito de segurança pessoal. O movimento pareceu tornar-se mais rápido conforme o tempo passava, e eu ainda mantinha meus olhos fechados. É estranha a determinação com que se fazem as coisas por aqui. No plano terrestre, se circunstâncias similares fossem possíveis, quantos de nós teriam fechado os olhos em plena conança? Aqui não havia sombra de dúvida de que tudo estava bem, de que não havia nada a temer, que nada de mal poderia acontecer, e que, acima de tudo, meu amigo tinha controle completo da situação. Depois de um intervalo, nossa progressão de alguma forma pareceu diminuir, e pude sentir que havia algo sólido sob meus pés. Disseram-me que abrisse meus olhos. Assim z. O que vi foi minha antiga casa, onde havia morado no plano terrestre; minha velha casa – mas com uma diferença. Era melhorada de uma forma que não sou capaz de fazer em sua contrapartida terrena. A casa em si foi rejuvenescida, como me pareceu num primeiro olhar, mais que restaurada, mas foram os jardins em torno dela que me atraíram a atenção mais rmemente. Pareciam ser mais amplos, e estavam num estado da mais perfeita ordem e arranjo. Mas com isso não quero dizer a ordem comum a que estamos acostumados a ver nos jardins públicos no plano terrestre, mas que eles eram magnicamente mantidos e cuidados. Não havia crescimento desordenado ou emaranhados de folhagem ou ervas daninhas, mas a mais gloriosa profusão de ores maravilhosas, arranjadas de tal forma a mostrarem-se em absoluta perfeição. ser mais amplos, e estavam num estado da mais perfeita ordem e arranjo. Mas com isso não quero dizer a ordem comum a que estamos acostumados a ver nos jardins públicos no plano terrestre, mas que eles eram magnicamente mantidos e cuidados. Não havia crescimento desordenado ou emaranhados de folhagem ou ervas daninhas, mas a mais gloriosa profusão de ores maravilhosas, arranjadas de tal forma a mostrarem-se em absoluta perfeição. Das ores em si, quando fui capaz de observá-las mais acuradamente, devo dizer que jamais vira algo parecido, nem suas réplicas sobre a terra, de tantas que havia lá, em plena orescência. Numerosas pareciam ser de antigas orescências familiares, mas de longe, na maioria pareciam ser completamente novas no meu parco conhecimento sobre ores. Não foram apenas as ores em si e sua inacreditável variedade de colorações soberbas que captaram minha atenção, mas a atmosfera vital da vida eterna que elas emanavam, como eram, em todas as direções. E conforme alguém se aproximava de qualquer grupo em particular de ores, ou mesmo de qualquer um botão, parecia que emanavam grandes correntes de poder energizante, que elevava espiritualmente a alma e lhe dava força, enquanto os perfumes celestes que exalavam eram tais, que nenhuma alma vestida em seu manto de carne jamais experimentou. Todas estas ores eram vivas e respiravam, e eram, como informou meu amigo, incorruptíveis. Havia outro fato espantoso que percebi quando delas me aproximei, era o som de música que as envolvia, fazendo suaves harmonias conforme correspondiam exata e perfeitamente com as cores lindas das ores em si. Temo que eu não seja sucientemente culto, musicalmente, para poder lhe dar uma explanação técnica do som neste fenômeno maravilhoso, mas espero trazer a você alguém com conhecimento neste campo, que seja capaz de aprofundar a explicação com mais precisão. Basta por agora, então, dizer que estes sons musicais estavam em consonância com tudo o que havia visto até então – que era muito pouco – e que em todos os lugares havia harmonia perfeita. Eu já estava de tal forma cônscio do efeito revitalizante deste jardim celestial que quei ansioso em conhecer mais dele. E assim, na companhia de meu velho amigo, sobre quem eu me apoiava para ter informações e aconselhamentos, andei pelas alamedas do jardim, pisei a primorosa grama, cuja elasticidade e maciez faziam o passeio comparável a um “passeio nas nuvens”; e tentei compreender que esta superlativa beleza era parte de minha própria casa. Havia árvores esplêndidas para serem vistas; nenhuma delas era mal formada como estamos acostumados a ver na terra, mas não havia sinal de uma estrita uniformidade de padrão. Simplesmente, cada árvore estava crescendo sob condições perfeitas, livre de rajadas de ventos que dobram e torcem os galhos novos, e livre de ser atacada por insetos e das muitas outras causas de deformidades das árvores da terra. Como as ores, também eram as árvores: Elas vivem para sempre, incorruptíveis, sempre cobertas com sua manta de folhas de todos os tons de verde, e sempre emanando vida a todos os que se aproximam delas. Eu observei que elas não pareciam ter o que normalmente chamaríamos de sombra abaixo delas, tampouco não parecia haver sol escaldante. Parecia que havia uma radiação de luz que penetrava em cada canto, mas mesmo assim não havia indício de planura. Meu amigo contou-me que toda luz vinha diretamente do Doador de toda luz, e que esta luz era divina como Ele, e que banhava e iluminava a totalidade do mundo espiritual onde viviam os que tinham espiritualmente olhos para ver. Percebi, também, que um calor confortável invadia cada polegada do espaço, um calor tão constante quanto perfeitamente sustentado. O ar tinha uma imobilidade, mas havia uma leve brisa perfumada – o mais verdadeiro zéro – que de forma alguma alterava o delicioso bálsamo da temperatura. E aqui, deixe-me contar aos que não se importam muito com 'perfumes' de nenhuma espécie: Não se desapontem quando lerem estas palavras, e saibam que não seria o céu a vocês, se houvesse alguma coisa que não gostassem. Esperem, digo eu, até que testemunhem estes fatos, e sei que então terão outra opinião sobre eles. Tenho mencionado tudo com bastantes detalhes porque estou certo de que há muita gente que quer saber sobre tudo isto.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.