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Capítulo 30 de 34

Xii. Pessoas Famosas — parte 1 de 5

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

Sair da terra e residir permanentemente no mundo espiritual é a revolução pessoal que podem imaginar. É verdade que, para muitos, todos os laços são cortados, mas quando passamos ao mundo espiritual encontramos novamente os parentes e amigos que vieram antes de nós. A este respeito, começamos um novo período de nossas vidas, totalmente diferente, uma nova vida que começa quando entramos no mundo do espírito. Os encontros com parentes e amigos são algo que deve ser experimentado para se alcançar toda a signicação e a alegria de voltar a se unir. Tais encontros só acontecem quando há simpatia mútua e afeição. Não será considerado outro tipo, por ora. Estes encontros continuarão por um tempo depois da chegada do novo residente. É natural que, com a novidade sobre o lugar e as condições, sejam gastos uns momentos para a troca de notícias, e para se escutar tudo o que aconteceu nas vidas espirituais daqueles que foram 'defuntos' antes de nós. Eventualmente, tempo virá em que os recém-chegados vão cogitar sobre o que fazer com suas vidas espirituais. Agora, devo dizer que, para a maioria de nós, no plano terrestre temos uma existência dupla – uma vida em casa e uma vida conectada com os nossos negócios ou ocupações. Nesta última, associamo-nos, talvez, com um grupo completamente diferente de pessoas. É normal, portanto, na ordem natural das coisas aqui no mundo espiritual, que muito do mesmo estado de coisas também exista. O cientista, por exemplo, encontrará, antes de tudo, suas conexões familiares. Quando a questão de trabalho surgir, ele se verá entre seus antigos colegas que já passaram para o mundo espiritual antes dele, e novamente vai se sentir mais do que em casa. E cará mais do que feliz pelo prospecto da pesquisa cientíca que se abre diante dele. Acontece o mesmo com o músico, o pintor, o autor, o engenheiro, o doutor, o jardineiro, o pedreiro, ou com o homem que tecia tapetes numa fábrica, apenas para mencionar uma fração das muitas ocupações, tanto da terra quanto do mundo espiritual. Pode-se ver que a questão que muita gente coloca, - isto é, 'o que acontece com as pessoas famosas no mundo espiritual?' – praticamente se responde por si mesma. A fama no mundo espiritual é bastante diferente da fama na terra. A fama espiritual traz em si distinções bem diferentes das distinções terrenas, e são obtidas apenas de uma forma – a serviço de outros. Soa simples demais para ser possível, mas é o caso, e ninguém vai mudar isso. Se alguém famoso na terra virá residir nos reinos de luz, imediatamente depois de seu desenlace, isso é com ele. A lei se aplica para todos, independentemente da posição terrena. Um certo questionamento a respeito do destino dos mais conhecidos na terra acontece à maioria das pessoas que estão no começo de seus estudos psíquicos. O mero fato de serem bem conhecidos é suciente. Mas ninguém desperta mais curiosidade que as pessoas historicamente famosas. Onde estarão eles – os mestres de todos os ramos da evolução terrena, os nomes que são familiares pelos livros de história? Eles devem estar em algum lugar. Certamente estão. Um bom número deles pode ser achado nos reinos trevosos, onde estão morando por incontáveis séculos, e prevê-se que continuem ali por mais incontáveis séculos. Outros estão em elevados planos de luz e beleza, onde suas nobres vidas na terra encontraram seu justo galardão. Mas há muitos, uma grande maioria, que se encontram nos reinos dos quais tentei dar a você uma descrição. Não posso fazer nada melhor do que dar um exemplo, do qual, para o nosso propósito, consegui alguns detalhes. É sobre a passagem ao mundo espiritual de um personagem da realeza. Tomei este exemplo porque, apesar de ser extremo, demonstra, de forma mais clara que qualquer outro, os princípios que governam a vida em geral no mundo espiritual. Neste caso em particular, soubemos antes que este personagem estava para chegar ao mundo espiritual. Seus compatriotas estavam naturalmente interessados no que ia acontecer. Sua família, como qualquer outra família por aqui, estava pronta e esperando por sua chegada. Uma breve doença foi a causa de sua passagem para cá, e, tão logo o desenlace aconteceu, ele foi levado para a casa de sua mãe, que tinha tudo pronto para ele. A casa era bem comum, similar, falando de forma geral, a outras por aqui. As notícias de que ele chegara se espalharam. Não havia nenhuma alegria generalizada, como a que acontece na terra quando se chega são e salvo em casa, mas uma alegria foi sentida por todos aqueles diretamente ligados a esta gura tão conhecida e amada. E ali ele cou por um tempo, apreciando a segregação e a liberdade de ação e a simplicidade de vida que lhe fora negada na terra. Ele precisava descansar depois de sua vida ativa e da doença que terminou seu período na terra. Numerosas pessoas que zeram parte de seu círculo ocial e de seu círculo privado, e que vieram para cá antes dele, perguntavam sobre ele, mas ainda não o tinham visto. Houve, é claro, uma grande reunião familiar, e assim que ele descansou o suciente, ele desejou ver as maravilhas de sua nova vida. Ele reteve bastante de sua forma anterior e de sua aparência pessoal. Os sinais da doença e do cansaço mental e físico desapareceram, e ele parecia alguns anos mais jovem. O descanso atingiu seu propósito, como sempre acontece. Enquanto ele passeava, era reconhecido pelo que tinha sido, e respeitado por isso, mas foi respeitado e festejado ainda mais pelo que agora era. Bem, você pode achar que tão logo ele encontrasse e confraternizasse com seus compatriotas, estes demonstrassem algum embaraço, talvez, e exibissem um ar de desconança, como necessariamente fariam se estivessem na terra. Mas, durante aquele período de recuperação, muita coisa lhe foi explicada sobre as condições da vida no mundo espiritual, seus métodos, suas leis, e seus agradáveis costumes. Estas revelações deixaram-no muito feliz, e ele soube que assim que saísse da temporada de exclusão na casa de sua mãe para se aventurar lá fora, ele poderia fazê-lo com uma liberdade que só é encontrada nos planos espirituais, onde os habitantes o encarariam sob o prisma que ele gostaria de ser encarnado – o de um homem desejoso de se agrupar a estes companheiros em sua alegria e felicidade. Ele sabia que seria tratado como um deles. Quando, entretanto, na companhia de membros de sua família, ele passeou através destes reinos numa viagem de descobertas que é comum entre os recém-chegados, ele não sentiu nele, nem causou em outros, nenhum sentimento de desconforto mental. Ninguém se referiu à sua posição terrena, a menos que ele mesmo mencionasse o fato, e não houve suspeita de interrogatórios ou mesmo curiosidade ignorante. Você pode pensar que alguém que ocupou uma posição tão elevada no plano da terra provocaria nos outros um sentimento de pena pela mudança de posição relativa que aconteceu. Mas nestes reinos não se externam tais sentimentos, nem seria permitido, pela razão de que nunca acontecerem ocasiões para tanto. Nós deixamos nossas importâncias terrenas para trás, e não nos referimos a elas exceto para mostrar, pelas nossas experiências, a outros ainda encarnados, o que devem evitar. Não revivemos nossas memórias para a autogloricação, ou para

impressionar nossos interlocutores. De fato, cariam ainda menos impressionados, e apenas conseguiríamos nos fazer de bobos! Aqui, reconhecemos a verdade, e a nossa verdade é para todos verem. São os valores espirituais que contam, e apenas isso, independentemente do que fomos na terra. As perspectivas e os pontos de vista alteram-se completamente quando se chega no mundo espiritual. Não importa quão poderosos tenhamos sido na terra, é somente nosso mérito espiritual que nos levará ao lugar certo no mundo espiritual, e são os feitos de nossa vida, sem se olhar a posição social, que, em nossa transição, nos assegurarão nossa própria residência. A posição é esquecida, mas os fatos e os pensamentos são as testemunhas pró ou contra nós, e tornamo-nos nossos próprios juízes. Não é difícil de se concluir, então, que quando o personagem real chegou no mundo espiritual, como outros de sua família antes dele, não encarou nenhuma diculdade ou situação complicada. Foi justamente o contrário, já que toda a situação parecia se simplicar por si mesma e providenciar a solução. Bem, o que se aplica neste caso extremo, aplica-se igualmente a todos os que foram famosos no plano terrestre. Mas como isso acontece com alguns cientistas muito conhecidos, por exemplo, ou um compositor ou pintor? Para nós – e para eles – eles serão aprendizes, e aprendizes humildes, também, em qualquer ramo da ciência ou arte a que suas vidas terrenas tenham conduzido. Para vocês, ainda encarnados, eles têm nomes famosos, e quando temos ocasião de nos referirmos a eles ao conversarmos com vocês, usamos os nomes pelos quais eles são conhecidos. Aqui, no mundo espiritual, eles não gostam de serem chamados de mestres ou gênios. Seus nomes, apesar de famosos, nada signicam a eles, pessoalmente, e eles repudiarão severamente qualquer coisa que, mesmo remotamente, lembre a adoração ao “herói” que o mundo lhes devotava. Eles são apenas um de nós, e assim querem ser – e são – tratados. No mundo espiritual, a lei de causa e efeito aplica-se igualmente a todas as pessoas, independentemente de seu status terreno anterior. Esta lei não é coisa nova. Sempre existiu, e assim cada nome famoso que pode ser encontrado nas crônicas das nações passa estritamente pela jurisdição desta lei. A alma que passa sua vida terrena na obscuridade, conhecido apenas por alguns, é sujeito à mesma lei tanto quanto a alma cujo nome seja uma palavra familiar entre as nações. Quando se vive nestes reinos, inevitavelmente encontra-se, mais cedo ou mais tarde, com alguma pessoa cujo nome é conhecido no plano terrestre. Mas estas pessoas famosas não têm ligação com o mundo terreno. Deixaram-no para trás, e muitos deles, que vieram para cá centenas de anos terrestres atrás, cam felizes por não precisarem se lembrar de suas vidas na terra. Estes, que sofreram uma violenta transição, cam felizes em considerar apenas o presente e deixam o passado selado em suas memórias. As pessoas da terra podem achar estranho que, ao andarmos por estes reinos, encontramos pessoas que viveram no plano terreno há centenas – e, em alguns casos, milhares – de anos atrás. Um encontro do passado, como era, com o eterno presente. Mas isso não é estranho para nós aqui. Pode ser, para os mais recentemente chegados para cá, mas aí há muitas outras coisas que podem parecer estranhas – antes. A discrição é uma coisa que aprendemos logo a exercitar, e incorpora-se ao fato de nunca espreitarmos os atos e circunstâncias das vidas terrenas de outras pessoas. Isso não signica que nos excluímos de discussões sobre nossas vidas terrenas, mas a iniciativa sempre virá da pessoa concernente. Se ela deseja contar a alguém sobre sua vida na terra, sempre encontrará ouvidos simpáticos e interessados aguardando. Você pode ver, então, que nossas vidas na terra são estritamente nossas. A discrição que exercitamos é universal entre nós – demonstramos e recebemos. E não importa qual seja nossa posição anterior na terra, somos unidos nestes reinos, espiritualmente, intelectualmente, temperamentalmente, e nas características humanas conforme nossos gostos e desgostos. Somos um; atingimos o mesmo estado de ser sobre o mesmo plano de existência. Cada face nova que entra nestes reinos recebe a mesma cordial recepção, sem referência ao que tenha sido na terra. Todos encontramos por aqui muitas pessoas que foram famosas na terra, em todos tipos de lugares e desempenhando todos os tipos de ocupação, algumas numa continuação de seus afazeres na terra, e algumas, talvez, inteiramente diferentes. Podemos, igualmente, nos aproximar de todos sem formalidade de nenhum tipo. Não precisamos de instruções para os homens e mulheres a quem a terra conhece como famosos. Seus dons estão à disposição de todos, e felizes são, sem dúvida, os que assistem os outros, os que vêm em busca de ajuda por causa de suas diculdades, tanto em arte quanto em ciência, ou em qualquer outra foram de atividade. Os grandes, que atingiram sua grandeza através de várias expressões de seus gênios, consideram-se a si mesmos apenas unidades ínmas de um vasto todo, a imensa organização do mundo espiritual. Todos estão se esforçando – como nós também – pelo mesmo propósito, que é o progresso espiritual e desenvolvimento. Eles são gratos por cada ajuda naquele sentido, e felizes por poderem colaborar sempre que possam. As riquezas e honras do mundo terreno parecem bem vulgares e baratas em comparação com as riquezas espirituais e honras que estão prontas para serem conquistadas por aqui. E estas riquezas e honrarias estão disponíveis a cada alma no instante em que adentram o mundo espiritual. Elas são o seu direito inato, do qual ninguém poderá privá-la, e este direito é seu tanto antes quanto depois de conquistá-las. As grandezas terrenas podem parecer bastante tangíveis, enquanto lá estamos. Podemos ver quão tangíveis são, tão logo nossa passagem para cá acontece. Aí é que descobrimos que é a grandeza espiritual que é concreta e permanente. Nossa proeminência terrena se esvai quando colocamos os pés no mundo espiritual e nos é revelado o que somos, não o que fomos. Várias pessoas famosas da terra contaram-me a respeito de seu despertar no mundo espiritual, e disseram-me sobre o choque da revelação que receberam quando se viram pela primeira vez como realmente são. Mas frequentemente a grandeza da posição terrestre anda passo a passo com a grandeza de alma, e desta forma a progressão espiritual e o desenvolvimento continuam sem interrupção desde o momento da passagem. XIII. ORGANIZAÇÃO Você já percebeu que o mundo espiritual é um lugar vasto e, com a terra em mente, você pode concluir que tem uma organização administrativa em todos os ramos, proporcional à sua demanda. Você está certo, é assim. Mas nossas necessidades não são as suas. Entre vocês, em seu mundo corruptível, há guerra constante contra o desgaste de material e a degeneração. Entre nós, em nosso mundo incorruptível, não temos disso. O nosso é um estado bem além da Utopia, em qualidade. Mas é um estado onde o pensamento é seu elemento básico.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.