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Capítulo 11 de 34
V. Salões De Aprendizado — parte 3 de 8
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1
Além destes dois grandes festivais, nós não temos muita coisa mais em comum com o mundo, em matéria de festas. A maioria delas são meramente eclesiásticas que não têm signicação em um senso mais profundo, já que tantas são o resultado de doutrinas religiosas que não têm aplicação no mundo espiritual. A festa da Epifania, por exemplo, está baseada numa história muito colorida, e era antigamente celebrada pelas pessoas numa forma secular, tanto quanto religiosa. Agora é somente religiosa, e de muito pouco reexo por aqui. A festa do Pentecostes é outro exemplo da cegueira da Igreja. O Espírito Santo – para usarmos a expressão da Igreja – foi, é, e sempre será a descida sobre todos aqueles que merecem recebê-lo! Não em uma ocasião especial, mas sempre. Eu e Ruth estávamos interessados em aprender como o Natal era celebrado nestes planos, pois, na terra, além de poucos serviços nas igrejas, a festa da Natividade evoluiu como uma festa secular, sendo o principal fato o comer e beber prodigiosamente. Edwin contou-nos que o espírito pode experimentar o mesmo grau de alegria que na terra, onde a alegria for a expressão ou o resultado da bondade; se o festejar for misturado com o reconhecimento ou a recordação daquele cuja data estamos comemorando. Aqueles que desejarem – e há muitos – podem decorar suas casas e locais de habitação com sempre-vivas, como fazíamos na terra. Quando digo sempre-vivas, quero mencionar aquelas árvores e arbustos em particular que na terra têm esse nome. Aqui, tudo é eternamente 'sempre-vivo'! Nós nos reunimos em grupos alegres, e se, por acaso, sentimos que não seria correto não ter algo que comer, então, há uma superabundância das mais perfeitas frutas, das quais já lhes contei, para deliciar os corações dos mais meticulosos. Mas contei a vocês apenas o lado mais pessoal desta festa. É neste tempo que temos visitantes dos planos mais elevados para nos ver, seres perfeitos, entre eles está aquele cujo aniversário terreno estamos celebrando. E estes lindos seres precisam apenas passar sobre nós em seus caminhos para nos deixar em êxtase pela emanação espiritual, que cará conosco por muito tempo depois que eles retornem aos seus altos planos. No tempo de Páscoa, temos visitas similares, mas há muito mais alegria, porque para nós é o nascimento no mundo espiritual que deve, pela natureza dos fatos, ser, de longe, o de maior signicação. Sem dúvida, quando uma vez tenhamos deixado o plano da terra, inclinamo-nos a esquecer nossos aniversários, já que o maior contém o menor. São somente nossas conexões terrenas, se tivermos alguma, que servirão para nos recordar. Alonguei-me neste tema para tentar mostrar-lhes que não vivemos em estado de religiosidade fervorosa para toda a eternidade. Somos humanos, apesar de que tanta gente ainda no plano da terra nos tenha de forma diferente! Tais pessoas inevitavelmente estarão na mesma posição que nós um dia, e calcula-se que nada instila maior humilhação quanto perceber o que mantivemos como opinião rme e decidida. Divaguei um pouco do nosso primeiro tópico quando nos jogamos na grama, mas na nossa conversação uma coisa puxou a outra, até que pareceu que nos desviamos do nosso curso. Só feita uma menção a respeito dos planos mais elevados. E sobre os planos mais baixos dos quais Edwin falara quando me referi às fronteiras deste reino em particular? Poderíamos visitá-las quando quiséssemos. Sempre podemos ir a um plano mais baixo que o nosso, e também não podemos ir aos mais altos. E nos foi avisado que não andássemos nas esferas inferiores a não ser com um guia conhecedor, ou quando for dada uma instrução apropriada. Antes de nos informar mais sobre este tema, Edwin aconselhou-nos a ver mais de nosso agradável plano primeiro. E agora sobre o que se constitui a fronteira precisa deste reino. Estamos acostumados ao conhecimento da esfericidade da terra e a ver com nossos olhos o horizonte distante. Ao contemplarmos este mundo espiritual devemos, em muitos aspectos, abandonar a ideia de distância que medimos com os olhos, já que a distância é anulada pelo nosso meio de trânsito, imensamente rápido. Qualquer sugestão de planura da terra é logo descartada pela visão das colinas e montes. Novamente, a atmosfera é cristalina e nossa visão não é limitada pelo instrumento de um corpo físico. Não somos obrigados a manter nossos pés no chão. Se podemos nos mover para todos os lados sobre essas terras pelo poder de nossos pensamentos, podemos também nos mover verticalmente – disse-nos Edwin. E devo dizer que isso nunca ocorrera a Ruth e a mim ainda. Estamos, de certa forma, ainda limitados pelas nossas noções terrenas e hábitos de pensamento. Se pudemos mergulhar água abaixo sem nos machucar, pelo contrário, com muita alegria, então, claro, poderemos voar pelos 'ares' com a mesma segurança e prazer! Ruth não expressou nem o mínimo desejo de fazer isso! Ela preferiu esperar, disse, até que que mais ambientada. De todo coração, compartilhei de seus sentimentos sobre esse assunto, o que causou ao nosso bom amigo a maior alegria. Ao mencionar essas poucas características, eu assim z porque o mundo sempre olhou para o mundo espiritual como estando, relativamente, acima ou abaixo. São considerações realmente de tipo muito cientíco, e não sou competente para elucidar mais sobre o tema; como habitante destes planos, minha perspectiva, mental e espiritual, teria que sofrer varreduras e mudanças fundamentais, apesar do fato de que eu tive algum conhecimento antes do passamento. Realmente, num átimo se sabe a localização precisa do mundo espiritual com suas muitas esferas ou reinos. Onde está o limite entre o mundo da terra e o mundo espiritual? No instante do meu passamento, do qual você se lembra, eu estava plenamente consciente quando me levantei da cama em resposta a um impulso bem denido. Naquele momento fui para o mundo espiritual. Os dois mundos, então, devem interpenetrar-se um em outro. Mas assim que me movi dali sob o auxílio e a guia de Edwin, estava consciente de que estava me movendo sem um rumo denido. Devo ter viajado para cima, ou para baixo, ou para os lados. Movimento, certamente foi. Edwin mais tarde informoume que atravessei as esferas mais baixas – e nada agradáveis – e pela autoridade de sua missão de vir ajudar-me neste reino, ambos estivemos protegidos contra toda e qualquer qualidade de inuência nefasta. Estivemos, com efeito, completamente invisíveis a todos, menos aos de nosso próprio reino e aos de acima de lá. A transição de um reino a outro é gradual no que se concerne à aparência exterior, tanto quanto a outros aspectos, por isso seria difícil assinalar qualquer localidade particular como limite. Desta forma, exatamente, situamse os limites de nosso reino. Parecem interpenetrar-se quase imperceptivelmente, um em outro. Edwin nos propôs que, para uma ilustração prática, deveríamos ir e ver tais limites que nos deixaram tão surpresos. Colocamo-nos novamente sob a guia sábia de Edwin e movemo-nos para lá. Num instante encontramo-nos sobre uma ampla extensão de gramado, mas percebemos que era menos macio abaixo de nossos pés; estava, de fato, cando cada vez mais duro à medida que andávamos. O lindo verde esmeraldino estava rapidamente esmaecendo, a grama começava a tomar uma triste aparência amarelada, bastante semelhante à grama da terra que foi queimada pelo sol e pela falta de água. Não vimos ores, nem árvores, nem habitações, e tudo parecia deserto e estéril. Não havia sinais de vida humana, e a vida parecia estar rapidamente desaparecendo debaixo de nossos pés, agora tendo a grama já desaparecido de vez, cando nós com os pés no chão batido.
Percebemos, também, que a temperatura caíra consideravelmente. Desaparecera todo aquele calor genial e confortante; havia um frio e uma umidade no ar que parecia nos dominar e gelar nossas almas. Pobre Ruth, agarrou-se nos braços de Edwin, e não me envergonho de dizer que z o mesmo, e quei feliz por isso. Ruth, visivelmente trêmula, parou abruptamente e nos implorou que não fôssemos adiante. Edwin enlaçou-nos, seus braços em torno de nossos ombros, e disse-nos que não tínhamos necessidade de termos o mínimo temor, pois ele tinha o poder de nos proteger completamente. Entretanto, ele podia ver o estado de profunda depressão, tanto quanto opressão, que havia nos dominado, e por isso virou-nos gentilmente, colocou suas mãos em nossas cinturas e mais uma vez nos vimos sentados abaixo daquelas lindas árvores, com as ores gloriosas ao nosso lado, e o nosso próprio ar cálido mais uma vez nos envolvendo com seu bálsamo celestial. É supéruo, talvez, acrescentar que Ruth e eu estávamos felizes por retornarmos à cidade novamente. Estivemos apenas no limiar das esferas inferiores, mas fomos longe o suciente para sabermos sobre o que há além. Eu sabia que levaria um tempo até que eu penetrasse ali, e podia agora perceber claramente a sabedoria das admoestações de Edwin. Enquanto estivemos no tema destas fronteiras espirituais, e apesar do fato de termos parado temporariamente com nossas explorações, não pude deixar de perguntar a Edwin sobre as fronteiras dos reinos mais elevados. Sabia que não poderia ser tão desagradável como essas, então sugeri que, para um contraste e para compensar nossa recente e gélida experiência em outra direção, que poderíamos talvez visitar o limite através dos quais os nossos celestiais visitantes passavam. Edwin respondeu que não havia objeções, e assim, mais uma vez, decolamos dali. Novamente nos encontramos num gramado, mas com uma diferença notável. A grama onde estávamos andando era innitamente mais macia que aquela do interior do reino. O verde das plantas era ainda mais brilhante que pensávamos ser possível. As ores estavam crescendo em uma profusão ainda maior, e a intensidade das cores, do perfume, e do poder vital doado transcendia a tudo que havíamos encontrado. O próprio ar parecia estar imbuído com as cores do arco-íris. Havia umas poucas habitações no local onde estávamos, mas atrás de nós podiam ser vistas algumas das mais imponentes e bonitas casas que jamais eu havia visto. Nestas casas, assim disse nosso amigo, moravam maravilhosos espíritos que, apesar de nominalmente habitarem em nosso reino, permaneciam, em virtude de sua evolução espiritual, de seus dons particulares e de trabalho, em contato próximo com os reinos mais elevados, nos quais eles tinham total autoridade e o poder requerido para sobrepassarem em várias ocasiões. Edwin prometeu que voltaríamos a este lugar depois que tivéssemos visto tudo o que desejássemos da cidade, e lá discutiríamos – em uma das casas – meu futuro trabalho, e também o da Ruth. Ele tomara Ruth sob sua asa, e da parte dela, expressava gratidão por sua bondade em fazer isso. Várias vezes atravessara minha mente qual seria a forma de trabalho espiritual na qual eu poderia me engajar, assim que casse sucientemente familiarizado com a nova vida e o novo lugar. Com a mesma intensidade que estivemos pesados com o frio e a opressão na fronteira das esferas de treva, assim estávamos agora aquecidos e plenos com uma exaltação que nos deixava quase silenciosos pelas maravilhas. Conforme nos movimentamos, banhados na radiação, sentimos uma grande alegria, vindo à mente a descrição de Edwin sobre a visitação das personalidades dos reinos mais elevados, e quei sabendo o que esperar quando fosse afortunado em testemunhar tal visitação. Estando aqui, tem-se o desejo opressivo de lutar pela evolução que pode nos capacitar a morar numa daquelas casas lindas, e qualicar-nos para a honra de servir a um dos habitantes desta esfera superior em cujo portal estávamos. Andamos um pouquinho adiante, mas não pudemos continuar. Não havia barreiras visíveis, mas sentimos que não poderíamos respirar se continuássemos. Toda a atmosfera estava se tornando mais rarefeita conforme nos adiantamos e, nalmente, tivemos que voltar sobre nossos passos para o nosso próprio solo. Pude ver muitos espíritos usando vestimentas mais tênues, as cores suaves delas não pareciam pertencer a elas, mas utuar sobre os tecidos das roupagens – se pudermos chamar de tecido. Aqueles que se aproximaram o bastante de nós sorriram num cumprimento tão amigável que soubemos que não estávamos nos intrometendo, e alguns acenaram suas mãos. Meu amigo disse-nos que eles estavam avisados de nosso propósito ali, e por esta razão não se aproximariam de nós. Permitiriam que nos deliciássemos com nossa experiência por nós mesmos, e silenciosamente absorvêssemos as belezas e os esplendores desta maravilhosa fronteira. E assim, bem relutantes, retornamos; rapidamente nos achamos de volta à cidade, em nosso ponto inicial sobre as árvores. Ambos nos sentimos mais leves que nunca depois desta visita breve, e estou certo de que Edwin também, mesmo sendo, todavia, espírito há mais tempo que nós. Não falamos nada por um tempo depois de nosso retorno, cada um de nós preso aos seus próprios pensamentos, e quando nalmente quebramos o silêncio, foi para encher o nosso bom Edwin com perguntas. Enumerar todas elas seria tedioso, por isso, darei, de forma consecutiva, as respostas de Edwin como um todo. Primeiro, considerando as esferas inferiores, cujo limiar tanto nos deprimira. Já as visitei em grupos, com Ruth e Edwin, e tenho feito expedições através delas, exatamente como estamos fazendo através de nosso próprio reino. Entretanto, não quero antecipar o que vou dizer mais tarde, quanto a nossas experiências por lá. Por agora, então, apenas direi que quando viemos visitar a fronteira, zemos nosso caminho direta e rapidamente, e não tivemos consciência dos estágios intermediários através dos quais passamos. Foi por essa razão que nossa repentina mudança de ambiente foi tão notada. Se tivéssemos feito a progressão escalonadamente, teríamos percebido o declínio gradual de todas aquelas características agradáveis e felizes que constituem o céu deste reino. E aqueles que habitam nesta área de declínio estão na mesma posição relativa que nós, a respeito do movimento: eles seriam inibidos ao passarem para mais alto, exatamente como fomos nas fronteiras daquele reino superior. As mesmas condições obtidas em nossa jornada às bordas do reino superior. Atravessamos a distância tão rapidamente que fomos incapazes de observar a alteração gradual em nosso entorno. De outra forma, teríamos visto o país tomando um grau mais alto de eterização, uma intensicação maior das cores e brilho, observável não somente nas características físicas do reino, mas também nas vestimentas daqueles cujas casas aproximavam-se mais do limite. Para visitar os reinos inferiores é necessário ter – para a própria proteção – certos poderes e símbolos, dos quais Edwin contou-nos ter total posse. Tais lugares não são para curiosos, e ninguém seria bobo o suciente para ir até lá sem um propósito que não fosse legítimo. Aqueles que vagueiam naquela direção sozinhos, sem autoridade, são logo retornados por almas bondosas cujo trabalho é salvar outros dos perigos que estão além dali. Muitos espíritos estão passando continuamente para lá e para cá através daquela triste fronteira ao cumprirem seus trabalhos. É verdade que não vimos nenhum sinal de alguém perto de nós quando estivemos lá, mas como nós, quando zemos nossa jornada por ali, eles se movem rapidamente em direção aos seus destinos.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.