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Capítulo 34 de 34

Xii. Pessoas Famosas — parte 5 de 5

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

internamente, porém uma espécie de película foi superposta exteriormente, da mesma forma que na terra vocês usam lentes protetoras para os olhos contra a luz e o calor do sol. Não estávamos usando tais aparatos, claro; o Caldeu apenas colocou seus poderes de pensamento. O que ele fez, precisamente, não posso dizer, mas o processo, seja lá qual tenha sido, ele aplicara muitas vezes antes, e era, desnecessário dizer, completamente ecaz. O Egípcio, em seguida, tomou nossas mãos entre as dele, e percebemos um acesso de poder refrescante uindo em nós. O Caldeu nos pediu que cássemos completamente passivos, e que lembrássemos que estávamos em uma jornada para nossa alegria e não num teste para a nossa resistência espiritual. 'E agora, meus amigos', disse ele, 'nossa chegada está sendo esperada. Partamos!' Imediatamente sentimos estar utuando, mas esta sensação parou repentinamente depois do que pareceu ser um segundo de tempo, apesar de não termos sentido nenhum movimento. Uma luz brilhou diante de nossos olhos. Era extremamente intensa, mas de forma nenhuma assustava. Foi-se, tão rapidamente quanto veio, e, coincidentemente com seu desaparecimento, pude sentir chão sólido sob meus pés. E então a primeira visão deste reino elevado abriu-se diante de nossos olhos. Estávamos em um domínio de uma beleza sem paralelos. Não há imaginação na terra que possa visualizar esta beleza inexprimível, e posso apenas dar-lhe pouquíssimos detalhes do que vimos no limitado vocabulário do plano terrestre. Estávamos no reino de um rei – cou logo evidente. Ficamos numa elevação acima da cidade; nossos bons amigos tinham nos levado para este local em particular expressamente para nos mostrar esta vista soberba. Não seria possível, disseram, car mais que um tempo limitado aqui, e era desejo do mestre do Caldeu que víssemos tanto quanto fosse possível neste período. Estendendo-se diante de nós, um amplo rio, parecendo calmo, pacíco, dominando encantadoramente, como o sol celeste que tocava cada pequena onde com sua miríade de tonalidades e nuances. Ocupando a posição central da paisagem, e sobre a margem direita do rio, estava um terraço, construído à margem das águas. Parecia ser composto do mais delicado alabastro. Uma ampla escadaria levava ao edifício mais magnicente que a mente poderia contemplar. Tinha vários andares, cada um deles sendo arranjado numa série de ordens, de tal maneira que cada um ocupava uma área gradualmente menor, até que o topo fosse alcançado. Sua aparência exterior era, ou totalmente sem, ou quase sem adorno algum, e era óbvio o porquê de ter que ser assim. Todo o edifício era feito exclusivamente de saras, diamantes, e topázios, ou, pelo menos, do equivalente celestial deles. Estas três pedras preciosas constituíam a incorporação cristalina das três cores, azul, branco e dourado, e correspondiam às cores que vimos antes, nas roupagens de nosso celestial visitante em nosso templo, e as quais ele ostentava num grau intenso. O azul, o branco e o dourado do palácio-jóia, tocados pelos raios puros do grande sol central, eram intensicados e aumentados milhares de vezes, e cintilavam para todas as direções seus fachos da mais pura luz. Realmente, todo o edifício apresentava, para o nosso olhar desconsertado, um vasto volume de irradiação faiscante. Nós imediatamente pensamos no topázio da terra, e na sara e no diamante, e ponderamos como aquelas pedras pequenas eram apenas pequeninos objetos que poderiam ser seguros entre o polegar e o indicador. Aqui estava uma imensa mansão brilhante inteiramente construída com estas pedras preciosas, e de pedras que os encarnados jamais viram – nem jamais verão enquanto estiverem encarnados. Nossa primeira pergunta era a razão ou a signicação da construção especial deste edifício que estava diante de nós. Não havia signicação especial nos materiais reais dos quais o palácio era construído, assim nos informou o Caldeu. As pedras preciosas eram próprias do reino que estávamos agora visitando. No nosso os edifícios são opacos, apesar de serem um pouco translúcidos na superfície. Mas são pesados e brutos em comparação com os dos reinos superiores. Atravessamos muitas outras esferas para alcançar esta, mas se tivéssemos parado para observar as terras através das quais passamos, teríamos visto a transformação gradual acontecendo, até que os materiais de aparência pesada de nosso reino tornassem-se transmutados na cristalina substância em que nossos olhos agora se maravilhavam. Mas as cores tinham certamente um signicado especial, ao qual já aludi. Podíamos ver, em torno do palácio, muitos acres dos jardins mais encantadores, dispostos de tal forma que, à distância e do ponto elevado que ocupávamos, eles apresentavam um padrão intrincado e imenso, como num tapete oriental soberbamente tecido. Disseram-nos que ao vermos de perto, ou ao andarmos pelos jardins, o desenho se perderia, mas nos veríamos no meio de um delicado arranjo de canteiros e macios gramados aveludados. Já que não conseguíamos desviar os olhos da glória superlativa do palácio e suas terras, o Caldeu gentilmente desviou nossa atenção para o remanescente da paisagem. Ela se estendia por incontáveis milhas e milhas – ou assim parecia a nós. O âmbito de nossa visão foi aumentado nesta região rarefeita além da concepção humana, e parecia literalmente uma vista innita espraiando-se diante de nós, com mais milhas terrenas que é possível contemplar. E, através de toda esta ampla extensão, podíamos ver outros prédios magnícos, construídos de pedras ainda mais preciosas – de esmeraldas e ametistas, para nomear apenas duas, e o que de longe parecia pérola. Cada um dos diferentes prédios estava colocado no centro dos mais extasiantes jardins, onde as árvores cresciam com uma inimaginável riqueza de cores e grandeza de forma. Onde puséssemos nossos olhos, podíamos ver o cintilar dos edifícios adornados com jóias, reetindo em retorno os raios do sol central, a miríade de cores das ores e as cintilações da água do rio que uía diante de nós, à longa distância. Enquanto olhávamos encantados a cena, um repentino raio de luz pareceu vir do palácio diretamente para o Caldeu, e foi reconhecido por um raio em resposta, que ele enviou de volta ao palácio. Nossa presença no reino era conhecida, e tão logo regalamos nossos olhos com a paisagem, fomos convidados a andarmos até o palácio, onde nosso antrião estava esperando para nos receber. Foi esta a mensagem contida no raio de luz, interpretada pelo Caldeu. Nós, portanto, logo seguimos em direção ao palácio. Pelo mesmo meio de locomoção que nos trouxe até esta esfera, rapidamente nos vimos andando no terraço ao lado do rio, e subindo um lance de escadaria que levava à entrada principal do palácio. O trabalho em pedra do terraço e dos degraus eram de branco puro, mas camos mais surpresos pela aparência de maciez sob os pés, já que era como andar no veludo macio de um gramado bem cuidado. Nossos passos não emitiam som, mas nossa roupagem farfalhava enquanto andávamos, de outra forma nosso caminho seria silencioso, exceto pela nossa conversa. Havia, é

claro, muitos outros sons para serem ouvidos. Não adentramos num reino de silêncio! Todo o ar era pleno de harmonia enviada pelos volumes de cor que abundavam por todos os lados. A temperatura nos pareceu mais alta que a de nosso reino. O Caldeu nos disse que realmente era mais alta do que a que podíamos sentir, mas nossas mentes foram sintonizadas para a diferença de temperatura, assim como foram sintonizadas para a intensidade de luz. Uma suave brisa era agradavelmente sentida quando tocava nossas faces com seu hálito celestialmente perfumado. Ao entrarmos no palácio, eu adoraria ter podido me demorar mais, para examinar mais de perto os materiais inesquecíveis com os quais é feito o prédio, mas o tempo urgia. Nossa estadia não poderia se prolongar além de nossa capacidade de resistir à atmosfera rarefeita e à intensidade da luz, apesar da carga de força espiritual que o Caldeu e o Egípcio nos deram. Enquanto caminhávamos, entretanto, demos uma olhada passageira na grandeza que nos envolvia. Tão lindamente proporcionais eram os vários aposentos e as galerias, que não havia aquela sensação predominante de grandeza em nenhum deles, como seria de se esperar num edifício de tais dimensões. Para todos os lugares onde olhássemos, poderíamos ver paredes cobertas de pedras preciosas e o piso feito de pedras preciosas. Nas paredes havia quadros de cenas pastorais, nos quais o artista usou cada gema conhecida pelos homens mortais – e muitas outras desconhecidas – como material de seu trabalho. Estes quadros, quanto à técnica utilizada, são de mosaico, mas o efeito produzido aos que os observassem é de luz uída, se podemos usar tal termo. Os elementos constituintes das guras emitem seus raios de luz em todas as cores que o tema demanda, e o efeito aos olhos é o de parecerem vivos. As corem em si são magnícas, e contêm mais tonalidades e nuances de tons que os pigmentos terrenos permitem. Parece inconcebível que as pedras preciosas pudessem existir em tão ampla gama de cores – mas, estamos no mundo espiritual e também num reino elevado do mundo espiritual. À medida que andamos pelos corredores encontramos os seres mais amistosos e graciosos, e por eles fomos cumprimentados, dando-nos as suas boas vindas. Ser bem-vindo, de fato, era a sensação mais dominante que nos envolvia desde que colocamos nossos pés no palácio. Não havia frieza; em todos os locais estava o calor da amizade e da afeição. Finalmente chegamos diante um pequeno aposento, e o Caldeu nos contou que atingimos o ponto mais alto de nossa jornada. Eu não me senti nervoso, exatamente, mas quei imaginando quais seriam as formalidades que deveriam ser observadas; e como eu as desconhecia totalmente – nós desconhecíamos, exceto, claro, nossos dois cicerones - eu estava naturalmente hesitante. O Caldeu, entretanto, tranquilizou-nos pedindo que o acompanhássemos e meramente observássemos as regras ditadas pelo bom senso. Entramos. Nosso antrião estava sentado perto da janela. Assim que nos viu, levantou-se e veio em nossa direção, cumprimentando-nos. Em primeiro lugar, agradeceu ao Caldeu e ao Egípcio por terem nos trazido a ele. Então deu a mão a cada um de nós e disse-nos que éramos bem-vindos à sua casa. Havia várias cadeiras perto daquela onde ele estava sentado, e sugeriu que talvez apreciássemos sentarmos ali, ao lado dele, e olhar a paisagem. Esta era, como explicou, sua paisagem favorita. Chegamos perto da janela, e pudemos ver à nossa frente um canteiro das mais magnícas rosas brancas, de um branco tão puro quanto um campo nevado, que exalavam um perfume que exaltava tanto quanto os botões de onde vinham. Rosas brancas, contou nosso antrião, eram as ores que ele preferia, entre todas as outras. Sentamo-nos e eu tive a oportunidade, enquanto ele falava conosco, de observá-lo de perto, quando antes só pude fazê-lo à distância. Vendo-o assim, em sua própria casa e em seu ambiente, sua aparência era, de forma geral, parecida com a que se apresentou quando nos visitou no templo de nosso reino. Havia, entretanto, diferenças, vendo-o aqui; diferenças que eram mais em termos de intensidade de luz. Seu cabelo, por exemplo, pareceu ser dourado quando ele veio a nós. Aqui parecia ser de luz dourada brilhante, quase da cor do ouro. Parecia ser jovem, da juventude eterna, mas podíamos sentir as incontáveis eras de tempo, como é medido na terra o tempo, que estavam por trás de tudo. Quando ele falou, sua voz era pura musicalidade, sua risada como águas cascateantes, mas nunca pensei ser possível alguém emanar tanta afeição, tanta bondade, tanta consideração e atenção; e jamais pensei ser possível alguém ter tanta sabedoria como a deste rei celestial. Sentia-se que, abaixo do Pai Celestial, ele tinha a chave de toda a sabedoria e conhecimento. Mas, pode soar estranho, apesar de nos terem transportado por distâncias insondáveis até a presença deste maravilhoso e transcendente ser, agora, em sua presença, sentíamo-nos verdadeiramente em casa, perfeitamente à vontade com ele. Ele riu conosco, brincou conosco, perguntou-nos o que achamos das suas rosas, e se o Caldeu cuidou para que nossa caminhada até ali fôra alegre. Falou com cada um de nós individualmente, demonstrando um conhecimento exato de todos os nossos interesses, coletivos e pessoais. Então, nalmente chegou à razão de nos ter convidado para visitá-lo. Em companhia de meus amigos, explicou ele, eu havia visitado os reinos trevosos, e transmitido o que havia visto por lá. Ele pensou que seria de um bom contraste se fôssemos visitar o reino mais elevado, e vermos por nós mesmos algumas de suas belezas, para mostrar que os habitantes de reino tão elevado não são sombras irreais mas, ao contrário, são como nós, capazes de sentir e demonstrar emoções sutis como eles, capazes de entendimento humano, de pensar humano, e tão suscetíveis ao riso e à alegria espontânea como nós éramos. E ele pedira que o visitássemos para que ele próprio nos dissesse que estes reinos, os quais agora visitávamos, estavam ao alcance de cada alma nascida na terra, que ninguém nos tiraria este direito, e que, apesar de levar muito tempo para se alcançar tais reinos, há toda a eternidade para se atingir esta nalidade, e há meios ilimitados para nos ajudarem em nosso caminho. Este, disse ele, é o grande e simples fato da vida espiritual. Não há mistérios agregados a isto, tudo é perfeitamente escampo, e não é restrito por crenças complicadas, religiosas ou outras. Não requer adesão a nenhuma forma de religião ortodoxa, a qual, por ela, não teria autoridade de assegurar a nenhuma alma sequer, poderes de aançar a 'salvação' daquela alma. Nenhum grupo religioso que jamais existiu pode fazer isso. E assim, este reino de incomparáveis belezas era livre e aberto a todos os que trabalham no caminho para cá, vindos desde os reinos mais baixos e sujos. Pode levar eras para se cumprir, mas é a grande e soberba nalidade das vidas dos milhões de almas da terra. Nosso bom amigo, o Caldeu, mencionou ao seu 'mestre' que nossa estadia estava quase atingindo seu limite. Este disse então que sentia muito que assim fosse, mas que os poderes que foram invocados para nós tinham suas limitações e, por isso, para nosso conforto, deveríamos trabalhar dentro delas. Entretanto, acrescentou, haverá outras ocasiões, e desta forma estendeu o convite a nós

Nosso bom amigo, o Caldeu, mencionou ao seu 'mestre' que nossa estadia estava quase atingindo seu limite. Este disse então que sentia muito que assim fosse, mas que os poderes que foram invocados para nós tinham suas limitações e, por isso, para nosso conforto, deveríamos trabalhar dentro delas. Entretanto, acrescentou, haverá outras ocasiões, e desta forma estendeu o convite a nós Nós nos levantamos e não pude resistir à tentação de ver as rosas pela janela. Espiei mais uma vez e camos prontos para partir. Nosso gracioso antrião disse que nos acompanharia até a colina de onde tivemos nosso primeiro relance deste reino. Seguimos uma rota diferente daquela que usamos para chegar ao palácio. Que surpresa foi quando vimos que levava diretamente ao canteiro das rosas. Parando, nosso antrião colheu três dos mais lindos botões que olhos mortais podem ver, e presenteou um a cada um de nós. Nossa alegria aumentou ainda mais quando soubemos que com a afeição que colocaríamos neles, os botões jamais murchariam ou morreriam. Minha única ansiedade era que, ao levá-los ao nosso reino, talvez cassem esmagados pela densidade, a que não estavam acostumados, de nossa atmosfera mais pesada. Mas nosso antrião nos assegurou que não aconteceria, pois seria sustentada pelos nossos pensamentos neles e naquele que presenteou, e entre um e outro haveria este amplo suporte, e assim caria. Finalmente alcançamos nosso ponto de partida. Palavras não expressariam nossos pensamentos, mas nossos pensamentos passaram infalivelmente a ele que nos tinha dado esta suprema felicidade, este antegosto de nosso gozo – e do destino de toda a terra, de todo o mundo espiritual. E com uma bênção sobre nós, e com um sorriso de muita afeição, de tanta benignidade inefável, despediu-se de nós com um Deus os abençoe, e mais uma vez nos vimos em nosso reino. Eu tentei escrever-lhe alguma coisa do que vimos, mas não encontrei as palavras para descrever tudo, porque não posso traduzir o que é puramente espiritual em palavras terrenas. Meu informe irá, portanto, car bem, bem curto. E assim, também, será com os assuntos que tratei. Dar a você um informativo compreensível de tudo o que vimos no mundo espiritual preencheria muitos volumes, e por isso escolhi o que achei que seria de maior interesse e benefício. Meu desejo mais sincero é que tenha captado seu interesse, tirado você por momentos das tarefas urgentes da vida terrena e levado a um relance do mundo além do mundo no qual agora você vive. E se eu trouxe alguma coisa de conforto, ou de boa esperança, então grande é minha recompensa, e eu diria a você: Benedicat te omnipotens Deus. ef

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.