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Capítulo 24 de 34
V. Posição Geográfica — parte 3 de 4
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1
Mas mente e atos tenebrosos não podem produzir nada a não ser o que é tenebroso. As sementes dos horrores semeadas no plano da terra inevitavelmente levarão à colheita de horrores no mundo espiritual. Estes reinos trevosos foram construídos por pessoas da terra, como também foram elas que construíram os reinos de belezas. Nenhuma única alma é forçada a ir aos reinos de luz ou aos de treva. Nenhuma alma poderia ser exceção a nada que se encontra neste reino de luz, já que descontentamento, desaprovação, desconforto e infelicidade não podem existir nestes planos. Nós somos pessoas extremamente felizes, um corpo unido, e vivemos juntos em harmonia completa. Nenhuma alma poderia, portanto, sentir-se 'fora de lugar'. Os moradores dos reinos de trevas, por si mesmos, condenaram-se a si mesmos, cada um e todos, ao estado no qual se encontram. É a inevitável lei de causa e efeito; tão certo como a noite seguir o dia no plano terrestre. De que valem os gritos por clemência? O mundo espiritual é um mundo de justiça impoluta, uma justiça que não se adultera, uma justiça à que todos nós nos submetemos. Justiça impoluta e clemência não podem andar juntas. Entretanto, podemos, do fundo do coração e sinceramente, perdoar os erros que nos zeram, clemência não nos é dada para ser distribuída no mundo espiritual. Cada má ação deve ser considerada por aquele que a cometeu. É um fato pessoal, que deve ser cumprido a sós, como realmente acontece no evento da morte do corpo físico, que devemos passar sozinhos. Ninguém pode passá-la por nós, mas pela grande providência sobre a qual este e todos os planos são construídos, podemos, e o fazemos, ter pronta assistência às nossas atribulações. Cada espírito que habita nestes planos escuros e tenebrosos tem o poder intrínseco de se elevar da imundície em direção à luz. Ele deve fazer o esforço individual por si mesmo, deve trabalhar por sua redenção. Ninguém pode fazer a sua parte. Cada polegada de sua estrada deve ser labutada por ele. Não há clemência esperando por ele, mas justiça inclemente. Mas a oportunidade de ouro de uma recuperação espiritual está pronta e esperando. Ele terá apenas que mostrar um desejo rme de se mover uma fração de uma polegada em direção aos reinos de luz que estão acima dele, e encontrará uma hoste de amigos desconhecidos que o ajudarão no sentido daquela herança que é justa, mas que, em sua loucura, havia desprezado. VII. ALGUMAS IMPRESSÕES INICIAIS Quando a gente se vê transformado em um habitante permanente do mundo espiritual, isso é, no início, uma experiência avassaladora. Mesmo que se tenha lido muito sobre as condições da vida no mundo espiritual, ainda sobra um número ilimitado de surpresas guardadas esperando cada espírito. Aqueles de nós que voltam à terra para contar de nossa nova vida encaram a diculdade de tentar descrever em termos da terra o que é essencialmente de natureza espiritual. Nossas descrições transmitirão pouco da realidade. É difícil evocar nas mentes um estado de beleza maior do que aquele que já experimentamos na terra. Aumente uma centena de vezes as belezas que já lhe contei, e você ainda estará longe de uma justa avaliação. Uma pergunta, talvez, que pode surgir na mente de não poucas pessoas seria, talvez, esta: O que foi que o abalou mais fortemente e mais prazerosamente, logo que você chegou ao mundo espiritual, e quais foram as suas impressões? Deixe que eu me posicione no lugar de alguém que busca estas informações, para entrevistar nossos velhos amigos, Edwin e Ruth. Edwin e eu, como já sabem, fomos pastores quando estivemos na terra. Edwin não teve conhecimento sobre o tema de retorno ao mundo espiritual, além daquele que tentei passar-lhe pelas minhas experiências. Ele era um dos poucos que realmente simpatizou-se comigo em minhas diculdades físicas, um dos poucos, isto é, que não brandiu os ensinamentos ortodoxos da igreja na minha face. Ele já me disse que estava feliz por não ter feito isso. Quando ele estava na terra, a 'vida que viria' era um mistério completo para ele – como inutilmente acontece com muitos outros. Ele naturalmente conformou-se aos ensinos da igreja, obedeceu aos seus 'mandamentos', cumpriu suas tarefas, e, como francamente já admitiu, esperava pelo melhor – seja lá o que fosse esse 'melhor'. Mas sua vida terrena não consistiu somente de exercício religioso; ele ajudou outros em cada ocasião em que a ajuda era necessária, e onde pudesse ser dada. Tais serviços, realizados sem obstáculos, ajudaram-no muito quando chegou o tempo dele de sair do mundo. Estas ações bondosas trouxeram-no para o plano de belezas e de eterna luz. Sua primeira impressão sobre seu acordar no mundo espiritual – para usar suas próprias palavras – foram absolutamente de tirar o fôlego. Ele visualizara, talvez subconscientemente, uma espécie de névoa na vida futura, onde haveria muita 'oração e exaltação'. Encontrar-se num reino de beleza inexprimível, com todas as glórias de natureza terrena purgadas de sua falibilidade, renadas e eterizadas, com uma enorme gama de cores por toda a volta e sobre ele, ver a pureza cristalina dos rios e dos riachos, com o encanto das moradias campestres e a grandeza dos templos das cidades e os edifícios voltados ao saber, achar-se no centro de todas estas glórias sem ter um sinal do que estava reservado para ele, era jogar dúvidas sobre a veracidade do que seus olhos viam. Ele não pôde acreditar que não estava no meio de um sonho lindo, fantástico, do qual em breve acordaria para se ver mais uma vez no meio das vizinhanças mais familiares. Ele pensou em como poderia relatar este sonho quando voltasse à consciência. Então considerou sobre como seria recebido – de tão lindo que tinha sido, sem dúvida, mas apenas um sonho. E assim ele cou observando toda essa sua riqueza de beleza. Estas foram, segundo Edwin disse, suas primeiras e maiores impressões. Considerou parte do mesmo sonho tudo que já tinha acontecido antes, tudo que o levara a levantar e olhar maravilhado aquela cena que aparecia quase sem m diante dele: Como ele acordou num sofá confortável, numa casa muito charmosa, para ver um antigo amigo ao seu lado que prestou o mesmo trabalho a Edwin que ele mesmo fez para mim quando veio me encontrar. Seu amigo levou-o para fora, para ver o mundo novo. Então veio a tarefa mais difícil – convencer Edwin de que ele havia 'morrido' e que ainda vivia. Veja, no início ele achou que seu amigo e a explanação dele eram parte do mesmo sonho, e estava esperando nervosamente por algo que aconteceria que pudesse cortar o sonho e fazê-lo retornar à terra conscientemente. Edwin admitiu que precisou de muito convencimento, mas seu amigo era innitamente paciente com ele.
No instante em que se assegurou de que estava realmente, verdadeiramente e permanentemente no mundo dos espíritos, seu coração sentiu uma imensa alegria, e começou a fazer o que depois eu z na companhia de Ruth – viajar pelos planos da nova vida com uma liberdade luxuriante de corpo e mente, que é a essência verdadeira da vida espiritual nestes reinos. O que mais interessou à Ruth, em seu primeiro despertar no mundo espiritual, foi, como disse, a enorme profusão de cores. Sua transição tinha sido plácida, e ela acordara, consequentemente, depois de um sono bem breve, calma e suavemente. Assim como Edwin, ela se viu numa casa deliciosa, pequena, asseada e compacta, e toda sua. Uma velha amiga estava a seu lado, pronta a ajudar nas dúvidas mais inevitáveis que acompanham tantos despertares no mundo espiritual. Ruth é, por natureza, reservada, especialmente, como ela contou, quando se fala a seu respeito. No caso de Edwin, eu sabia tanto de sua vida terrena que foi fácil escrever usando meu próprio conhecimento sobre ele. Entretanto, eu jamais havia visto Ruth antes, até que nos encontramos na beira do lago. Depois de muita persuasão, consegui extrair um ou dois detalhes concernentes à sua vida na terra. Ela nunca tinha sido, como contou, uma religiosa praticante, não porque menosprezasse a igreja, mas porque seus pontos de vista sobre 'a vida futura' não coincidiam com os ensinos da igreja. Ela viu que requeriam muita fé, e poucos fatos eram fornecidos, e ela presenciara tantas aições e problemas dos outros em sua vida, que instintivamente sentiu que era errada a visão vaga, porém terricante, do mundo que viria, com o aterrorizador “Dia do Juízo” que tão constantemente lhe era mostrado nos ensinamentos da igreja. A ênfase era tão preponderante sobre a palavra 'pecador', com a condenação de todos, que ela também sentiu estar tudo errado. Ela não era tão boba, disse, para acreditar que éramos todos santos, mas, ao mesmo tempo, nem todos somos pecadores. De todas as pessoas que ela conhecera, não podia se lembrar de nenhum que podia ser tão condenado e marcado a ferro, no sentido religioso. Aonde, então, estavam indo estas pessoas depois de suas 'mortes'? Ela não podia se imaginar sentada no julgamento destas almas, julgando-as como 'pecadoras'. Seria irracional ver, acrescentou Ruth, que ela pudesse ser mais misericordiosa que Deus. Era impensável. Então, construiu para si uma fé simples, - uma prática que um teólogo logo diria ser altamente perigosa e que não devia ser, nem por um momento, encorajada. Ele falaria do 'perigo' que sua 'alma imortal' corria ao ter tais ideias. Mas Ruth jamais, nem por instantes, considerou-se uma 'alma imortal em perigo'. De fato, segui alegremente, vivendo sua vida, seguindo os ditames de sua natureza gentil, ajudando os outros durante a vida, e trazendo o brilho do sol às vidas monótonas de outros. E estava rmemente convencida de que, quando sua hora de sair do plano da carne chegasse, ela levaria consigo, para a nova vida, a afeição de seus muitos amigos. Ela não tinha medo da morte do corpo físico, nem podia imaginá-la como sendo a experiência terricante que tantas pessoas temiam e antecipavam. Ela não dava base para esta crença, e logo concluíra que deve ter sido atraída a ela instintivamente. Deixando as cores gloriosas do reino aonde ela foi à parte, o que mais chocou violentamente em Ruth foi a surpreendente limpidez da atmosfera. Não havia nada igual para ser visto na terra. A atmosfera estava tão livre do menor traço de névoa, e sua própria visão parecia ter sido intensicada em poder e extensão, que a enorme gama de cores parecia duplamente vívida. Ela já tinha antes uma visão acurada para as cores, e tinha uma educação musical considerável quando estava na terra. Quando chegou ao mundo espiritual, estas duas faculdades se combinaram, e a cor e a música do novo plano desabrocharam nela com a luxúria de sua beleza soberba. No começo, ela mal podia acreditar em seus sentidos, mas seus amigos logo lhe explicaram o que acontecera, e ela tinha tão poucas ideias sobre a vida futura, que pouco restava para desaprender. Mas, disse ela, levou alguns dias do tempo da terra para que ela pudesse absorver e compreender todas as maravilhas que estavam à sua volta. Quando ela nalmente percebeu a signicação completa da nova vida, e que toda a eternidade que estava diante dela para exemplicar as maravilhas deste mundo, ela conseguiu conter seu excitamento e, como disse, 'tomar as coisas um pouco mais silenciosamente'. Foi no tempo deste processo que a encontramos pela primeira vez. Uma vez, quando estávamos os três sentados no jardim, discutindo agradavelmente sobre todas as formas das coisas, vimos, andando na aléia do parque, uma gura que era bem conhecida por mim e por Edwin. Ele tinha sido o nosso superior eclesiástico quando estivemos na terra, e ele era o que é conhecido como 'Príncipe da Igreja'. Estava ainda vestido em suas roupagens costumeiras, e todos concordávamos – quando comparamos nossas impressões depois – que elas combinavam com o lugar e as condições. A roupa longa e seu rico colorido pareciam misturar-se com tudo em torno de nós. Não havia nada incongruente naquilo, já que ele era completamente livre para usar suas roupas no mundo espiritual, e o fez; não por causa de sua posição anterior, mas pelo velho costume, e porque ele sentiu que assim, de uma certa forma, ajudava a acrescentar no colorido de sua nova habitação. Apesar de que seu alto cargo, o qual conduzira com distinção na terra, não tivesse contrapartida ou signicação no mundo espiritual, ele era bem conhecido por muitos daqui pelo nome, de vista ou ainda pela reputação. Isto providenciou outra boa razão para que mantivesse seu estilo terreno de se vestir, pelo menos até agora. Mas, a deferência que a posição que ocupara na terra sempre evocava, ela a deixara de lado quando chegou no mundo espiritual. Ele não teria nada disso, mas insistia com todos que o conheceram – e com os que não o conheceram – que atentassem estritamente aos seus desejos a esse respeito. Ele tinha sido muito amado quando estava encarnado, e era apenas natural que, com sua chegada aos planos espirituais, os que já o conheciam mostrassem o mesmo respeito de antes. Respeito é uma coisa, já que nos respeitávamos uns aos outros nestes reinos; mas reverência deve ser dada aos de maior hierarquia em espiritualidade é completamente outra coisa. Ele logo reconheceu isso, assim nos contou, e por meu conhecimento pessoal de sua humildade inata, eu podia adivinhar que seria o caso dele. Nosso primeiro encontro levou a outros, e muitas foram as ocasiões – e poderemos ter muito prazer em muitas mais – em que ele nos acompanhou, Edwin, Ruth e eu, quando nos sentamos no jardim, ou quando saímos juntos. Foi durante um destes passeios que perguntei ao antigo superior se ele me daria uma breve explanação sobre suas primeiras impressões do mundo espiritual.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.