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Capítulo 27 de 34
X. A Esfera Das Crianças — parte 1 de 3
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1
Uma das inúmeras questões que coloquei a Edwin, logo depois de minha chegada no muno espiritual, concernia ao destino das crianças que, como tais, tinham passado para os planos espirituais. Há um período nas vidas terrenas a que nos acostumamos chamar de 'or da idade'. Há também a or da idade na vida espiritual, e é em torno deste período que as almas avançam ou retornam, de acordo com a idade em que sua transição aconteceu. Quanto tempo levará depende somente deles, já que tem a ver com a progressão espiritual e a evolução, portanto com os jovens este período usualmente é muito curto. Os que passam para o mundo espiritual depois deste período da or da idade, mesmo que sejam mais velhos ou bem mais idosos, irão, com o tempo, car com a aparência jovem, apesar de que vão amadurecer em sabedoria e espiritualidade. Não se deve concluir daí que todos eventualmente atingimos um nível uniforme de idade. Externamente, parecemos jovens; perdemos aqueles sinais de passagem dos anos que nos causam bastante distúrbio na mente quando estamos encarnados. Mas nossas mentes tornam-se mais maduras conforme vamos crescendo em sabedoria e sapiência e maior espiritualidade, e estas qualidades mentais se manifestaram em todos com que entramos em contato. Quando visitamos o templo na cidade e, à distância, vimos que o visitante brilhante a quem viemos honrosamente a conhecer, ele mostrava aos olhos uma aparência de perfeita – e eterna – juventude. Também o grau de sabedoria, sapiência e espiritualidade que ele emanava, e que pudemos sentir com nossas mentes, era irresistivelmente grandiosas. Acontece o mesmo, em vários graus, com todos os que nos visitam, vindos dos mais elevados planos. Se, portanto, existe este rejuvenescimento de pessoas completamente amadurecidas, o que dizer, então, de quem passa ao mundo espiritual ao nascer? A resposta é que elas crescem como cresceriam se estivessem no plano terrestre. Mas as crianças aqui – de todas as idades – recebem um tratamento e um cuidado que nunca seria possível na terra. A criança cuja mente ainda esteja formada não está contaminada pelos contatos terrenos e, ao passar ao mundo espiritual, sente-se num reino de grande beleza, presidido por almas de igual beleza. Este reino das crianças foi chamado de 'creche do céu', e certamente quem teve a sorte de ter visitado dirá que melhor nome não poderia ter. Foi, portanto, em resposta à pergunta original que Edwin propôs que Ruth e eu o acompanhássemos numa visita à creche do céu. Dirigimo-nos à fronteira entre o reino mais elevado e o nosso, e viramos em direção à casa de Edwin. Já podíamos sentir a atmosfera mais rarefeita, apesar de não ser tão pronunciada que causasse inconveniência ou desconforto. Percebi que esta atmosfera tinha mais cores, muitas mais que nas regiões deste plano. Era como se fachos de luz estivessem se encontrando e espalhando suas irradiações sobre toda a paisagem, Esses fachos de luz estavam sempre em movimento, entrelaçando-se entre si e produzindo uma mistura de cores mais delicada e bela, como na sucessão do arco-íris. Eram extremamente repousantes, mas também continham vitalidade e, como pareceu a Ruth e a mim, iluminação e alegria. Sentimos que tristeza e infelicidade seriam totalmente impossíveis por aqui. O campo assumiu uma cor mais brilhante em seu verde, as árvores não eram tão altas, mas eram tão simétricas quanto as demais deste reino, e cresciam perfeitamente. Depois de termos andado uma distância pequena, a atmosfera tornou-se clara pelo fachos de luz, e mais parecida com a nossa esfera. Mas havia uma diferença estranha e sutil que confundia o visitante em sua primeira visita, e vinha, como Edwin nos contou, da espiritualidade essencial das crianças que moravam ali. Alguma coisa similar a isso pode ser encontrada quando alguém é privilegiado ao passear num reino mais elevado do que aquele onde normalmente reside. É quase como se fosse um grande grau de força ascensional no ar, à parte do notável efeito de elevação de mente. Vimos muitos edifícios diante de nós, à proporção que andamos na grama macia. Não eram muito altos, mas eram amplos em extensão, e eram situados em lugares bastante agradáveis, entre árvores e jardins. Flores, desnecessário dizer, cresciam abundantemente por toda parte, em canteiros artisticamente arranjados, também em declives gramados e embaixo das árvores. Percebi que, em alguns lugares, as ores que têm suas contrapartes no plano da terra crescem sozinhas, aquelas que são do mundo espiritual estão separadas delas. Disseram-nos que não havia razão especial para tal segregação, mas que assim foi feito para demonstrar a distinção entre as duas categorias de ores, as espirituais e as terrenas. Lindas como as ores terrenas, são as que crescem também aqui, mas não pode haver comparação com as que existem só no mundo espiritual. Aqui, novamente camos limitados pela experiência terrena ao tentarmos descrevê-las. Não só as cores são mais ricas, mas as conformações das ores e a folhagem apresentam tal abundância e beleza de desenho sem paralelo, que não temos exemplo terreno para usar numa comparação. Mas não suponha que estas ores magnícas venham de estufas. Longe disso. A superabundância, mais a grande força e a variedade de seus perfumes, rapidamente tiraria qualquer ideia de raridade. Não era o caso de se cultivar a beleza do desabrochar delas, perdendo-se o perfume. Todas elas possuíam a qualidade comum a tudo que cresce por aqui, que é emanar energia, não só por meio de seus aromas, mas também através do contato. Eu já tinha tentado a experiência de segurar uma or com as mãos em concha – foi Ruth que me ensinou – e senti uma corrente de força vital uindo pelos meus braços. Víamos lindos lagos e lagoas pequenas, em cuja superfície estavam orescendo as mais lindas ores aquáticas, de lindas colorações. Em outra direção, podíamos ver grandes áreas de água, como uma série de lagos, com muitos barcos pequeninos utuando serenamente. Os prédios eram construídos de uma substância que tinha a aparência de alabastro, e tinham tonalidades de variadas cores, como estamos acostumados a ver nas sutis variações no arco-íris da terra. O estilo de arquitetura parecia, na maior parte, com os de nosso reino; alguns dos prédios traziam em sua fachada uns entalhes magnícos de objetos naturais, como árvores e ores, enquanto outros traziam relevos sobre as atitudes normais no mundo espiritual. Mas o que mais nos surpreendeu foi ver, espalhados pelos bosques, pequenos chalés, como aqueles que acreditávamos que estariam somente nos livros de contos infantis. Havia casas diminutas com as vigas inclinadas – lindamente inclinadas – com telhados vermelhos e janelas com treliças, cada uma com um pequeno e charmoso jardim só seu.
Logo se concluiria que o mundo espiritual tomou da terra estas criações fantásticas para as crianças se deliciarem, mas não é o caso. Na verdade, toda esta concepção de casas em miniatura emanou, em primeira instância, do mundo espiritual. Quem quer que seja o artista que recebeu nossa impressão original, ela se perdeu no mundo terreno no decorrer dos anos. Esta tal artista é conhecida por nós aqui, entretanto, onde ela continua seu trabalho na esfera das crianças. Estas pequenas casas são grandes o suciente para permitir que um adulto tenha espaço bastante para se mover sem bater a cabeça! Para as crianças, elas parecem ter o tamanho certo, sem darem a sensação de estarem perdidas dentro delas. Aprendi que foi pela mesma razão que os grandes prédios deste reino não eram muito altos. Ao não serem feitos muito altos, nem as salas muito amplas, cam em conformidade com as mentes das crianças, as quais ainda não estão completamente formadas, onde os espaços parecem maiores do que realmente são, e onde os edifícios espaçosos demais fariam um efeito de deixá-los diminuídos. Um grande número de crianças mora nestas habitações, cada uma presidida por uma criança mais velha, que é perfeitamente capaz de atender qualquer situação que possa surgir com os outros 'residentes'. Ao passearmos, vimos grupos alegres de crianças, umas jogando com seus amigos, outras sentadas na grama enquanto uma professora lia para elas. Outras ainda podiam ser observadas lendo atentamente e ouvindo com interesse marcante à professora que estava explicando sobre as ores para elas, numa aula de botânica. Mas era botânica de um tipo diferente da terrena, tanto quanto são diferentes as ores espirituais. As distinções entre as ores da terra e as ores espirituais eram amplamente demonstradas através das duas espécies plantadas em separado. Edwin nos levou a uma das professoras, e explicou a razão de nossa visita. Fomos instantaneamente bem recebidos e a professora teve a bondade de nos responder a algumas questões. Seu entusiasmo pelo trabalho aumentava seu prazer, disse ela, em nos contar qualquer coisa que quiséssemos saber. Quanto a ela mesma, ela estava no mundo espiritual há vários anos. Ela tinha tido suas próprias crianças quando esteve na terra, e ainda se interessava muito pelo seu bem estar, e isto tinha levado à escolha do atual trabalho. Isto foi tudo o que ela nos contou a seu respeito. Não era muito informativo, e buscamos saber mais sem que ela nos dissesse. O que ela não nos contou – e foi Edwin quem nos deu detalhes mais tarde – era que ela tinha tido muito sucesso com seus lhos na terra, e agora eles se ajuntaram à sua mãe neste trabalho, que foi óbvio que ela teria quando viesse ao mundo espiritual. Desnecessário dizer, era o trabalho onde ela realmente colocaria seu coração – cuidar de crianças. Não foi necessário que ninguém nos contasse que ela era admiravelmente moldada para este trabalho. Ela irradiava encanto e conança, bondade e alegria, as quais passava às crianças. Ela entendia a mentalidade das crianças – era, de fato, uma criança adulta! Tinha um vasto conhecimento de coisas muito interessantes, especialmente das coisas que interessam às crianças; tinha uma fonte inexaurível de histórias interessantes para seus pequenos e, mais importante de tudo, conseguia ser – e demonstrava isso – uma delas. Não acho que tenhamos conhecido ninguém mais feliz que esta alma graciosa. Nesta esfera, nosso amigo nos contou, podiam ser encontradas crianças de todas as idades: bebês, cuja existência na terra foi de apenas alguns minutos, ou aqueles que não tiveram uma existência, pois nasceram 'mortos', ou ainda os jovens de dezesseis ou dezessete anos na contagem da terra. Acontece sempre que as crianças que crescem quem nesta mesma esfera, tornando-se elas mesmas os professores por um período, até que outro trabalho leve-os a outro lugar. E os parentes? Eram sempre os professores dos próprios lhos? Raramente, ou nunca, como informou nosso amigo. Pela prática raramente seria possível, já que os pais estariam sempre inclinados em se prejudicarem em favor de seus lhos, e há outros entraves. Os professores são sempre almas com ampla experiência, e não há muitos pais no plano da terra que seriam capazes de cuidar de crianças espirituais imediatamente após a transição deles. Se os professores foram pais na terra, ou não, todos eles terão um curso longo para treinamento antes que sejam julgados competentes ao posto de professor das crianças, ou para estarem conformes, e se sustentarem, com as elevadas e rígidas normas do trabalho. E, claro, devem estar ajustados, pelo seu temperamento, para manter o posto de professor. O trabalho não é árduo, como você julgaria no plano terreno, mas demanda uma multiplicidade de atributos especiais. O crescimento mental e físico da criança no mundo espiritual é mais rápido que na terra. Lembre-se do que lhe contei sobre a retentiva absoluta da memória aqui. Esta retenção começa tão logo a mente seja capaz de captar algo, e isso começa cedo. Esta precocidade aparente é perfeitamente natural aqui, porque a mente jovem absorve conhecimento perenemente. O temperamento é cuidadosamente guiado ao longo de linhas puramente espirituais, por isso alguém tão jovem possuir conhecimento não leva à arrogância da precocidade na terra. As crianças são treinadas estritamente em temas espirituais em primeiro lugar, e então são ensinadas sobre o mundo terreno, se já não viveram ali, ou se suas vidas na terra foram muito breves. O governante do reino atua, no geral, in loco parentis, e todas as crianças, de fato, vêem-no como pai. Os estudos das crianças têm uma gama bastante ampla. São ensinadas a ler, mas muitas outras matérias do currículo terreno são totalmente omitidas como sendo supéruas no mundo espiritual. Seria mais exato dizer que é dado às crianças algum conhecimento de um tema em particular, do que mesmo ensinado a elas. Quando elas crescem, são capazes de escolher por si mesmas o tipo de trabalho que lhes convém, e assim, pela especialização em seus estudos, as crianças serão equipadas com as qualicações necessárias. Algumas delas, por exemplo, escolhem voltar ao plano da terra temporariamente, para trabalhar conosco no exercício da comunicação, e se tornam instrumentos muito ecientes, gostando muito de suas visitas. Tais visitas têm a vantagem de acrescentar muito à sua experiência. Aumenta sua profundidade no entendimento dos julgamentos e tribulações – e os prazeres – de ser encarnado. Há sempre uma pergunta que surge nas mentes das pessoas da terra, a respeito das crianças que já vieram para cá: Poderemos reconhecer nossas crianças quando nós mesmos chegarmos no mundo espiritual? A resposta é, enfaticamente, sim, sem sombra de dúvida. Mas como, se elas cresceram no mundo espiritual, e fora de nossas vistas, como poderá ser? Para responder isso, é necessário saber um pouquinho mais sobre si mesmo.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.