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Capítulo 10 de 34
V. Salões De Aprendizado — parte 2 de 8
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1
impressor trabalham juntos, em completa harmonia. Os livros que resultam desta co-operação tão sintônica são obras de arte, são belas criações que, fora o conteúdo literário, são agradáveis de se ver. A capa do livro é outro trabalho de especialista, feito por mais artistas, em materiais maravilhosos jamais vistos na terra, já que são apenas de espírito. Mas os livros desta forma produzidos não são objetos mortos que requerem uma concentração de toda a mente sobre eles. Eles vivem tanto quanto as pinturas que vimos vivas. Quando se escolhe um livro, começar a lê-lo signica também percebê-lo com a mente, de uma forma não possível na terra, toda a história sendo contada como foi, tanto história, quanto ciência, ou arte. O livro, uma vez pego nas mãos pelo leitor, instantaneamente responde, da mesma forma que as ores respondem quando alguém se aproxima delas. O propósito é diferente, claro. Toda aquela vasta quantidade de livros que vimos estava ali para todos usarem em seu lazer e para deliciar seus corações. Não havia restrições, nem regras enfadonhas ou regulamentos. Diante de tamanha riqueza em conhecimento, eu estava estarrecido com minha própria ignorância, e Ruth sentia o mesmo. Entretanto, Edwin tranquilizou-me ao nos dizer que não deveríamos deixar que a visão de tanta sabedoria nos assustasse, já que tínhamos toda a eternidade diante de nós! Foi um aviso reconfortante, e estranho de se dizer, um fato que se tende a negligenciar. Leva tempo para se tirar nalmente aquele sentimento de instabilidade, de transição, que é tão associada à vida da terra. E, em consequência, sentimos que devemos ver tudo o mais rápido que podemos, apesar de que o fator tempo, como um fator de nossas vidas, tinha cessado suas funções. Então, Edwin pensou que seria justo com Ruth se lhe mostrasse algo de seu interesse especial, e nos levou ao hall dos tecidos. Também era espaçoso, mas as salas tinham dimensões maiores que aquelas que acabáramos de visitar. Aqui estavam guardadas amostras e mais amostras de lindos materiais e roupas tecidos através dos séculos, e dos quais praticamente nada restou sobre a terra. Era possível ver aqui espécies de materiais sobre os quais lemos em histórias e crônicas, em descrições sobre cerimônias pomposas e ocasiões festivas. E seja lá que possa ser dito da mudança de estilos e gostos que aconteceram através dos tempos, o mundo perdeu uma grande quantidade de suas cores em troca de uma monotonia sombria. O colorido de muitos dos antigos materiais era simplesmente soberbo, enquanto os desenhos magnicamente elaborados revelavam-nos a arte que se perdera na terra. Apesar de perecíveis na terra, são imperecíveis no mundo espiritual. Depois de feita a concessão justa, pela eterização destes tecidos por estarem no mundo espiritual, ali eles permitiam que guardássemos em nossas mentes uma concepção vívida de como tais ricos tecidos aparentavam quando no elemento terreno. Aqui, novamente, era possível observar o progresso gradual no desenho e no fabrico dos materiais da terra, e pode-se perceber, até onde posso julgar, que o progresso atingiu um ponto em que, então, se notou um movimento retrógrado. Estou, claro, falando em termos gerais. Uma sala de tapeçarias continha alguns exemplares soberbos dos gênios dos artistas, as contrapartidas terrenas do que havia há muito deixado de existir. Anexas a este departamento, havia salas menores onde muitas almas alegres e laboriosas estavam estudando e praticando a arte da tapeçaria com outros, igualmente felizes, que estavam sempre ao seu lado para ajudar e instruir. Não era um trabalho tedioso de aluno e professor, mas a alegria do puro prazer, que poderiam interromper, para outras atividades, a qualquer momento, se assim desejassem. Ruth disse que adoraria participar de um grupo que estava envolvido numa tapeçaria enorme, e foi dito a ela que ela poderia vir quando quisesse e que seria recebida com toda a alegria do mundo nesta comunidade de amigos. Entretanto, ela deveria, por agora, car conosco em nossas expedições. Pode-se pensar que o que havíamos visto até agora não passava de museus celestiais, contendo, é bem verdade, magnícos espécimes do que não é visto na terra, mas, apesar de tudo, museus. Os museus terrestres são bastante tristes. Têm um cheiro de ranço e de preservantes químicos, já que o que exibem deve ser protegido da deterioração e da decadência. E eles têm que se proteger contra o homem, também, através de vitrines de vidros. Mas por aqui não há restrições. Todas as coisas dentro destes salões estão livres e abertas para serem vistas e seguras com as duas mãos. Não há mofo, já que a beleza dos objetos emana sutis perfumes, enquanto a luz celestial invade tudo, vinda de todas as partes, para acentuar as glórias do artesanato do homem. Não, não são museus, longe disso. São templos, melhor dizendo, nos quais nós, os espíritos, tornamo-nos cônscios dos agradecimentos eternos que devemos ao Grande Pai por nos dar tanta alegria, sem limites, num mundo do qual tantos na terra negam sua realidade. Eles fariam tudo isso desaparecer – para quê? Nem sabem. Há muitas, muitas belezas no plano da terra, mas nós em espírito não podemos ter nenhuma! Talvez seja essa outra razão pela qual tenha um sentimento tão profundo quando passamos ao mundo espiritual – porque acham que deixamos para trás tudo que é lindo, para passar para um estado de vazio – um vácuo celestial. Tudo o que é belo, então, tornou-se exclusivo ao mundo terrestre. A inteligência do homem não é usada quando passamos para cá, porque aqui não há nada no que exercitá-la. Só o vazio! Eles nem imaginam que a realidade e a imensa plenitude do mundo espiritual vêm como num choque revelador aos que antecipavam um eterno e celestial nada! É essencial que se entenda que cada ocupação e cada tarefa concluída pelos habitantes deste e dos mais altos reinos é feita de boa vontade, pelo puro prazer de se fazer, e nunca por uma atitude de ter que ser feita “quer goste, ou não”. Não se tem que fazer nada compelido, ao cumprir-se uma tarefa. Nunca se expressa ou se sente repugnância. Não se diz que se espera o impossível. Podemos ver o resultado de alguma ação ou outra – ou, se não pudermos, há outros, mais sábios e mais conhecedores, que podem – e saberemos se cumpriremos a tarefa ou suspenderemos até o tempo chegar. Nunca esperamos por ajuda ou advertência. Lembre-se de minha própria sugestão de tentar a comunicação com a terra para arrumar alguns itens de minha vida, e que Edwin avisou-me que deveria procurar mais tarde por conselhos sobre a praticabilidade daquele projeto. Por isso, é verdadeiro dizer que o desejo de fazer e de servir é a ideia fundamental por aqui. Menciono estes temas para se obter um melhor entendimento de um hall em particular, onde Edwin nos levou depois que saímos do hall dos tecidos. Era, pelas intenções e propósitos, uma escola onde almas, que tinham tido o infortúnio de perder os benefícios de algum conhecimento ou aprendizado na terra, poderiam aqui se construir intelectualmente. Conhecimento e aprendizado, educação e erudição não têm conotação de valor espiritual, e a inabilidade para ler e escrever não implica na ausência dele. Mas quando alguém passou para esta vida, quando vê a grande e ampla via abrindo-se diante dele, com suas oportunidades múltiplas e multiformes, vê também que o conhecimento pode ajudar na caminhada espiritual. Ele pode não ser capaz de ler. Estariam aqueles esplêndidos livros ali para carem para sempre fechados para ele, agora que ele tem a oportunidade para ler, mas lhe falta habilidade? Talvez lhe seja perguntado: de fato não é necessário saber ler no mundo espiritual? As coisas sendo como são, deve haver alguma forma de percepção mental a ser adquirida dos livros sem a ajuda material das palavras impressas? A mesma questão deve ser perguntada a respeito das pinturas e de tudo por aqui. Por que a necessidade de qualquer coisa tangível? Se seguimos esta linha de pensamento, isso vai nos levar a um estado de vazio que já mencionei.
O homem que não sabe ler sentirá em sua mente que algo está contido dentro do livro que ele tem em mãos, mas não saberá instintivamente, ou por qualquer outra forma, o conteúdo dele. Mas alguém que sabe ler começará, imediatamente após começar a ler, a se colocar en rapport com os pensamentos que o autor expôs, e assim o livro responderá a quem lê. Ser hábil em escrever não é necessário, e muitos que foram incapazes disso antes de virem para cá, não se incomodaram em suprir essa falta depois de sua chegada. Encontramos muitos espíritos ocupados em seus estudos nesta escola, e plenamente satisfeitos consigo mesmos. Adquirir conhecimento por aqui não é tedioso, porque a memória funciona perfeitamente – isto é, infalivelmente – e os poderes da percepção mental não são mais tolhidos e connados num cérebro físico. Nossas faculdades de entendimento são aguçadas e a expansão intelectual é certa e rápida. A escola era o lar de ambições realizadas para a maioria dos estudantes. Conversei com vários deles, e cada um deles disse-me estar estudando o que desejou estudar na terra, mas lhe fora negada a oportunidade, por razões que são por demais conhecidas. Alguns perceberam que as atividades comerciais não deixaram tempo, ou mesmo a batalha pela vida absorveu todos os meios para fazê-lo. A escola estava bastante confortavelmente instalada; não havia, claro, nem insinuação de regulamentos. Cada estudante seguia seus cursos independentemente dos demais. Sentava-se comodamente, ou ia para os lindos jardins lá fora. Começava quando queria, terminava quando queria, e quanto mais mergulhava em seus estudos, mais interessado e fascinado por eles cava. Posso falar por experiência pessoal deste último comentário, pelo muito que já estudei na grande biblioteca desde meu primeiro contato com ela. Quando saímos da escola, Edwin sugeriu que talvez gostássemos de nos sentar na grama embaixo de alguma árvore para repousarmos um pouco. Esta era o seu modo – perfeitamente natural – de se expressar. Não sofremos a fadiga física, mas, ao mesmo tempo, não camos na mesma ocupação o tempo todo, isto signicaria monotonia, e não há monotonia aqui, como a que enfrentamos na terra. Mas Edwin sabia, por experiência, as diferentes emoções que vêm às mentes dos espíritos recém chegados ao mundo espiritual e, portanto, deu uma pausa antes dos próximos passeios exploradores. VI. ALGUMAS PERGUNTAS RESPONDIDAS Edwin contou-nos que a grande maioria das pessoas recém-chegadas é tomada de um grande entusiasmo à medida que o mundo espiritual se revela a eles, em sua nova vida, e imediatamente querem retornar à terra e contar ao mundo tudo o que há por aqui. Ele já havia me explicado algumas das diculdades quando da minha sugestão de retornar. Outra tendência bastante natural era fazer inúmeras perguntas sobre essa vida em geral, e reparou que, neste quesito, tanto eu quanto Ruth havíamos exercitado uma restrição bastante rara! Certamente me restringi em questionar demais, mas então Edwin havia explicado tanto quanto eu podia entender, conforme seguíamos. Confessei, entretanto, agora que mencionara a questão, que havia muitas coisas sobre as quais eu gostaria muito de saber. Ruth disse que sentia o mesmo e que, sem dúvida, muitas de nossas perguntas seriam coincidentes. A diculdade estava em onde começar. Tínhamos permitido que nossos passeios trouxessem seus próprios problemas para a solução de Edwin, mas havia outras considerações de natureza genérica que vinham da contemplação do mundo espiritual como um todo. Uma das primeiras que veio à minha mente, conforme nos sentamos na grama com ores celestes em torno de nós, era a extensão deste reino no qual agora vivíamos. Ia até onde o olho podia alcançar – e era bem mais longe do que podíamos ver no plano da terra no dia mais límpido do verão. Isto era lindo demais para se colocar em palavras, mas dava uma indicação da imensidão deste reino em particular. E havíamos visto apenas uma pequenina fração dele até agora! Ainda pensávamos em termos de distâncias terrestres. Havia alguma fronteira neste reino? Estendia-se ainda mais além do alcance de nossa visão? Se havia algum término, o que havia além? Poderíamos ir e ver por nós mesmos? Certamente que há uma fronteira neste reino, explicou-nos Edwin. E poderíamos ir e ver quando quiséssemos. Além desse há outro e ainda mais outros reinos. Cada espírito que passa para o mundo espiritual vai para o reino que fez por alcançar quando esteve na terra – naquele, e não em outro. Edwin, no início, havia descrito este plano como o plano da grande colheita – uma colheita que havia sido plantada na terra. Podíamos julgar por nós mesmos, então, se consideramos a colheita boa ou má. Veríamos que havia outras innitamente melhores – e outras innitamente piores. Falando claramente, há outros reinos imensuravelmente mais lindos que este no qual estávamos agora vivendo felizes; reinos de beleza insuperável nos quais não podemos penetrar até que chegue a hora em que tenhamos conquistado esse direito, tanto como visitantes, quanto como habitantes. Apesar de que não possamos entrar neles, as almas gloriosas que moram ali podem vir aos reinos de menor celestialidade, e podem vir nos visitar. Edwin já havia visto alguns deles, e esperamos que possamos vê-los também. De fato, eles constantemente nos visitam para consultas e conversas com os habitantes daqui, para advertir e ajudar, e dar conselhos e recomendações, e não havia dúvidas de que meu próprio problema poderia ser colocado diante de um destes mestres para uma orientação. Em certas ocasiões, também, estes seres transcendentais fazem visitações especiais quando todo o reino está celebrando uma grande ocasião como, por exemplo, as duas maiores festas da terra: Natal e Páscoa. Ruth e eu camos atônitos, porque pensamos que as duas festas eram essencialmente da terra. Mas é a maneira de celebrá-las, e não a festa em si, que é particular da terra. No mundo espiritual, tanto o Natal quanto a Páscoa são encaradas como aniversários: a primeira, de um nascimento no mundo; a segunda, de um nascimento no mundo espiritual. Neste reino, as duas celebrações sincronizam-se com as duas na terra, já que há uma grande ligação entre os dois mundos nesta época, maior do que haveria no caso das festas serem comemoradas independentemente da época. Não é assim, entretanto, nos planos mais elevados, onde leis de natureza diferente vigoram. No plano da terra, a data do aniversário do Natal tem estado xa por muitos séculos. O dia exato do primeiro natal se perdeu, e é impossível agora averiguar com precisão, pelos meios terrenos, quando ocorreu. Mesmo que fosse possível, é tarde demais para se fazer qualquer alteração, pois a atual foi estabelecida por longa tradição e prática. A festa da Páscoa é móvel – um costume estúpido, já que frequentemente as datas não têm relação com a primeira e original. Há alguma esperança de que uma mudança ocorra e a festa estabilize-se. De forma alguma somos subservientes à terra nestes termos, mas ao mesmo tempo uma tola obstinação nos levaria a lugar algum. Então é assim que cooperamos com o plano da terra ao unirmos nossas alegrias. Os reinos mais elevados têm suas próprias boas razões para o que parece ser uma saída da ordem reconhecida. Tais razões não concernem a nós – até que nós mesmos passemos para estes planos mais altos.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.