Voltar ao livro A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

Capítulo 12 de 34

V. Salões De Aprendizado — parte 4 de 8

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

Na fronteira aos altos reinos não há necessidade de tais sentinelas para manter os outros afastados, porque a lei natural previne isso. Quando alguém dos reinos mais baixos viaja para algum mais elevado, é sempre com autoridade, mesmo que investida no viajante, ou em alguma outra pessoa da esfera superior, que servirá de acompanhante. No primeiro caso, tal autoridade toma a forma de símbolos ou sinais que são dados aos portadores, que sempre receberão em cada ocasião – mesmo que não requisitada – toda a assistência que possa precisar. Muitos desses símbolos têm o poder em si mesmos de preservar o viajante com os efeitos dominantes na atmosfera nos reinos superiores. Estes não prejudicam as almas, claro, mas alguém despreparado ver-se-ia como na situação da terra, quando emerge na luz do sol brilhante depois de prolongado período em escuridão profunda. Mas, no caso do brilho do sol na terra, pode-se, depois de um curto período de tempo, car completamente à vontade na luz brilhante, mas não é assim no caso dos altos planos. Não há tal adaptabilidade ali. O efeito 'cegante' será contínuo a alguém de reino inferior. Mas com numa concessão, são providenciados meios para que aquele visitante possa seguir sem desconforto ou infelicidade. E isso é o que poderia se esperar, já que tais visitas são feitas por motivos felizes, e não como testes de força espiritual ou resistência. Quando é necessário fazer uma jornada para esferas superiores, então se torna imperativo, em muitos casos, que um habitante daqueles reinos jogue, como zeram, um manto sobre seu guardado, da mesma forma que Edwin, em menor escala, jogou seus braços protetores sobre nós enquanto caminhávamos naquele reino inferior. Isso foi, em essência, o que Edwin nos contou em resposta às nossas perguntas. Nós agora nos sentíamos sucientemente 'descansados', e, quanto à proposta de Edwin de continuarmos nossa inspeção da cidade, concordamos e assim zemos. VII. MÚSICA Sendo a música um elemento vital no mundo espiritual, não é de se surpreender que um grande edifício fosse devotado à prática, ensino e criação de todos os tipos de música. O prédio seguinte, ao qual nosso amigo nos conduziu, era totalmente dedicado a este estudo tão importante. Quando eu estava na terra, nunca me considerei um músico, no sentido ativo, mas apreciava a arte sem muito entendê-la. Eu havia escutado algumas peças vocais esplêndidas em minhas breves estadas, em diferentes ocasiões, em uma de nossas catedrais metropolitanas, e tinha tido algumas poucas experiências em escutar música orquestrada. A maioria do que vi neste hall de música era novo para mim, e a maior parte, bastante técnica. Acrescentou muito ao meu pequeno conhecimento, porque percebi que quanto mais se sabe de música, mais ajuda a entender muitas coisas da vida por aqui, onde a música tem um papel muito importante. Não sugiro que todo espírito devesse tornar-se músico a m de compreender sua própria existência! A imposição de tal condição sobre nós nunca estaria consoante com as leis naturais daqui. Mas muitas pessoas têm algo latente, senso musical inato, e, pelo encorajamento aqui, maior pode ser a satisfação deles. Com efeito, foi isso exatamente que z. Ruth já tinha um treino musical extenso, por isso sentiu-se bem à vontade nesta enorme escola superior. O hall de música seguia o mesmo esquema amplo dos outros edifícios de artes. A biblioteca continha livros que tratavam da música assim como a vasta quantidade de músicas que foram compostas na terra por compositores que agora passaram ao mundo espiritual, ou por aqueles que ainda estavam na carne. Aquilo que na terra é chamado de 'obra-prima', estavam todas completamente representadas nas prateleiras, entre as várias músicas, e eu quei interessado ao vericar que quase não havia nenhum trabalho que não tivesse sido alterado pelo próprio compositor quando este viera para cá. As razões de tais 'melhoras' eu explicarei depois. Retomando, a biblioteca tinha a história completa da música desde os mais antigos tempos, e os que sabem ler música – não necessariamente instrumentalmente, mas com familiaridade sobre o que as notas impressas indicam – poderiam ver diante deles os passos largos que a arte deu durante as eras. O progresso, parece-nos, foi lento, como nas outras artes, e as caprichosas formas de expressão invadiram-se entre si. Desnecessário dizer que as posteriores não são tocadas aqui por razões ligadas àquelas que inspiram os compositores para alterarem seus trabalhos depois de passarem para cá. Também estavam na biblioteca muitos dos livros e trabalhos musicais que há muito desapareceram da terra, e são mesmo raras e, portanto, fora do alcance da maioria. Um antiquário musical achará tudo aquilo pelo qual ele procurou na terra, mas que lhe foi negado, e aqui ele poderá consultar, livre, trabalhos que, por causa de sua preciosidade, nunca lhe seria permitido colocar as mãos na terra. Muitos aposentos foram instalados ao lado para os estudantes poderem aprender música em cada ramo, da teoria à prática, com professores que são mundialmente conhecidos. Há alguns, talvez, que pensariam que esses nomes tão famosos não doariam de seu tempo ao ensino de formas simples de música aos simples amantes de música. Mas deve ser relembrado que, como com os pintores, os compositores têm uma avaliação diferente dos frutos de seus cérebros depois que passam ao mundo espiritual. Como todos nós aqui, eles vêem as coisas exatamente como elas são – incluindo as suas composições. Percebem, também, que a música do mundo espiritual é bastante diferente dos resultados exteriores da música tocada na terra. Aqui eles descobrem que seu conhecimento musical deve superar mudanças, totais em muitos casos, antes que possam começar a se expressar musicalmente. Em música, pode-se dizer que o mundo espiritual começa onde o mundo terreno termina. Há leis musicais por aqui que não têm aplicação na terra, porque a terra não está evoluída o suciente por um lado, e por outro porque o mundo espiritual é do espírito, enquanto que a terra é material. Põe-se em dúvida se a terra vai se tornar etérea o suciente para ouvir muitas das músicas espirituais dos planos mais elevados. Tentaram inovações, assim me disseram, no plano da terra, mas o resultado não é só selvagem, mas infantil também. Os ouvidos materiais não estão sintonizados à música que é essencialmente dos reinos espirituais. Por alguma oportunidade estranha, as pessoas da terra ensaiaram compor tais músicas no plano terrestre. Jamais o farão, até que os ouvidos dos ainda encarnados tenham sofrido uma alteração fundamental. Os muitos tipos de música instrumental tão familiares na terra são vistos na faculdade de música, onde os estudantes são ensinados a tocá-las. E aqui novamente, onde a destreza das mãos é tão essencial, a tarefa de evoluir em eciência nunca é árdua ou pesada, e é, acima de tudo, muito mais rápida que sobre a terra. Conforme os estudantes adquirem domínio em seu instrumento, podem unir-se a uma das muitas orquestras que existem aqui, ou podem limitar suas execuções ao grupo de seus amigos. Não é de forma alguma surpreendente que muitos preram a primeira forma, porque podem ajudar a produzir, junto a seus colegas músicos, os efeitos tangíveis da música numa

escala muito maior, onde tantos mais podem apreciar tais efeitos. Ficamos extremamente interessados nos vários instrumentos que não têm correspondente no plano terrestre. São, na maioria, especialmente adaptados às formas de música que são exclusivas do mundo espiritual, e por esta razão são mais elaborados. Tais instrumentos são tocados somente com outros de sua espécie, por causa de sua música distinta. Para aquilo que é comum na terra, os instrumentos costumeiros são sucientes. É natural que este prédio tenha um anteatro para concertos. Era um amplo hall, com capacidade de acomodar muitos milhares sentados confortavelmente. Era de forma circular, com os assentos subindo em leiras sem interrupção desde o chão. Não há, claro, nenhuma necessidade de que tal hall seja coberto, mas essa prática meramente segue outras neste reino, - nossas próprias casas, por exemplo. Não necessitamos delas, realmente, mas gostamos delas, crescemos usando-as enquanto na carne, elas são perfeitamente naturais para a vida, por isso nós as temos. Observamos que o hall de música estava em terrenos bem mais extensos que aqueles que já havíamos visto, e a razão logo se tornou clara a nós. Atrás do hall estava o grande centro dos concertos. Consistia de um vasto anteatro como um grande aquário afundado abaixo do nível do chão, mas era tão amplo, que sua profundidade real não era tão aparente. Os lugares mais afastados do palco cavam exatamente ao nível do terreno. Envolvendo bem proximamente esses lugares, havia ramos das mais lindas ores de todas as cores possíveis, com um espaço gramado além, enquanto que a área total deste templo da música a céu aberto era cercada por um magníco conjunto de árvores altas e graciosas. Apesar da platéia estar instalada numa escala tão ampla, muito mais do que seria praticável na terra, mesmo assim a gente não sentia que estava afastado dos músicos, mesmo nos lugares mais altos. Relembremos que nossa visão não é tão restrita em espírito, como na terra. Edwin sugeriu-nos que deveríamos apreciar um concerto no mundo espiritual, e então fez uma estranha proposta: Não nos sentaríamos nos lugares do teatro, mas tomaríamos posição a uma certa distância. A razão, disse ele, apareceria assim que a música começasse. Quando o concerto estava para começar, seguimos esta misteriosa indicação, e sentamo-nos na grama, a alguma distância do anteatro em si. Imaginei se poderíamos escutar bem estando tão distante, mas nosso amigo nos assegurou que sim. E, realmente, fomos acompanhados por numerosas pessoas, até ali, que, sem dúvida, vieram pelo mesmo motivo que nós. Todo o lugar, que estava vazio quando Edwin nos trouxe pela primeira vez, agora tinha muitas pessoas, algumas passeando, e outras, como nós, sentados calmamente na grama. Estávamos num local delicioso, com as árvores e ores e pessoas simpáticas ao redor, e jamais havia experimentado um sentimento como esse que sentia agora, de real e genuíno prazer. Estava com saúde perfeita e felicidade plena, sentado com dois dos mais encantadores companheiros, Edwin e Ruth; sem restrição de tempo ou clima, nem mesmo pensando nisso, livre de qualquer limitação que é comum na nossa antiga vida encarnada. Edwin disse-nos que andássemos sobre o teatro e olhássemos para baixo, na platéia mais uma vez. Assim zemos, e para nosso espanto, vimos que todo o vasto hall estava lotado de pessoas, onde não havia uma só alma para ser vista tão pouco tempo atrás. Os músicos estavam em seus lugares, esperando a entrada de seu maestro, e essa enorme assistência tinha chegado como por mágica – ou assim parecia. Quando cou claro que o concerto começaria, retornamos a Edwin rapidamente. Em resposta à nossa pergunta sobre como aquela assistência teria chegado tão rápido e tão imperceptivelmente, ele relembrou-me do método de chamar a congregação da igreja que havíamos visitado nos primeiros dias de nossos passeios. No caso deste concerto, os organizadores haviam meramente mandado seus pensamentos às pessoas em geral que estivessem interessadas em tais apresentações, e eles se reuniram. Assim que Ruth e eu mostrássemos nosso interesse e desejo por esses concertos, estabeleceríamos uma ligação, e deveríamos sentir esses pensamentos nos alcançando quando fossem emitidos. Nós não veríamos, claro, nenhum dos músicos de onde estávamos sentados, e quando um sussurro chegou até ali, camos informados de que o concerto iria começar. A orquestra era formada de uns duzentos músicos, que estavam tocando instrumentos bem conhecidos na terra, por isso pude apreciar o que ouvi. Assim que a música começou, percebi uma diferença notável do que eu estava acostumado a ouvir no plano da terra. Este som, emitido pelos vários instrumentos, era facilmente reconhecível como antigo, mas a qualidade do tom era imensamente mais pura, e o balanço e combinação eram perfeitos. O trabalho que seria tocado era um tanto longo, como fui informado, e seria contínuo, sem intervalos. O movimento de abertura era de tipo suave, como num cumprimento em volume de som, e percebemos que, no instante em que a música começou, uma luz brilhante parecia elevar-se da direção da orquestra até que utuou, numa superfície plana nivelada com os assentos superiores, onde permaneceu como uma cobertura iridescente sobre todo o anteatro. Conforma a música prosseguiu, este amplo lençol de luz cou mais espesso e mais denso, formando, como era, uma rme fundação para o que se seguiria. Eu estava tão atento observando esta extraordinária formação, que mal poderia contar que música era. Estava cônscio do som, mas isso era tudo. Agora, em espaços iguais em torno da circunferência do teatro, quatro torres de luz brilharam no céu em longos pináculos de luminosidade. Ficaram equilibrados por um momento, e então, lentamente, desceram, tornando-se mais largos em forma de cinturão, até que assumiram a aparência de quatro torres circulares, cada uma coberta com um domo, perfeitamente proporcionais. Enquanto isso, a área central de luz tinha cado mais espessa, e estava começando a se elevar vagarosamente, na forma de um imenso domo cobrindo todo o teatro. Continuou a subir rmemente até que pareceram alcançar uma altura muito maior que as quatro torres, enquanto as mais delicadas cores difundiram-se através de toda a estrutura etérica. Pude entender agora por que Edwin havia sugerido que nos sentássemos fora do teatro, e pude compreender, também, por que os compositores sentiam-se impelidos a alterarem seus trabalhos da terra depois que chegavam no mundo espiritual. Os sons musicais enviados pela orquestra estavam criando, sobre suas cabeças, esta imensa formapensamento musical, e o formato e a perfeição desta forma baseavam-se inteiramente na pureza das harmonias, e em estarem livres de qualquer dissonância. A forma da música deve ser pura para produzir uma forma pura. Não se deve concluir que não havia algo de desarmonia. Não ter alguma desarmonia produziria monotonia, mas tais desarmonias eram legitimamente usadas e propriamente resolvidas. Por agora a grande forma-pensamento musical assumira o que parecia seu limite de altura, e cou estacionária e imóvel. A música ainda estava sendo tocada, e em resposta a ela todo o colorido do domo mudava, primeiro em uma nuance, depois em outra, e muitas vezes para uma delicada mistura de algumas nuances, de acordo com a variação do tema ou movimento da música. É difícil dar qualquer ideia adequada da beleza desta linda estrutura musical. Do anteatro, sendo construído abaixo da superfície do solo, nada nos era visível da audiência, dos músicos, ou do prédio em si, e o domo de luz e cores parecia estar repousado no mesmo solo rme onde estávamos.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.