Voltar ao livro A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

Capítulo 7 de 34

Ii. Passagem Para A Vida Espiritual — parte 5 de 6

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1

Ruth observou um prédio bastante imponente localizado em campos arborizados, o qual também aguçou minha curiosidade. Ao apelarmos ao nosso guia, Edwin nos contou que era uma casa de repouso para aqueles que chegaram ao mundo espiritual depois de longa enfermidade, ou aqueles que tiveram uma passagem violenta e que, em consequência, sofreram trauma. Imaginamos se poderíamos dar uma espiada por dentro, sem parecer intrusos curiosos. Ele nos assegurou que poderíamos fazê-lo, pois já trabalhara ali e, portanto, seria uma presença grata. Acrescentou a isso o fato que ele sabia que tínhamos a simpatia necessária, a qual baniria qualquer pensamento inquiridor. Conforme nos aproximávamos, pude ver que o prédio de forma nenhuma se assemelhava a um 'hospital' em sua fachada, fossem quais fossem suas funções. Foi construído em estilo clássico, dois ou três andares de altura, e era totalmente aberto em todos os lados, isto é, não tinha janelas como as conhecemos na terra. Era de coloração branca quanto aos materiais empregados, mas imediatamente acima podia ser visto um facho de luz azul que descia sobre o prédio inteiro, envolvendo com sua radiação cujo efeito era para dar uma notável coloração azul ao edifício. Este grande facho era o verter da vida – um raio curador – enviado aos que já tinham passado para cá, mas que ainda não acordaram. Quando estivessem totalmente restaurados em sua saúde espiritual, haveria um magníco despertar, e então poderiam ser apresentados ao seu novo reino. Percebi que havia um certo número de pessoas estava sentado sobre a grama, ou passeando por ali. Eram os pais ou amigos dos que estavam em tratamento na casa de repouso e cujo despertar era iminente. Apesar de que, sem dúvida, poderiam ser chamados no exato momento, mesmo assim, seguindo os velhos instintos terrenos, preferiam esperar ali por perto pelo momento feliz. Todos estavam bastante alegres e bastante excitados, como podia ser conrmado pela expressão de seus rostos, e foram muitos os sorrisos amigáveis que recebemos enquanto passávamos entre eles, pois pensavam que estávamos ali pela mesma causa que eles. Contamos do nosso verdadeiro propósito, entretanto, e apressaram-se em nos deixar livres. Observei que a maioria das pessoas que esperavam pelos jardins não estava vestida em suas roupas terrestres, e concluí que a maioria deles deveria estar no mundo espiritual já por bastante tempo. Não seria necessariamente o caso, disse-nos Edwin. Eles tinham o direito de usar suas roupas espirituais em virtude do fato de que eram habitantes deste reino onde agora estávamos. E as roupas que usavam eram eminentemente apropriadas tanto para o local quanto à ocasião. É difícil descrever esta roupagem porque teria que fazer a comparação em relação a alguma coisa já fabricada na terra. Aqui não temos tais materiais, e tudo o que é exterior é produzido não pela textura do material, mas pelo tipo ou graduação de luz que é a essência de uma roupa espiritual. Estas que agora havíamos visto tinham uma forma 'uída' e longa, e as cores – azul e rosa em várias gradações de intensidade – pareciam entrelaçar-se na substância da roupagem. Pareciam muito confortáveis de se usar e, como tudo por aqui, não requerem atenções para mantê-las em perfeito estado de preservação, levam apenas em conta a espiritualidade do usuário. Nós três ainda estávamos usando nosso modo de vestir terreno, e Edwin sugeriu que, para nossas atuais pretensões, deveríamos mudar para nosso elemento natural em matéria de roupagem. Eu estava desejando, claro, seguir qualquer sugestão que zesse, e virei-me em sua direção em busca do que me faltava saber. Ruth também parecia bastante ansiosa por esta mudança, mas a questão que nos intrigava era como se realizaria. Possivelmente há pessoas na terra que gostariam de acreditar que uma situação como essa envolveria a cerimônia de ser formalmente apresentado com a roupa espiritual na presença de um grupo agradável de seres celestiais, que teriam vindo para testemunhar nossa recompensa celeste, e então sermos ocialmente convidados para começarmos nosso 'descanso eterno.' Deixem que me apresse em dizer que, enfaticamente, esse não é o caso. O que aconteceu foi simples assim: imediatamente após eu ter manifestado o desejo de seguir a sugestão de Edwin para trocarmos as roupas terrenas, elas desapareceram – dissolveram-se – e apareci vestindo minha própria roupagem espiritual – com a mesma descrição daquelas que acabara de ver. Da mesma forma, as roupas de Edwin também mudaram, e percebi que emanavam uma cor mais intensa que as minhas. As de Ruth eram iguais às minhas e, desnecessário dizer, ela cou completamente feliz por esta nova manifestação espiritual. Meu amigo já experimentara esta mudança anteriormente, sua roupa não era novidade para ele. Mas falando de mim – e estou certo que falo por Ruth – nunca, em nenhum momento, senti o menor embaraço, ou estranheza, ou consciência desta revolucionária – como poderia parecer ser – alteração em nossa aparência externa. Ao contrário, pareceu-me bastante natural e perfeitamente em ordem; inquestionavelmente era apropriado para nossa atual localização, e mais ainda, como logo descobri quando entramos na casa de repouso. Nada teria sido mais incongruente do que nossa roupagem da terra dentro daquele prédio, o qual, por sua disposição interior e suas acomodações, era totalmente diferente de qualquer outro conhecido na terra. Assim que entramos, Edwin foi cumprimentado como velho amigo por alguém que veio ao nosso encontro. Resumidamente, ele explicou qual era a sua tarefa e sobre nossa presença, e fomos convidados a ver tudo o que desejássemos. Um vestíbulo exterior levou-nos a um imponente hall de consideráveis dimensões. O espaço que seria normalmente para as janelas foi ocupado por pilares altos, algo distanciados, e esse modelo repetia-se nas quatro faces do prédio. Havia muito pouca decoração interior, mas que não se pense que nos apartamentos víssemos uma aparência de alojamento. Não havia nada disso. O chão era acarpetado por uma cobertura de desenhos sóbrios, aqui e ali uma tapeçaria lindamente bordada era vista nas paredes. Ocupando todo o espaço do andar, havia sofás aparentemente muito confortáveis, cada um deles tendo uma pessoa recostada, quase imóvel, obviamente dormindo profundamente. Movendo-se silenciosamente em torno, havia homens e mulheres observando os diferentes sofás e seus ocupantes. Assim que entrei neste hall, percebi que camos sob a inuência do raio azul, e seu efeito era tanto o de energizar quanto tranquilizar. Outro fator notável era a total ausência de qualquer traço de ser uma instituição, com sua inevitável ocialidade. Não havia sinal de patronato, nem senti o menor sinal de estar entre estranhos. Os que atendiam aqueles que dormiam faziam-no não com a atitude de quem tem uma tarefa para cumprir, sem mais nem menos, mas demonstravam desempenhar um trabalho de amor, e alegria ao fazê-lo. Esse era exatamente o caso, sem dúvida. O despertar alegre destas almas sonolentas sempre era um evento muito feliz a eles, não menos feliz que aos das pessoas que vinham acompanhar o fato.

Aprendi que todos os 'pacientes' deste hall em particular tinham atravessado longas doenças antes de fazerem sua passagem para cá. Imediatamente depois da desencarnação, são postos gentilmente a dormir um sono profundo. Em certos casos, o sono vem imediatamente – ou praticamente sem interrupção – à morte física. Longas enfermidades antes da passagem para o mundo espiritual têm um efeito debilitante sobre as mentes, a qual, por sua vez, inuencia o corpo espiritual. Isso não é sério, mas a mente requer um repouso absoluto de duração variada. Cada caso é tratado individualmente, e responde perfeitamente ao tratamento. Durante este estado de sono, a mente está repousando completamente. Não há sonhos desagradáveis, febres ou delírios. Enquanto observava esta perfeita manifestação da Divina Providência, vieram-me à cabeça as absurdas noções terrenas de 'descanso eterno', 'sono eterno', e muitas outras besteiras semelhantes, e quei imaginando se, por algum fato, ou outra coisa, este sono que via fôra distorcido pelas mentes terrestres como sendo um estado de sonolência eterna pelo qual todas as almas passam, ao desencarnar, esperando por incontáveis anos o terrível último dia – o temível 'Dia do Julgamento Final'. Aqui estava uma visível refutação desta crendice sem sentido. Nenhum dos meus dois amigos acordou neste – ou outro - local de repouso, como me disseram. Como eu mesmo, não sofreram longa doença, e o m de suas vidas na terra chegara rápida e prazerosamente. Ver os pacientes descansando em seus sofás era tranquilizador. Constantemente são observados e, ao menor sintoma de retorno à consciência, outros são chamados, cando tudo pronto para o despertar completo. Alguns despertarão parcialmente, e então mergulharão novamente na sonolência. Outros despertarão rapidamente, e é aí que as almas experimentadas terão, talvez, que desempenhar uma tarefa mais difícil. Até aquele momento, havia sido um caso de observar e esperar. Em muitos casos tem que ser explicado ao espírito recém-despertado que ele 'morreu' e está vivo. Relembrarão suas longas enfermidades, mas alguns ignoram que passaram ao mundo espiritual, e quando a grande verdade for gentil e pausadamente explicada, eles normalmente expressam um enorme desejo de voltar para a terra, talvez para aqueles de quem têm saudades, talvez para aqueles de quem tomavam conta ou por quem eram responsáveis. Falam-lhes que nada pode ser feito a respeito de sua volta, e que outros, experientes, tomarão conta das circunstâncias que os deixam entristecidos. Estes despertares não são felizes, em comparação aos que acordam com a plena consciência do que lhes aconteceu. Se a terra fosse mais ilustrada, este não seria o caso mais frequente, haveria bem menos tristezas para as almas recém- despertadas. A terra pensa que está muito avançada, muito 'civilizada'. Esta opinião vem da ignorância cega. O mundo terreno, por todas as coisas as quais se deseja, é vista como se fosse de grande importância, e o mundo espiritual é visto como algo obscuro e distante. Só quando nalmente um espírito chegar até aqui, aí será tempo de começar a pensar sobre isso. Até que chegue essa hora, não há necessidade de se preocupar com nada. Esta é a atitude de pensar de milhares de milhares de almas encarnadas; e aqui, nesta casa de repouso, testemunhamos pessoas acordando de seus sonos espirituais. Vimos bondosos e pacientes espíritos tentando duramente convencer estas mesmas pessoas de que elas tinham realmente 'morrido'. E esta casa de repouso é apenas um lugar, dos muitos, onde o mesmo trabalho acontece incessantemente, e tudo porque o mundo da terra é tão superior em sapiência! Mostraram-nos outro hall amplo, decorado de forma similar, onde aqueles cuja passagem tinha sido violenta e repentina estavam também em seu sono temporário. Estes casos eram comumente mais difíceis de se conduzir que aqueles que acabamos de ver. A rapidez de sua partida aumentava em muito a grande confusão em suas mentes. Ao invés de uma transição rme, o corpo espiritual tinha sido, em muitos casos, ejetado de seu corpo físico, e precipitado ao mundo espiritual. A passagem tinha sido tão rápida que não parecia que houve uma ruptura em suas vidas. Tais pessoas são cuidadas muito rapidamente por grupos de almas que devotam todo seu tempo e todas as suas energias em tal função. E na casa de repouso podíamos ver agora os resultados de seus esforços. Se muitos destes espíritos tivesse tido apenas um pequeno conhecimento das coisas espirituais, estes despertares seriam muito mais felizes. Asseguro-lhes de que não é uma visão agradável ver estes trabalhadores gentis e pacientes lutando mentalmente – e algumas vezes quase sicamente – com pessoas que são totalmente ignorantes do fato de serem já 'mortas'. É a visão mais triste, posso atestar, porque vi. E quem é o culpado deste estado de coisas? A maioria destas almas culpa-se a si mesmas quando cam por aqui o tempo suciente para entenderem sua nova condição, ou, por outra, culpam o mundo que acabaram de deixar, por tolerar tal cegueira e estupidez. Edwin indicou-nos que talvez tivéssemos já visto tudo o que queríamos, e, verdade seja dita, tanto eu quanto Ruth não camos tristes por irmos embora dali. É bem lembrar que nós éramos, comparativamente, recém-chegados, e não tínhamos a experiência suciente para podermos suportar as visões que, por si mesmas, eram estressantes. Por isso fomos para fora novamente, e tomamos um caminho que nos levou a um amplo pomar com árvores frutíferas, similar, apesar de mais extenso, àquele onde experimentei minha primeira fruta celeste. Estava bem próximo para o uso dos recém-acordados – e, é claro, para qualquer um que quisesse compartilhar dos estimulantes frutos. Ocorreu-me que Edwin estivesse gastando muito tempo conosco, talvez prejudicando seu próprio trabalho. Mas ele contou-nos que aquilo que agora ele estava fazendo era, sob muitos aspectos, seu trabalho normal – não somente ajudar pessoas a se acostumarem aos seus novos ambientes, mas ajudar os que estavam começando a pôr em cheque suas velhas ideias religiosas e romper com a asxia em suas mentes como membros das comunidades ortodoxas daqui. Fiquei feliz em saber disso, porque signicava que poderia continuar sendo nosso cicerone. Agora que estávamos novamente a céu aberto, uma pergunta surgiu: continuaríamos com nossas roupas espirituais ou deveríamos voltar às antigas? Quanto à Ruth, ela não queria ouvir falar em mudar de volta. Declarou estar perfeitamente satisfeita como a que estava usando, e questionou qual seria a roupa terrestre que possivelmente seria melhor que esta. Diante de tão poderoso argumento, tivemos que nos submeter. Mas quanto a Edwin e eu? Meu amigo apenas havia voltado ao seu uniforme terreno para fazer-me companhia e ajudar a me sentir à vontade. E assim, decidi que caria com as novas roupagens como estava agora – no meu vestuário espiritual. Enquanto passeávamos, começamos a conversar sobre as mais variadas noções terrenas em relação à aparência pessoal dos espíritos. Ruth mencionou as 'asas' relacionadas aos 'seres angélicos', e todos logo concordamos que não havia nada mais irracional que tal ideia. Haveria algum meio de locomoção mais desajeitado, ou pesado, ou completamente impraticável? Supusemos que os artistas dos velhos tempos devem ter sido os responsáveis por este tamanho afastamento da realidade. Presume-se que eles pensavam que alguns meios de locomoção pessoal eram essenciais para os espíritos, e que os métodos mundanos de se usar as próprias pernas eram terrestres demais para serem admitidos, mesmo em remota possibilidade, nos reinos espirituais. Não tendo conhecimento qualquer do poder do pensamento por aqui, e sua aplicação direta no nosso movimento nestes reinos, lançaram-se sobre o único meio de movimento através do espaço conhecido por eles – o uso das asas. Imagina-se se ainda exista na terra quem acredite realmente que somos parcialmente aparentados com grandes pássaros! Em meio a tais pensamentos, a ciência moderna procurou dispersar algumas das absurdas concepções que há tanto prevalecem.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.