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Capítulo 18 de 34
Parte Ii — parte 1 de 4
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 1
O MUNDO INVISÍVEL 1. AS FLORES Depois de ter passado para o mundo espiritual, uma das minhas primeiras experiências foi a consciência de um sentimento de tristeza, não sendo uma tristeza minha, já que fui extremamente feliz, mas tristeza de outros, e quei muito confuso ao saber de onde vinha. Edwin contou-me que esta tristeza vinha da terra, provocada pela dor causada pelo meu desencarne. Entretanto logo passou, e Edwin informou-me que o esquecimento já se iniciara entre os da terra. Só esta experiência, meu bom amigo, já daria para induzir a sentimentos de humildade, se a humildade não existisse antes! Eu dei, asseguro-lhe, pouca importância à popularidade, então a descoberta de que minha memória estava desaparecendo das mentes dos terrenos não me causou nenhum desgosto. Escrevi e preguei pelo bem que poderiam realizar, e isto, como agora aprendi, foi microscopicamente pouco. Disseram-me que muitas pessoas, cuja gura pública era considerável quando eram encarnados, descobriram, quando foram enterrados seus corpos terrestres, que suas famas e seus inúmeros favores não os precederam no mundo espiritual. Desaparecera a admiração que experimentaram em seu cotidiano. Isto naturalmente entristecia estas almas ao deixarem para trás a sua proeminência terrena, dando-lhes um sentimento de solidão, maior ainda se, ainda por cima, a terra esquecia rapidamente tudo sobre eles. Minha própria reputação terrena não tinha sido de grande magnitude, mas consegui entalhar um nicho para mim entre meus correligionários. Minha transição foi calma e pacíca, e desprovida de qualquer circunstância desagradável. Não foi um tranco para mim, sair da terra. Não tive laços, a não ser o trabalho. Fui, entretanto, bastante abençoado. Edwin contou-me de outros cuja passagem fora extremamente infeliz. Muitos, que foram grandes na terra, acharam-se bastante pequenos no mundo espiritual. E muitos que eram desconhecidos no mundo, viram-se aqui tão conhecidos que caram abismados. De forma alguma, não são todos que se destinam aos reinos maravilhosos de eterno brilho e calor. Já lhes dei uma vislumbrada dos reinos de trevas e sombras, onde tudo é frio e deserto e estéril, e onde almas têm suas habitações, almas estas que podem sair dali, se quiserem e trabalharem para tanto. Há muitos que gastam o tempo de suas visitas a estas regiões sombrias tentando arrancar daquela miséria alguns destes desafortunados, e colocá-los no reto caminho de luz e de progresso espiritual. Foi privilégio meu ir na companhia de Edwin e Ruth visitar os lugares sombrios além do cinturão de névoa que os separa da luz. Não é meu propósito levá-lo a estes reinos de miséria e infelicidade agora. Mais tarde espero mostrar-lhe algumas de minhas experiências. No momento, há outro assunto – mais agradável – que gostaria de abordar. Há muitos espíritos sobre o plano da terra que buscam sondar os múltiplos mistérios da vida. Propõem teorias de diversos tipos, pretendendo explicar isto ou aquilo, e que, no curso do tempo, passam a ser encaradas como grandes verdades. Algumas destas hipóteses estão tão afastadas da verdade quanto se possa imaginar; outras são meramente irracionais. Mas também há pessoas que até mesmo se recusam a pensarem por si mesmas, e que com indiferença agarram-se na crença de que enquanto estão encarnadas não precisam saber nada da vida dos espíritos que espera por todos para breve. Armam que não é propósito de Deus que lhes contem sobre tais assuntos, e, quando vierem para o mundo espiritual, saberão tudo. Existem dois pensamentos extremos – os teóricos e os 'partidários da porta fechada'. Estas duas escolas recebem choques severos quando adentram aos reinos espirituais para viver todo o tempo. Indivíduos com teorias estranhas vêem suas teorias demolidas pelo simples fato de se acharem frente a frente com a verdade. Descobrem que a vida no mundo espiritual não é nem de perto tão complexa quanto pensavam que era. Muitas vezes é muito mais simples que a vida terrena, porque não temos os problemas que constantemente molestam e preocupam os habitantes da terra, problemas, por exemplo, como os de religião ou política que, através dos tempos, têm causado revoltas sociais e que ainda estão tendo repercussões no mundo até hoje. Os estudantes ocultistas estão aptos a caírem nos mesmos erros que os estudantes de religiões. Fazem asserções tão dogmáticas quanto as que vêm das religiões ortodoxas, asserções que, na maioria, estão longe da verdade. O período de tempo que vivi no mundo espiritual é como nada – nada – em comparação com algumas grandes almas com quem tive o privilégio de falar. Mas eles mostraram-me algo de seu vasto conhecimento, isto é, coisas que minha mente era capaz de entender. De resto, estou – como milhões de outros – contente por esperar pelo dia em que minha inteligência seja sucientemente evoluída para alcançar as verdades maiores. Um tema que causa alguma perplexidade é o das ores que temos no mundo espiritual. Alguém perguntaria: por que as ores? Qual é o seu propósito ou signicância? Elas têm algum signicado simbólico? Vamos colocar estas mesmas perguntas às pessoas da terra, no que concerne às ores que crescem no plano da terra. Elas têm algum signicado especial? Elas têm algum signicado simbólico? A resposta para ambas perguntas é Não! As ores foram dadas à terra para ajudar a embelezá-la, e para deliciar e dar prazer aos que as observam. O fato de servirem a outros propósitos é uma razão adicional para sua existência. As ores são, essencialmente, belas; evolvidas da Mente Criativa Suprema, dadas a nós como dádiva preciosa, mostrando-nos nas suas cores, em suas formas e em seus perfumes uma porção innitesimalmente pequena da Grande Mente. Vocês têm esta glória sobre a terra. Deveríamos estar privados delas no mundo espiritual, porque alguém considera que as ores são terrenas, ou porque não colocaram nenhum signicado profundo ou recôndito para a sua existência? Temos as ores mais gloriosas aqui, algumas delas como as familiarmente apreciadas na terra, outras somente conhecidas aqui, mas todas são soberbas, a alegria perpétua de todos nós que estamos cercados delas. São criações divinas, cada uma delas respirando o ar puro do espírito, e sustentadas pelo Criador e por todos nós aqui, no amor que damos a elas. Não queremos que elas – suposição impossível! – sejam retiradas. O que teríamos em seu lugar? Por outro lado, de onde viria a grande gama de cores que vem das ores?
E não são somente as pequenas ores que temos por aqui. Não há uma só árvore orida ou arbusto de que a mente humana possa se recordar que não tenhamos aqui, orescendo em abundância e perfeição, tanto quanto as árvores e arbustos que não se vêem em lugar algum, a não ser no mundo espiritual. Estão sempre oridas, nunca morrem ou murcham; seus perfumes difundem-se no ar, onde agem como tônico espiritual sobre todos nós. Estão unidas a nós, nós a elas. Quando nos apresentaram as ores e árvores e toda a natureza luxuriosa do mundo espiritual pela primeira vez, instantaneamente percebemos algo que a natureza da terra nunca pareceu possuir, que é uma inteligência inerente em tudo o que cresce. Flores terrestres, mesmo vivas, não fazem contato imediato em resposta a alguém que se aproxime delas. Mas aqui é completamente diferente. As ores espirituais são imperecíveis, e isto logo sugere mais do que uma mera vida dentro delas, e as ores espirituais, assim como outras formas da natureza, são criadas pelo Grande Pai do Universo através de seus agentes dos reinos do espírito. São parte de uma imensa corrente de vida que ui diretamente d'Ele, e que ui através de cada espécie da ora. Esta corrente nunca cessa, nunca falha, e é, acima de tudo, continuamente alimentada pela admiração e o amor que nós, neste reino do espírito, muito gratamente devotamos a esta dádiva escolhida pelo Pai. Então, é para se maravilhar quando tomamos em nossas mãos o menor botão e sentimos um inuxo de poder magnético, uma força revicante, uma elevação de nosso ser, quando sabemos, na verdade, que tais forças para nossa evolução vêm vindo diretamente da Fonte de todos os bens. Não, não há outro signicado para nossas ores espirituais que não seja a beleza expressa de nosso Pai do Universo e, claro, isto basta. Ele não colocou nenhum simbolismo estranho em Sua criação perfeita. Por que deveríamos nós fazê-lo? A imensa maioria das ores não deve ser colhida. Colhê-las não signica destruí-las – é cortar o que está em contato direto com o Pai. É possível agrupá-las, claro; nenhuma calamidade desastrosa acontecerá se assim o zermos. Mas aquele que o zer terá remorsos profundos, certamente. Pense em algum artigo pequeno que você tenha, tesouro acima de todas as suas posses materiais, e depois pense em alguém deliberadamente destruindo-o. Isto causaria em você uma extrema tristeza, apesar de que a perda possa ser, intrinsecamente, insignicante. Tais seriam os seus sentimentos se, descuidadamente, colhesse as ores espirituais que não devem ser colhidas. Mas há os botões, e muitos deles, que ali estão expressamente para serem colhidos, e muitos de nós o fazemos, levando-as para nossas casas, exatamente como fazíamos na terra, e pela mesma razão. Estas ores colhidas sobreviverão ao corte por tanto tempo quanto desejarmos retê-las. Quando nosso interesse nelas começa a esvair, elas rapidamente de desintegram. Não haverá restos feios, porque não pode haver morte no plano da eterna vida. Simplesmente percebemos que nossas ores se foram, e podemos repô-las, se assim o desejarmos. II. O SOLO Para se ter a ideia adequada do chão sobre o qual andamos e no qual nossas casas e edifícios são erigidos, você deve limpar sua mente de todas as concepções mundanas. Antes de qualquer coisa, não temos estradas como as que são conhecidas na terra. Temos extensas e amplas vias públicas em nossas cidades e em outros locais, mas não são pavimentadas com a substância composta que lhes dá dureza e durabilidade para a passagem de corrente contínua de tráfego. Não temos tráfego, e nossas estradas são cobertas com uma grama ninha e verde, e tão macia aos nossos pés quanto uma cama de musgo fresco. É sobre isto que andamos. A grama nunca cresce acima da condição de bem aparada, e, mesmo assim, é grama viva. É sempre mantida no mesmo nível para servir: perfeita para se andar nela, perfeita na aparência. Nos lugares onde caminhos menores são desejáveis, e onde a grama pareceria não combinar, temos pavimentações semelhantes às da terra. Mas são construídas de materiais bem diferentes. O piso tem, na maior parte, a descrição de uma pedra, mas não tem a usual monotonia chata nas cores. Assemelha-se bastante ao material do alabastro, do qual tantos prédios são construídos. As cores variam, mas todas são de delicados tons pastel. Esta pedra, como a grama, é muito agradável para se caminhar, apesar de que, naturalmente, não é tão macia. Mas há certa qualidade nela, uma certa elasticidade, se é que posso assim nomear, algo como a plasticidade de certa madeira da terra que é usada para se fazer pisos. É a única maneira que tenho para transmitir a ideia da diferença entre a pedra da terra e a do mundo espiritual. Nunca há, claro, descoloração para se observar na superfície destes passeios de pedra. Preservam para sempre o seu frescor inicial. Frequentemente nossa pavimentação revela um trabalho de desenhos maravilhosos formados pelo uso de materiais de coloração diferente, combinando harmoniosamente com a região em torno. Quando alguém se aproxima das fronteiras dos reinos mais elevados, a pavimentação torna-se notavelmente mais translúcida, e parece perder sua aparência de solidez, apesar de que, sem dúvida, ainda é sólida o suciente. Quando se chega perto das fronteiras dos reinos inferiores, a pavimentação toma a aparência de mais dura, começa a perder sua coloração, até que ca plúmbea e opaca, tendo a aparência de extrema solidez – quase como o granito do plano da terra. Em volta de nossas casas, temos campos gramados, árvores e canteiros de ores, com ruelas de pedras similares àquela que acabei de descrever a você. Mas de 'terra' nua, vê-se pouco, ou nada. Realmente, não posso me lembrar de ter visto local assim nu, pois aqui não há abandono pela indiferença ou indolência, ou de outras causas que são tão familiares para se especicar. Onde tenhamos obtido o direito de possuir nossas casas espirituais, também temos, dentro de nós, o desejo constante de manter ou melhorar sua beleza. E não é difícil de cumprir, já que a beleza responde e prospera com a apreciação delas. Quanto mais atenção e reconhecimento nós damos a elas, maior será sua resposta, ganhando, para si mesmas, beleza ainda maior. A beleza espiritual não é uma coisa abstrata, mas uma força real e viva. A vista de minha casa é de campos verdes, de casas bonitas situadas entre jardins e bosques, e com uma visão da cidade distante. Em lugar algum será encontrado um sinal de solo mal tratado ou nu. Cada polegada que se apresenta aos olhos é bem tratada, por isso toda a paisagem é um turbilhão de cores, do brilhante verde esmeralda da grama às ores multicoloridas nos jardins, coroados pelo azul do céu celestial acima. Pode se perguntar do que se compõe o solo no qual as ores e as árvores estão crescendo – seria da mesma espécie do da terra?
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.