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Capítulo 4 de 38

Parte 4 de 38

Há Dois Mil Anos… · Chico Xavier, pelo espírito Emmanuel

– Se o és, porque fizeste de teu filho um vagabundo e um inútil? – Não posso compreender os motivos que levaram meu pobre Saul a comprometer-se dessa maneira, mas, juro-vos que ele é o braço-forte dos meus trabalhos de cada dia. – Não me cabe examinar as razões do teu sentimento, porque a minha palavra esta dada irrevogavelmente. André de Gioras mirou Públio Lentulus de alto a baixo, ferido na sua emotividade de pai e no seu sentimento de homem, esfuziando de dor e de cólera reprimida. Seus olhos úmidos traíam íntima angústia, em face daquela recusa formal e inapelável, mas, desprezando todos os convencionalismos humanos, falou com orgulhosa firmeza: – Senador, eu desci da minha dignidade para implorar vossa compaixão, mas aceito a vossa recusa ignominiosa!...

Acabais de comprar, com a dureza do coração, um inimigo eterno e implacável!... Com os vossos poderes e prerrogativas, podeis eliminar-me para sempre, seja reduzindo-me ao cativeiro ou condenando-me a perecer de morte infame; mas eu prefiro afrontar a vossa soberbia orgulhosa!... Plantastes, agora, uma árvore de espinhos, cujo fruto, um dia, amargará sem remédio o vosso coração duro e insensível, porque a minha vingança pode tardar, mas, como a vossa alma inflexível e fria, ela será também indefectível e tenebrosa!... O judeu não esperou a resposta do seu interlocutor, amargamente emocionado com a veemência daquelas palavras, saindo do recinto a passo firme e de rosto erguido, como se houvesse obtido os melhores resultados da sua curta e decisiva entrevista. Num misto de orgulho e ansiedade, Públio Lentulus experimentou, naquele instante, as mais variadas gamas de sentimento a dominar-lhe o coração Desejou determinar a prisão imediata daquele homem que lhe atirara em rosto as mais duras verdades, experimentando, simultaneamente, o desejo de chamá-lo a si, prometendo-lhe o regresso do filho querido, a quem protegeria com o seu prestígio de homem de Estado; mas a voz se lhe sumiu na garganta, naquele complexo de emoções que de novo lhe roubara a paz e a serenidade.

Dolorosa opressão paralisou-lhe as cordas vocais, enquanto no coração angustiado repercutiam as palavras candentes e amarguradas. Uma série de reflexões penosas enfileirou-se no seu mundo íntimo, assinalando os mais fortes conflitos de sentimentos. Também ele não era pai e não procurava reter os filhinhos perto do coração? Aquele homem possuía as mais fortes razões para considerá-lo um espírito injusto e perverso. Recordou o sonho inexplicável que, relatado a Flamínio, fora a causa indireta da sua vinda para a Judéia e considerou as lágrimas de compunção que derramara, em contacto com o turbilhão de lembranças perniciosas da sua existência passada, em face de tantos crimes e desvios.

Retirou-se do gabinete com a solução mental da questão em foco, ordenando que trouxessem o jovem Saul à sua presença, com a urgência que o caso requeria, a fim de recambiá-lo à casa paterna, e modificando, dessa forma, as penosas impressões que havia causado ao pobre André. Suas ordens foram expedidas sem delongas; todavia, esperava-o desagradável surpresa, com as informações dos funcionários a quem competia a providência de semelhantes serviços. O jovem Saul desaparecera do cárcere, fazendo crer numa fuga desesperada e imprevista. Os informes foram transmitidos à autoridade superior, sem que Públio Lentulus viesse a saber que os maus servidores do Estado negociavam, muitas vezes, os prisioneiros jovens com os ambiciosos mercadores de escravos, que operavam nos centros mais populosos da capital do mundo. Informado de que o prisioneiro se evadira, o senador sentiu a consciência aliviada das acusações que lhe pesavam no intimo.

Afinal, pensou, tratava-se de caso de somenos importância, porquanto o rapaz, distante do cárcere, procuraria imediatamente a casa paterna; e, consolidando sua tranqüilidade, expediu ordens aos dirigentes do serviço de segurança, recomendando se abstivessem de qualquer perseguição ao foragido, a quem se levaria, oportunamente, o indulto da lei. O caminho de Saul, todavia, fora bem outro. Em quase todas as províncias romanas funcionavam terríveis agrupamentos de malfeitores, que, vivendo à sombra da máquina do Estado, haviam-se transformado em mercadores de consciências. O moço judeu, na sua juventude promissora e sadia, fora vítima dessas criaturas desalmadas. Vendido clandestinamente a poderosos escravocratas de Roma, em companhia de muitos outros, foi embarcado no antigo porto de Jope, com destino à Capital do Império. Antecipando-nos na cronologia de nossas narrativas, vamos encontrá-lo, daí a meses, num grande tablado, perto do Fórum, onde se alinhavam, em penosa promiscuidade, homens, mulheres e crianças, quase todos em míseras condições de nudez, tendo cada qual um pequeno cartaz pendurado ao pescoço.

Olhos chispando sentimentos de vingança, lá se encontrava Saul, seminu, um barrete de lã branca a cobrir-lhe a cabeça e com os pés descalços levemente untado de gesso. Junto daquela massa de criaturas desventuradas, passeava um homem de ar ignóbil e repulsivo, que exclamava em voz gritante para a multidão de curiosos que o rodeava: – Cidadãos, tende a bondade de apreciar... Como sabeis, não tenho pressa em dispor da mercadoria, porque não devo a ninguém, mas aqui estou para servir aos ilustres romanos!... E, detendo-se no exame desse ou daquele infeliz, prosseguia na sua arenga grosseira e insultuosa: – Vede este mancebo!... É um exemplar soberbo de saúde, frugalidade e docilidade.

Obedece ao primeiro sinal. Atentai bem para o aprumo da sua carne firme. Doença alguma terá força sobre o seu organismo. Examinai este homem! Sabe falar o grego corretamente e é bem feito da cabeça aos pés!...

Nesses pruridos de negocista, continuou a propaganda individual, em face da multidão de compradores que o assediava, até que tocou a vez do jovem Saul, que deixava transparecer, no aspecto miserável, os seus ímpetos de cólera e sentimentos tigrinos: Atentai bem neste mancebo! Acaba de chegar da Judéia, como o mais belo exemplar de sobriedade e saúde, de obediência e de força. É uma das mais ricas amostras deste meu lote de hoje. Reparai na sua mocidade, ilustres romanos!... Darvo-lo-ei ao preço reduzido de cinco mil sestércios!...

O jovem escravo contemplou o mercador com a alma esfervilhante de ódio e alimentando, intimamente, as mais ferozes promessas de vingança. Seu semblante judeu impressionou a multidão que estacionava na praça, aquela manhã, porque um intenso movimento de curiosidade lhe cercou a figura interessante e originalíssima. Um homem destacou-se da multidão, procurando o mercador, a quem se dirigiu à meia voz, nestes termos: – Flacus, meu senhor necessita de um rapaz elegante e forte para as bigas dos filhos. Esse jovem me interessa. Não o darias ao preço de quatro mil sestércios?

– Vá lá – murmurou o outro em tom de negócio –, meu interesse é bem servir à ilustre clientela. O comprador era Valério Brutus, capataz dos serviços comuns da casa de Flamínio Severus, que o incumbira de adquirir um escravo novo e de boa aparência, destinado ao serviço das bigas dos filhos, nos grandes dias das festas romanas. Foi assim que, imbuído de sentimentos ignóbeis e deploráveis, Saul, o filho de André, foi introduzido, pelas forças do destino, junto de Plínio e de Agripa, na residência da família Severus, no coração de Roma, ao preço miserável de quatro mil sestércios. III Em casa de Pilatos A secura da natureza, onde se ergue Jerusalém, proporciona à célebre cidade uma beleza melancólica, tocada de pungente monotonia. Ao tempo do Cristo, seu aspecto era quase igual ao que hoje se observa. Apenas a colina de Mizpa, com as suas tradições suaves e lindas, representava um recanto verde e alegre, onde repousavam os olhos do forasteiro, longe da aridez e da ingratidão das paisagens.

Todavia, devemos registrar que, na época da permanência de Públio Lentulus e de sua família, Jerusalém acusava novidades e esplendores da vida nova. As construções herodianas pululavam nos seus arredores, revelando novo senso estético por parte de Israel. A predileção pelos monólitos talhados na rocha viva, característica do antigo povo israelita, fora substituída pelas adaptações do gosto judeu às normas gregas, renovando as paisagens interiores da famosa cidade. A jóia maravilhosa era, porém, o Templo, todo novo na época de Jesus. Sua reconstrução fora determinada por Herodes, no ano de 21, notando-se que os pórticos levaram oito anos a edificar-se, e considerando-se, ainda, que os planos da obra grandiosa, continuados vagarosamente no curso do tempo, somente ficaram concluídos pouco antes de sua completa destruição.

Nos pátios imensos, reunia-se diariamente a aristocracia do pensamento israelita, localizando-se ali o fórum, a universidade, o tribunal e o templo supremo de toda uma raça. Os próprios processos civis, além das discussões engenhosas de ordem teológica, ali recebiam as decisões derradeiras, resumindo-se no templo imponente e grandioso todas as ambições e atividades de uma pátria. Os romanos, respeitando a filosofia religiosa dos povos estranhos, não participavam das teses sutis e dos sofismas debatidos e examinados todos os dias, mas a Torre Antônia, onde se aquartelavam as forças armadas do Império, dominava o recinto. facilitando a fiscalização constante de todos os movimentos dos sacerdotes e das massas populares. Públio Lentulus, após o incidente do prisioneiro, que continuava a considerar como episódio sem importância, retomava certa serenidade para o desempenho de suas obrigações consuetudinárias. Os aspectos áridos de Jerusalém tinham, para seus olhos cansados, encanto novo, no qual o pensamento repousava das numerosas e intensas fadigas de Roma.

Quanto a Lívia, esta guardava o coração voltado para os seus afetos distantes, analisando a aridez dos espíritos ao alcance do seu convívio. Como por milagre, a pequena Flávia havia melhorado, observando-se notável transformação das feridas que lhe cobriam a epiderme. Mas, as atitudes hostis de Fúlvia, que lhe não perdoava a simplicidade encantadora e os dotes preciosos de inteligência, sem perder ensejo para jogar-lhe em rosto pequeninas indiretas, por vezes irônicas e mordentes, deixavam-lhe o espírito aturdido num turbilhão de expectativas alucinantes. Semelhantes acontecimentos eram desconhecidos do marido, a quem a pobre senhora se abstinha de relatar os seus mais íntimos desgostos. Esses fatos, porém, não eram os elementos que mais contribuíam para acabrunhá-la naquele ambiente de penosas incertezas.

Fazia uma semana que se encontravam na cidade e notava-se que, contrariando talvez seus hábitos, Pôncio Pilatos comparecia diariamente à residência do pretor, a pretexto de predileção pela palestra com os patrícios recém-chegados da Corte. Horas a fio eram empregadas nesse mister, mas Lívia, com as secretas intuições da sua alma, compreendia os pensamentos inconfessáveis do governador a seu respeito, recebendo de espírito prevenido os seus amáveis madrigais e alusões menos diretas. Nessas aproximações de sentimentos que prenunciam a preamar das paixões, via-se também a contrariedade de Fúlvia, tocada de venenoso ciúme em face da situação que a atitude de Pilatos ia criando. Por detrás daqueles bastidores brilhantes do cenário da amizade artificial, com que foram recebidos, Públio e Lívia deveriam compreender que existia um mamei de paixões inferiores, que, certo, haveria de tisnar a tranqüilidade de suas almas. Não entenderam, todavia, os detalhes da situação e penetraram de espírito confiante e ingênuo no caminho escuro e doloroso das provações que Jerusalém lhes reservava.

Reafirmando incessantes obséquios e multiplicando gentilezas, Pilatos fez questão de oferecer um jantar, no qual toda a família se reconfortasse e a fraternidade e a alegria fossem perfeitas. No dia aprazado, Sálvio e Públio, acompanhados pelos seus, compareciam à residência senhorial do governador, onde Cláudia igualmente os esperava com um sorriso bondoso e acolhedor. Lívia estava pálida, no seu traje simples e despretensioso, sendo de notar que, contra toda a expectativa do esposo, fizera questão de levar a filhinha doente, no pressuposto de que o seu cuidado materno representasse alguma coisa contra as pretensões do conquistador que o seu coração de mulher adivinhava, através das atitudes indiscretas e atrevidas do anfitrião daquela noite. O jantar servia-se em condições essencialíssimas, segundo os hábitos mais rigorosos e elegantes da Corte. Lívia estava aturdida com aquelas solenidades a se desdobrarem nos mais altos requintes da etiqueta romana, costumes esses oriundos de um meio do qual ela e Calpúrnia sempre se haviam afastado, na sua simplicidade de coração.

Numerosa falange d escravos se movimentava em todas as direções, como verdadeiro exército de servidores, em face de tão reduzido número de comensais. Depois dos pratos preparados, chegam os vocadores recitando os nomes dos convivas, enquanto os infertores trazem os pratos dispostos com singular simetria. Os convidados recostam-se então no triclínio, forrado de penugens cetinosas e pétalas de flores. As carnes são trazidas em pratos de ouro e os pães em açafates de prata, multiplicando-se os servos para todos os misteres, inclusive aqueles que deviam provar as iguarias, a fim de se certificar do seu paladar, para que fossem servidas com a máxima confiança. Os copeiros servem um falerno precioso e antigo, misturado de aromas, em taças incrustadas de pedras preciosas, enquanto outros servos os acompanham apresentando, em galhetas de prata, a água tépida ou fria, ao sabor dos convidados. Junto dos leitos, onde cada comensal deve recostar-se molemente, conservam-se escravos jovens, trajados com apuro e ostentando na fronte gracioso turbante, braços e pernas seminus, cada qual com a sua função definida.

Alguns agitam nas mãos longos ramos de mirto, afugentando as moscas, enquanto outros, curvados aos pés dos convivas, são obrigados a limpar discretamente os sinais da sua gula e intemperança. Quinze serviços diferentes sucederam-se através dos esforços dos escravos dedicados e humildes, quando, após o repasto, brilham os salões com centenas de tochas, ouvindo-se agradáveis sinfonias. Servos jovens e bem postos executam danças apaixonadas e voluptuosas em homenagem aos seus senhores, mimoseandolhes os sentimentos inferiores com a sua arte exótica e espontânea, e, somente não foi levado a efeito um número de gladiadores, segundo o costume nos grandes banquetes da Corte, porque Lívia, de olhos súplices, pedira que poupassem naquela festa o doloroso espetáculo do sangue humano. A noite era das mais cálidas de Jerusalém, motivo por que, findos o jantar e as cerimônias complementares, a caravana de amigos, acompanhada agora de Sulpício Tarquinius, se dirigia para o amplo e bem posto terraço, onde jovens escravas faziam deliciosa música do Oriente. – Não julgava encontrar em Jerusalém uma noite patrícia como esta – exclamou Públio, sensibilizado, dirigindo-se ao governador com respeitosa cortesia.

– Devo à vossa bondade fidalga e generosa a satisfação de reviver o ambiente e a vida inesquecíveis da Corte, onde os romanos distantes guardam o coração e o pensamento. – Senador, esta casa vos pertence. – replicou Pilatos com intimidade – Ignoro se a minha sugestão ser-vos-á agradável, mas só teríamos razão para agradecer aos deuses, se nos concedêsseis a honrosa alegria de vos hospedar aqui, com os vossos dignos familiares. Acredito que a residência do pretor Sálvio não vos oferece o necessário conforto, e, acrescendo a circunstância do íntimo parentesco que liga minha mulher à esposa de vosso tio, sinto-me à vontade para fazer este oferecimento, sem quebra de nossos costumes, em sociedade. – Lá isso não – exclamou por sua vez o pretor, que acompanhara atento a gentileza da oferta.

– Eu e Fúlvia nos opomos à realização dessa medida. – e, acenando confiante para a consorte, terminava a sua ponderação – Não é verdade, minha querida? Fúlvia, porém, deixando transparecer uma ponta de contrariedade, redargüiu, com surpresa de todos os presentes: – De pleno acordo. Públio e Lívia são nossos hóspedes efetivos; contudo, não podemos esquecer que o objetivo de sua viagem se prende à saúde da filhinha, objeto de todas as nossas preocupações no momento, sendo justo que os não privemos de qualquer recurso que se venha a verificar, a favor da pequena enferma... E dirigindo-se instintivamente para o banco de mármore, onde descansava a doentinha, exclamou com escândalo geral: – Aliás, esta menina representa uma séria preocupação para todos nós.

Sua epiderme dilacerada acusa sintomas invulgares, recordando.. – Mas, não conseguiu terminar a exposição de seus receios escrupulosos, porque Cláudia, alma nobre e digna, constituindo uma antítese da irmã que o destino lhe havia dado, compreendendo a situação penosa que os seus conceitos iam criando, adiantou-se-lhe redargüindo: – Não vejo razões que justifiquem esses temores; suponho a pequena Flávia muito melhor e mais forte. Quero crer, até, que bastará o clima de Jerusalém para a sua cura completa. E avançando para a doentinha, como quem desejasse desfazer a dolorosa impressão daquelas observações indelicadas, tomou-a nos braços, osculando-lhe o rosto infantil, coberto de tons violáceos de mal disfarçadas feridas. Lívia, que trazia o semblante afogueado pela humilhação das palavras de Fúlvia, recebeu a gentileza como bálsamo precioso para as suas inquietações maternas; quanto a Públio, este, amargamente surpreendido, considerou a necessidade de reaver a sua serenidade e energia máscula, dissimulando o desgosto que o episódio lhe causara, retomando a direção da palestra, sobremaneira comovido: – É verdade, amigos.

A saúde da minha pobre Flávia representa o objeto primordial da nossa longa viagem até aqui. Resolvidos os problemas do Estado, que me trouxeram a Jerusalém, há alguns dias que examino a possibilidade de me localizar em qualquer região do interior, de modo que a filhinha possa recuperar o precioso equilíbrio orgânico, aspirando um ar mais puro. – Pois bem – replicou Pilatos, com segurança –, em assuntos de clima, sou aqui um homem entendido. Há seis anos que me encontro nestas paragens em função do cargo e tenho visitado quase todos os recantos da província e das regiões vizinhas, tendo motivos para afiançar que a Galileia está em primeiro plano. Sempre que posso repousar dos labores intensos que aqui me prendem, busco imediatamente a nossa vila dos arredores de Nazaré, para gozar a serenidade da paisagem e as brisas deliciosas do seu lago imenso.

Concordo em que a distância é muito longa, mas a verdade é que, se permanecesse nas cercanias da cidade, nas minhas estações de repouso, perderia o tempo, atendendo às solicitações incessantes dos rabinos do templo, sempre a braços com inumeráveis pendências. Ainda agora, Sulpício terá de partir, a fim de superintender alguns trabalhos de reparação da nossa residência, pois tencionamos seguir para ali dentro de pouco tempo, a refazer as energias esgotadas na luta cotidiana. Já que a minha hospedagem não vos será necessária em Jerusalém, quem sabe teremos o prazer de hospedar-vos, mais tarde, na vila a que me refiro? – Nobre amigo – exclamou o senador, agradecido –, devo poupar-vos tanto trabalho, mas, ficar-vos-ei imensamente grato se o vosso amigo Sulpício providenciar em Nazaré a aquisição de uma casa confortável e simples, que me sirva, reformando-a de conformidade com os nossos hábitos familiares, e onde possamos residir despreocupadamente por alguns meses. – Com o máximo prazer.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.