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Capítulo 38 de 38

Parte 38 de 38

Há Dois Mil Anos… · Chico Xavier, pelo espírito Emmanuel

Aliviai, magnânimo Salvador do mundo, todas as suas magoas pungentes, suas desoladoras amarguras!... Concedei-lhe repouso ao coração angustiado e dolorido, antes do seu novo regresso à trama escura das reencarnações no planeta do exílio e das lágrimas dolorosas... Ele já não é mais, Senhor, o vaidoso déspota de outrora, mas um coração inclinado ao bem e â piedade pregados pela vossa doutrina de amor e redenção; sob o peso das provações amargas e remissoras, seus pendores se espiritualizaram a caminho da vossa Verdade e da vossa Vida!... E, enquanto Lívia orava, o senador abraçado aos filhos, já cadáveres, desferia o último gemido, com pesada lágrima a lhe cintilar nos olhos mortos... Numerosas legiões de seres espirituais volitaram por vários dias, nos céus caliginosos e tristes de Pompéia. Ao cabo de longas perturbações, Públio Lentulus e filhos despertaram, ali mesmo, sobre o túmulo nevoento da cidade morta.

Em vão o senador invocou a presença de Ana ou de algum outro servo, na penosa ilusão da vida material, persistindo em seu organismo psíquico as impressões da cegueira material, que representara o longo suplício dos seus anos derradeiros, na indumenta da carne. Contudo, após as primeiras lamentações, ouviu uma voz que lhe dizia brandamente: – Públio, meu amigo, não apeles mais para os recursos do planeta terreno, porque todos os teus poderes terminaram com os teus despojos, na face escura e triste da Terra! Apela para Deus Todo-Poderoso, cuja misericórdia e sabedoria nos são dadas pelo amor do seu Cordeiro, que é Jesus Cristo!... Públio Lentulus não chegou a lobrigar o interlocutor, mas identificou a voz de Flamínio Severus, desabafando, então, numa torrente de preces e de lágrimas fervorosas. Embora as dedicações constantes de Lívia, havia já alguns dias que seu espírito se encontrava presa de pesadelos angustiosos, nos primeiros instantes da vida do Além, assistido, porém, continuamente por Flamínio e outros companheiros abnegados, que o aguardavam no plano espiritual.

Contudo, depois daquelas súplicas sinceras que lhe fluíam do mais recôndito do coração, sentiu que seu mundo interior se desanuviara... Junto dos filhos queridos, recobrou a visão e reconheceu os entes amados, com lágrimas de amor e reconhecimento, nos pórticos do além-túmulo. Ali se conservavam numerosas personagens desta história, como Flamínio, Calpúrnia, Agripa, Pompílio Crasso, Emiliano Lucius e muitos outros; mas, em vão, os olhos angustiosos do ex-senador procuravam alguém na assembléia afetuosa e amiga. Depois de todas as expansões de carinho e alegria dirigiu-se-lhe Flamínio, intencionalmente. – Estranhas a ausência de Lívia –dizia ele com o seu olhar complacente e generoso –, mas não poderás vê-la, enquanto não conseguires despir, pela prece e pelos bons desejos, todas as impressões penosas e nocivas da Terra.

Ela se tem conservado junto ao teu coração, em rogativas sinceras e fervorosas pelo teu reerguimento, mas o nosso grupo ainda é de espíritos muito apegados ao orbe, e esperávamos o regresso dos seus últimos componentes, ainda na Terra, para podermos, em conjunto, estabelecer novo roteiro às reencarnações vindouras.. Séculos de trabalho e de dor nos esperam na senda da redenção e do aperfeiçoamento, mas precisamos, antes de tudo, buscar a fortaleza precisa em Jesus, fonte de todo o amor e de toda a fé, para as elevadas realizações do nosso pensamento!.. Públio Lentulus chorava, tocado por emoções estranhas e indefiníveis. – Meu amigo–continuou Flamínio, amoroso –, pede a Jesus, por todos nós, a misericórdia dessa claridade de um novo dia!... Públio, então, ajoelhou-se e, banhado em lágrimas, concentrou o coração em Jesus numa rogativa ardente e silenciosa... Ali, na soledade da sua alma intrépida e sincera, apresentava ao Cordeiro de Deus o seu arrependimento, suas esperanças para o porvir, suas promessas de fé e de trabalho para os séculos porvindouros!...

Todos os presentes lhe acompanharam a oração, tomados de pranto e mergulhados em vibrações de consolação inefável. Viram, então, rasgar-se um caminho luminoso e florido nos céus escuros e tristes da Campânia, e, por ele, como se descessem dos jardins fulgurantes do Paraíso, surgiram Lívia e Ana abraçadas, como se ainda ali enviasse Jesus um ensinamento simbólico àquelas almas prisioneiras da Terra, de modo a lhes revelar que, em qualquer posição, pode a alma encarnada buscar o seu reino de luz e de paz, de vida e de amor, tanto na túnica humilde do escravo, como na pomposa indumentária dos senhores. O velho patrício contemplou a figura radiosa da companheira e, extasiado, fechou os olhos banhados no pranto da compunção e do arrependimento; mas, em breve, dois lábios de névoa pousavam-lhe na fronte, qual o leve roçar de um lírio divino.

E, enquanto seu coração maravilhado se lavava nas lágrimas da alegria e do reconhecimento a Jesus, toda a caravana, ao impulso poderoso das preces fervorosas daquelas duas almas redimidas, elevava-se a esferas mais altas, para repouso e aprendizado, antes de novas etapas de regeneração e trabalhos purificadores, a lembrar um grupo maravilhoso de luminosas falenas do Infinito!... – – Fim – CONVITE: Se lhe agradou a leitura deste livro, deverá conhecer a reencarnação de Publius, em "50 Anos Depois", outro romance do mesmo Autor. www.luzespirita.org Amigo(a) Leitor(a), Se você leu e gostou desta obra, colabore com a divulgação dos ensinamentos trazidos pelos benfeitores do plano espiritual.

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