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Capítulo 36 de 38

Parte 36 de 38

Há Dois Mil Anos… · Chico Xavier, pelo espírito Emmanuel

Mas, na sua introspecção, sabia entender, igualmente, as próprias culpas, recordando os excessos da sua severidade vaidosa. Também ele ali estava como um cadáver ambulante, no seio das sombras espessas. De que valeram as honrarias e o orgulho desenfreado? Todas as suas esperanças de ventura estavam mortas. Todos os seus sonhos aniquilados.

Senhor de fortuna considerável, não viveria mais, no mundo, senão para carregar o esquife negro das ilusões despedaçadas. Todavia, seu íntimo se recusava ao perdão da hora extrema. Foi então que se lembrou de Jesus e da sua doutrina de amor e piedade pelos inimigos. O Mestre de Nazaré perdoara a todos os seus algozes e ensinara aos discípulos que o homem deve perdoar setenta vezes sete vezes. Recordou, igualmente, que, por Jesus, sua esposa imaculada morrera nas ignomínias do circo infamante; por Jesus voltara FIamínio do reino das sombras, para incliná-lo, um dia, ao perdão e à piedade...

Os ruídos de fora denunciavam que a hora derradeira de André estava próxima. O próprio Simão já caminhava vacilante e ensangüentado, depois do açoite, para o interior da prisão, epilogando o suplício. Foi então que Públio Lentulus, abandonando todas as tradições de orgulho e vaidade, sentiu que no íntimo d’alma brotava uma fonte de linfa cristalina. Copiosas lágrimas desceram-lhe às faces rugosas e macilentas, das órbitas sem expressão, dos olhos mortos e, como se desejasse fitar o inimigo com os olhos espirituais, a fim de mostrar-lhe a sua comiseração, exclamou em voz firme: – Estais perdoado... Voltando imediatamente à sala contígua e sem esperar qualquer resposta, compreendeu que era chegada a última hora do inimigo.

Daí a minutos, o cadáver de André de Gioras era arrastado às Gemônias, para ser atirado ao Tibre silencioso. O senador nada mais percebeu do restante das numerosas cerimônias no Templo de Júpiter. O cortejo era agora iluminado pela claridade de mil fachos colocados pelos escravos em quarenta elefantes, por ordem de Tito, ao cair das primeiras sombras da noite, mas o senador, acabrunhado nos seus padecimentos morais, regressava em liteira ao palácio do Aventino, onde se fechou nos seus apartamentos particulares, alegando grande cansaço. Tateando na sua noite, abraçou-se à cruz de Simeão, que lhe fora deixada pela crença da esposa, molhando-a com as lágrimas da sua desventura. Em meditações profundas e dolorosas, pôde então compreender que Lívia vivera para Deus e ele para César, recebendo ambos compensações diversas na estrada do destino.

E enquanto o jugo de Jesus fora suave e leve para sua mulher, seu altivo coração estava preso ao terrível jugo do mundo, sepultado nas suas dores irremediáveis, sem claridade e sem esperanças. IX Lembranças amargas Logo após os penosos acontecimentos de 70 e de conformidade com os desejos de Flávia, o senador passou a residir na vivenda confortável que ele possuía em Pompeia, longe dos bulícios da Capital. Ali poderia entregar-se melhor às suas meditações. Para lá transportara então, o velho político, todo o seu volumoso arquivo, bem como as lembranças mais carinhosas e mais importantes da sua vida. Dois libertos gregos, extremamente cultos, foram contratados para os trabalhos de escrita e leitura, e assim é que, no seu retiro, se mantinha ao corrente de todas as novidades políticas e literárias de Roma. Nesses tempos recuados, quando o homem se encontrava ainda longe dos benefícios preciosos da invenção de Gutenberg, os manuscritos romanos eram raros e sumamente disputados pelas elites intelectuais da época.

Uma casa editora dispunha, quase sempre, de uma centena de escravos calígrafos, inteligentes, que confeccionavam mais ou menos mil livros por ano. Públio, além disso possuía em Roma sinceras e numerosas amizades ao seu serviço, recebendo em Pompeia todos os ecos dos acontecimentos da cidade que lhe absorvera as melhores energias da vida. Amiudadamente, recebia também notícias de Plínio Severus, por intermédio de amigos desvelados, confortando-se com as informações sobre sua conduta, agora digna, porquanto, pelos méritos conquistados nas Gálias, fora transferido, depois de 73, para Roma, onde, pela correção do proceder, embora tardiamente, conquistara posição respeitável e brilhante, prosseguindo nas tradições da probidade paterna, nos cargos administrativos do Império. Plínio, todavia, não mais voltara a procurar a esposa nem aquele que o destino o compelia a considerar como um pai dedicado e carinhoso, embora não ignorasse o supremo infortúnio dos seus familiares. No íntimo, o antigo oficial romano não desdenhava a idéia de regressar ao seio dos entes queridos; contudo, desejava fazê-lo em condições de dissipar todas as dúvidas quanto no considerável esforço próprio, de sua regeneração.

Galgando postos de confiança na administração dos Flavianos, queria uma posição de maiores vantagens morais, de maneira a levar aos seus íntimos a certeza da sua reabilitação espiritual. Corria o ano de 78, na placidez das paisagens formosas da Campânia. Enquanto Tibur representava uma estação de cura e descanso regenerador para os romanos mais ricos, Pompéia era bem a cidade dos romanos mais sadios e mais felizes. Em suas vias públicas encontravam-se, a cada passo, os mármores soberbos e o bom gosto das mais belas construções da capital aristocrática do Império. Em seus templos suntuosos, aglomeravam-se assembléias brilhantes, de patrícios educados e cultos, que se instalavam na linda cidade, povoada de cantores e poetas, ao pé do Vesúvio, e iluminada por um céu de maravilhas, cheio de ridente sol ou bordado de estrelas cintilantes. Públio Lentulus, agora, sobremaneira apreciava a palavra simples e convincente de Ana, que envelhecera ao lado de Flávia, qual bela figura de marfim antigo.

Era de lhe ver o interesse, a comoção, a alegria ao ouvi-la sobre a excelência dos princípios cristãos, quando se entretinham em recordações da Judéia distante. Nessas amáveis palestras, entre os três, logo após o jantar, discutia-se a figura do Cristo e as sublimadas ilações da sua doutrina, conseguindo o senador, pela força das circunstâncias, meditar melhor os grandiosos postulados do Evangelho, ainda fragmentário e quase desconhecido, para ligar os princípios generosos e santos do Cristianismo à personalidade do seu divino fundador. Longas horas ficavam ali, no terraço amplo, sob a luz branda das estrelas e usufruindo a carícia das brisas da noite, que eram como que bafejos de inspirações celestes, aquelas três criaturas, em cujas frontes se vincavam as experiências dos anos. Por vezes, Flávia fazia um pouco de música, que lhe saía da harpa como vibrante gemido de dor e de saudade, alcançando o coração paterno mergulhado no abismo das reminiscências dolorosas. É que a música dos cegos é sempre mais espiritualizada e mais pura, porque, na sua arte, fala a alma profundamente, sem as emoções dispersas dos sentidos materiais.

Uma noite, obedecendo ao hábito de muitos anos, vamos encontrar aquelas três criaturas no espaçoso terraço da vila de Pompéia, em doces rememorações. Havia mais de sete anos que quase todas as palestras versavam, ali, sobre a personalidade do Messias e a excelsa pureza da sua doutrina, observada, antes de tudo, a precisa discrição, porquanto os adeptos do Cristianismo continuavam perseguidos, embora com menos crueldade. Em todo caso, invariavelmente, a conversação era de enfermos e de velhos, sem provocar o interesse dos amigos mais moços e mais felizes. Depois de algumas lembranças e comentários de Ana, a respeito da angustiosa tarde do Calvário, exclamava o velho senador em tom convencido: – De mim para comigo, tenho a certeza de que Jesus ficará para sempre no mundo, como o mais elevado símbolo de consolação e fortaleza moral para todos os sofredores e para todos os tristes!... Desde os primeiros dias de minha cegueira material procuro, intimamente, compreender-lhe n grandeza e não consigo apreender toda a extensão da sua excelsitude e dos seus ensinos.

Lembro-me, como se fosse ontem, do crepúsculo formoso em que o vi pela primeira vez, ao longo das margens do Tiberíades... – Eu também – murmurou Ana – não consigo olvidar aquelas tardes deliciosas e claras em que todos os servos e sofredores de Cafarnaum nos reuníamos à margem do grande lago, esperando o suave enlevo das suas palavras. E como se estivesse contemplando o desfile de suas recordações mais queridas, com os olhos da imaginação, a velha serva continuava: – O Mestre apreciava a companhia de Simão e dos filhos de Zebedeu e, quase sempre, era em uma de suas barcas que ele vinha, solicito, atender às nossas rogativas... – O que mais me assombrava – dizia Públio Lentulus, impressionado – é que Jesus não era, que se soubesse, um doutor da Lei ou sacerdote formado pelas escolas humanas. Sua palavra, entretanto, estava como que ungida de uma graça divina. O olhar sereno e indefinível penetrava o fundo da alma e o sorriso generoso tinha a complacência de quem, possuindo toda a verdade, sabia compreender e perdoar os erros humanos.

Seus ensinos, diariamente meditados por mim, nestes últimos anos, são revolucionários e novos, pois arrasam todos os preconceitos de raça e de família, unindo as almas num grande amplexo espiritual de fraternidade e tolerância. A filosofia humana jamais nos disse que os aflitos e pacíficos são bemaventurados no céu; entretanto, com as suas lições renovadoras, modificamos o conceito de virtude, que, para o Deus soberano e misericordioso das Alturas, não está no homem mais rico e poderoso do mundo, mas no mais justo e mais puro, embora humilde e pobre. Sua palavra compassiva e carinhosa espalhou ensinamentos que somente hoje posso compreender, na sombra espessa e triste dos meus sofrimentos.. – Meu pai – perguntou Flávia Lentúlia, extremamente interessada na conversação –, chegastes a ver o profeta muitas vezes?... – Não, filha.

Antes do dia nefasto de sua morte infamante na cruz, somente o vi uma vez, ao tempo em que eras pequenina e doente. Isso bastou, contudo, para que eu recebesse, nas suas palavras sublimes, luminosas lições para toda a vida. Só hoje entendo as suas exortações amigas, compreendendo que a minha existência foi bem uma oportunidade perdida!... Aliás, já naquele tempo, sua profunda palavra me dizia que eu defrontava, no minuto do nosso encontro, o maravilhoso ensejo de todos os meus dias, acrescentando, na sua extraordinária benevolência, que eu poderia aproveitá-lo naquela época ou daí a milênios, sem que me fosse possível apreender o sentido simbólico de suas palavras... – Todas as concessões de Jesus se esteavam na Verdade santificada e consoladora acrescentou Ana, agora gozando de toda a intimidade com os seus senhores.

– Sim – exclamou Públio Lentulus, concentrado nas suas reminiscências –, minhas observações pessoais autorizam-me a crer da mesma forma. Se eu tivesse aproveitado a exortação de Jesus naquele dia, talvez houvesse alijado mais de metade das provações amargas que a Terra me reserva... Se houvesse buscado compreender sua lição de amor e humildade, teria procurado André de Gioras, pessoalmente, reparando o mal que lhe havia feito, com a prisão do filho ignorante, demonstrando-lhe o meu interesse individual, sem confiar tão somente nos funcionários irresponsáveis que se encontravam a meu serviço... Guiado por esse interesse, teria encontrado Saul facilmente, pois Flamínio Severus seria, em Roma, o confidente dos meus desejos de reparação, evitando dessa maneira a dolorosa tragédia da minha vida paternal. Se houvesse entendido bastante a sua caridade, na cura de minha filha, teria conhecido melhor o tesouro espiritual do coração de Lívia, vibrando com o seu espírito na mesma fé, ou caindo juntamente com ela na arena ignominiosa do circo, o que seria suave, em comparação com as lentas agonias do meu destino; teria sido menos vaidoso e mais humano, se lhe houvesse entendido a preceito a lição de fraternidade...

– Meu pai – exclamava, porém, a filha, de molde a confortar-lhe as agruras do coração –, se Jesus é a sabedoria e a verdade, de qualquer modo ele saberia compreender as razões da vossa atitude, sabendo que fostes forçado pelas circunstâncias a manter esse ou aquele princípio em vossa vida. – Minha filha, nestes últimos anos – revidou Públio ponderadamente –, tenho a presunção de haver chegado as mais seguras conclusões a respeito dos problemas da dor e do destino... Acredito hoje, com a experiência própria que as atividades penosas do mundo me ofertaram, que nós contribuímos, sobretudo, para agravar ou atenuar os rigores da situação espiritual, nas tarefas desta vida. Admitindo, agora, a existência de um Deus Todo-Poderoso, fonte de toda a misericórdia e todo o amor, creio que a Sua Lei é a do bem supremo para todas as criaturas. Esse código de solidariedade e de amor deve reger todos os seres e, dentro dos seus dispositivos divinos, a felicidade é o determinismo do céu para todas as almas.

Toda vez que caímos ao longo do caminho, favorecendo o mal ou praticando-o, efetuamos uma intervenção indébita na Lei de Deus, com a nossa liberdade relativa, contraindo uma dívida com o peso dos infortúnios... Não me referindo aos meus atos pessoais, que agravaram as minhas angustiosas dores íntimas, e considerando Jesus como medianeiro entre nós e Aquele a quem a sua profunda palavra chamava Pai-Nosso, fico hoje a pensar se não cometi um erro, forçando a sua misericórdia com a minha súplica paternal, a fim de que continuasses a viver neste mundo, para o nosso amor em família, quando eras pequenina!... Flávia Lentúlia e Ana, que acompanhavam os raciocínios do senador, desde muitos anos, lhe seguiam as conclusões morais, cheias de surpresa, em face da facilidade íntima com que sabia aliar as lições penosas do seu destino aos princípios pregados pelo profeta Nazareno. – Na verdade, meu pai – disse Flávia Lentúlia, depois de longa pausa – , tenho a impressão de que as forças divinas haviam deliberado arrebatar-me do mundo, considerando as dores penosas que me esperavam na estrada escabrosa do meu destino desventurado... – Sim – ajuntou o senador, cortando-lhe a palavra –, ainda bem que me compreendeste.

A vida e o sofrimento nos ensinam a entender melhor o plano das determinações de ordem divina. Antigos iniciados das religiões misteriosas do Egito e da Índia acreditam que voltamos várias vezes à Terra, noutros corpos!... Nesse instante, o velho patrício fez uma pausa. Lembrou-se dos seus antigos sonhos, quando, em se vendo com a indumentária de Cônsul nos tempos de Catilina, infligia aos inimigos políticos o suplício da cegueira, a ferro incandescente, quando se chamava Públio Lentulus Sura. Nos seus pensamentos caia como que uma torrente de ilações novas e sublimadas, como se fossem renovadoras inspirações da sabedoria divina.

Mas, depois de alguns instantes, como se o relógio da imaginação houvesse parado alguns minutos para que o coração pudesse escutar o tropel das lembranças no deserto do seu mundo subjetivo, murmurava, confortado, na posse tardia do roteiro do seu amargurado destino: – Hoje creio, minha filha, que, se as energias sábias do céu haviam decidido a tua morte, em pequenina – determinação essa que eu possivelmente contrariei com a minha súplica angustiosa de pai, descoberta em silêncio pelo Messias de Nazaré no recôndito do meu orgulhoso e infeliz coração – e que deverias ficar livre do cárcere que te prendia, de modo a te preparares melhor para a resignação, para a fortaleza e para os sofrimentos. Certamente, renascerias mais tarde e encontrarias as mesmas circunstâncias e os mesmos inimigos, mas terias um organismo mais forte para resistir aos embates penosos da existência terrestre. Reconhecemos hoje, portanto, que há uma lei soberana e misericordiosa a que devemos obedecer, sem interferir no seu mecanismo feito de misericórdia e sabedoria... Quanto a mim, que tive organismo resistente e fibra espiritual saturada de energia, sinto que, em outras vidas, procedi mal e cometi crimes nefandos. Minha atual existência teria de ser um imenso rosário de infinitas amarguras, mas vejo tardiamente que, se houvesse ingressado no caminho do bem, teria resgatado um montão de pecados do pretérito obscuro e delituoso.

Agora entendo a lição do Cristo como ensinamento imortal da humildade e do amor, da caridade e do perdão – caminhos seguros para todas as conquistas do espírito, longe dos círculos tenebrosos do sofrimento! E lembrando o sonho que relatara a Flamínio, nos tempos idos, concluía: – A expiação não seria necessária no mundo, para burilamento da alma, se compreendêssemos o bem, praticando-o por atos, palavras e pensamentos. Se é verdade que nasci condenado ao suplício da cegueira, em tão trágicas circunstâncias, talvez tivesse evitado a consumação desta prova, se abandonasse o meu orgulho para ser um homem humilde e bom. Um gesto de generosidade de minha parte teria modificado as íntimas disposições de André de Gioras; mas, a realidade é que, não obstante todos os preciosos alvitres do Alto, continuei com o meu egoísmo, com a minha vaidade e com a minha criminosa impenitência. Agravei, desse modo, meus débitos clamorosos perante a Justiça Divina, e não posso esperar magnanimidade dos juízes que me aguardam...

O velho Públio Lentulus tinha uma lágrima dolorosa no canto dos olhos apagados, mas Ana. que ansiosa lhe escutara as palavras e conceitos, e que se regozijava intimamente verificando que o orgulhoso senhor atingira as mais justas conclusões de ordem evangélica, ilações a que também ela havia chegado nas meditações da velhice, esclarecia, bondosamente, como se as suas afirmativas simples e incisivas chegassem no momento justo para consolação de todos: – Senador, todas as vossas observações são criteriosas e justas. Essa lei das vidas múltiplas, em favor do nosso aprendizado nas lutas penosas do mundo, eu a aceito plenamente, pois, nas suas divinas lições, Jesus asseverou que ninguém poderá penetrar o reino dos céus sem renascer de novo. Presumo, todavia, apesar da vossa cegueira material e dos vossos padecimentos, que sei compreender em toda a sua angustiosa intensidade, deveis trazer a alma plena de crença e de esperanças no futuro espiritual, porque também o Cristo nos afiançou que Nosso Pai não quer que se perca uma só de suas ovelhas!... Públio Lentulus sentiu que uma força inexplicável lhe brotava no íntimo, como se fôra manancial desconhecido, de estranho conforto, preparando-o para enfrentar dignamente todos os amargores. – Sim – murmurou de leve –, sempre Jesus!...

Sempre Jesus!... Sem ele e sem os ensinos de suas palavras que nos enchem de coragem e de fé para alcançar um reino de paz no porvir da alma, não sei bem o que seria das criaturas humanas, agrilhoadas ao cárcere dos sofrimentos terrestres... Sete anos de padecimentos infinitos na soledade dos meus olhos mortos, figuram-se-me sete séculos de aprendizado cruel e doloroso! Somente assim, porém, poderia chegar a entender a lição do Crucificado! O velho patrício, todavia, ao pronunciar a palavra "crucificado", reconduziu o pensamento a Jerusalém, na Páscoa do ano 33.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.