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Capítulo 14 de 38

Parte 14 de 38

Há Dois Mil Anos… · Chico Xavier, pelo espírito Emmanuel

Ao chamá-la, bruscamente, observou que seus olhos semicerrados estavam cheios de lágrimas, como a contemplar alguma visão espiritual inacessível à sua observação. Jamais Lívia lhe parecera tão espiritualizada e tão bela, como naquele instante; mas o demônio da calúnia lhe fez sentir, imediatamente, que aquele pranto nada representava senão sinal de remorso e compunção ante a falta cometida, ciente, como deveria achar-se a esposa, da sua presença no palácio governamental, depreendendo-se daí que ela deveria esperar a possibilidade da sua severa punição. Arrancada ao seu êxtase pela voz vibrante do marido, a pobre senhora observou que a sua visão se desvanecera inteiramente, e que o céu de Jerusalém fora invadido por intensa escuridão, ouvindo-se os ribombos formidáveis de trovões longínquos, enquanto relâmpagos terríveis riscavam a atmosfera em todas as direções. – Lívia –exclamou o senador, com voz forte e pausada, dando a entender o esforço que despendia para dominar o complexo de suas emoções, as lágrimas de arrependimento são inúteis neste momento doloroso dos nossos destinos, porque todos os laços de afetividade comum, que nos uniam, estão agora rotos para sempre... – Mas, que é isso?

– pôde ela dizer, revelando o pavor que tais palavras lhe produziam. – Nem mais uma palavra – revidou o senador, pálido de cólera, dentro de uma serenidade feroz e implacável –, observei, com os próprios olhos, o seu nefando delito e agora conheço a finalidade dos seus disfarces humildes de galileia... Ouvirme-á a senhora até ao fim, eximindo-se de qualquer justificativa, porque uma traição como a sua só poderá encontrar justo castigo no silêncio profundo da morte. Mas, não quero matá-la. Minha formação moral não se compadece com o crime.

Não porque haja piedade em minha alma, à vista do possível arrependimento do seu coração, no tempo oportuno, mas porque tenho ainda uma filha sobre cuja fronte recairia o meu gesto de crueldade contra a sua felonia, que basta para nos tornar infelizes por toda a vida... Homem honesto e pronto a desafrontar-me de qualquer ultraje, tenho muito amor ao meu nome e ás tradições de minha família, de modo a me não tornar um pai desnaturado e criminoso. Poderia abandoná-la para sempre, na consideração do seu ato de extrema deslealdade, porém os servos desta casa se alimentam igualmente à minha mesa, e, sem reconhecer os outros títulos que me ligavam à senhora, na intimidade doméstica, vejo ainda na sua pessoa a mãe de meus filhos desventurados. É por isso que, doravante, desprezo, em face das provas palpáveis da sua desonestidade, neste dia nefasto do meu destino, todas as expressões morais da sua personalidade indigna, para conservar nesta casa, tão somente, a sua expressão de maternidade, que me habituei a respeitar nos irracionais mais humildes. Os olhos súplices da caluniada deixavam entrever os indizíveis martírios que lhe dilaceravam o coração carinhoso e sensibilíssimo.

Ajoelhara-se aos pés do esposo, com humildade, enquanto lágrimas dolorosas lhe rolavam das faces pálidas. Lembrava-se Lívia, então, de Jesus nos seus intraduzíveis padecimentos. Sim... Ela recordava as suas palavras e estava pronta para o sacrifício. No meio de suas dores, parecia sentir ainda o gosto daquele pão de vida, abençoado por suas divinas mãos, e figurava-se lavada de todas as mundanas preocupações.

A idéia do reino dos céus, onde todos os aflitos são consolados, anestesiava-lhe o coração dolorido, nas suas primeiras reflexões a respeito da calúnia de que era vítima o seu espírito fustigado pelas provas aspérrimas. Não obstante essa atitude de serena humildade, o senador continuou no auge da angústia moral: – Dei-lhe tudo que possuía de mais puro e mais sagrado neste mundo, na esperança de que correspondesse aos meus ideais mais sublimes; entretanto, relegando todos os deveres que lhe competiam, não vacilou em derramar sobre nós um punhado de lama... Preferiu, ao convívio do meu coração, os costumes dissolutos desta época de criaturas irresponsáveis, no capítulo da família, resvalando para o desfiladeiro que conduz a mulher aos abismos do crime e da impiedade. Mas ouça bem minhas palavras que assinalam os mais terríveis desgostos do meu coração! Nunca mais se afastará dos labores domésticos, das obrigações diárias de minha casa.

Mais um ato, com que provoque as derradeiras reservas da minha tolerância, não deverá esperar outra providência que não seja a morte. Não me solicite as mãos honestas para um ato de tal natureza. Se as tradições familiares desapareceram no âmago do seu espírito, continuam elas cada vez mais vivas em minh’alma, que as deseja cultivar incessantemente no santuário de minhas recordações mais queridas. Viva com o seu pensamento na ignomínia, mas abstenha-se de zombar publicamente dos meus sentimentos mais sagrados, mesmo porque, a paciência e a liberdade também têm os seus limites. Saberei ressurgir desta queda em que as suas leviandades me atiraram!...

De ora em diante, a senhora será nesta casa apenas uma serva, considerando a função maternal que hoje a exime da morte; mas, não intervenha na solução de qualquer problema educativo de minha filha. Saberei conduzi-la sem o seu concurso e buscarei o filhinho perdido talvez pela sua inconsciência criminosa, até o fim de meus dias. Concentrarei nos filhos a parcela imensa de amor que lhe reservara, dentro da generosidade da minha confiança, porquanto, doravante, não me deve procurar com a intimidade da esposa, que não soube ser, pela sua injustificável deslealdade, mas com o respeito que uma escrava deve aos seus senhores!... Enquanto se verificava uma ligeira pausa na palavra acrimoniosa e amargurada do senador, Lívia dirigiu-lhe um olhar de angustia suprema. Desejava falar-lhe como dantes, entregando-lhe o coração sensível e carinhoso; todavia, conhecendo-lhe o temperamento impulsivo, adivinhou a inutilidade de qualquer tentativa para justificar-se.

Passadas as primeiras reflexões e ouvindo, amargurada de dor, aquela terrível insinuação acerca do desaparecimento do filhinho, deixou vagar no coração vacilações injustificáveis e numerosas. Ante aquelas calúnias que a faziam tão desditosa, chegava a pensar se as boas ações não seriam vistas por aquele Pai de infinita bondade, que ela acreditava velar, dos céus, por todos sofredores, de conformidade com as promessas sublimes do Messias Nazareno. Não guardara ela uma conduta nobre e exemplar, como mãe dedicada e esposa carinhosa? Todo o seu coração não estava posto em tributos de esperança e de fé naquele reino de soberana justiça, que se localizava fora da vida material? Além disso, sua ida precipitada a Pilatos, sem a audiência prévia do marido, fora tão somente com o elevado propósito de salvar a Jesus de Nazaré da morte infamante.

Onde o socorro sobrenatural que não chegava para esclarecer a penosa situação dela e mostrar tal injustiça? Lágrimas angustiosas enevoavam-lhe os olhos cansados e abatidos. Mas antes que o marido recomeçasse as acusações, viu-se de novo defronte da cruz, em pensamento. Uma brisa suave parecia amenizar as úlceras que o libelo do esposo lhe abrira no coração. Uma voz, que lhe falava aos refolhos mais íntimos da consciência, lembrou-lhe ao espírito sensível que o Mestre de Nazaré também era inocente e expirara, naquele dia, na cruz, sob os insultos de algozes impiedosos.

E ele era justo, bom e compassivo. Daqueles a quem mais havia amado, recebera a traição e o abandono na hora extrema do testemunho e, de quantos havia servido com a sua caridade e o seu amor, tinha recebido os espinhos envenenados da mais acerba ingratidão. Ante a visão dos seus martírios infinitos, Lívia consolidou a sua fé e rogou ao Pai Celestial lhe concedesse a intrepidez necessária para vencer as provações aspérrimas da vida. Suas meditações angustiosas haviam durado um momento. Um minuto apenas, após o qual, continuou Públio Lentulus com voz desesperada: – Aguardarei mais dois dias, nas pesquisas de meu filhinho desventurado!

Decorridas estas poucas horas, voltarei a Cafarnaum para afrontar a passagem do tempo. . Ficarei neste cenário maldito, enquanto for necessário e, quanto à senhora, recolha-se doravante em sua própria indignidade, porque, com o mesmo ímpeto generoso com que lhe poupo a existência neste momento, não vacilarei em lhe infligir a derradeira punição no momento oportuno!... E, abrindo a porta de saída, que estremecera aos ribombos do trovão, exclamou com terrível acento: – Lívia, este momento doloroso assinala a perpétua separação dos nossos destinos. Não ouse transpor a fronteira que nos isola um do outro, para sempre, no mesmo lar e dentro da mesma vida, porque um gesto desses pode significar a sua inapelável sentença de morte. Atrás dele, fechara-se a porta com estrépito, abafado pelos rumores da tempestade.

Jerusalém estava sob um verdadeiro ciclone de destruição, que ia deixar, após sua passagem, sinal de ruína, desolação e morte. Ficando só, Lívia chorou amargamente. Enquanto a atmosfera se lavava com a chuva torrencial que descia a cântaros no fragor das trovoadas, também a sua alma se despia das ilusões amargas e purificadoras. Sim... Estava só e profundamente desventurada.

Doravante, não poderia contar com o amparo do marido, nem com o afeto suave da filhinha, mas um anjo de serenidade velava à sua cabeceira, com a doçura das sentinelas que nunca se afastam do seu posto de amor, de redenção e de piedade. E foi esse Espírito luminoso que, fazendo gotejar o bálsamo de esperança no cálice do seu coração angustiado, deu-lhe a sentir que ainda possuía muito: o tesouro da fé, que a unia a Jesus, ao Messias da renúncia e da salvação, a esperá-la em seu reino de luz e de misericórdia. X O Apóstolo da Samaria No dia seguinte, Públio Lentulus incentivou as pesquisas do filhinho, entre quantos peregrinavam nas festas da Páscoa, em Jerusalém, instituindo o prêmio de 3 um Grande Sestércio, ou sejam dois mil e quinhentos asses, para quem apresentasse aos seus servos a criança desaparecida.

Não devemos esquecer que a criada Sêmele, bem como suas companheiras de serviço foram submetidas ao mais rigoroso inquérito, por ocasião do castigo aos servos imprevidentes, encarregados da vigilância noturna em casa do senador. Públio não admitia castigos físicos às mulheres, mas, no caso misterioso do desaparecimento do filhinho, submeteu as criadas a um interrogatório francamente impiedoso. Inútil declarar que Sêmele protestara a mais absoluta inocência, nada deixando transparecer que pudesse comprometer sua conduta.

Entretanto, as três servas que mais diretamente cuidavam do pequeno, entre as quais estava ela incluída, foram obrigadas a colaborar com os escravos na procura de Marcus, pelas praças e ruas de Jerusalém, embora tivessem suas horas diárias consagradas ao descanso. Essas horas, aproveitava-as Sêmele para visitar ou rever relações amigas, passando a maior parte do tempo no sítio onde André cultivava as suas oliveiras e vinhedos frondosos, a pouca distância da estrada para os centros principais. Nesse dia, vamos encontrá-la ai em animada palestra com o raptor e sua mulher, enquanto a criança dormitava ao canto de um compartimento. – Com quê então, o senador instituiu o prêmio de um Grande Sestércio a quem lhe devolva a criancinha? – pergunta André de Gioras, admirado.

– É verdade – exclamou Sêmele, pensativa. E, na realidade, trata-se de grande soma em dinheiro romano, que facilmente ninguém ganhará neste mundo. – Se não fosse o meu justo e ardente desejo de vingança – replicou o raptor com o seu malicioso sorriso –era o caso de irmos abocanhar essa respeitável quantia. Mas, deixa estar que não precisamos de semelhante dinheiro. Nada necessitamos desses malditos patrícios! 3 Mil sestércios. Sêmele escutava-o indiferente e quase completamente alheia à conversa; entretanto, o interlocutor não perdia de vista as características fisionômicas de sua cúmplice, como se tentasse descobrir no seu modo simples e humilde algum pensamento reservado.

Foi assim que, no intuito de lhe sondar a atitude psicológica, disse em tom aparentemente calmo e despreocupado, como a inquirir dos seus propósitos mais secretos: – Sêmele, quais são as últimas noticias de Benjamim? – Ora, Benjamim – respondeu ela, aludindo ao noivo – ainda não se resolveu a marcar o casamento, em definitivo, atento às nossas inúmeras dificuldades. Como não ignora, todo o meu desejo no trabalho se resume na consecução do nosso ideal de adquirir aquela casinha de Betânia, já sua conhecida, e tão logo venhamos a conseguir nosso intento estaremos unidos para sempre. – Ainda bem –disse André, com a atitude psicológica de quem encontrara a chave de um enigma –, com tempo haverão de conseguir todo o necessário à ventura de ambos. Da minha parte, pode ficar descansada, porque tudo farei por auxiliá-la paternalmente.

– Muito grata! – exclamou a moça, reconhecida. – Agora há de permitir que volte ao trabalho, porque as horas parecem adiantadas. – Ainda não – falou André resolutamente –, espere um momento. Quero dar-lhe a provar do nosso vinho velho, aberto hoje somente para comemorar a circunstância feliz de nos acharmos com vida, depois do medonho temporal de ontem!

E, correndo ao interior, penetrou na adega, onde tomou de uma bilha de vinho espumante e claro, deitando-o, com fartura, numa taça antiga. Em seguida, foi a um quarto contíguo, de onde trouxe um tubo pequenino, deixando cair na taça algumas gotas do conteúdo, monologando baixinho: – Ah! Sêmele, bem poderias viver, se não surgisse esse prêmio maldito, que te condena à morte!... Benjamim... o casamento é uma situação de amargurosa pobreza. Uma soma de mil sestércios constitui tentação a que não poderia resistir o espírito mais bem intencionado e mais puro... Enquanto foram as aperturas e outros castigos, estava certo, mas agora é o dinheiro e o dinheiro costuma condenar as criaturas humanas à morte!...

E, misturando o tóxico violento no vinho que espumava, continuou resmungando: – Daqui a seis horas minha pobre amiga estará penetrando o reino das sombras... Que fazer? Nada me resta senão desejar-lhe boa viagem! E nunca mais alguém saberá, neste mundo, que em minha casa existe um escravo com o sangue nobre dos aristocratas do Império Romano!... Em dois minutos a desventurada serva do senador ingeria satisfeita o conteúdo da taça, agradecendo a sinistra gentileza com palavras comovidas.

Da porta de sua vivenda empedrada, observou André os passos derradeiros da sua cúmplice, nas derradeiras curvas do caminho. Ninguém mais pleitearia o Grande Sestércio oferecido pela desesperação de Lentulus, porque, precisamente à noitinha, quase às dezenove horas, Sêmele experimentou uma sensação de súbito mal-estar, recolhendo-se ao leito imediatamente. Suores abundantes e frios lavaram-lhe as faces já descoradas, onde se notava o palor característico da morte. Ana, que já havia regressado, compungida, aos afazeres domésticos, foi chamada à pressa, a fim de ministrar-lhe os socorros precisos, encontrando-a, porém, no auge da aflição que assinala os moribundos prestes a se desvencilharem do cárcere da matéria. – Ana...

– exclamou a agonizante, com voz sumida –, eu morro... mas tenho a... consciência... pesada... intranqüila... – Sêmele, que é isso? – replicou a outra, fundamente comovida. Confiemos em Deus, nosso Pai Celestial, e confiemos em Jesus, que ainda ontem nos contemplava da cruz dos seus sofrimentos, com um olhar de infinita piedade! – Sinto... que é... tarde...

– murmurou a agonizante, nas ânsias da morte, eu... apenas... queria... um perdão... Todavia, a voz entrecortada e rouca não pôde continuar. Um soluço mais forte abafara as últimas palavras, enquanto o rosto se cobria de tons violáceos, como se o coração houvesse parado instantaneamente, estringido por incontrastável força. Ana compreendeu que era o fim e suplicou a Jesus recebesse em seu reino misericordioso a alma da companheira, perdoando-lhe as faltas graves que, por certo, haviam dado motivo às palavras angustiosas dos últimos momentos. Chamado um médico ao exame cadavérico, verificou, no empirismo da sua ciência, que Sêmele expirara por deficiência do sistema cardíaco e, longe de se descobrir a verdadeira causa daquele fato inesperado, o segredo de André de Gioras se envolvia nas sombras espessas do túmulo.

Ana e Lívia tiveram ensejo de trocar impressões sobre o doloroso acontecimento, mas ambas, embora a funda impressão que lhes causavam as derradeiras palavras da morta, encaravam a sua passagem para a outra vida, na conta dessas fatalidades irremediáveis. Públio Lentulus, em seguida a esse fato, apressou o regresso à vivenda de Cafarnaum, que adquirira ao antigo dono, em caráter definitivo, prevendo a possibilidade de longa permanência em tais lugares. O regresso foi triste, jornada trabalhosa e sem esperanças. Os servos numerosos não chegaram a perceber a profunda divergência agora existente entre ele e a esposa, e foi assim que, verdadeiramente separados pelo coração, continuaram no lar a mesma tradição de respeito perante os subordinados. Depois de alguns dias de sua segunda instalação na cidade próspera e alegre onde Jesus tantas vezes fizera soar doces e divinas palavras, o senador preparou copioso expediente para o amigo FIamínio, bem como para outros elementos do Senado, enviando Comênio a Roma, como portador de sua inteira confiança.

Odiando a Palestina, que tantas e tão amargas provações lhe reservara, mas preso a ela pelo desaparecimento misterioso do pequenino Marcus, o senador solicitava a Flamínio a sua intervenção particular para que seu tio Sálvio regressasse à sede dos seus serviços na Capital do Império, tentando livrar-se da presença de Fúlvia naqueles lugares, porquanto lhe dizia o coração, na intimidade do pensamento, que aquela mulher tinha uma influência nefasta no seu destino e no de sua família. Ao mesmo tempo, saturado de terrível aversão pela personalidade de Pôncio Pilatos, punha o amigo distante a par de numerosos escândalos administrativos que ele, após o incidente da Páscoa, resolvera corrigir com o máximo de severidade.

Prometia, então, a Flamínio Severus, conhecer mais de perto as necessidades da província, a fim de que as autoridades romanas ficassem cientes de graves ocorrências na administração, de modo que, em tempo oportuno, fosse o governador removido para outro setor do Império, e prometendo relacionar, sem demora, todas as injustiças da atuação de Pilatos na vida pública, em vista das reclamações reiteradas e consecutivas que lhe chegavam aos ouvidos, de todos os recantos da província. Nessas cartas particulares pedia ainda, ao amigo, as providências precisas, a fim de que lhe fosse enviado um professor para a filhinha, abatendo-se, contudo, de referir-se aos dolorosos dramas da vida privada, com exceção do caso do filhinho, por ele citado nesses documentos como causa única da sua demora indefinita, em tais lugares. Comênio partiu de Jope, com o máximo de precaução, obedecendo rigorosamente às suas ordens e atingindo Roma daí a algum tempo, onde faria chegar aquelas notícias às mãos dos seus legítimos destinatários.

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