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Capítulo 31 de 38
Parte 31 de 38
Há Dois Mil Anos… · Chico Xavier, pelo espírito Emmanuel
Também o Cordeiro de Deus, por muito amar a Humanidade não desdenhou a humilhação, o martírio, o sacrifício... Vai, minha filha. Poderás trabalhar livremente entre as falanges radiosas que operam na face sombria do planeta terrestre. Voltarás aqui, sempre que necessitares de novos esclarecimentos e novas energias. Regressarás junto de Simeão, logo que o desejares.
Ampara o teu infeliz companheiro na longa esteira de suas expiações rudes e amargas, mesmo porque o desventurado Públio Lentulus não está longe da sua mais angustiosa provação na atual existência, perdida, infelizmente, pelo seu desmarcado orgulho e pela sua vaidade fria e impiedosa!... Lívia sentiu-se tomada de indizível emoção em face daquela revelação dolorosa, mas, simultaneamente, externou todo o seu reconhecimento à misericórdia divina, na intimidade do seu coração sensível e amoroso. Naquele mesmo dia, em companhia de Simeão, a generosa criatura voltava à Terra, afastando-se provisoriamente daqueles domínios esplendorosos. Através da sua excursão espiritual, sublime e vertiginosa, observou as mesmas perspectivas encantadoras e deslumbrantes do caminho, recebendo, extasiada, elevados ensinamentos do venerando amigo da Samaria. Em pouco tempo aproximavam-se ambos de larga mancha escura.
Já na atmosfera da Terra, Lívia sentiu a singular diversidade da natureza ambiente, experimentando os mais penosos choques fluídicos. Num ápice, notou que se encontravam na mesma Roma da sua infância, da sua juventude e das suas amargas provações. Era meia-noite. Todo o hemisfério estava mergulhado nos abismos de sombra. Amparada pelos braços e pela experiência de Simeão, chegou ao seu antigo palácio do Aventino, identificando-lhe os mármores preciosos.
Em lá penetrando, Lívia e Simeão se dirigiram imediatamente ao quarto do senador, então iluminado por frouxa claridade. Com exceção das ruas, onde se movimentavam ruidosamente os escravos, nos serviços noturnos de transporte, segundo os costumes do tempo, toda a cidade repousava na sombra. De joelhos ante a relíquia de Simeão, como de seu recente costume, Públio Lentulus meditava. Seu pensamento descia aos abismos tenebrosos do passado, onde buscava rever, angustiadamente as afeições inesquecíveis que o haviam precedido nas sendas tristes da morte. Fazia mais de um mês que a esposa havia demandado, igualmente, os mistérios do túmulo, em trágicas circunstâncias.
Mergulhado nas trevas do seu exílio de amargores e profundas saudades, o orgulhoso patrício serenava as inquietações dolorosas do dia, a fim de melhor consultar os mistérios do ser, do sofrimento e do destino... Em dado instante, quando mais fundas e melancólicas as penosas reminiscências, notou, através do véu de suas lágrimas, que a pequena cruz de madeira como que emitia delicados fios de luz prateada, qual se fora banhada de luar misericordioso e brando. Públio Lentulus, absorto nas vibrações pesadas e obscuras da carne, não viu a nobre silhueta de sua mulher, que ali se encontrava junto do venerável apóstolo da Samaria, regozijando-se no Senhor, ao verificar as profundas e benéficas modificações espirituais da alma gêmea da sua, na peregrinação iterativa das encarnações terrenas. Tomada de alegria e reconhecimento para com a Providência Divina, Lívia beijou-lhe a fronte num transporte de indefinível ternura, enquanto Simeão erguia aos céus uma prece de amor e agradecimento.
O senador não lhes percebeu, diretamente, a presença suave e luminosa, mas no íntimo d’alma sentiu-se tocado por uma força nova, ao mesmo tempo que o seu coração dilacerado se viu envolto na luz cariciosa de uma consolação inefável e até então desconhecida. VII Teias do infortúnio Parecia que o ano 58 estava destinado a assinalar os mais penosos incidentes para a vida do senador Lentulus e a de sua família.
A morte de Calpúrnia e o falecimento inesperado de Lívia, dolorosos acontecimentos que impuseram à casa um luto permanente, obrigaram Plínio Severus a conchegar-se um pouco mais ao ambiente doméstico, onde instituíra uma trégua aos seus desatinos de homem ainda novo, para viver em relativa calma ao lado da esposa. Aurélia, contudo, na violência de suas pretensões, não descansava. Conseguindo introduzir uma serva astuta junto de Flávia, de conformidade com antigo projeto da sua mentalidade doentia, iniciou a sinistra execução de um plano diabólico, no sentido de envenenar, vagarosamente, a rival retraída e desditosa. A princípio, observou a filha do senador que lhe surgiam algumas erupções cutâneas que, consideradas de somenos importância, foram tratadas tão somente à pasta de miolo de pão misturado ao leite de jumenta, medicamento havido na época como específico dos mais eficazes para a conservação da pele. A esposa de Plínio, todavia, queixava-se incessantemente de fraqueza geral, apresentando o mais profundo desânimo.
Quanto a Plínio, o retomar a normalidade da vida pública e entregar-se, de novo, ao violento amor de Aurélia, foi questão de poucos dias, regressando à vida espetaculosa, com a amante e, agora, com a situação sentimental muito agravada pelas caluniosas denúncias de Saul, acerca das relações afetuosas de Agripa com a esposa. Plínio Severus, embora generoso, era impulsivo: no regime familiar, seu espírito era o desses tiranos domésticos, que, adotando a conduta mais desregrada e incompreensível, não toleram a mínima falta no santuário da família. A despeito de sua orientação errônea e condenável, passou a vigiar constantemente o irmão e a esposa, com a feroz impulsividade do leão ofendido. Saul de Gioras, por sua vez, despeitado com a sublime e fraternal afeição entre Flávia e Agripa, não perdia ensejo para envenenar o coração impetuoso do oficial, levando-lhe as calúnias mais torpes e injustificáveis. Agripa, na sua generosidade e no seu sentimentalismo, não podia adivinhar as ciladas que o enredavam na vida comum e prosseguia com a preciosa atenção de sua amizade, junto da mulher que não podia amá-lo senão com sublimado amor fraterno. O ex-escravo dos Severus não perdia, contudo, as esperanças.
Procurando freqüentemente o velho Araxes, que aumentava de cupidez e ambição à medida que se lhe multiplicavam os anos, aguardava ansiosamente o instante de realizar sua apaixonada aspiração. Observando que Flávia Lentúlia dispensava funda afeição a Agripa, não trepidou em ver sinceramente nos seus menores gestos uma prova de amor intenso e correspondido, procurando insinuar-se por todos os modos, a fim de captar-lhe, igualmente, o interesse e a atenção. Uma noite, depois de mais de dois meses de expectativa ansiosa para atingir seus fins ignóbeis, conseguiu aproximar-se da jovem senhora, quando sozinha, ela repousava em largo divã do espaçoso terraço. Do alto, contemplavam-se os mais belos panoramas da cidade, então clareada pelo brilho das primeiras estrelas, na languidez suave do crepúsculo. As brisas cariciosas da tarde tranqüila traziam sons de alaúdes e harpas, tangidos nas vizinhanças, como se fossem vozes harmoniosas do seio imenso da noite.
Saul fixou a mulher cobiçada, observando-lhe o formoso e delicado semblante de madona, de uma palidez de neve, sob o domínio de um langor doentio e inexplicável!... Aquela criatura representava o objeto de todas as suas aspirações violentas e rudes, a meta da sua felicidade impossível e impetuosa. Na materialidade dos seus sentimentos, não a podia amar como se fora um irmão, e sim com a brutalidade dos seus impuros desejos. – Senhora – disse resoluto, depois de fitar-lhe o rosto demoradamente –, há muitos anos espero um minuto como este, para poder confessar-vos a enorme afeição que vos dedico. Quero-vos acima de tudo, até da própria vida!
Sei que para mim estais num plano inacessível, mas, que fazer, se não consigo dominar esta adoração, este intenso amor de minh’alma? Flávia abriu desmesuradamente os olhos serenos e tristonhos, tomada de penosa surpresa... – Senhor Saul – revidou corajosamente, triunfando da sua emoção –, serenai vosso ânimo... Se me tendes tamanha afeição, deixai-me no caminho dos meus deveres, onde precisa conservar-se toda mulher ciosa da sua virtude e do seu nome! Calai, portanto, vossas emoções neste sentido, porque o amor que me confessais não pode passar de um desejo violento e impuro!...
– Impossível, senhora! –ajuntou o liberto, desesperado. –Já fiz tudo para esquecer-vos... Tenho feito tudo que era possível para afastar-me definitivamente de Roma, desde o dia infausto em que vos vi pela primeira vez!... Regressei para Massília decidido a nunca mais voltar, porém, quanto mais me apartava da vossa presença, mais se me enchia a alma de tédio e de amargura!
Fixei-me aqui, novamente, onde tenho vivido da minha desventura e das minhas tristes esperanças!... Por mais de dez anos, senhora, tenho esperado pacientemente. Sempre tributei respeito às vossas indiscutíveis virtudes, aguardando que um dia vos cansásseis do esposo infiel que o destino colocou, impiedosamente, no vosso caminho!... Agora, pressinto que esgotastes o cálice das amarguras domésticas, porque não hesitastes em ceder ao afeto de Agripa... Desde que vos vi na companhia de um homem que não é o vosso marido, tremo de ciúmes, porque sinto que fostes talhada apenas para mim...
Ardo em zelos, senhora, e todas as noites sonho intensamente com os vossos carinhos e com a doce ternura de vossas palavras, que me enchem a alma toda, como se de vós tão somente dependesse toda a felicidade da minha vida!... Atendei aos apelos da minha afeição interminável! Não me façais esperar mais tempo, porque eu poderia morrer!... Flávia Lentúlia ouvia-o, agora, entre surpreendida e aterrada. Quis levantarse, mas, faltou-lhe o ânimo preciso.
Mesmo assim, teve a coragem necessária para responder-lhe: – Enganais-vos! –entre mim e Agripa existe apenas uma afeição santificada e pura, de irmãos que se identificam nas provações e nas lutas da vida. Não aceito as vossas insinuações acrimoniosas à vida particular de meu marido, porque, tenha ele a conduta que lhe aprouver na existência, eu devo ser a sentinela do seu lar e a honra do seu nome... Se puderdes compreender o respeito devido a uma mulher, retirai-vos daqui, porque os vossos propósitos de traição me causam a mais funda repugnância! – Deixar-vos?
Nunca!... – exclamou Saul, com terrível entono. – Esperar tantos anos e nada conseguir? Nunca, nunca!... E avançando para a senhora indefesa, que se levantara num esforço supremo, abraçou-lhe o busto, em ânsias apaixonadas, retendo-a nos braços impulsivos, por um rápido minuto.
Saul, todavia, na sua excitação e terrível impulsividade, não teve ânimo para resistir à força sobre-humana com que a pobre senhora se defendeu naquele transe penoso para a sua alma sensível, e perdeu a presa que se lhe escapou inopinadamente das mãos criminosas, descendo imediatamente aos seus aposentos, onde se recolheu, chorando as lágrimas da sua dignidade ofendida, mas evitando qualquer nota escandalosa sobre o incidente. Só no dia seguinte, à noite, Plínio Severus regressou a casa, encontrando a esposa desalentada e abatida. Censurando-lhe a ausência, na intimidade conjugal, o esposo infiel respondeu-lhe secamente: – Mais uma cena de ciúmes? Bem sabes que isso é inútil! – Plínio, meu querido – esclareceu entre lágrimas –, não se trata de ciúme, mas da justa defesa de nossa casa!...
E, em rápidas palavras, a desventurada criatura o pôs ao corrente de todos os fatos; todavia, o oficial esboçou um sorriso de incredulidade, acentuando com certa indiferença: – Se esta longa história é mais um artifício de mulher ciumenta, para me reter na insipidez do ambiente doméstico, todo o esforço é dispensável, porque Saul é o meu melhor amigo. Ainda ontem, quando me encontrava em sérias aperturas financeiras para resgatar algumas dívidas, foi ele quem me emprestou oitocentos mil sestércios. Seria melhor, portanto, que prezasses mais alto a honra do nosso nome, abandonando as tuas relações com Agripa, já excessivamente comentadas, para que eu alimente qualquer dúvida! E, assim falando, retirou-se novamente para os prazeres da vida noturna, enquanto a consorte sofria, em silêncio, o seu inominável martírio moral, sentindose abandonada e incompreendida, sem qualquer esperança. Alguns dias correram lentos, amargos, dolorosos.
Flávia, dado o seu natural retraimento feminino, não teve coragem de confiar ao pai, já de si tão acabrunhado pelos golpes da vida, a sua enorme desdita. Agripa, observando-lhe o abatimento, buscava confortar-lhe o coração com generosas palavras, examinando as perspectivas de melhores dias no porvir. A pobre senhora, todavia, definhava a olhos vistos, sob o domínio das moléstias inexplicáveis que lhe dominavam os centros de força e sob a tortura íntima dos seus penosos segredos. Saul de Gioras, como se tivesse todos os seus instintos açulados por aquele minuto em que tivera entre os braços impetuosos a mulher dos seus desejos impulsivos, jurava, intimamente, possuí-la a qualquer preço, enchendo-se dos mais terríveis propósitos de vingança contra o filho mais velho de Flamínio. Foi assim que continuou a freqüentar o palácio do Aventino, tomado das intenções mais sinistras.
Respeitando as antigas tradições da família Severus, que sempre fizera questão de proporcionar àquele liberto um perfeito tratamento de amigo íntimo, Públio Lentulus, embora a pouca simpatia que lhe inspirava, concedia-lhe o máximo de liberdade na sua residência, sem de leve suspeitar dos seus propósitos condenáveis. Agora, Saul não buscava a intimidade da família nem procurava avistar-se, de modo algum, com a esposa de Plínio ou com o pai, conservando-se na companhia dos servos da casa ou permanecendo nos aposentos particulares de Agripa ou do irmão, que nunca lhe haviam negado a mais sincera confiança. Da sua permanência nas sombras, todavia, procurava observar os mínimos gestos do irmão mais velho de Plínio, que, atendendo à situação de abatimento de Flávia Lentúlia, se conservava horas a fio, muitas vezes, em companhia do velho senador, nos seus apartamentos privados, ora prolongando as suas tristes esperanças no futuro, com a possível compreensão do irmão, ora dando-lhe a conhecer os versos mais admirados da cidade, comentando-se, fraternalmente, as bagatelas encantadoras da vida social.
Diariamente, contudo, o sicofanta Saul procurava o marido de Flávia, para colocá-lo ao corrente de fatos injustificáveis e inverossímeis, a respeito da vida íntima de sua mulher. Plínio Severus dava todo o crédito aos desarrazoamentos do falso amigo, afervorando cada vez mais sua dedicação a Aurélia, que lhe empolgava o coração, assediado e enceguecido pelas mais torpes tentações da vida material.
Envenenado pelas intrigas criminosas e reiteradas de Saul, licenciara-se o oficial, de modo a realizar uma viagem às Gálias, com a amante, por satisfazer-lhe caprichosos desejos há muito manifestados. No dia da partida para Massília, de onde pretendia demandar o interior da província, foi procurado por Saul na residência de Aurélia, a qual ficava próxima do Fórum, ouvindo-lhe, em febre de ódio, as mais tremendas assacadilhas, terminadas com esta aleivosa sugestão: – Se quiseres verificar por ti mesmo a traição de Agripa e tua mulher, volta hoje à noite, furtivamente, a tua casa e busca penetrar inesperadamente no teu quarto. Não precisarás, então, dos zelos da minha dedicação amiga, porque encontrarás teu irmão em atitudes decisivas. Naquele momento, Plínio Severus ultimava os preparativos de viagem, tendo mesmo, pela manhã, apresentado suas despedidas em casa, aos mais íntimos familiares; para justificar os imperativos de sua ausência, alegara determinações expressas da chefia de suas atividades militares, embora fossem muito diversos os verdadeiros e inconfessáveis motivos da partida. Ouvindo, entretanto, as graves denúncias do liberto judeu, o oficial preparou-se para enfrentar qualquer eventualidade, dirigindo-se, à noite, para o palácio do Aventino, com o espírito atormentado por tigrinos sentimentos.
O ex-escravo, porém, que planejara executar seus projetos criminosos, nas suas intenções impiedosas e terríveis, postou-se, à noitinha, cem a cumplicidade natural de todos os servidores da casa, nos apartamentos particulares de Agripa, procedendo de tal modo que os próprios escravos não poderiam atinar com a sua permanência nos aposentos referidos. À noite, Plínio Severus procurou a casa, inopinadamente, com surpresa para alguns criados, que tinham ciência de suas despedidas e, sem dizer palavra, enceguecido pelas calúnias injuriosas do falso amigo, penetrou cautelosamente no gabinete da esposa, ouvindo a voz despreocupada do irmão, embora não conseguisse identificar o que dizia. Abrindo um pouco a cortina sedosa e delicada, viu Agripa nos seus gestos de carinho íntimo e fraterno, acariciando as mãos de Flávia, com um leve e doce sorriso. Por muito tempo observou-lhes, ansioso, os menores gestos, surpreendendo-lhes as recíprocas de monstrações de suave estima fraternal, representados, agora, a seus olhos cegos de ódio e ciúme, como os mais francos indícios de prevaricação e adultério. No auge da desesperação, abriu as cortinas num gesto brusco, penetrando a câmara conjugal, como se fôra um tigre atormentado.
– Infames! – acentuou em voz baixa e enérgica, procurando evitar a escandalosa assistência dos criados. –Então, é deste modo que manifestam o respeito devido à dignidade do nosso nome? Flávia Lentúlia, com os seus padecimentos físicos fundamente agravados, fez-se pálida de neve, enquanto Agripa enfrentava o terrível olhar do irmão, singularmente surpreendido. – Plínio, com que direito me insultas desta forma?
– perguntou ele energicamente. – Saiamos daqui, imediatamente. Discutiremos as tuas injuriosas interpelações no meu quarto. Aqui permanece uma pobre criatura enferma e abandonada pelo esposo, que lhe humilha o nome e os melindres com a vileza de um proceder criminoso e injustificável, uma senhora que requer o nosso amparo e o nosso respeito!... Os olhos de Plínio Severus fuzilavam de ódio, enquanto o irmão se levantou serenamente, retirando-se para os seus aposentos, acompanhado do oficial que fremia de raiva, agravada pela humilhação que lhe infligia a calma superior do adversário. Chegados, porém, aos aposentos de Agripa, o impulsivo oficial, depois de numerosas acusações e reprimendas, explodia em exclamações deste jaez: – Vamos!
Explica-te, traidor!... Então, lanças a lama da tua ignomínia sobre o meu nome e te acovardas nesta serenidade incompreensível?! – Plínio – disse ponderadamente Agripa, obrigando o interlocutor a calar por alguns momentos –, é tempo de pores termo aos teus desatinos. Como poderás provar semelhante calúnia contra mim, que sempre te desejei o maior bem? Qual quer comentário menos digno, acerca da conduta de tua mulher, é um crime imperdoável.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.