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Capítulo 8 de 38
Veda E Vedanta
As Vidas de Osvaldo Polidoro
Quando se lê cada shakha dos Vedas, primeiro vem o Samhita, então o Brahmana e, por último, o Aranyaka. Os Upanishads vêm na porção final do Aranyaka. Considerando que os Upanishads acontecem ao término dos Vedas, são chamados de Vedanta, o que literalmente quer dizer 'o final dos Vedas'. A última meta dos Vedas está contida nos Upanishads. Também por serem o produto final dos Vedas, são chamados Vedanta adequadamente. A parte de um Veda onde haja modos de rituais e sacrifícios é o Karmakanda, e a parte onde se trata do conhecimento supremo do Vedanta é o Jnanakanda. Os estudantes ocidentais pesquisam mais nos Vedas que os estudantes da Índia. Eles tentaram estabelecer a época em que foram escritos os Vedas e os Upanishads. A estimativa varia entre 1500 A.C. e 3000 A.C. De acordo com Bal Gangadhar Tilak, os Vedas vieram ao redor em existência 6000 A.C. Porém, de acordo com uma escola védica tradicional, os Vedas são considerados anadi, ou sem começo. Declara-se no Vedas que eles são vastos e infinitos (ananta vai Vedah). Eles também não têm autoria humana (apaurusheya). O que nós temos é uma porção pequena daquilo que Deus criou como os Vedas. Uma parte do que foi revelado aos Rishis está disponível a nós, hoje em dia. Então, um Rishi que escreveu um Upanishad - ou um shakha - de um Veda, não é seu criador - ou karta - mas é seu profeta, vidente - ou drishta. Foi o sábio Vyas (Vyasa) que organizou os Vedas e escreveu o Bhagvadgita e o Brahmasutra, o que os tornou acessíveis aos estudiosos, para saberem o quão profunda é a filosofia dos Upanishads. No Bhagvadgita, Vyas pôs a essência dos Upanishads na forma de uma conversação entre Arjuna, o discípulo, e Deus Krishna, o professor. Quando o conhecimento Védico esteve em perigo de extinção, Adi Shankaracharya (788-8 D.C.) veio como professor daquela era (yuga pravartaka). Ele escreveu comentários ao Bhagvadgita, Brahmasutra e alguns dos principais Upanishads. Só então o conhecimento místico do Vedanta ficou mais fácil de ser compreendido pelos outros. Porém, o mero estudo dos Upanishads não é o bastante para se sondar a profundidade da filosofia ou alcançar o conhecimento supremo, que é o seu tema principal. No Chhandogya Upanishad há uma história de Narada, que chegou a Sanatkumara e disse-lhe que tinha estudado todas as escrituras e todas as ciências e artes. Ele apenas sabia os mantras, mas não tinha nenhum conhecimento do Atman (Mantravideva asmi na atmavid). Os Upanishads têm que ser estudados aos pés de um professor Brahmajnani (um professor que alcançou Brahma). Por isso é que são chamados de Upanishads, o que literalmente quer dizer 'sentar próximo (com devoção)' [Também significa 'ensinos secretos’]. Quando um aluno estuda em um Gurukul, o conhecimento místico penetra na sua mente de maneira sutil, enquanto o professor explica o
assunto, apenas observando o seu sadhana diário e o seu modo de vida. O professor só dá o conhecimento secreto de Brahma aos estudantes que estejam espiritualmente prontos. É por isso que o Katha Upanishad diz, "Muitos ouvem falar, entretanto não entendem. Maravilhoso é o que fala disto. Abençoado é aquele que, ensinado por um professor bom, pôde compreender tudo isto". Os Upanishads mencionam que a meditação em 'Om' é a meditação sobre o Atman ou o Brahma que reside no homem. O Upanishad Chhandogya diz que todos os sacrifícios prescritos no Vedas não podem trazer salvação. É a meditação em Om que conduz, passo por passo, ao objetivo mais alto do Upanishads, isto é, a infusão em Brahma. Os Upanishads formam o Jnanakanda, ou a porção que lida com o conhecimento supremo, do Vedas. Eles contêm as últimas mensagens dos Vedas. Eles nos falam que um ser humano não é só composto de um corpo que está sujeito à velhice, decadência e morte, mas também de Atman dentro dele, o qual é divino, eterno e feliz. Uma pessoa pode perceber o Atman ao meditar em Om, o símbolo do Deus Supremo, e tornar-se imortal e feliz nesta mesma vida.
Vishnu Vishnu quer dizer o doador e o provedor das coisas. Os Vedas o descrevem como o deus dos três passos largos, mantenedor da lei e doador de benefícios. No curso dos tempos, ele se tornou Narayana, o que literalmente quer dizer o morador das águas e morador dos seres humanos. A palavra nara tanto significa água (naram) quanto humano (nara) . Vishnu reside nas águas lácteas de Vaikunth em uma cama feita das mil voltas do rolo da grande serpente, Adishesha, de dimensões infinitas. A deusa Lakshmi, sua cônjuge, serve-lhe. Simbolicamente, o oceano representa felicidades e consciência; a serpente, o tempo, a diversidade, desejo e ilusão; e a deusa Lakshmi, as coisas materiais e poderes criativos. A cor de Vishnu é a cor de uma nuvem azul escura. É a cor do céu, denotando as suas dimensões cósmicas, a sua conexão com os deuses Védicos da chuva e do trovão, e a sua relação com a terra. Normalmente é descrito com uma face, quatro braços, em uma postura parada ou em uma postura de descanso. Ele usa um colar feito da famosa pedra preciosa Kaustubha que recai sobre o lado esquerdo de seu tórax e outra guirlanda de flores e pedras preciosas, chamada Vaijayanti. Os seus quatro braços seguram sankha (uma concha), chakra (disco), gada (bastão) e padma (flor de lotus) respectivamente. A concha representa os cinco elementos, o som de AUM, salagrama, deusa Lakshmi, as águas, pureza e perfeição. O disco é a arma terrível de Vishnu, o qual ele usou para destruir o mal e proteger o íntegro. Isto simbolicamente representa a claridade do sol que ilumina e derruba a escuridão. Também representa uma consciência mais elevada que destrói todas as ilusões. O bastão representa o poder do conhecimento enquanto a flor de lótus simboliza a beleza, a harmonia, a pureza, o elemento água, a criação e a realização do ego.
Suas Encarnações: Como foi declarado no Bhagavad Gita, sempre que há o predomínio do mal, Deus encarna na terra para restabelecer o dharma, castigar o mal e proteger o fraco e o íntegro. Geralmente todas as encarnações de Deus são associadas com o Deus Vishnu, porque Vishnu é aquele que preserva os mundos e o propósito da encarnação é esse também. A lista das encarnações de Vishnu varia. O número de encarnações que geralmente são aceitas é dez, das quais nove já aconteceram, enquanto s décimo ainda deve acontecer. Em algumas versões, encontramos uma lista de 23 encarnações de Vishnu que inclui os nomes de Dattatreya, Satvata e Vedavyasa. As nove encarnações geralmente aceitas são: a encarnação de um peixe (matsyavatara), a encarnação de uma tartaruga (kurmavatara), a encarnação de um javali (varahavatara), a encarnação do homem leão (narasimhavatara), a encarnação de um pigmeu (vamanavatara), a encarnação de Parasurarama (parasuramavatara), a encarnação de Rama (ramavatara), a encarnação de Balarama (balaramavatara), e a encarnação de Sri Krishna (krishnavatara). A décima encarnação, a encarnação de Kalki, um deus feroz, ainda há de vir. A lista de encarnações algumas vezes inclui a encarnação de Buda no lugar de Balarama.
A verdade sobre encarnações de Vishnu: O fato é que há muito mito tecido ao redor da teoria das encarnações. Como já notamos, algumas das encarnações designadas a Vishnu previamente eram designadas a Brahma. Secundariamente, em nenhuma das encarnações se declarou como encarnação de Vishnu. Foram feitas tentativas de se fazer o Buda como uma encarnação de Vishnu. Isto, provavelmente, era para trazer o Budismo como desdobramento do Vaishnavism, com respeito à popularidade crescente do Saivismo, já que os seguidores encaravam tanto o Vaishnavismo quanto o Budismo com o mesmo desdém. Enquanto nós não tivermos certeza sobre a autenticidade da lista de encarnações ou os eventos associados a muitas das encarnações, a idéia da encarnação é uma idéia plausível e logicamente aceitável. Ajusta-se perfeitamente no conceito de Deus como o criador e sustentador do dharma e rta (ordem e equilíbrio) no universo. A versão mais iluminada da teoria de encarnação é aquela em que Deus escolhe modos diferentes para restabelecer a ordem e equilibrar o universo. Estando na descida direta, com todos os poderes latentes em forma de humanos e com todas as divindades auxiliares ou associadas que também os unem ao plano terrestre para dar assistência a Ele em Seu trabalho. Esta é propriamente uma encarnação (purnavatara) como a encarnação de Rama ou Krishna. Ele
só assume esta forma quando um mal de dimensões gigantescas eleva sua cabeça e começa a fomentar dificuldades a todos. Segunda, só um aspecto (amsa) d’Ele manifesta-se na terra na forma de uma grande alma para um propósito específico, geralmente como um vidente, um guru, um governador, ou um artista. A encarnação de Vedavyasa ou Dattatreya vem sob esta categoria chamada manifestação parcial ou amsavatara. Terceira, Ele, afinal de contas, não desce, mas escolhe um ser humano particular como o seu veículo e envia a ele conhecimento ou mensagens, respostas e soluções. Muitos profetas, inventores, e santos profetas que puderam abrir canais específicos de comunicação com Deus ou quem Deus escolheria para falar, entram nesta categoria. Quarta, Ele encarnaria em outro lugar com um dos três modos supracitados, mas incorpóreo, e ajudaria a terra de um modo geral. Não temos idéia sobre estas encarnações. Mas falando estritamente sobre todas as manifestações de Brahma como vários deuses e deusas em mundos vários, somente as Suas encarnações poderiam ser incluídas nesta categoria.
Encarnações secundárias de Vishnu: Estes são deuses que desceram a este mundo para uma tarefa específica e com um aspecto de Deus Vishnu. Menção pode ser feita a Dattatreya, Kapila, Dhanvantari, Mohini, Hayagriva, Naranarayana, Vedavyasa e Yajna. Dattatreya: Filho de Atri e Anasuya que alcançou domínio completo dos Vedas, Dattatreya aperfeiçoou os ritos associados com suco de soma, invocações de poderes mais elevados por magia e uma espécie de tantra. Ajudou quem não era da religião Védica, ensinando-lhes os Vedas e ajudou na sua assimilação na sociedade Védica. Provavelmente por isto, foi-lhe determinado o selo de impureza e negadas as honras devidas. Porém, parece que depois o status de divindade foi reconhecido e restabelecido. Ele é descrito como tendo três cabeças, quatro mãos e sempre seguido por quatro cachorros fiéis. As três cabeças denotam a sua conexão com a Trindade, não só com Vishnu. As suas quatro mãos significam a sua divindade e sobrenaturalidade, e os quatro cachorros simbolicamente representam os quatro Vedas e o seu domínio sobre eles. Kapila: Kapila era o fundador da escola de filosofia Sankhya, autor das Kapilasutras. Sua filosofia ganhou imensa popularidade na Índia antiga e inspirou muitos estudantes nas especulações sobre as convicções religiosas existentes. Provavelmente a inclusão de Kapila como uma encarnação secundária de Vishnu foi uma tentativa para fazer alguma aproximação entre a filosofia de Sankhya e o Brahmanismo, da mesma maneira que houve uma tentativa para se considerar Buda como uma encarnação de Vishnu para aproximação entre o Budismo e o Vaishnavism. O sábio Kapila disse ter amaldiçoado os sessenta mil filhos de Sagara e reduzido-os a cinzas, o que depois incitou Bhagirath a sofrer penitências severas e fazer descer o Ganges que estava fluindo nos céus. Nem se tem a segurança de que Kapila foi o fundador da filosofia de Sankhya. Dhanvantari: Ele provavelmente era um médico famoso na Índia antiga, dotado de um conhecimento excelente sobre a medicina herbária e de poderes curativos milagrosos. Na história mitológica de Sagarmanthan (o agitador dos oceanos), encontramos o nome de Dhanvantari. Depois que os deuses e demônios começaram agitar o oceano à procura de imortalidade, Dhanvantari disse que apareceu diante deles com um recipiente que continha ambrosia nas suas mãos dele. Não sabemos então se Dhanvantari é um título dado a um médico especialista ou o nome de um indivíduo. Sendo a verdade, Vishnu também é um grande curandeiro, porque curar é uma parte do seu trabalho de preservação. Já que Dhanvantari foi um grande médico, provavelmente foi aceito como uma encarnação secundária de Vishnu. Hayagriva: Reintroduziu o conhecimento perdido de Yajurveda ao gênero humano, por Yajnavalkya e provavelmente no período pós-Rigveda. Acredita-se que é um aspecto de Vishnu como o deus do sol e é descrito como uma deidade com a cabeça de um cavalo. Nas imagens é descrito como tendo oito braços que levam os vários emblemas de Vishnu Mohini: Mohini iludiu os demônios e impediu que se servissem da ambrosia. Mohini é considerado como uma encarnação de Vishnu porque a ilusão é uma arma importante no arsenal de Vishnu, por isso também é chamado mayavi, o criador de ilusão. Mohini iludiu Siva, resultando disso o nascimento do sábio Maya Machchindra. Nara-Narayana: Nara quer dizer o humano e Narayana quer dizer o Ser Supremo. Popularmente refere-se a Arjuna e Sri Krishna como Nara e Narayana. Há histórias mitológicas que explicam a origem e as façanhas de Nara e Narayana, que também são creditadas na história da criação de Urvasi, a ninfa celestial, e o assassínio de um demônio com mil armaduras (tipos de ignorância). Crê-se que qualquer ser humano com a divindade despertada e que trabalhe para o bem-estar de humanidade é um Nara-Narayana, uma encarnação de Vishnu na terra, trabalhando para a preservação do dharma ou retidão. Nas imagens são mostrados Nara e Narayana juntos ou separadamente. Quando são mostrados separadamente, Nara tem duas cabeças e usa um couro de cervo, enquanto Narayana é mostrado à esquerda, com quatro braços que levam os emblemas habituais de Vishnu Yajna: Vishnu é considerado como Purusha que nasceu fora de sacrifício e foi sacrificado em troca. No Bhagavad Gita, diz Sri Krishna que Brahma está presente no Yajna (brahma nityam yajne pratisthitam) e que Deus é o recebedor (bhokta) como também o senhor (prabhu) de todos os sacrifícios. Na encarnação dele como Yajna, Vishnu é chamado Yajneswara, ou Deus do Sacrifício. Assim, é descrito normalmente com duas cabeças, sete mãos, três pernas e quatro chifres. As suas sete mãos levam objetos diferentes que são geralmente usados no desempenho do Yajna.
Ved Vyasa: Ved vyasa é o autor do Mahâbhârata, épico famoso, as Puranas e os Brahmasutras. Credita-se a ele também a divisão dos hinos védicos na forma presente de quatro Vedas. Vedavyasa é o codificador e preservador da memória humana e do conhecimento na forma de escritos imortais e, conseqüentemente, temos a sua identificação com Deus Vishnu. Ved Vyasa geralmente é descrito como um vidente, com cabelo nodoso, esbelto em sua forma e bem moreno na aparência, na companhia dos quatro discípulos dele, isto é, Jaimini, Paila, Vaisampayana e Sumantu.
Outros aspectos de Vishnu: Outros deuses também são considerados encarnações ou manifestações de Vishnu. Estes deuses são muito populares e são adorados regularmente por milhões de devotos. Eles são realmente responsáveis pela popularidade do Vaishnavisim. Vishnu geralmente é adorado em vários aspectos, e raramente em sua forma.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.