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Capítulo 14 de 38

Rama

As Vidas de Osvaldo Polidoro

Segundo Edouard Schouré: “Quando, um dia, os gênios opostos eram unidos em inocência primitiva, na época ariana primitiva, surgiram os hinos védicos, onde transparecem o sentimento do divino, na unidade que penetra o todo. Como nasceu tal civilização?... A primeira concentração do núcleo ariano, no Irã, fez-se por meio de uma seleção no seio da raça branca, sob a direção de um conquistador legislador, que deu ao seu povo uma religião e uma lei conformes ao gênio da raça branca”. Já Zoroastro menciona seu legislador: Yima. Na epopéia hindu, Ramayana, ele aparece com o nome de Rama. Segundo as tradições egípcias, tal época é o reinado de Osíris. Orfeu denominou-o Dionisos, na Grécia.

Rama, sábio jovem druida, com sua dupla tiara de conquistador e iniciado, tendo na mão o fogo místico iluminador das raças, foi conhecedor das virtudes das plantas, astrônomo, profeta. A autoridade emana dele sobre os druidas mais velhos da antiga Cítia. Curou com visco (depois de aconselhado através de uma visão de um Gênio) seu povo castigado pela peste, por causa das práticas de sacrifícios humanos*, colocando o carneiro como estandarte de seus partidários. Em outra visão esplendorosa, recebe deste Gênio, a Inteligência Divina, a incumbência de espalhar seu fulgor pela terra, orientado para o Oriente, liderando a raça boreal. Transformou a mulher em sacerdotisa do lar, desenvolveu e organizou os superiores de sua raça. Promove festas que uniam os dois planos da vida em saudações recíprocas. A seu comando, a raça branca estabeleceu-se no Irã, às portas do Himalaia, mas deveria entrar na Índia, centro principal da raça dos Negros (feito que consta do Zend-Avesta). Toda esta epopéia é recheada de fenômenos e manifestações divinas (fontes de água no deserto, alimentos, curas), até a chegada ao Ceilão, sua meta final. Depois de nova e fulgurante visão, renuncia a todos os bens mundanos e afastase dos seus, ensinando seus discípulos, que levam ao Egito o símbolo da unidade das coisas, o fogo sagrado. Até o desencarne, o patriarca dos iniciados dedica-se a ensinar, e deixa o calendário dos Árias, que deu origem aos signos do zodíaco através dos emblemas secretos dos graus de iniciação.

*[origem de Esculápio, gênio da medicina que empunha a vareta sob a forma de caduceu. Em Números, 21, está: “Então o Senhor mandou entre o povo serpentes abrasadoras, que mordiam o povo; e morreram muitos do povo de Israel. Veio o povo a Moisés e disse: havemos pecado, porque temos falado contra o Senhor e contra ti”].

“Ao mesmo tempo, o templo alarga-se; as suas colunas sobem até ao céu; a sua abóbada perde-se no firmamento. Então, Rama, arrebatado pelo seu sonho, viu-se transportado ao cimo de uma montanha, sob o céu todo estrelado. De pé, junto a si, o seu Gênio explicava-lhe as constelações e fazia-o ler, nos sinais acesos do Zodíaco, os destinos da humanidade.” - G. I. Rama foi o fundador da Astrologia. Seja qual for o grau de influência do magnetismo cósmico sobre as criaturas, o certo, que temos obrigação de respeitar, é que todas as grandes verdades de caráter espiritualista, que foram transmitidas aos homens comuns, vieram por meio de alguns homens excepcionais. Neste caso temos, uma vez mais, o fenômeno mediúnico ou espírita a servir de alicerce. Rama fora arrebatado em espírito e instruído pelo seu Guia ou Gênio.(A Bíblia dos Espíritas)

“Na sua guerra contra os povos e os reis djambus, como então se chamavam, Ram, ou Rama segundo os orientais, emprega meios aparentemente miraculosos, porque estão fora do alcance das faculdades ordinárias da humanidade, mas que os grandes iniciados devem ao conhecimento e aperfeiçoamento das forças ocultas na natureza.” - G. I. Em primeiro lugar, entre fenômenos mediúnicos e milagres há uma só diferença - é que os fenômenos mediúnicos sempre existiram e os milagres jamais. Ao que os ignaros chamam milagre, fenômeno sem causa própria, a Verdade proclama como ação de espíritos, através de criaturas dotadas de certas faculdades. Estas certas faculdades são da natureza do espírito, em combinação com certas influências fisioenergéticas dessas pessoas. Entre os desencarnados, os encarnados, as faculdades mediúnicas e as influências fisioenergéticas é que se processam os fenômenos. Os grandes iniciados não se fizeram na carne, em uma vida; eles vieram de outras vidas, de realizações antanhas. Os Cristos não se fazem na Terra, de uma feita. No Espaço e no Tempo, nos Mundos e nas Formas, enfrentando Condições e Situações é que eles se forjam. É o destino de todos os filhos de Deus. .(A Bíblia dos Espíritas)

“Os reis e os enviados dos povos ofereceram-lhe o poder supremo: ele pede um ano para refletir, e de novo tem um sonho. O Gênio que o inspirava fala-lhe durante o sono.” - G. I. Na grande visão de última hora, ao contrário de Jesus e de outros que a tiveram nas primeiras horas, Rama foi advertido sobre os perigos do Reino do Mundo. É muito bom recomendar tais leituras aos espíritas em geral, mormente aos dirigentes de Casas Espíritas, pois reina entre eles o gosto pelo Espiritismo Tabelado, tipo engarrafado ou feito em pílulas, comportando apenas meia dúzia de sentenças doutrinárias. O que passar disso, dizem que não é Espiritismo. Entretanto, os textos todos, de todas as Bíblias da Humanidade, provam o fenômeno mediúnico como base de todas as Grandes Revelações. E quem mais sabe, sobre a Restauração do Cristianismo, pode afirmar que atrás de Elias, ou Kardec, o Codificador, estiveram as Legiões do Senhor, os Grandes Iniciados em ação, para que o Espiritismo viesse a constituir a Síntese das Revelações. Se uma lei tem o direito de reivindicar o Alicerce da Verdade, essa lei é o Mediunismo ou Profetismo. E se alguém quiser apelar para o mesmo Alicerce, ele se mostrará vivo e presente, pronto a dar sempre o seu eterno testemunho. .(A Bíblia dos Espíritas)

“O meu reino não é deste mundo.” - Jesus O Diretor Planetário assim afirmou, depois de todos os Grandes Reveladores terem dito e feito, pouco mais ou menos, a mesma coisa. O Reino da Plenitude Espiritual é o Avesso do Mundo.

Todas as Escolas Iniciáticas ensinavam assim, fazendo ver que o curso das vidas devia normalmente conduzir as almas à Sagrada Finalidade. Esta implicava e implica na vitória sobre a lei dos renascimentos e das mortes. Conseqüentemente, quem ganha num Reino perde no outro e vice-versa. Logo, é de bom alvitre fazer da matéria bom uso, nunca porém adorando-a. Quem se curva diante da matéria ou do mundo, ao invés de apenas usá-los bem, a si mesmo se desmerece. Lede e comparai Rama com Jesus, na Grande Visão da Tentação. .(A Bíblia dos Espíritas)

RAMAYANA - a história O Ramayana é um dos dois grandes épicos hindus; conta sobre a vida na Índia, em torno de 1000 aC, e oferece exemplos de comportamento. O herói, Rama, viveu sua vida inteira exemplificando; de fato, por isso o hindu o considera herói. Quando Rama era um menino novo, era o filho perfeito. Mais tarde era um marido ideal de sua esposa fiel, Sita, um exemplo de responsabilidade no reino de Aydohya. "Seja como Rama," foi o que ensinaram aos jovens hindus por 2.000 anos; "seja como Sita." Dasharatha, rei de Aydohya, tem três esposas e quatro filhos. Rama é o mais velho. Sua mãe é Kaushalya. Bharata é o segundo filho de sua esposa favorita, rainha Kaikeyi. Os outros dois são gêmeos, Lakshman e Shatrughna. Um sábio educa os meninos, treinado-os no manejo do arco. Rama pode acertar uma maçã que foi pendurada em uma corda. Nos arredores, a filha da rainha chama-se Sita. Quando era hora de Sita escolher seu noivo, em uma cerimônia chamada swayamvara, aos príncipes foi pedido para armarem um arco gigante. Ninguém pode nem mesmo levantar o arco, mas Rama curvou-o, não somente armou-o, mas também quebrou-o em dois. Sita indica que escolheu Rama como seu marido enrolando uma guirlanda em seu pescoço. O rei Dasharatha, pai de Rama, decide-se que é hora de passar seu trono a seu filho mais velho, Rama, e de se aposentar. Todos parecem satisfeitos. Este plano cumpre as regras do dharma porque o filho mais velho deve governar e, se um filho já puder responsabilizar-se, os últimos anos do rei podem ser gastos em uma busca de descanso. Além disso, todos amam Rama. Entretanto, a madrasta de Rama, segunda esposa do rei, não se satisfez. Quer que seu filho, Bharata, governe. Por causa de um juramento que Dasharatha tinha feito a ela anos antes, de que lhe satisfaria dois desejos, o rei concorda com o banimento de Rama por quatorze anos, e coroa Bharata, mesmo tendo o rei, de joelhos, implorado a ela a não exigir tais coisas. Com o coração partido, o entristecido rei não pode enfrentar Rama com a notícia; Kaikeyi foi dizer-lhe a novidade. Rama aceitou inquestionavelmente o decreto. "Eu obedeço fielmente ao comando do pai", disse para sua madrasta, "mesmo porque, eu iria mesmo se você o requisitasse". Quando Sita, esposa de Rama, ouviu que ele seria banido, implorou para acompanhá-lo em seu exílio na floresta. "Como a sombra segue a matéria, assim a esposa deve fazer com o marido", lembrou ela a Rama. "Não é o dharma da esposa estar ao lado do marido? Deixe-me andar diante de você de modo que eu possa alisar o trajeto para seus pés", clamou-lhe ela. Rama concorda, e então ele, Sita e seu irmão Lakshmana rumaram à floresta. Bharata, que pela maldade da mãe subira ao trono, revolta-se muito quando soube o que aconteceu. Nem por um momento considerara quebrar as regras do dharma, tornando-se rei no lugar de Rama. Procurou por Rama na floresta: “Pela regra da hierarquia, o trono é do mais velho", lembrou ele a Rama. "Por favor, volte e reivindique seu lugar como o rei; é seu por direito!” Tendo Rama se recusado a ir substituir o comando do seu pai, Bharata tomou as sandálias do seu irmão e disse: "Eu colocarei estas sandálias no trono, como símbolo de sua autoridade. Eu governarei somente como regente em seu lugar e, a cada dia, porei minhas oferendas nos pés de meu senhor. Quando terminarem os quatorze anos do banimento, retornar-lhe-ei alegremente o reino". Rama ficou muito impressionado com a abnegação de Bharata. Quando ele se retirava, Rama disse-lhe: "Devia ter sabido que você renunciaria feliz; isso é o que a maioria de homens trabalha vidas para alcançar". Os anos passam e Rama, Sita e Lakshman são muito felizes na floresta. Rama e Lakshman destroem os rakshasas (criaturas maldosas) que perturbam suas meditações. Um dia, uma princesa dos rakshasas tenta seduzir Rama, e Lakshmana fere-a, mantendo-a afastada. Ela retorna a seu irmão Ravana, rei de Lanka (Sri Lanka, anteriormente Ceilão), e conta a seu irmão (que tem uma fraqueza por mulheres bonitas) sobre a encantadora Sita. Ravana planeja seqüestrar Sita. Manda um cervo dourado, mágico, para que Sita o deseje. Rama e Lakshman vão caçar os cervos, mas primeiro desenham um círculo protetor em torno de Sita e avisam-na de que estará segura enquanto não pisar fora do círculo. Enquanto caçam, Ravana (que pode mudar sua forma) aparece como um asceta que lhe pede esmolas. No momento em que Sita pisa fora do círculo para dar-lhe o alimento, os de Ravana agarram-na e carregam-na para fora de seu reino em Lanka. Rama desespera-se quando retorna à cabana vazia e não encontra Sita. Ravana levou-a a seu palácio em Lanka, mas não pode forçá-la a ser sua esposa. Então, instala-a em um bosque e, alternadamente, conversa mansamente e ameaçaa, numa tentativa de forçá-la a concordar com um casamento entre eles. Sita nem mesmo olha para ele, pensa somente em seu amado Rama. Um exército dos macacos oferece-se para ajudá-lo a encontrar Sita. Hanuman, o general do grupo dos macacos, pode voar, já que seu pai é o vento. Ele voa a Lanka e, encontrando Sita no bosque, mostra o anel que levara para a

identificação, conforta-a e diz que seu Rama virá logo para salva-la. Os homens de Ravana capturam Hanuman, e Ravana manda que embrulhem a cauda de Hanuman num pano e ateiem no fogo. Com sua cauda queimando, salta de monte em monte, ateando fogo em Lanka. Voa então em direção a Rama para dizer-lhe onde Sita está Rama, Lakshmana e o exército dos macacos constroem uma ponte da costa da Índia a Lanka, cruzando sobre Lanka. A batalha pode seguir. Rama mata diversos de irmãos de Ravana e então Rama confronta Ravana. (Ravana é conhecido por sua sabedoria, como também por sua fraqueza por mulheres). Rama mata, finalmente, Ravana. Rama livra Sita. Sita, entretanto, não é imediatamente recebida por Rama; ele questiona sua castidade por ter vivido na casa de um outro homem. Quando pede a ela que se submeta ao teste pelo fogo, ela concorda. Posta à prova sua inocência, ela torna a se reunir a Rama. Ele sobe ao trono, mas mais tarde Rama abandona-a para dar prioridade à opinião pública, e ela vai viver em outra parte. Valmiki, um eremita, acolhe-a. Nascem os gêmeos Kusa e Lava. Ele levou 12 anos compondo os versos de Ramayana e ensinando-os aos meninos, que os cantavam acompanhados de tambores e alaúde. Neste ano, Rama, governador de Ayodhya, promove um festival de ação de graças e coloca uma estátua de ouro de Sita no lugar que seria dela. Todos os dias, os gêmeos cantaram trechos do longo poema, encantando todo o povo. Sauti, o contador de histórias, conta o que aconteceu a partir dali: Pela fabulosa história de Ramayana, Rama descobre que os gêmeos são seus filhos e pediu para que se buscasse Sita, a fim de reatarem sua vida em comum. Sentado no trono na clareira onde foi o festival, aguarda a adorada e linda esposa. Quando ela chega à sua frente, Janaka, pai de Sita e marido da Mãe Terra, diz: “Não há censuras”. Rama responde: “Perdoa-me, e perdoa a todos nós”. Ela olha o povo que se agrupa em torno deles, sorri, e pede permissão a Rama para provar sua inocência, o que lhe foi concedido. Clama, então: “Mãe Terra, se fui fiel a Rama, leva-me para casa, escondeme!” O chão fende-se num tremor e Mãe Terra toma-a no colo, acariciando-a. Fecha-se a fenda, suavemente, para sempre. Rama lamenta que não mais poderá vê-la. Passam-se os anos, e o Tempo, enviado de Brama, vem até Rama. Conversam. Chega o dia da partida de Rama. Mergulhará no rio... ele e todos os seus seguidores que lhe entregaram o fogo de seus nascimentos, os quais foram apagados por Rama naquelas águas. “Confia na Verdade!... e foi o primeiro a mergulhar e continuou mergulhando até o outro lado, vencendo todo o tempo passado e todo o tempo por vir...” Kusa e Lava cantaram: “Isto encerra o caminho de nosso Pai; a narrativa, afinal, acabou”.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.