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Capítulo 21 de 38
Ezequiel
As Vidas de Osvaldo Polidoro
O momento histórico é difícil para o povo judaico: Jerusalém, sitiada por Nabucodonosor, resiste e se ilude achando que com a chegada dos egípcios, seus novos aliados, poderá ficar livre... Isso não acontece porque “Iaweh quebrou o braço do faraó” para que não mais manejasse a espada. No mês de junho de 586 aC, os caldeus conseguiram abrir uma brecha nos muros da cidade, e foi a derrocada. A maior parte do povo judeu foi levada em cativeiro na Babilônia e o Templo foi destruído. As demais 11 tribos já tinham sido praticamente aniquiladas um século antes (722 aC) pelos assírios, ao norte. Essa dispersão repercute na maneira pela qual se mantém a tradição, e nesta comunidade cativa destacar-se-á Ezequiel, para que a chama mantenhase acesa. O corpo da Doutrina fica no Torah, que significa lei, ensinamento, direção. Ezequiel era de estirpe sacerdotal - seu pai era sacerdote - sabe-se pouco de sua juventude. Teve esposa, mas ela desencarnou antes da queda da Babilônia. Foi deportado em 597 e começou seu ministério em 592, aos 30 anos. Há teses que mostram que há duas fases em seu trabalho: De 592 a 586, em Jerusalém, onde recebe instruções de Deus. Nesta fase ele é duro em suas pregações contra a hipocrisia. Contesta o sentimento geral do povo, que pensava estarem pagando pelo pecado de seus pais. Anuncia a queda de Jerusalém Já na Babilônia, de 585 a 571 aC, obedece à determinação divina que vem nestes termos: “Tu lhes dirás:’Assim diz o senhor Deus’ -, quer ouçam, quer não”. Traz consolo aos exilados, fala da ressurreição ao povo de Israel através da visão dos ossos secos (Ez 37). Transmite sua visão da glória de Deus na volta ao templo na Nova Jerusalém (Ez 43), o mesmo templo que em Ez,10, 18 é mencionado que fora deixado pelos erros do povo. O povo restaurado, tendo voltado do exílio, terá que ser defendido para evitar que invasores (tanto entendendo-se materialmente falando, como também doutrinariamente). Esse livro do Velho Testamento contém muitos testemunhos e relatos de manifestações divinas. Quase um terço dele trata das descrições das vidências e clarividências do profeta. Bastante simbólico, encontramos neste livro referências que tem muita afinidade com as futuras visões de João Evangelista, que estão contidas no livro Apocalipse. A princípio, a maioria do povo incrédulo não dava crédito ao que ouvia nas profecias de Ezequiel. Deus tornou-o mudo até que a cidade fosse tomada. Foram 3 anos nos quais o profeta fez as cabeças duras de Israel entenderem os fatos através de símbolos. Ele havia visto que estavam adorando ídolos; a culpa vinha de seguirem um sincretismo religioso, voltando as costas para o Deus único... a destruição é inevitável, a reconstrução necessária, mas “um resto será salvo”. É desta época a história de Jó; são contemporâneos Isaías e Jeremias. Na reconstrução, impressionado com a prostração nos rostos, Ezequiel: “Tenho sido para eles um santuário”. Deus avisa-o “Eles virão até vós, para que vejais a sua conduta e as suas obras”. Ezequiel com tenacidade organiza os grupos entre as colônias de deportados fazendo visitas pessoais, mantém contato com compatriotas que permaneceram na Palestina, incita à observância de todos os preceitos, as grandes festas (como a Páscoa) passam a ser respeitadas. Segundo Ricciotti, em ‘História de Israel’: “A tenacidade na observância de todas essas práticas é da máxima importância, pois ela demonstra uma dupla reação contra os que os deportavam; mas também a outra, bem mais profunda e sutil, contra si mesmos. Era substancialmente a penitência, isto é, aquele estado de ânimo que em hebraico é denominado shubh, retorno”. O profeta enfático se transforma e se torna o organizador metódico, o legista minucioso, o primeiro dos escribas de Iahweh. São os capítulos de 40 ao 48, onde são anotadas todas as disposições que o senhor lhe confiou para a reconstrução de Israel. Na sua visão, o Palácio deve estar a serviço do Templo, e o Templo é reconstruído respeitando plenamente seu enorme valor sagrado. Em relação à legislação imposta pelo Deuteronômio, Ezequiel impõe uma guinada rigorista, a ponto de levantar polêmicas entre rabinos. Um grande estudioso concluiu que “Ezequiel não renega a legislação, mas sobrepõe a ela um outro plano de engenharia mais elaborada”. “Com efeito, ele quer que a nova nação seja garantida mais rigorosamente pela nova legislação”, escreve Ricciotti. No ano de 537, Babilônia foi libertada pelo rei Ciro, da Pérsia, e uma caravana de israelitas pôs-se a caminho para voltar à terra de Canaã. Termina o exílio, mas Ezequiel já havia desencarnado. O Senhor confirma àquele pequeno resto a promessa que fizera: “Eles se esquecerão da humilhação sofrida e de todas as apostasias que praticaram contra Mim, quando moravam em sua terra em segurança e não havia quem lhes incutisse medo... “ (Ez 39)
Trechos do livro “Ezequiel”, Velho Testamento: “Eia pois, vai aos do cativeiro, aos filhos de teu povo, e, quer ouçam, quer deixem de ouvir, fala com eles, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus. (cap 3)
Assim diz o Senhor Deus: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito sem nada terem visto! (cap 13)
Portanto, assim diz o Senhor Deus: Tempestuoso vento farei irromper no meu furor, e chuva de inundar haverá de minha ira, e pedras de saraivada na minha indignação, para a consumir. (cap 13)
Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? (cap 18)
Mas se o perverso se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e fizer o que é reto e justo, certamente viverá: não será morto. (cap 18)
Acaso tenho eu prazer na morte do perverso? Diz o Senhor Deus; não desejo eu antes que ele se converta dos seus caminhos, e viva? (cap 18)
Tirei-os da terra do Egito e os levei para o deserto. Dei-lhes os meus estatutos, e lhes fiz conhecer os meus juízos, os quais, cumprindo-os o homem, viverá por eles. (cap 20)
Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas, e as farei repousar, diz o Senhor Deus. A pedida buscarei, a desgarrada tornarei a trazer, a quebrada ligarei e a enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com justiça. (cap 34)
Tomar-vos-ei de entre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra. Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Darvos-ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro em vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. Habitareis na terra que eu dei a vossos pais; vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus. Livrar-vos-ei de todas as vossas imundícias; farei vir o trigo, e o multiplicarei, e não trarei fome sobre vós. Multiplicarei o fruto das árvores e a novidade do campo, para que jamais recebais o opróbrio da fome entre as nações. Então vos lembrareis dos vossos maus caminhos, e dos vossos feitos, que não foram bons; tereis nojo de vós mesmos por causa das vossas iniqüidades e das vossas abominações. Não é por amor de vós, fique bem entendido, que eu faço isso, diz o Senhor Deus. Envergonhai-vos, e confundi-vos por causa dos vossos caminhos, ó casa de Israel. Assim diz o Senhor Deus: No dia em que eu vos purificar de todas as vossas iniqüidades, então farei com que sejam habitadas as cidades e sejam edificados os lugares desertos. Lavrar-se-á a terra deserta, em vez de estar desolada aos olhos de todos que passavam.
Dir-se-á: Esta terra desolada ficou como jardim do Éden. (cap 37)
Já não esconderei deles o meu rosto, pois derramarei o meu Espírito sobre a casa de Israel, diz o Senhor Deus. (cap 40)”
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.