Voltar ao livro As Vidas de Osvaldo Polidoro

Capítulo 18 de 38

Moisés

As Vidas de Osvaldo Polidoro

De “A Bíblia dos Espíritas”: O segundo grande codificador foi Moisés [Manu foi o primeiro], que inclusive tornou a transmitir o Código Divino, tendo sido também o primeiro batizador coletivo da Revelação. Os Dez Mandamentos datam de mais de duzentos mil anos. E o primeiro batismo de Espírito está relatado no capítulo onze do Livro de Números. Todos os ensinos contidos nas demais Bíblias, nos demais chamados Livros Sagrados, partem daqueles dois. O Védico-Budismo deu o primeiro, tendo a Raça Atlante contribuído fundamentalmente para isso; os continentes eram ligados e os primeiros Grandes Reveladores nela viveram, não sendo a Índia mais do que continuação, assim também como o Egito de eras posteriores. Moisés foi o primeiro a realizar um batismo coletivo de espírito ou Revelação, como se acha contido no Livro de Números. Moisés iniciou a crença no Monoteísmo, no Deus que é Espírito e Verdade, e que em Espírito e Verdade quer ser adorado, porque assim quer que venham seus filhos a ser.

“Alma de aço, vontade de ferro, zombou das provas. Espírito matemático e universal, desenvolveu uma força de gigante na compreensão e no manejo dos números sagrados, cujo simbolismo fecundo e cujas aplicações eram então quase infinitas. O seu espírito, desdenhoso das coisas que não passam de aparência, e dos homens que passam como sombras, não respirava à vontade senão dentro dos princípios imutáveis. Lá do alto, tranqüila e seguramente dominava tudo, sem manifestar nem desejo, nem revolta, nem curiosidade.” - G. I. A realidade é que, para aquele que cresce no interior de si mesmo, que se desabrocha para as Verdades Eternas, Perfeitas e Imutáveis, uma só termina sendo a razão de ser da vida - é viver para as Verdades Eternas, Perfeitas e Imutáveis. Moisés tinha de ser assim, para colocar o Povo de Israel naquele local onde Jesus teria, mais tarde, de se apresentar à Humanidade. Marcaria o Povo com a marca do Monoteísmo, do Deus Único e Onipotente, em torno de cuja realidade viva, os Profetas iriam sustentando a tocha da Revelação, até que Jesus viesse para torná-la universal ou pública. Quase três mil e quinhentos anos depois, podemos dizer que os altos e baixos do Povo não fizeram fracassar os santos desígnios do Senhor. Basta que tenhamos o direito de assinalar o seguinte: “A Moral, o Amor e a Revelação marcaram a obra de Moisés; isso mesmo Jesus-Cristo viveu, tornando público no grandioso fenômeno do Pentecostes, longe de simulações, clerezias e comercialismos pagãos; e isso mesmo revive no Espiritismo, na Restauração encabeçada por Elias, que foi Kardec, agindo sob o comando das Falanges da Verdade.” Existem verdades, sobre isso tudo e em torno disso tudo, que feliz ou infelizmente, não podemos, por ora, cogitar em público.(A Bíblia dos Espíritas)

Trecho de “Lei, Graça e Verdade” O expositor iniciou a palestra, dizendo que falaria sobre Moisés, o discípulo da Cabala Egípcia, o missionário que muito trabalhou e sofreu, para radicar a grande família espiritual, de cujo seio resultaria, mais tarde, AQUELE que viria trazer a GRAÇA da REVELAÇÃO para toda a carne, a fim de que a LUZ da VERDADE brilhasse para todas as inteligências e consolasse todos os corações. De Moisés, falou o expositor, nenhuma palavra direta existe; os Livros foram queimados, assim como perseguidos e mortos os Profetas, ao tempo de Saul. E a restauração, ordenada por Esdra, foi feita sobre lendas e contos do povo, havendo homens que de memória relataram algumas verdades. Quanto ao mais, símbolos e parábolas foram tomados ao pé da letra, caindo os grandes ensinos em tremendas falhas e contradições repelentes. Salientou, entretanto, quatro feitos grandiosos na vida de Moisés, sem contar os muitos outros de menor significação: O de “Trasladar o Povo de Israel para o local devido, da maneira que melhor pôde, contando com os recursos mediúnicos de que dispunha, assim como DEUS lhe permitiu”. O de “Uma vez mais transmitir a LEI que fora diversas vezes transmitida, no curso dos tempos aos povos”. O de “Profetizar sobre a vinda de CRISTO, fazendo ciente o Povo de que não estavam completas as Escrituras”. O de “Lavrar o primeiro batismo coletivo de Espírito, ensejando a setenta homens escolhidos entrarem para o cultivo da REVELAÇÃO, a fim de o auxiliarem a guiar o Povo”.

De “Um Médium de Transportes”:

Moisés assombrava e convencia pelas obras fenomenais que provocava, vindo a ser o primeiro a Batizar em Espírito. Deixou um lastro de setenta homens, com mediunidade manifesta, como ponto de partida do primeiro batismo coletivo havido na história religiosa do Planeta.

Numa época onde o monoteísmo está no interior dos santuários egípcios, Israel desempenhará o papel de elo entre Oriente e Ocidente, unificando a Humanidade sob o Deus Único, seu papel inicial, tendo Moisés como seu organizador. Irradiaria de Israel a religião universal da Humanidade pelo trabalho de Hosarsife, primeiro nome egípcio de Moisés.

Segundo Stefan Schreiner, em “Moisés, nosso Mestre”: “Qualquer esforço no sentido de traçar um retrato de Moisés enfrenta uma série de problemas até hoje insolúveis, a começar pelo da questão das fontes. Pois tudo o que dispomos da tradição antiga sobre ele está contido unicamente na Bíblia hebraica, e nela quase exclusivamente no Pentateuco, que enfeixa os livros bíblicos particularmente ligados ao seu nome. Na realidade, Moisés é citado também com relativa freqüência em outros passos da Bíblia, fora do Pentateuco (por exemplo: Jz, 1, 16; 4, 11; Is 63, 11; Jr 15, 1; Mq 6, 4; Sl 90, 1; 103, 7; cf a respeito Os 6, 5 e outros), todavia todas estas menções pouco ou nada acrescentam para a biografia. Nas fontes extrabíblicas, contemporâneas dos textos bíblicos, mas delas dependentes, não encontramos uma palavra sequer sobre a pessoa, a vida e a obra de Moisés, pelo menos segundo até hoje se conhece. Os dados na Bíblia, por sua vez, em relação ao que nos relatam sobre Moisés, estão longe de serem coerentes. Oferecem muito mais uma multiplicidade confusa de “imagens de Moisés”, devidas em parte às histórias narradas sobre ele, e em parte aos títulos que lhe foram atribuídos: Ele é designado como “Servo de Deus” (Nm 12, 7-8; Dt 34, 5; Js 1,1), como “Homem de Deus” (Dt 33, 1; Js 14, 6; Sl 90, 1; Esd 3, 2; 1Cr 23, 14; 2Cr 30, 16), como “Sacerdote” (Sl 99, 6; 1 Cr 23, 14), “Profeta” (Dt 18, 18; 34, 10), como “Eleito de Deus” (Sl 106, 23), como “Enviado a seu povo” e “como intercessor do seu povo junto a Ele” (Ex3, 13s; 5, 22s; 33, 13.19; 14, 15; 16, 1s; 17, 4 e 11; Nm 14, 1s; 21, 4s; Ez 22, 30; Sl 103, 7 e passim); aparece inclusive como “representante de Deus” (Ex 7, 1) e age como líder carismático, autor de milagres e libertador da opressão, como “Sacerdote” (Ex 23, 14s; 34, 18s), como “Legislador” (Ex 20, 18-21; 24, 12; 32, 15s; Dt 5, 20-28; 9, 9s; 109, 1s; 31, 9 2 24s) e como “Juiz” e “Profeta” (Nm 12). Com certeza, seria anacrônico, ou, como diz H. Küng, “aventuroso”, admitir que “o Moisés histórico tenha sido, desde o princípio, tudo o que a tradição posterior lhe atribuiu”. Neste sentido, de fato, ao longo da história da pesquisa tentou-se sempre de novo, com sucesso maior ou menor, ordenar as diversas “imagens de Moisés” segundo os escritos básicos (do Pentateuco), caracterizados e delimitados entre si desde J. Wellhausen, e bem assim situá-las de acordo com as diferentes redações daqueles escritos em épocas posteriores. Mas os resultados diversos a que chegaram essas tentativas mostram por si o quanto elas são pouco convincentes e, além disso, todo esforço no sentido de discernir o Moisés histórico em sua função original e deslindar as “funções anexas”, segundo o seu surgimento cronológico ao longo da tradição, se afigura uma tarefa impossível. Assim, com R. Martin-Achard, resta-nos designar Moisés como uma “figure polysémique”.

De acordo com a tradição, Moisés nasceu e cresceu no Egito; e egípcia também é a conotação de seu nome. Ao final da conhecida legenda do nascimento de Moisés, sua exposição e resgate no Nilo (Ex 2, 1-10), o nome Mosheh vem relacionado com o verbo hebraico mashah (=retirar da água), significando “aquele que foi retirado da água”. Todavia, como tantas outras explicações de nomes bíblicos, trata-se também aqui de uma etimologia popular que, apesar de ser esclarecedora da história relatada, não se sustenta face à crítica filológica. Pela forma como pronuncia, Mosheh vem do egípcio, derivado do verbo egípcio msj (=criar, gerar); neste sentido, pode ser justificado o nome como sendo uma composição e procedência egípcias (como por exemplo, Tutmósis). Mas mesmo que Moisés tenha tido um nome egípcio, e além do mais, fosse versado em todas as ciências egípcias (At 7, 22), nem por isso seria lícito concluir que ele era um egípcio. O fato de ter nome egípcio nada explica sobre sua verdadeira origem; como narrado alhures, no Egito podiam-se dar nomes nativos também a estrangeiros (cf. Gn 41, 45). Para a tradição posterior também seria insuportável o pensamento de que Moisés pudesse ter sido egípcio. Não é sem fundamento que o Midrash, antigo comentário rabínico, ao referir-se a Ex 2, 19, diz: Mesmo que Moisés tenha vestido “roupas egípcias”, e que por isso tenha aparecido às filhas de Jetro, seu antigo sogro, como um egípcio, mesmo assim ele foi um ‘ivrî’, um hebreu (Shemot Rabba I, 32). Por sua linhagem, Moisés foi um levita. Seu pai e sua mãe são expressamente apontados como pertencentes à tribo de Levi (Ex 2, 1). E segundo Ex 6, 16-20, Moisés e seu irmão mais velho, Aarão, e segundo Nm 26, 59, também em 1Cr 5, 29, igualmente sua irmã mais velha, Miriam, eram bisnetos de Levi, por parte de pai, e netos por parte de mãe. Mas não se poderia simplesmente descartar a pergunta se essa menção expressa da pertença de Moisés, de seus irmãos, pais e avós à estirpe não deveria ser considerada como suficiente indicação de efetiva procedência levítica, ou se estamos apenas em face de uma alusão ao título de Moisés, correspondente a uma das funções por ele exercidas, e que como tal se transmitiu aos pósteros detentores desse mesmo título. Moisés – assim como seu filho Gérson e seu neto Jônatas – é chamado levita por profissão (Ex 32, 26s; Jz 18, 30s; Mq 6, 4), portanto sacerdote, e como tal é designado ao lado de Aarão e Samuel no Sl 99, 6 e em 1 Cr 23, 14 (veja-se também Talmud babilônico, Tratado Bava Batra, 109b). Uma solução histórica dessas questões é impossível e acrescente-se a dificuldade de que são muito incertos nossos conhecimentos sobre a história e a estirpe de Levi, conseqüentemente sobre a instituição e história do sacerdócio daquela época.

“Como todos os fortes marcados para uma grande obra, Hosarsife não se submetia ao cego Destino, sentindo que uma Providência velava por ele e o conduzia à realização dos seus fins.” - G. I. Os homens são semideuses, por serem filhos de Deus, devendo comandar o Destino, não pensando jamais que o Destino lhes seja imposto. Uma coisa é o Supremo Determinismo, a Ordem Divina, a Lei Geral e outra coisa o Destino, a Trilha que pode sofrer alternativas, segundo a conduta de cada um. O Supremo Determinismo, ou Ordem Divina, é igual para todos, enquanto que o Destino é específico, é móvel, diz respeito à conduta de cada um. No seio do Todo as partes movimentam e criam, para si mesmas, as mais variantes condições e situações, conforme sejam boas ou ruins as suas obras. Entre o chamado Criador e a chamada criatura pairam a Lei Geral e a Justiça Geral; mas a criatura é que tem, por natureza, o direito de acioná-las contra ou a favor de si, pelas obras que praticar. E como o espírito ou criatura, deve vir a ser acima de Mundos, Formas e Transições, importa que vá aprendendo a comandar o seu Destino ou Carma. Os mais medíocres iniciados compreendiam isso; não precisava ser um Moisés, para saber que o Carma ou Destino deve ser comandado, e que, para comandá-lo, somente procurando viver os três sentidos da Lei de Deus. Não afirmou o Divino Molde, de início, que veio para executar a Lei de Deus e não para derrogá-la? E poderia alguém derrogar a Lei de Deus, eliminar da Ordem Divina a Moral, o Amor e a Revelação?

“Havia séculos que o Sinai e o Horebe eram desta forma o centro místico dum culto monoteísta...” - G. I. Primeiro devemos dizer que a Ciência dos Mistérios era sumamente monoteísta, ou conhecedora de um Deus Único e Essencial, Ievé ou Informe, ou Impessoal, que Se revelava pelos Seus Altos Mensageiros. Afirmavam que os Santos Espíritos, ou Espíritos Santos, eram os filtros de Deus. A seguir diremos que nos altos montes, longe das cidades buliçosas e das vibrações grosseiras da generalidade, faziam eles os seus exercícios máximos, as suas grandes experiências agora ditas mediúnicas. Jesus perfilhou em tudo e de tudo, pois foi entre os Nazireus que aguardou o tempo devido, para o desempenho do Seu Divino Messianato; o maior feito, de caráter teofânico, foi a Transfiguração, tendo-a levado a termo no alto do monte Tabor. O Sermão da Montanha, ou o Poema da Renúncia, foi proclamado no monte dito das Oliveiras. O levitismo - clericalismo como outros - ou talvez o pior de todos, porque foi aquele que crucificou o Cristo e deu origem ao clericalismo romano que veio a ser o blasfemo do Batismo de Revelação, tudo faria para fazer crer no aparecimento de Deus no alto desértico do Sinai, com o fito criminoso de eliminar o conhecimento da Iniciação Esotérica, do mediunismo de portas fechadas, ao qual Jesus, mais tarde, veio universalizar ou tornar de toda a carne. Vide nos Profetas, muitas vezes assinalado, que nos altos montes estavam os ajuntamentos deles. Todavia, em construções e comunidades, como havia nas margens do Mar Morto, ou em grutas onde se reuniam em épocas certas, para entrarem em comunhão com os Altos Mensageiros do Senhor.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.