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Capítulo 25 de 38
Apolônio De Tiana
As Vidas de Osvaldo Polidoro
Não há, no material que existe disponível a nós, menção correta quanto à data de nascimento de Apolônio. O que aparece, isso sim, e várias vezes, é a menção de movimentos que aconteceram no sentido de despistarem os fatos acontecidos em sua passagem pela carne, a fim de que não fosse conhecido e seguido. Será colocada, então, a biografia, mas com essa ressalva, para que a vida e a obra sejam, pelo menos um pouquinho, conhecidas e, pela simples leitura, para que se possa verificar que, nas linhas básicas, a obra de deixar as Verdades Fundamentais teve, aqui, continuidade.
Segundo Schuré: “São raros os adeptos, mais raros aqueles que atingem esse poder. A Grécia conheceu apenas três: Orfeu, na aurora do helenismo; Pitágoras, no seu apogeu; Apolônio de Tiana em seu declínio. Orfeu foi o grande inspirado, o grande iniciador da religião grega. Pitágoras organizou a ciência esotérica e a filosofia das escolas. Apolônio foi o moralizador estóico, o mágico popular da decadência. Nos três, brilha o raio divino, apesar das nuanças: o espírito apaixonado pela salvação das almas, a indomável energia revestida de mansidão e de serenidade. Não nos aproximemos muito dessas grandes frontes calmas. Elas ardem em silêncio. Sente-se uma vontade ardente, sempre contida, sob a fornalha”. Apolônio praticamente é um desconhecido da maioria das pessoas, mesmo daquelas que têm uma boa formação religiosa. Aparentemente parece estranho que uma figura tão relevante não seja citada nos livros que versam sobre religião, somente aparecendo o seu nome em documentos secretos e em alguns poucos livros de ocultismo. Quem foi e que é Apolônio? – Apolônio é uma misteriosa figura que “apareceu” neste ciclo de civilização no início da era cristã (no século I). Os documentos que falam dele geralmente não mencionam a palavra nasceu, e sim apareceu, isto porque ele, quando esteve diretamente na terra, manifestava natureza divina. Em muitos pontos, a vida de Apolônio se assemelha à de Jesus. Até mesmo a sua vinda a terra foi anunciada pelo Espírito Santo. Alguns documentos antigos afirmam que ele, certo dia, surgiu na terra sem ascendentes, mas também há documentos que dizem ser ele filho de uma Virgem. O sobrenome Tiana é mesmo nome da cidade onde ele primeiro se apresentou na terra, que ficava na Capadócia. Dotado de uma palavra fácil, eletrizante e convincente, logo depois se transformou num tribuno, ao mesmo tempo em que sua fama se popularizava, caminhando pelo resto do mundo dando um exemplo justo, bom e perfeito. Foi um espontâneo defensor dos injustiçados, capaz de praticar os mais arrojados e difíceis atos de bravura. Sua firmeza e energia de propósitos, mesmo diante do perigo, demonstravam a todos uma coragem estóica. "Ele fora um Deus em forma de Homem!". Apolônio viajou muito durante o tempo em que esteve na Terra, desde o Egito até a Mongólia, sempre sendo iniciado nas Ordens na qual ele encontrava; não que precisasse ser iniciado, pois ele já era um Iniciado, mas sim como ele próprio disse para um sacerdote, quando pediu para ser iniciado: "Bem sabes porque não queres iniciar-me. Se o dizes, revelá-lo-ei: o meu crime é justamente conhecer bem melhor do que tu, o rito da iniciação. Vim pedir-te por um ato de modéstia, submissão e simplicidade, a fim de que passasses por mais sábio do que Eu. Apenas isto!". Logo depois que saiu da sua cidade natal, ele ficou conhecido como um neo-pitagórico. Em Nínive, na Babilônia, encontrou Damis, seu inseparável e fiel discípulo. De lá, ambos foram para a terra dos encantos, a Índia, e percorreram a Mongólia e o Tibet, até que atingiram as colinas do Himalaia. Lá, Apolônio deixou Damis e partiu só para um mosteiro onde ele se tornou o "Senhor portador dos oito poderes da Yoga", que era o mais alto Grau dos mosteiros daquela época, -neste momento, dizem, uma aura de Luz lhe emergiu a cabeça de modo permanente. Depois voltou, encontrou-se com Damis e voltaram para a Grécia, onde começou a fase mais intensa de curar doentes, desde do corpo até alma, paralíticos, cegos e até ressuscitar mortos, como aconteceu com uma moça em Roma. Uma das missões de Apolônio foi a de ensinar aos seguidores de Jesus como manipular as leis da natureza. Alguns documentos dizem, e é verdade, que Apolônio fez milagres idênticos àqueles feitos por Jesus. O poder dele era tamanho que aonde ele chegava, as guerras eram interrompidas e os exércitos enterravam as suas armas. Também pregava, e para ouvi-lo vinham pessoas de lugares distantes. Apolônio, por sua vez, ensinou como usar as leis da natureza, explicou o como eram feitos os milagres dele e de Jesus, preparou os primeiros cristãos para disporem dos meios de curas e de todos os outros que Jesus utilizou.
Mostrou o poder das cores, mostrou que tudo na natureza é vibração, fez ver que existe uma polaridade (já constante dos Princípios Herméticos) em tudo quanto há, que as coisas podem ser manipuladas pela luz, pelo som e coisas assim. Ensinou o valor das cores, portanto como usá-las nos templos para obtenção de estados especiais de consciência. Ensinou como usar a música, que tipo de música é adequado nas diferentes situações, e restabelecer os meios utilizados pelas ciências herméticas. Ensinou simbolismo, ensinou a linguagem simbólica por meio da qual uma pessoa pode entrar em sintonia com planos superiores, com mundos hiperfísicos. Ensinou como se processam as transmutações
na natureza e como conseguir isso, como intervir no astral visando certos resultados. Deixou explicado como captar o poder inerente a cada coisa, a cada cor, a cada forma. Ensinou o poder dos cristais e dos aromas e como usá-los nos diferentes níveis. Assim estabeleceu formas de ampliação da consciência, permitindo que as pessoas pudessem ter acesso a níveis superiores de consciência, independentemente da interferência de forças espúrias. Trouxe ensinamentos de moral atingiam em cheio a maioria dos governantes dos locais por onde ele passou. Tendo o poder da profecia, ele também profetizou alguns acontecimentos que logo ocorreram. Era clarividente, interpretava sonhos, dominava espíritos. Assegurava-se que o vento e chuva obedeciam-lhe, e que até os pássaros o escutavam. Aconteceram fatos dados como misteriosos, entre eles, no dia de seu julgamento por desacato, à medida que o secretário escrevia sua acusação, as palavras misteriosamente se embaralhavam. Apolônio sofreu perseguições terríveis, que culminaram com várias condenações, como numa vez em que ele foi preso, julgado, e então falou para Damis e Demétrio esperarem por ele em tal dia e tal hora na praia. Quando chegou o dia e a hora marcados, ele simplesmente apareceu na praia, ao lado dos dois. Outra vez foi ameaçado de ser estraçalhado por uma matilha de cães ferozes. Quando ia ser atacado pelos cães, ele simplesmente sumiu diante da vista de toda uma multidão. Tamanho fenômeno contribuiu ainda mais para fazer crescer o mito sobre a pessoa de Apolônio. Depois da sua partida, foi escrito um livro com sua história e com grande parte dos seus ensinamentos, apresentado em forma de um evangelho com oito capítulos. Após a condenação e desaparecimento, os contrários ficaram livres da presença direta de Apolônio, mas a seu prestígio tornou-se logo lendário. Os perseguidores que já haviam experimentado com relativo sucesso o método do despistamento no seio do cristianismo primitivo, logo passaram a usá-lo entre os seguidores de Apolônio que, em sua quase totalidade, eram cristãos. Isto funcionou tão eficazmente que até hoje só um "expert" em ocultismo é capaz de distinguir o que não é e o que é autêntico. Assim, nos séculos futuros ele foi quase total e oficialmente esquecido, e o seu nome colocado na galeria dos mitos. Em todas as bibliotecas, foram colocadas obras falsas como sendo de Apolônio, que mais tarde geraram suspeitas pelas incoerências nelas contidas. A incredulidade a respeito daquele Mestre em parte se deve àquele trabalho de despistamento, e em parte à magnitude de tudo aquilo que ele realizou e que o qualificou como uma figura lendária. Assim sendo, quase tudo o que existe escrito sobre Apolônio, e sobre ensinamentos a ele atribuídos, em grande número é falso. Alguns documentos autênticos existem e são zelosamente guardados por algumas sociedades iniciáticas, e reservados aos iniciados nos Mistérios Maiores.
Sua obra: Do seu evangelho, existe uma pequena parte que já foi publicada. A um não-iniciado é possível a aquisição de apenas um trabalho autêntico, intitulado Nuctemeron, mas até mesmo dele existem algumas edições falsas. O título do livro significa: “O Dia de Deus que Resplandece nas Trevas”, (Deus está “aprisionado” em cada pessoa, ainda envolvida em trevas, esse título equivale ao desabrochar da Centelha Cósmica em cada um, ao desenvolvimento da consciência clara do Mestre de Cada Um). Na obra Nuctemeron, os ensinamentos de Apolônio são distribuídos como em um relógio em 12 horas, ou degraus, e a cada hora corresponde uma instrução especial. Os ensinamentos daquela obra são apresentados em linguagem um tanto velada. São ensinamentos de altíssimo nível iniciático.
Primeira Hora: "Os demônios entoam em conjunto louvores a Deus. Eles perdem a maldade e a ira”. Segunda Hora: "Mediante a dualidade, os Peixes do zodíaco louvam a Deus. As serpentes ígneas enrolam-se em torno do caduceu e o relâmpago torna-se harmonioso." Terceira Hora: "As serpentes do caduceu de Hermes se entrelaçam três vezes. Cérbero escancara sua tríplice goela e o fogo entoa louvores a Deus pelas três línguas do relâmpago." Quarta Hora: "Na quarta hora a alma regressa da visita aos túmulos. É o momento em que as quatro lanternas mágicas dos quatro cantos do círculo são acesas. É a hora dos encantamentos e das ilusões." Quinta Hora: "A voz das Grandes Águas entoa ao Deus das Esferas Celestiais." Sexta Hora: "O Espírito permanece impassível. Ele vê o monstro infernal vir ao Seu encontro e está sem medo." Sétima Hora: "Um fogo que dá vida a todos os seres animados, é dirigido pela vontade de homens puros. O Iniciado estende a mão e o sofrimento transforma-se em paz." Oitava Hora: "As estrelas conversam entre si. A alma dos sóis responde ao suspiro das flores. A corrente da harmonia faz todos os seres da natureza se harmonizarem entre si." Nona Hora: "O número que não deve ser revelado”. Décima Hora: "A chave do ciclo astronômico e do movimento circular da vida dos homens”. Décima Primeira Hora: "As asas dos Gênios movimentam-se com um misterioso rumorejar. Eles voam de esfera a esfera e levam as Mensagens de Deus de mundo a mundo”. Décima Segunda Hora: "Aqui se realiza, pelo Fogo, a Obra da Luz Eterna”.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.