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Capítulo 15 de 38

Hermes Trismegistros

As Vidas de Osvaldo Polidoro

Hermes foi o Grande Iniciado que mais conseguiu saber sobre a Divina Essência Criadora, Sustentadora e Destinadora de tudo e de todos.(Evangelho Eterno)

Do livro “Lei, Graça e Verdade” “Foram estudados Hermes Trimegisto e Pitágoras. Suas respectivas teologias brilharam celestialmente na palavra do verboso e lúcido expositor. Verdadeiramente, não haveria avalanches de falhas religiosas se todos os homens procurassem conhecer a torrente de verdades que aqueles dois Grandes Mestres derramaram sobre a Humanidade. Pena foi, sentenciou o expositor, que seus continuadores tenham posteriormente descambado para outros rumos, engendrando clerezias corruptoras, até mesmo adulterando os textos, colocando na boca dos Grandes Mestres aquilo que eles nunca disseram e, por outro lado, tirando aquilo que eles de fatos ensinaram. Todavia, brilhou nas alturas da abóbada religiosa, mais uma vez, a grandeza e a glória daqueles dois luminares da VERDADE, daqueles dois notáveis precursores do CRISTO. Falando aos encarnados ali presentes, salientou o expositor: — Acrescentando a essas duas teologias a GRAÇA da REVELAÇÃO trazida mais tarde por Jesus Cristo, para toda a carne, teremos a medida religiosa perfeita. As verdades básicas foram bem expostas, ficando entretanto adstritas aos poucos que entravam para o Grande Cenáculo. Não era ainda hora de serem abertas as portas do Templo da Sabedoria. Tudo ficaria em caráter esotérico, até que viesse AQUELE, o CRISTO, cuja função missionária seria rasgar o VÉU DE ÍSIS, ou como foi feito no devido tempo — batizar em Espírito! Tornar a carne toda herdeira da GRAÇA que é a REVELAÇÃO”

Do livro “A Bíblia dos Espíritas”: “Ó alma cega! Arma-te com o facho dos Mistérios e tu descobrirás, na noite terrena o teu Duplo Luminoso, a tua Alma Celeste. Segue esse Guia Divino e que ele seja o teu Gênio - Porque ele contém a chave das tuas existências passadas e futuras.” - G. I. Hermes fala, no Livro dos Mortos, à inteligência bruta do homem neófito, para que reconheça em si mesmo, no seu fundamento, uma Centelha Divina. Esta Centelha, avisa o Instrutor, é a mesma de sempre; é aquela que, um dia, por evolução, brilhará como jamais sol algum poderá brilhar. Guia Celeste, Alma Divina, Centelha Divina, tudo é a mesma coisa. Facho dos Mistérios é o mesmo que Excelsa Doutrina. No Caminho do Senhor, nome da Doutrina do Senhor até Constantino corrompê-la, para inventar o catolicismo, a Ciência dos Mistérios passou a se chamar Doutrina da Verdade. Quando Kardec foi fazer a Codificação, a Restauração Doutrinária, por ter sido a função missionária de Jesus o Batismo de Espírito, disseram os Espíritos Reveladores que o nome devia ser ESPIRITISMO. Isto fica bem saliente, para ser anti-sectário, apenas verdadeiro, acima de religiosismos e conchavismos de homens. O Espiritismo é Escola de Espiritualidade, nada tendo que ver com sectarismos quaisquer. Ensinará a amar a Deus em Espírito e Verdade, porque isso Deus é e deseja que Seus filhos venham a ser. Ensinará a usar tudo quanto seja mundos, formas e transições, sem os adorar, porque tudo quanto é matéria é apenas ferramenta de uso, nada mais. De modo geral e definitivo, a Doutrina que se fundamenta na Moral, no Amor e na Revelação, aponta ao filho de Deus o seu Templo Interior, onde as luzes do Amor e da Sabedoria, somente elas, realmente poderão iluminar para a eternidade. Hermes também quer dizer Cristo ou Verbo Divino. Foram quatro os Hermes.

Do livro “O Pentecostes”; Hermes Trismegisto, o verdadeiro criador do conceito ocultista, de par com as felizes verdades que proclamou, também truncou o caminho a muitos, se é que dele partiram certas disposições doutrinárias. Vejamos alguns luminosos textos: “Ser-me-á um dia permitido ver a Luz de Osíris? Respondem-lhe: Isso não depende de nós. A Verdade não se dá. Ou nós a encontramos em nós mesmos, ou nunca a encontramos. Nós não podemos fazer de ti um adepto; é necessário que tu o consigas por ti mesmo. O lótus pousa longo tempo sobre o rio, antes de desabrochar. Não apresses a eclosão da flor divina. Se ela tem de vir, ela virá na hora própria. Trabalha e ora”. Trabalhar e orar é desabrochar a flor divina. É, no dizer do Cristo, acender a Luz interior, fazer brilhar o olho interno, sem o que tudo serão trevas. Não é admissível que Hermes tenha caído em tão vasta contradição. Demais, sabemos

muito bem que nenhum espírito será jamais desfeito, como afirma, e sim que todos, mais tarde ou mais cedo, ressarcindo faltas e evolvendo, atingirão a chamada Luz de Osíris — Deus! A irretorquível verdade, essa fica saliente — cada qual deve realizar em si o problema do Reino de Deus, ou da Luz de Osíris. Notemos a grandeza deste texto; é completo em sua infinita simplicidade; é monismo integral: “Não existem verdades interiores e nem verdades exteriores, porque tudo é UM. O que está em cima é como o que está em baixo,e vice-versa, porque tudo partiu de só UM”. Vejamos como tratou da lei das reencarnações; por ele fala Ísis ao neófito: “Eu sou a tua irmã invisível, eu sou a tua alma divina e este é o livro da tua vida. Ele encerra as páginas cheias das tuas vidas pretéritas e as páginas brancas das tuas vidas futuras. Desenrola-las-ei todas, um dia, diante de ti.Ficas-me, entretanto, conhecendo. Chama-me e eu virei”. Em dois simples textos a síntese da mais pura e simples verdade — referência ao CENTRO GERADOR ou Deus, à centelha emanada e ao processo evolutivo através da lei reencarnacionista! Sem segredos, sem mistérios, sem empalhações tolas e presumidas, que a uns fizeram orgulhosos e a outros ignaros e tardos, acima de tudo obrigando a julgamentos temerários, pois para se julgar alguém desmerecedor é preciso qualificá-lo indigno

Segundo Schuré: Na Grécia, somente os templos masculinos e dóricos possuíam o segredo da ordem descendente das encarnações (que é simultânea à ordem ascendente das vidas: a involução produz e explica a evolução). Os templos jônios só a conheciam imperfeitamente. Toda a civilização grega era jônia, ficando tais conhecimentos obnubilados. Os seus grandes iniciados, de Orfeu a Pitágoras, de Pitágoras a Platão, todos pertencentes a essa ordem, reconhecem Hermes por seu mestre.

Procurar conhecer a vida de Hermes leva à dificuldade de levantar-se dados, já que muitos chegam a duvidar de sua existência, outros lhe dão caráter divino. Hermes Trismegisto é o nome de Hermes ou Thot em seu aspecto humano; Hermes, o aspecto divino, é mais que isso. Hermes Thot, misterioso e primeiro iniciador do Egito, tem seu nome relacionado com a primitiva miscigenação das raças branca e negra na Etiópia e Alto Egito. Hermes é personagem da tradição grega, que tem em Thot o seu correspondente egípcio e, em Roma, Mercúrio. Hermes Thot-Aah, a Lua, tem como símbolo o lado brilhante da Lua, a que contém a sabedoria criadora. Outro símbolo para Hermes Thot, Sabedoria, é a serpente. Segundo Platão, foi Hermes quem descobriu os números, a geometria, a astronomia e as letras. Para os egípcios, foi ele quem revelou os hieróglifos. Hermes Trismegisto significa três vezes grande, pois o tinham como rei, legislador e sacerdote. Sua época denomina-se “reino dos deuses”. São cerca de 42 os livros sobre ciências ocultas que lhe atribuem a autoria: o Caiballion, o Livro dos Mortos e a Tábua de Esmeralda são exemplos. (Existe uma versão dentro da tentativa do conhecimento do hermetismo que atribui a Hermes apenas a função sacerdotal e ritualística, não sendo uma pessoa, portanto, mas um papel desempenhado por homens). A referência mais antiga à Tábua de Esmeralda data do século VIII (por Dyâbir Ibn Hayyan), mas sabe-se que Alberto Magno já a conhecia em versão latina, mas pelo estilo é datada como sendo anterior ao séc VII, e como o seu conteúdo está em perfeita harmonia com a tradição alquímica (ou hermética), os próprios alquimistas admitem que ela está realmente vinculada à origem daquela tradição. O hermetismo em sentido estrito surgiu no final da época helenística, revivescendo um legado egípcio, compondose de um complexo de conhecimentos (astrologia, alquimia, magia) trazidos por Thot, sendo que ali a natureza é sempre encarada como manifestação do espírito. No esoterismo, o hermetismo volta-se à esfera cósmica, por oposição à esfera divina (ou puramente espiritual), aonde ela conduz. Os aspectos espirituais da natureza, cosmos e matéria são considerados pontes que o homem deve atravessar para espiritualizar-se. Seu campo de atuação é duplo: de um lado, busca elevar o homem ao conhecimento do divino por meio do conhecimento das leis naturais em que se expressa sutilmente uma intencionalidade divina. O preceito alquímico lege, lege, relege et invenies ("lê, lê, relê e encontrarás") refere-se menos aos livros do que à natureza mesma, considerada como uma criptografia divina. Decifrar essa criptografia permite "refazer" o homem, tanto na alma como no corpo. De outro lado, a tradição hermética crê que, assim fazendo, não beneficia apenas o homem, mas enobrece a natureza e a própria matéria, espiritualização do cosmos. (a transformação do chumbo em ouro designa esse enobrecimento da matéria e do homem). Em publicações sobre Hermes, temos a seu respeito: “Hermes viu a totalidade das coisas, compreendeu-a e pôde revelá-la”; sempre falando de sua morte como a partida de um Deus. O início da doutrina hermética é-nos dado pela descrição da visão de Hermes: “Um dia, após haver meditado sobre a origem das coisas, Hermes adormeceu. Um pesado torpor apoderou-se-lhe do corpo, mas à medida que aumentava o entorpecimento, o espírito subia nos espaços. Pareceu-lhe então que um ser imenso, sem forma definida, chamava-o pelo seu nome. Atemorizado, pergunta-lhe: “Quem és tu?”, e ouviu a resposta: “Osíris, a Inteligência Soberana. Posso revelar-lhe tudo. O que desejas?”; ao que respondeu: “Contemplar a origem dos seres, ó divino Osíris, e conhecer Deus.“

Foi, então, mostrado em visão tudo o que pedira: luzes, trevas, caos, rumores, o grito da luz, a eternidade. Abriuse a visão espiritual, o fogo sagrado da palavra criadora e desfilaram diante dele os mundos e humanidades, a origem e o destino das centelhas divinas, e assim Hermes deixa para seus sucessores o legado do conhecimento do céu invisível, da luz de Osíris, do Deus oculto no universo, respirando nos seres, animando os globos, os corpos. _________

Existem várias versões para a maneira pela qual A Tábua de Esmeralda teria sido descoberta. Uma delas, certamente uma lenda, diz que A Tábua de Esmeralda teria sido encontrada após o dilúvio em uma gruta rochosa, e que seu texto estaria gravado em caracteres fenícios em uma tábua de esmeralda; observemos que o próprio dilúvio tem lugar no simbolismo alquímico, como um símbolo para a fase da alquimia chamada Solutio, em que predomina o elemento água e tudo se dissolve nela. A água aparece também em outros sistemas como um símbolo para as emoções, que, quando em desarmonia, "dissolvem", por assim dizer, as estruturas psíquicas do ser; dentro deste contexto, sendo A Tábua de Esmeralda um texto que propõe, ainda que de forma velada, um caminho para a integração das partes em um todo, podemos ler isto como um indicativo para reintegrar as partes que foram alagadas e desintegradas, seja pelas águas, pelas emoções ou por qualquer outro fator de desintegração; isto é também válido para a própria reunificação do universo em uma coisa una; Uma outra versão, provavelmente uma lenda também, diz que a Tábua de Esmeralda teria sido encontrada pelos soldados de Alexandre, o Grande, no interior da Grande Pirâmide de Gizé, e que esta seria o túmulo de seu autor, Hermes Trismegisto. Esta mesma lenda diz que o texto da Tábua de Esmeralda teria sido gravado pelo próprio Hermes com uma ponta de diamante sobre uma tábua de esmeralda, vindo, daí, o seu nome; O Glossário Teosófico de Helena P. Blavatsky (Editora Ground) explica que A Tábua de Esmeralda "foi encontrada por Sarai (!), esposa de Abraão, no corpo morto de Hermes, e que assim o dizem os cabalistas cristãos e os maçons". Destaca que, "na Teosofia, considera-se isto uma alegoria" e indaga se "poderia significar que Sarai-Swati, esposa de Brahma, ou deusa da ciência e sabedoria secreta, encontrando ainda muito da sabedoria antiga latente no corpo morto da Humanidade fez reviver tal sabedoria, o que poderia ter levado ao renascimento das Ciências Ocultas, durante tanto tempo esquecidas em todo o mundo".

_____________ TRECHOS DE “A TÁBUA DE ESMERALDA” "É verdade, sem engano, certo e muito verdadeiro; o que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo; por tais coisas se fazem os milagres de uma coisa só;” "Assim como todas as coisas são e procedem do Uno, pela mediação do Uno, assim todas as coisas nasceram desta coisa única, por adaptação”; "O Sol é seu pai, a Lua sua mãe. O Vento trouxe-a em seu ventre. A Terra o alimenta e é o seu receptáculo”; "O Pai de tudo, o Telesma universal está aqui”; "A sua força permanece inteira quando se converte em terra”; "Separarás a terra do fogo, o sutil do espesso, suavemente, com grande habilidade”; "Sobe da Terra ao Céu e desce novamente à Terra e recebe a força das coisas superiores e das coisas inferiores; "Por este meio obterás a glória do mundo e toda obscuridade se afastará de ti”; "É a força forte de toda força, pois vencerá toda coisa sutil e penetrará toda coisa sólida”; "Assim o mundo foi criado; disso sairão adaptações admiráveis cujo meio é dado aqui”; "Por isso me chamam Hermes Trismegisto, porque possuo as três partes da sabedoria do mundo inteiro”; "O que eu disse sobre a operação do Sol está completo."

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.